Há o que se comemorar hoje?

Hoje é de setembro, dia da nossa Independência.

Na semana passada, um dos mais importantes museus da nossa história desapareceu, sob chamas, por culpa do mais puro descaso dos que deveriam ser as nossas autoridades.

Estamos em plena época eleitoral em que a maior crítica do eleitor é justamente a falta de candidatos capazes de honrar o cargo a que se propõem.

Nossa atual classe política divide-se entre o congresso e o presídio.

Nossas cidades estão infestadas de violência e arruinam-se em tons opostos aos esperançosos ufanismos de candidatos de todos os partidos.

Há o que se comemorar hoje?

Difícil responder. Mas há – e isso é indiscutível – muito a se pensar e repensar sobre o que queremos para o nosso futuro.

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Promoção em todos os impressos do Clube!

Desde hoje, dia 5, até o dia 13, todos os impressos do Clube estarão com desconto de até 20%!

Vamos às regras:

1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;

2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final da quinta, 13/09!

Boas vendas e bons presentes!!!

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Um triste dia para a nossa história

Há dois tipos de história que costumam conviver para formar identidades, culturas e pensamentos: a factual, documental, prática; e a lúdica, que funciona como uma espécie de cola ideológica entre as coisas e seus significados.

Essas duas histórias são fundamentais para qualquer povo, até porque uma depende da outra.

Toda a imagem que fazemos da época do império, por exemplo, vem das narrativas sobre a vida dos nossos três reis – D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. Pensamentos forjados naqueles tempos distantes formaram as correntes ideológicas que fizeram tanto os personagens de Machado de Assis quanto os discursos inflamados de Antônio Conselheiro, lá em Canudos. Há como se afirmar até que toda a brasilidade meio que surgiu daquele tempo de palácios e pompas mesclados com profanidades e arroubos tão heróicos quanto egocêntricos.

São narrativas expressas em livros, históricos ou fictícios, que pintam um retrato perfeito de como era a vida naqueles tempos tão distantes do que hoje somos – mas, ao mesmo tempo, tão fundamentais para que tenhamos chegado até aqui.

Essas narrativas, claro, não surgiram apenas de testemunhas oculares da época: a memória humana venceu o tempo a partir do momento em que conquistamos a escrita e a capacidade de documentar fatos.

As pedras brutas da nossa história, portanto, são esses fatos, esse conjunto de documentos, quadros, esculturas, móveis e demais coisas que provam as formas de um tempo que não existe mais.

É com essas pedras brutas que historiadores e escritores debruçam-se no passado, descrevendo-o como presente para que possamos construir futuros mais esclarecidos, conhecedores dos tantos erros e acertos que sociedades cometem ao longo dos seus ciclos de vida.

Assim, da mesma forma que não há futuro sem passado, não há também histórias sem fatos práticos que embasem seus enredos.

No domingo passado, dia 2 de setembro, o Brasil perdeu quase 20 milhões de fatos que compunham o acervo de um dos nossos principais museus, o Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Foi um dos dias mais tristes para a nossa História desde que ela foi oficialmente constituída pelos mesmos reis que, de algum lugar, viram seu palácio desaparecer sob as chamas do descaso.

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Um triste dia para a nossa história

Há dois tipos de história que costumam conviver para formar identidades, culturas e pensamentos: a factual, documental, prática; e a lúdica, que funciona como uma espécie de cola ideológica entre as coisas e seus significados.

Essas duas histórias são fundamentais para qualquer povo, até porque uma depende da outra.

Toda a imagem que fazemos da época do império, por exemplo, vem das narrativas sobre a vida dos nossos três reis – D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. Pensamentos forjados naqueles tempos distantes formaram as correntes ideológicas que fizeram tanto os personagens de Machado de Assis quanto os discursos inflamados de Antônio Conselheiro, lá em Canudos. Há como se afirmar até que toda a brasilidade meio que surgiu daquele tempo de palácios e pompas mesclados com profanidades e arroubos tão heróicos quanto egocêntricos.

São narrativas expressas em livros, históricos ou fictícios, que pintam um retrato perfeito de como era a vida naqueles tempos tão distantes do que hoje somos – mas, ao mesmo tempo, tão fundamentais para que tenhamos chegado até aqui.

Essas narrativas, claro, não surgiram apenas de testemunhas oculares da época: a memória humana venceu o tempo a partir do momento em que conquistamos a escrita e a capacidade de documentar fatos.

As pedras brutas da nossa história, portanto, são esses fatos, esse conjunto de documentos, quadros, esculturas, móveis e demais coisas que provam as formas de um tempo que não existe mais.

É com essas pedras brutas que historiadores e escritores debruçam-se no passado, descrevendo-o como presente para que possamos construir futuros mais esclarecidos, conhecedores dos tantos erros e acertos que sociedades cometem ao longo dos seus ciclos de vida.

Assim, da mesma forma que não há futuro sem passado, não há também histórias sem fatos práticos que embasem seus enredos.

No domingo passado, dia 2 de setembro, o Brasil perdeu quase 20 milhões de fatos que compunham o acervo de um dos nossos principais museus, o Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Foi um dos dias mais tristes para a nossa História desde que ela foi oficialmente constituída pelos mesmos reis que, de algum lugar, viram seu palácio desaparecer sob as chamas do descaso.

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Verdade ou ficção?

Qual livro é mais fidedigno: Os Sertões, de Euclides da Cunha, ou Guerra do Fim do Mundo, de Vargas Llosa?

Já começo aqui pedindo desculpas se ofendo qualquer um com meu próprio gosto literário. Não nego, nem poderia negar, a poderosíssima importância histórica dos Sertões: sem ele, todo um tempo-espaço do nosso país seria desconhecido.

Mas, entre as páginas e mais páginas de dados históricos, há uma narrativa chata, insuportável, daquelas que faz o leitor questionar seriamente a sua própria sanidade caso pense em prosseguir até a última página. Os Sertões é tão linearmente verdadeiro que ele ultrapassa as fronteiras da chatice aceitável.

Mude, agora, de livro: vá para A Guerra do Fim do Mundo.

A história é a mesma: a Canudos de Antônio Conselheiro; a narrativa, por outro lado, é extremamente diferente.

Sim, há dados históricos e personagens inquestionavelmente verdadeiros. Mas há também pequenas corruptelas – como o fictício Barão de Canabrava, representando o Brasil velho e que, na vida real, provavelmente era o Barão de Jeremoabo.

Há cenas que poderiam facilmente ter existido – como diálogos entre soldados e jagunços – mas que dificilmente teriam sido exatamente aqueles, proferidos exatamente por aquelas pessoas. São alguns dos melhores diálogos de uma obra prima digna do Prêmio Nobel, acrescento.

Há realidade, sem dúvidas, algo comprovado por séries de referências históricas encontradas nos próprios Sertões de Euclides da Cunha. Mas, para aqueles momentos em que a realidade fica chata ou obscura demais, há a ficção com sua pulsação mais forte, mais densa, mais intensa.

O que, no fim, importa mais?

Uma realidade tão enfadonha quanto todas as realidades que existem, ainda que de uma densidade aterrorizante como a de Canudos do fim do século XIX, ou uma visão romanceada e, portanto, mais emocionante, dela?

A pergunta foi retórica: para mim, pelo menos, a verdade mais verdadeira, aquela que pode ser esticada em uma simples linha de tempo, é apenas um livro mal escrito.

A verdade que fica para a posteridade, afinal, é sempre a versão mais bem contada da história.

canudos-bahia

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