Do orgulho do pioneirismo à frustração do conformismo

Saramago, Valter Hugo Mãe, Mia Couto.

Esses três escritores – um português, um angolano e outro moçambicano – tem uma coisa em comum: eles são parte de uma revolução na língua portuguesa. Sim, eu sei que Saramago já nos deixou – mas isso faz tão pouco tempo que tomei a liberdade de ignorar sua morte para me concentrar em sua obra.

Vamos à questão da revolução.

Basta ler As Intermitências da Morte ou Ensaio sobre a Cegueira para ficarmos babando nos períodos longos e virgulados de Saramago, em uma maestria que confere a cada texto um ritmo inacreditável.

O que dizer sobre a tetralogia das minúsculas – os quatro pesadíssimos livros de Valter Hugo Mãe que abole até as letras maiúsculas e os pontos de interrogação para fazer as histórias fluírem melhor?

Mia Couto? As palavras que ele inventa, por exemplo, em Terra Sonâmbula, são poesias à parte. Cada frase sua é um livro, eu diria.

Mas sabe o que isso tem a ver conosco? Nós, brasileiros, somos a raiz de toda essa revolução. Não costumamos nos dar tanto crédito, mas todos esses gênios estão fazendo hoje o que Mário de Andrade e Guimarães Rosa, para ficar apenas em dois exemplos, fizeram no começo do século passado.

Sim: apesar de não sermos os inventores do nosso idioma, fomos nós que primeiro os tiramos do ostracismo, sacudimos os seus antiquados tradicionalismos e o fizemos se curvar às histórias. Aliás, é isso que define a revolução de um idioma: fazer com que as suas regras ortogramaticais obedeçam às histórias para as quais ele foi criado, e não o contrário.

Tá… mas qual o ponto de tudo isso?

Não se trata apenas de bater no peito e arrotar o orgulho dos pioneiros. Trata-se de entender que, hoje, enquanto outros países lusófonos do mundo estão seguindo um movimento que nós iniciamos, nós estamos aqui, metamorfoseados em seguidores.

Já passou da hora de impormos ao mundo uma forma nova de contarmos histórias.

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A maior promoção do ano está no ar!

Tradicionalmente, a maior promoção do ano ocorre no Black Friday – lá em novembro. Desde os dois últimos anos, no entanto, simulamos essa tão aguardada data também no primeiro semestre, mais precisamente em março. E é exatamente o que faremos de novo agora.

De hoje, dia 8, até a quarta da semana que vem, dia 15, todos os impressos do Clube estarão com desconto de até 35%!

O desconto é substancialmente maior do que o que costumamos dar aqui em períodos promocionais – outro assim, provavelmente, só lá em novembro! Para quem quiser, é hora de aproveitar. As regras, como todos sabem, permanecem as mesmas:

1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;

2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final do dia 15.

Boas vendas!

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O mercado editorial tradicional já morreu

Antes de abrirmos o Clube de Autores, o CEO de uma das maiores redes de livrarias brasileiras veio até nós e nos aconselhou fortemente a “não seguir adiante com uma ideia que certamente não conseguiria se sustentar nem por um punhado de meses uma vez que o mercado é de quem tem tradição e habilidade em lidar com as complexidades de um país como o nosso”. 8 anos se passaram e estamos aqui, de pé, crescendo e com uma base de mais de 50 mil autores, enquanto a tal rede de livrarias – embora ainda uma gigante perto de nós – enfrenta dificuldades financeiras potencialmente fatais.

Não digo isso para tripudiar deles ou para me vangloriar do Clube – não são os egos que estão em jogo aqui. O que está em jogo é o futuro dos livros.

Por que? Porque, até então, o futuro dos livros estava nas mãos desses grandes livreiros e editores que, de uma forma ou de outra, nos trouxeram até aqui. Foram esses livreiros e editores que entregaram ao grande público brasileiro não apenas os Dostoiévskis, os Prousts e os Tolstois como também os Graciliano Ramos, os Guimarães Rosas, as Cora Coralinas. Foram estes então destemidos aventureiros que nadaram pelas letras do nosso país e pescaram preciosidades que para sempre mudaram as nossas próprias feições culturais.

Mas eles envelheceram, tornaram-se decrépitos ranzinzas incapazes de entender as mudanças pelas quais o mundo já passou. Cansados, eles pararam de assumir os riscos necessários de garimpar novos talentos e entregaram-se ao inferior trabalho de vender apenas os estrangeiros já testados e comprovados em outras terras. Teimosos, eles transformaram essa terra maravilhosa em um mercado puramente consumidor (e não produtor) de literatura.

O resultado desse pensamento retrógrado, de um senso de inferioridade constrangedor? Esses próprios editores e livreiros brasileiros estão conseguindo quebrar o nosso mercado editorial no mesmo momento em que a avidez pelo livro passou a crescer exponencialmente. Nunca se leu tanto no Brasil como agora – mas nunca uma crise tão avassaladora se abateu sobre o mercado editorial brasileiro. Para ficar em dois números simples, divulgados recentemente pela SNEL: o faturamento do mercado de livros caiu 3,09% em 2016 em relação a 2015; em volume de vendas, a queda foi ainda maior: 10,84%. Só há más notícias no mundo dos velhos editores e livreiros. Só há pesadelos.

Sim, algo está errado – não é a primeira vez que escrevo sobre isso aqui no Clube. Aliás, já peço desculpas por estar cansando os autores com essa insistência em requentar o mesmo assunto – mas é que o assunto é importante.

O assunto é uma mensagem.

Você, autor, que sonha em ser descoberto por alguma grande editora e viver como um Hemingway dos trópicos, desista desse sonho. Hemingway nasceu em outros tempos, em outros lugares – e, é sempre bom relembrar, acabou com a própria vida.

O tempo de Hemingway não existe mais: editoras não descobrem mais ninguém, nem lá fora e muito menos aqui dentro. Editoras não fazem nem ideia de como trafegar por essa nossa nova realidade.

Sabe quem consegue garimpar mercado hoje?

O próprio autor.

Você.

Nosso tempo é o tempo de quem sabe (ou tem vontade de aprender a) cuidar da sua obra e lutar pelo seu público.

Nosso tempo é o tempo de quem está disposto a se alforriar desses sonhos sem base de um mundo que já não existe mais para batalhar pelo seu próprio espaço.

Aproveitemos melhor essa revolução.

Grumpy-old-man

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Recebi uma mensagem de Susanna Florissi

Susanna, para quem não sabe, é uma editora que trabalhou conosco, aqui no Clube, ao longo de boa parte do ano passado. Dentre muitas outras coisas, ela é responsável pelo comitê que cuida e promove a língua portuguesa em nome da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

A mensagem que recebi dela foi sobre um programa voltado especialmente para professores do português – um clube onde se discutirá não apenas as tantas idiossincrasias do nosso belíssimo idioma mas também sobre como lidar com ele em sala de aula.

Como entendo que todos nós aqui no Clube somos entusiastas da língua portuguesa, me vi na obrigação de divulgar o programa. Ei-la:

Caros Professores e entusiastas da Língua Portuguesa,

Como Profissionais de Ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE), é importante que ajudemos a difundir a Língua Portuguesa pelo mundo, compartilhando ideias, experiências e conteúdos para aulas.

Por isso, gostaríamos de apresentar a vocês nosso novo projeto: o Clube de Professores Torre de Babel. Nosso objetivo é disponibilizar diferentes caminhos para Professores de PLE ou demais pessoas ligadas à Língua Portuguesa e questionar temas relevantes relacionados à gramática do português e à cultura brasileira para serem aplicados em sala de aula.

Assim, o Clube será uma oportunidade de reunião de profissionais de PLE para construção de materiais autênticos, aulas mais estruturadas e troca de experiências. Serão dois encontros mensais, toda sexta-feira, com os temas já estabelecidos abaixo. O profissional interessado poderá se inscrever nos encontros que tem interesse de maneira avulsa ou optar pelopacote mensal.

Confira os temas dos encontros:

Clube do Professor Torre de Babel

Março
10/03 – Aspectos da prova oral no exame Celpe-Bras
24/03 – Aspectos da prova escrita no exame Celpe-Bras

Abril
07/04 – Como trabalhar com materiais autênticos
28/04 – Dificuldades mais comuns para alunos falantes de espanhol

Maio
12/05 – Como abordar gírias e expressões idiomáticas
26/05 – Estratégias para o ensino da fonética

Junho
09/06 – O uso da tradução em sala de aula
23/06 – Como tratar o uso dos pronomes

Público-alvo: Professores de Português para Estrangeiros ou demais interessados na área
Investimento: R$100,00 por encontro (ou pacote promocional de R$150,00 por mês)

Local: Torre de Babel – Avenida Paulista, 726 – cj. 501 – São Paulo-SP

As inscrições já estão disponíveis e poderão ser realizadas com Maria Lucia por e-mail (mlucia@torredebabel.com.br) ou pelo telefone 11 3289-3291.

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