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Tipos de personagens na ficção: planos x redondos

Um das etapas mais importantes do desenvolvimento de um livro de ficção é o planejamento dos personagens. Afinal, é a partir de suas personalidades, experiências e motivações que a história toma forma (ou desanda completamente).

Por esse motivo, ao planejar uma narrativa, é muito importante pensar nos motivos que fazem os personagens tomar determinadas decisões ou agirem de uma forma e não de outra. Mas fique tranquilo: essa tarefa não precisa ser complicada e nem é necessário aprofundar-se muito na construção de toooooodos que aparecem na trama.

Com isso em mente, você pode estar se perguntando quando dar atenção especial a uma personalidade ou como descobrir se seu personagem precisa de mais complexidade, certo? E é justamente sobre isso que falaremos neste post, confira!

Saiba mais: O que é a Lei de Tchekhov e qual sua importância para a literatura?

Tipos de personagem

Primeiramente, cabe esclarecermos que os personalidades com baixa complexidade também são importantes para as histórias de ficção. Afinal, nem todos que aparecem na trama precisam, necessariamente, ser envolvidos em situações de conflito que colocam seu caráter à prova.

Dito isso, podemos passar ao ponto seguinte: os diferentes tipos de desenvolvimento. Para isso, apresentaremos a seguir dois conceitos bastante populares entre os estudiosos de literatura e cinema, que explicam personalidades simples (planas) e complexas (redondas). Entenda:

O que são personagens planos?

Personagens planos (do inglês, flat characters) possuem emoções, motivações e personalidades simples. Entre as principais características deste tipo estão:

  • Ausência de conflitos internos;
  • Passado e experiências vividas não representam “pontos de virada” em sua personalidade;
  • Não há mudanças nas motivações ou forma de agir;
  • Previsibilidade das ações.

Considere, por exemplo, Gina Weasley da saga Harry Potter.
Ao longo dos sete livros, não há muito o que destacar em relação a ela. Seu papel na história é, basicamente, ser a irmã dos meninos Weasley e a parceira romântica do protagonista. Do começo ao fim, sua personalidade é exatamente a mesma.

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Mas fique atento: essas características também podem ser observadas em personagens principais!


Sherlock Holmes, o famoso detetive que deu origem a séries, livros e filmes é um exemplo de protagonista plano. Mesmo com personalidade peculiar e marcante, situações inusitadas e histórias envolventes, o caminho percorrido é sempre o mesmo. No fim, o mistério é desvendado sem alterar a forma como ele se comporta e nenhum acontecimento ao longo da história consegue provocar emoções diferentes das já previstas inicialmente no heroi.

O que são personagens redondos?

Como já era de se imaginar, os personagens redondos (round characters) são justamente o oposto dos planos. São motivados por experiências complexas e mudam conforme a narrativa se desenrola. Suas emoções e decisões não são sempre previsíveis e moldam-se à história.

Confira as características mais comuns deste tipo:

  • Conflitos internos evidentes;
  • Acontecimentos representam “pontos de virada” nas decisões do personagem;
  • Não é possível prever todas as suas emoções.

Para ilustrar melhor a personalidade redonda, tomaremos como exemplo Meredith Grey, do seriado Grey’s Anatomy. E mesmo que você nunca tenha assistido, basta saber que a protagonista está presente nas mais de 16 temporadas. Dificilmente um personagem com pouco desenvolvimento e emoções simples renderia tantas histórias, certo?

Na série, Meredith começa como interna, depois residente no hospital e, por fim, torna-se uma prestigiada Cirurgiã Geral. No desenrolar das coisas, assistimos a conflitos amorosos, pessoais, profissionais, éticos, sociais e por aí vai. Cada acontecimento é refletido de forma evidente na personalidade da protagonista – é possível, sim, reconhecer o caráter da recém graduada Meredith das primeiras temporadas, mas também conseguimos identificar as transformações de comportamento conforme a história corre.

Leia também: Tudo sobre o método Snowflake de contar histórias

4 dicas para “arredondar” seu personagem principal, caso esse seja o objetivo:

Agora que você já sabe as diferenças entre os tipos de personalidade, confira algumas dicas importantes que podem ajudá-lo a criar personagens mais complexos para sua narrativa!

  1. Trace um perfil completo, incluindo acontecimentos passados e tudo o que levou o personagem até o momento da história. Nem tudo precisa aparecer com detalhes na história, mas contar um pouco sobre essas experiências ajuda a tornar esses traços mais evidentes.
  2. Adicione “migalhas de pão” ao longo da narrativa que ajudarão o personagem a chegar ao ponto de mudança. Pequenos acontecimentos podem ir moldando sua personalidade aos poucos até que a transformação total aconteça.
  3. Deixe as necessidades x desejos bem claros do começo ao fim. Assim será mais fácil identificar os motivos que conduziram seu protagonista até as emoções sentidas em determinado momento da história.
  4. Crie situações interessantes e envolventes! Lembre-se que o personagem é importante, mas todo planejamento só fará sentido com uma boa narrativa dos fatos e diálogos bem construídos.

E aí, está pronto para criar seus próprios protagonistas e coadjuvantes?

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Proclamação da República: 5 livros para ler em novembro

Há muitos e muitos anos os cafeicultores do Oeste Paulista uniram-se aos militares e apoiaram o golpe que deu origem à República Brasileira. Marechal Deodoro foi, então, eleito indiretamente como o primeiro presidente do Brasil.

De 1989 pra cá, muita coisa aconteceu: renúncias, golpe militar, ditadura, ex-presidente preso, impeachment, corrupção e um desgoverno que se parece muito mais com um seriado do Netflix do que com a realidade.

Vivemos tempos distópicos e estamos cada vez mais desinformados (mesmo com informações circulando cada vez mais rápido). Mais um motivo para conhecer a história do nosso país e investigar o passado da democracia, buscando aprendizados e evitando que o passado se repita.

Por isso, em comemoração ao Dia da Proclamação da República (15 de novembro), preparamos uma lista de livros sobre o tema, publicados aqui no Clube de Autores. Confira!

5 livros sobre a república brasileira:

1. Estrutura Política na República

Autora: Gisele Finatti Baraglio
Sinopse: Para efetivamente analisar as práticas políticas preconizadas durante a República Velha (1889-1930) suas estruturas político, legislativa, não apenas sob a ótica econômica, embora não se possa furtar ao tema, e assim tentar reconhecer seus vestígios com o atual contexto político do Brasil, enfocando também a redemocratização do sistema político (1986 – 2012).

2. A República Velha

Autor: Frâncio Gosling Silva Mendonça
Sinopse: Denomina-se República Velha o período que vai da Proclamação da República (1889) à Revolução de (1930), À primeira parte desse período (1889-1894) dá-se o nome de República da Espada, em virtude de o governo presidencial encontrar-se nas mãos de militares (Deodoro e Floriano) marechais. E a partir de 1984, com a eleição de Prudente de Morais, temos o inicio da República das oligarquias, que durou até 1930, onde a maioria dos presidentes e demais políticos estavam ligados à monocultura do café.

3. Brasil: República Federativa

Autor: Israel Foguel
Sinopse: (…) A história da República Brasileira iniciou-se em 1889 com a Proclamação da República e acompanhou todo o período posterior, até o século XXI. A difusão dos ideais republicanos remonta ao período colonial, como durante a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, no final do século XVIII.
República é uma palavra que descreve uma forma de governo em que o Chefe de Estado é eleito pelos representantes dos cidadãos ou pelos próprios cidadãos, e exerce a sua função durante um tempo limitado. Esta palavra deriva do latim “res publica”, expressão que pode ser traduzida como “assunto público”.
Neste livro vamos apresentar o início da república bem como a história de todos os 38 presidentes que o Brasil já teve dentro desta forma de governo.

4. O indígena na República Velha: as instituições de “proteção” no Rio Grande do Sul

Autor: Darni Pillar Bagolin
Sinopse: (…) Esta obra partiu de um trabalho feito com muita dedicação e empenho durante o curso de mestrado em História pelo PPGH – Programa de Pós-Graduação de História da UPF, Universidade de Passo Fundo, sob a orientação concluída em 2009 pelo Prof. Dr. Tau Golin e posteriormente determinadas passagens dessa dissertação deram origem como coautor, á um capítulo no livro Fazendo História Regional, com autores de diversas temáticas, através da Editora Méritos possibilitado por Charles Pimentel e equipe docente do curso na época.

5. Brasil: Colônia, Império e República

Com uma história que já perdura por mais de cinco séculos, o Brasil esbanja uma variedade geográfica e cultural riquíssima, hoje em dia, muito por conta de todos os capítulos que já foram contados e registrados. (…)

Através deste livro você faz um retorno a todos estes momentos históricos, com a biografia daqueles que estiveram no poder do Brasil, tanto no império quanto na república.

De 1500 até o impeachment de Dilma Rousself no dia 31 de agosto de 2016 (por 61 votos a favor e 20 votos contra).

E aí, o que achou das sugestões? Conta pra gente nos comentários! :)

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5 livros LGBTI incríveis

No dia 28 de junho, é celebrado o Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex). A data surgiu a partir dos protestos ocorridos em 1969, nos Estados Unidos e, desde então, o mês de junho é dedicado para reflexão sobre os direitos de indivíduos LGBTIs. 

Por isso, criamos uma lista com 5 livros populares para serem lidos no mês do orgulho LGBTI! Confira:

Com amor, Simon

O livro de Becky Albertalli narra o romance de Simon, um adolescente que não conversa sobre sua orientação sexual com ninguém. Enquanto lida com suas dúvidas e inseguranças, Simon apaixona-se por um colega não identificado com quem troca e-mails. A história questiona os padrões sociais e já foi adaptada para os cinemas!

O fim do armário

Nesta obra, Bruno Bimbi denuncia iniciativas homofóbicas que partem se pastores, políticos, apresentadores de TV e autoridades da igreja católica. O livro tem viés jornalístico e aborda todas as histórias de forma séria instigante. 

Me chame pelo seu nome

O livro que inspirou o filme indicado ao Oscar em 2018 foi escrito por Aciman André. No romance, Elio, filho de um importante professor universitário, apaixona-se por um escritor que trabalha com seu pai. A obra aborda o relacionamento com delicadeza e profundidade, de uma forma raramente vista antes.

Azul é a cor mais quente

A obra é uma tradução da novela gráfica francesa de Julie Maroh. No livro, Clementine, uma jovem de 15 anos, apaixona-se por Emma e descobre sua sexualidade. A história narra os primeiros encontros, descobertas e desafios da jornada da adolescente e também já teve adaptação para o cinema.

Bônus: Publicado no Clube de Autores

E que tal prestigiar também os autores independentes?

O livro chamado Sentimentos Gay, do autor Igor Ruzo surgiu a partir de uma página do facebook, e apresenta versos, frases e pensamentos LGBT. 
O primeiro volume foi publicado em 2014 e, em seguida, foram lançados mais duas edições.

Confira todas as edições do livro.

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Por que precisamos escrever e falar sobre o Nazismo?

A relação do Brasil com o nazismo poderia ter ficado na década de 30. Entretanto, não é preciso ir muito longe para confirmar que o assunto vez ou outra ultrapassa os livros de história e se confunde com pautas do século XXI. 

Em 2018, por exemplo, às vésperas da eleição presidencial no Brasil, o tema voltou a ser debatido nas redes sociais. Desde então o Google registrou a maior tendência de busca dos últimos cinco anos incluindo os termos “o que é nazismo?”. Recentemente, outros debates envolvendo figuras políticas fizeram com que o gráfico voltasse a subir.

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Captura do Google News, 20/01/2020

O nazismo é proibido em diversos cantos do mundo, mas a discussão sobre ele não deve acabar. Principalmente enquanto os brasileiros demonstram ter dúvidas básicas sobre a ideologia que resultou na morte de mais de 6 milhões de pessoas em campos de concentração motivada, principalmente, pelo antissemitismo (aversão aos judeus) e a ideia racista de superioridade do homem branco. 

Foram esses moldes que conduziram a Alemanha à Segunda Guerra Mundial. E, ainda que Holocausto e o regime totalitário de Hitler tenham ocorrido em solo alemão, cabe lembrar que o nazismo também chegou ao Brasil, com seguidores ostentando suásticas preta e vermelha e declarando-se adeptos aos seus ideais. 

Tudo isso, sem mencionar o integralismo, movimento político brasileiro ultranacionalista, chamado de Ação Integralista Brasileira (AIB), que esteve próximo do Partido Nazista na época e compartilhava de muitos de seus princípios.

“Em alguns lugares, como em Santa Catarina, a sede dos dois partidos chegou a funcionar no mesmo lugar, o que mostra um trabalho em conjunto. Porém, da parte do governo de Hitler, tal união não era bem vista. Seus representantes chamavam o integralismo de ‘fascismo tupiniquim'”, explica Ana Maria Dietrich, professora adjunta de Ciências e Humanidades e de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC, em sua entrevista para o UOL TAB.

Ana Maria Dietrich também é autora do livro “Nazismo Tropical?”, publicado em 2012 pelo Clube de Autores. Em sua obra, a professora informa sobre a atuação do Partido Nazista no Brasil, localizando as questões de raça ao contexto verde e amarelo, onde o ódio era (e ainda é) direcionado principalmente a pessoas negras e miscigenadas (mistura de diferentes etnias).

E, já que o nazismo vive ainda disfarçado de outros preconceitos, livros como o Nazismo Tropical? são fundamentais para compreendermos nossa relação histórica com o movimento e, principalmente, conseguirmos identificar expressões mascaradas da ideologia nos dias de hoje. Seja através de editoras ou publicações independentes, devemos continuar incentivando o diálogo a fim de conhecermos até mesmo as partes mais clandestinas de nossa história.

Para saber mais sobre a clandestinidade do Partido Nazista em solo brasileiro, confira a matéria da UOL TAB.

Quer saber como publicar seu livro independente pelo Clube de Autores? Confira nosso guia de autopublicação!

Créditos da imagem principal: John Ondreasz

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Concursos literários 2020: as primeiras oportunidades

O ano mal começou e os escritores já estão à procura dos famosos concursos literários para inscrever suas obras. Poemas, contos, biografias, ficção… são muitas opções para participar, de acordo com o gênero que mais te interessa. Se você faz parte deste time, dê uma olhada nas primeiras oportunidades do ano:

Para começar, o Clube lançou seu primeiro desafio literário =)
A proposta é a escrita de uma crônica sobre a quarentena e tem como objetivo estimular a criatividade dos escritores em um período de tantas incertezas neste início de 2020.

Confira as regras do desafio do Clube de Autores.

Agora sim, vamos aos demais!

JANEIRO

5º Concurso Literário Conto Brasil

O tema é livre e cada autor poderá enviar somente um conto, de até 2.100 caracteres (contando espaços), que deverá ser inédito no meio impresso. A inscrição é permitida para autores brasileiros maiores de 16 anos residentes em qualquer região do país. 

Prazo: 10 de janeiro
Mais informações: http://editoratrevo.com.br/premios/conto-brasil/

Prêmio Poesia Agora – Verão 2020

O tema é livre e cada autor poderá enviar somente um poema, que deverá ser inédito no meio impresso. A inscrição é permitida para autores brasileiros maiores de 16 anos residentes em qualquer região do país.

Prazo: 18 de janeiro
Mais informações: www.editoratrevo.com.br/poesiaagora

Prêmio Barco a Vapor 2020

Focado em obras de ficção nos gêneros romance e novela para crianças e jovens. Podem se inscrever autores residentes no Brasil.

Prazo: 31 de janeiro
Mais informações: http://barcoavapor.smeducacao.com.br/16-premio-cadastro-inscricoes/

FEVEREIRO

Prêmio Trema Verão 2020

Focado em prosas, o prêmio é aberto a todos os interessados. A inscrição é feita pela internet, conforme regulamento.

Prazo: 24 de fevereiro
Mais informações: https://www.trema.com.br/regulamento

e-Antologia – O Lado Poético da Vida

Seleção de crônicas em concurso aberto a todos os autores da língua portuguesa.

Prazo: 28 de fevereiro
Mais informações: https://rosimeirepiredda.wixsite.com/escritora/concurso

Prêmio Edebê de Literatura 

Autores podem inscrever livros inéditos – Infantil e Juvenil. Haverá premiação em dinheiro e publicação da obra.

Prazo: 29 de fevereiro
Mais informações: http://www.edebe.com.br/premioliteratura

MARÇO

Prêmio Todavia de Não Ficção

As obras inscritas devem corresponder ao tema: Livros Inéditos – Jornalismo/Reportagens, Biografias. O concurso é aberto a residentes do Brasil e o prêmio é um contrato de edição com valor pré-fixado.

Prazo: 17 de março
Mais informações: https://todavialivros.com.br/premio

ABRIL

Prémio Literário do Município de Mafra

Sob a categoria de Livros Inéditos – Poemas, o concurso é aberto a todos os interessados, sem restrição de cidadania.

Prazo: 30 de abril
Mais informações: https://www.cm-mafra.pt/pages/1144?news_id=488

Gostou? Então leia nossas dicas sobre como escrever poesias. Se você tem interesse em escrever um livro, o Clube de Autores pode te ajudar

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