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Como escrever um livro para crianças?

Qual o segredo de capturar a atenção de crianças em uma história?

Em primeiro lugar, é fundamental já deixar claro que gerações diferentes não são espécies diferentes. Ou seja: por mais que as crianças, hoje em dia, estejam sujeitas a um volume abundante e excessivo de informação 24 horas por dia, isso não faz delas alienígenas ou robôs. Crianças continuam sendo crianças: precisam (e gostam de) desenvolver a própria imaginação, sonham, criam mil teorias para tudo em suas cabecinhas e, acima de qualquer coisa, são hiper-criativas!

“Ah, mas com tantos tablets e games, certamente o espaço para livros despencou!”. Realmente, hoje as obras competem com os vídeos no YouTube e os joguinhos de celular. Mas, para sermos justos, se nossas crianças não têm contato com livros e boas histórias, cabe a nós, adultos, refletirmos sobre a prioridade que damos aos eletrônicos, né?

Mas crianças gostam de ler? 

Quebrando mitos: sim, crianças não apenas continuam lendo livros, como o fazem em muito maior intensidade que nas gerações passadas!

Aliás, uma pesquisa de 2017 da Education Week revelou que crianças (do pré aos 12 anos) não apenas estão lendo mais, mas 65% preferem impressos a ebooks. Se deixarmos os fatalismos de lado e pararmos para pensar (e observar), isso faz total sentido:

  1. Para quem nasceu na era digital, o meio importa pouco, desde que a história seja contada. Isso significa que o fascínio pela tecnologia está muito mais nos adultos do que nas crianças, que já nasceram em um mundo eletrônico.
  2. Do ponto de vista de storytelling, de narrativa, um livro permite atiçar muito mais a imaginação do que um ebook interativo, um game e até mesmo uma animação. O motivo? Enquanto, em um game, a criança se concentra em descobrir onde ela precisa clicar e, em uma animação, ela recebe os personagens já imaginados por vozes, trilhas sonoras e tons, no livro é ela quem precisa contribuir com a sua imaginação para interpretar a história.
  3. O volume de estímulo à leitura para crianças é, hoje, muito – mas MUITO – maior do que nas décadas de 70, 80 ou 90. Ou alguém se recorda de tantas livrarias com espaços lúdicos inteiramente dedicados a crianças, permitindo que elas tomem intimidade com os livros ao folheá-los e manuseá-los livremente?
  4. A própria sociedade, por fim, tem incentivado cada vez mais a leitura para crianças – incluindo hábitos dos pais de lerem para seus filhos antes destes irem para a cama. A mesma pesquisa da Education Week revelou que 62% dos pais de crianças de 3 a 5 anos lêem livros para elas (contra 55% em 2014).
  5. Para nós, latinoamericanos que costumávamos “importar” a cultura produzida fora das nossas fronteiras, esses números tendem a ser ainda mais intensos. Afinal, uma coisa é uma criança baiana, para ficar apenas em um exemplo, se identificar com uma sereia ruiva chamada Ariel que vive no Atlântico Norte; outra é ela se identificar com uma sereia chamada Janaína que vive nas águas da Baía de Todos os Santos. E, na medida em que produzir livros ficou mais barato para toda a cadeia, histórias muito mais próximas da realidade das crianças foram sendo disponibilizadas, ajudando a transformar de maneira importantíssima toda uma legião de novos leitores.

Enfim, esses são apenas cinco pontos que nos ajudam a entender que, ao contrário do que imaginamos, crianças gostam sim de livros e estão lendo cada vez mais. Mas isso significa que basta escrever e pronto?

Não. Da mesma maneira que o incentivo à leitura cresceu, a oferta de títulos também se avolumou, o que significa que a competição entre os livros infantis saltou de maneira exorbitante. E é aqui que entra a capacidade do autor em trabalhar melhor o seu livro. 

Leia mais: a importância da representatividade na literatura infantil

Como escrever livros infantis?

Como em toda produção artística, não há uma receita de bolo que funcione em todos os casos. Mas há, sim, algumas melhores práticas que devem sempre ser observadas para garantir uma maior aderência da história para a imaginação da criança. Confira nossas dias!

1. Leia livros infantis

Esse talvez seja o primeiro ponto: a melhor maneira de escrever um livro para crianças é partindo de um entendimento claro do que elas gostam de ler. Vá a uma livraria, converse com os vendedores, folheie os títulos que mais saem. Compre alguns, leve para casa, analise cada obra minuciosamente. Como é a relação texto x imagem? Quantos conflitos há no enredo? Como é a fluidez da história? Cada ponto aqui conta – e muito.

2. Saiba com quem você está falando

Não existe uma grande massa uniforme chamada “criança”.

Se você estiver falando com crianças de 2 a 4 anos, por exemplo, deve entender que estão na pré-alfabetização e ainda desenvolvendo a capacidade de concentração. Histórias densas demais, com tramas muito complexas e poucas ilustrações dificilmente as conquistarão. Crianças de 5 a 6 anos, por sua vez, já estão entrando na alfabetização e o reconhecimento de letras é importantíssimo (motivo pelo qual, por exemplo, o texto deve preferencialmente ser todo escrito em caixa alta, já que é assim que elas aprendem a ler na escola). E, na medida em que as crianças vão envelhecendo, a necessidade de ilustrações cai e a necessidade de tramas mais complexas, identificáveis com os seus cotidianos, cresce.

3. Entenda que a forma importa tanto quanto o conteúdo

Para crianças, um livro não é a história contida nas páginas: é o conjunto inteiro da obra (incluindo capa, ilustrações etc.). Tudo precisa chamar atenção, ser cativante, seduzir, envolver.

Aliás, é sempre útil encarar um livro como uma espécie de brinquedo: ele tem o seu propósito, mas para ganhar e prender a atenção do público precisa ser bem acabado, ter qualidade plástica. Em outras palavras: de nada adianta escrever um texto fenomenal para crianças de 3 anos se ele não tiver ilustrações bem feitas que ajudem-na a entender o universo que está sendo narrado.

Histórias infantis não são escritas: são criadas por um conjunto de elementos que incluem tanto texto quanto ilustração.

4. Estruturas são fundamentais

Qualquer que seja o enredo, uma estrutura sólida é importante para que a criança se sinta confortável com a narrativa. Ou seja: há a necessidade de um personagem principal com quem ela se identifique facilmente; de personagens secundários que a ajudem a caminhar pela história; de conflitos ou problemas que precisam ser solucionados; de sustos ou surpresas que ajudem a manter as suas atenções presas, ansiosas pelo que estiver por vir.

5. Cuidado com lições de moral

Era comum imaginarmos que todo livro infantil deveria vir com alguma lição de moral embutida (muito comum em fábulas, por exemplo). Bom… até certo ponto, isso pode funcionar com crianças menores, mas na medida em que elas crescem, a própria existência de moralismos pode acabar tendo o efeito contrário e afastando os pequenos leitores.

Livros não são aulas de certo e errado: são maneiras do próprio indivíduo se entender e formar a sua visão sobre o mundo ao seu redor. Se esse indivíduo não se sentir livre para formar sua opinião por meio da sua imaginação, para interpretar a história sem que ela seja entregue de maneira “enlatada”, ele acabará se cansando e perdendo o interesse. Mais do que para adultos, para crianças a leitura deve ser uma fonte primária de prazer, não de lição.

6. Crie conexão

Este ponto talvez seja o mais importante de todos. Quanto mais a criança conseguir se enxergar na história ou nos personagens, mais ela se interessará. E “se enxergar” aqui inclui tudo: o local em que a história se passar, a fisionomia dos personagens, as realidades em torno delas, as tramas que precisam ser vencidas etc. Da mesma forma que na vida real, conexão gera empatia.

7. Publique seu livro

Já comentamos, acima, que crianças preferem livros impressos a ebooks. Vamos até além disso: enquanto é relativamente fácil ler um livro impresso para um filho ou uma filha na cama, fazer isso com um tablet é virtualmente impossível uma vez que ele ou ela irá tocar, arrastar, brincar com a tela (ao invés de prestar atenção ao enredo).

Assim sendo, publicar o livro em formato impresso é simplesmente fundamental. Como fazer isso? Simples: vá ao Clube de Autores e publique gratuitamente, dando preferência ao formato quadrado de livros que é ideal para o público infantil.

Confira alguns artigos sobre a publicação de livros via Clube de Autores:

8. Crie eventos

Lançar um livro – principalmente para um público infantil – vai muito além de produzir um material. Aqui, o evento de lançamento é importantíssimo por funcionar como um pontapé inicial da obra.

Organize um lançamento diferente, incluindo rodas de leitura com horário marcado e em períodos que funcionem para que pais e mães levem seus pequenos. Não pare em um evento, aliás: negocie com livrarias, escolas ou de outros locais feitos para crianças um calendário em que você possa ler para o público e, ao mesmo tempo, deixar seu livro à venda. Em geral, todos esses lugares costumam ser acessíveis pois você estará oferecendo a eles um atrativo a mais para seus públicos.

Aliás, devido à pandemia do coronavírus e o isolamento social, os escritores obrigaram-se a reinventar seus métodos tradicionais de lançamento de obras, optando por Lives no YouTube ou Instagram, por exemplo. Porém, sabemos que esses formatos não são as melhores opções para crianças, que normalmente têm seus horários de acesso à internet regulados pelos pais.

A dica é partir para vídeos que não possuem hora marcada para serem relevantes! As parcerias com YouTubers conhecidos pelos pequenos também pode ser uma excelente saída.

9. Tenha sempre um estoque à mão

Hoje, é cada vez mais comum que leitores procurem os próprios autores para comprar seus livros. Não é fundamental que você tenha um estoque próprio – mas é recomendável.

10. Não pare no primeiro título

Por serem curtos, livros infantis costumam ser lidos em uma tacada só. Como fazer para se consolidar como um autor de livros infantis? Siga o exemplo dos grandes mestres: mantenha uma produção sempre fértil. Quanto mais escrever, mais o público se identificará com seu estilo e mais fácil será você conquistar seu lugar ao sol.

É isso?

Além dessas dicas, há outros pontos que devem ser observados, por isso, recomendamos fortemente a leitura do nosso Guia de Autopublicação.

Escreva seu primeiro livro, publique, teste-o com as crianças que estiverem mais próximas! O público infantil costuma ser difícil, exigente e extremamente sincero: aprenda com isso e use cada retorno que tiver como insumo para construir e consolidar a sua carreira :)

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Como escrever um livro de romance? 8 dicas

Existem diversas formas de escrever um livro de romance. Neste artigo, daremos algumas dicas fundamentais para começar o seu! Confira:

  1. Leia livros sobre amor
  2. Viva na realidade, não na utopia
  3. Cace o espírito do tempo
  4. Crie grandes conflitos
  5. Desenvolva personalidades marcantes
  6. Cuidado com o piegas
  7. Lembre-se das dicas básicas que servem para todos os gêneros
  8. Inspire-se em grandes obras

Antes de seguirmos, cabe de imediato um esclarecimento: um romance não é, necessariamente, um livro de romance. Por algum motivo qualquer, no nosso idioma, um romance é todo e qualquer livro, em prosa, que narre uma história (mesmo que ela sequer contenha menções a amor ou coisas do gênero). Um livro de romance, no entanto, já envolve, sim, histórias de amor. E é deles que falaremos aqui.

Primeiro, porque mais de 25% de todos os livros publicados aqui no Clube são relacionados, de alguma forma, ao amor. E, segundo – mas não menos importante – pelo óbvio: o amor é, provavelmente, o mais importante dos assuntos da humanidade e o único ao qual todos da nossa espécie, de alguma forma, têm algum tipo de experiência ou vivência pessoal. E, se somos uma espécie que se diferencia das demais justamente pela nossa capacidade de contar histórias, nada mais natural que escolhermos como base para elas o mais universal dos assuntos: o amor.

E aqui entramos com um punhado de dicas (ou boas práticas) algo que, se não servirão como livro de receita – pois não há receitas aqui – certamente ajudarão a inspirar ou ao menos a “guiar” o escritor.

Dicas para escrever um livro de romance:

1. Leia livros sobre amor

Esse negócio de querer escrever e não gostar de ler é algo simplesmente desfuncional. E mais: as desculpas comuns (como falta de tempo) são ridículas. Sempre, sempre se arruma tempo para o que se realmente deseja fazer. É tudo uma questão de prioridades.

E se você quer ser um escritor, o primeiro passo é abraçar a leitura de todas as formas. Cada vez que você mergulhar em um universo criado por outro autor, afinal, você terá uma aula de estilo, de construção de trama, de personagens. Você pode não encontrar o seu estilo neles, mas certamente colecionará exemplos que o ajudarão a entender o que prende o leitor.

Nesse sentido, dê bastante espaço para os clássicos, os livros que se imortalizaram no tempo. O motivo? Se Dom Quixote, para ficar em um exemplo, está há séculos encabeçando a lista dos mais vendidos da história da humanidade, é certamente pela capacidade narrativa de Cervantes.

Leia mais: Como retomar o hábito da leitura?

Aproveite: os melhores professores do mundo, afinal, estão logo ali, na livraria mais próxima de você.

2. Viva na realidade, não na utopia

A maior diferença entre realidade e utopia é a complexidade. Em utopias, tudo funciona como um reloginho: quem ama é sempre correspondido, os conflitos são superficiais, mesmo os problemas são de uma facilidade irrealmente ingênua.

Bom… a vida não é assim e o leitor sabe. A consequência: a capacidade de retenção de atenção, de engajamento, despenca.

E é precisamente isso que desejamos evitar ao mergulhar mais a fundo na realidade. Ao estruturar uma trama qualquer, baseie-se no mundo real: agregue complexidade, contratempos, dificuldades e, em suma, “normalidade”. Deixe seus personagens mais tridimensionais, com qualidades e falhas, acertos e erros.

Se, ao terminar uma leitura crítica, você sentir que algo estiver perfeito demais para ser verdade, sente e reescreva. A verdade é o que mais se deve buscar em um livro, mesmo que seja uma ficção.

O que é distopia e como incluir essas características à sua história?

3. Cace o espírito do tempo

Sabe uma das principais regras que Shakespeare utilizava para compor as suas peças? Ele sempre, sempre criava alguma trama com base nos “trending topics” da Inglaterra. Othello foi escrito quando Elisabeth I expulsava os mouros de Londres; o Rei Lear se baseou em um caso jurídico real que se transformara na grande fofoca do reino; MacBeth foi feita para celebrar, por meio de metáforas, a linhagem do monarca James I , para quem a peça foi escrita.

O que aprendemos com o grande mestre? Simples: que um pano de fundo popular, principalmente quando assume proporções gigantescas, é perfeito para fazer a audiência se conectar com a trama e se deixar envolver pelas histórias dos personagens.

4. Não há boas histórias românticas sem grandes conflitos

Tá… talvez até haja uma ou outra que não tenha me ocorrido – mas o fato é que são raras. O que envolve o leitor, afinal, não é a estrutura do personagem em si, mas sim as suas reações seguindo momentos de conflitos internos e externos.

Naturalmente, quanto mais conflitos, mais fácil construir reações à altura (desde que sejam consistentes com a personalidade dos personagens).

5. Crie personalidades para seus personagens

Entramos em um quinto e fundamental ponto aqui: personagens não devem ser descritos apenas como rostos e atitudes. Todos devem ter um passado próprio, um histórico que dê consistência a cada uma de suas atitudes quanto a tudo.

Não que você precise, claro, se alongar infinitamente nos detalhes da infância de um personagem secundário – a questão não é essa. Mas, na medida em que um personagem vá ganhando prioridade na história, a importância de fazer o leitor entender o seu passado vai ficando cada vez mais relevante. Somente assim, afinal, aquele senso de intimidade entre leitor e protagonistas vai ganhando um espaço fundamental para que o engajamento com a história seja efetivamente construído.

Quer uma dica? Monte uma linha de tempo e um resumo da história de cada um dos seus personagens antes de se alongar muito na trama. Pode ser que você nem utilize partes desse histórico mas, no mínimo, ele servirá para garantir que você não coloque ações e palavras na boca de um personagem que dificilmente as executaria.

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6. Cuidado com o piegas

Um dos maiores riscos de um livro de romance é deixá-lo escorregar para o piegas, forçando a barra em situações naturais e trocando a densidade pelo sentimentaloidismo.

A solução, aqui, normalmente foge de algo que o próprio autor possa resolver sozinho: envolve um leitor crítico.

Há, normalmente, dois caminhos aqui: selecionar um ou mais amigos críticos ou contratar um crítico literário. Seja qual for o caminho, o importante é que você escolha alguém realmente crítico em quem confie (evitando envolver alguém que você sabe que vai te elogiar livremente pela própria relação que já tenham) e que deixe de lado o ego (preparando-se para receber e lidar com eventuais críticas mais pesadas).

Esteja disposto a reescrever trechos inteiros do seu livro com base em feedbacks, aliás. E entenda que isso faz parte do processo.

7. Siga as dicas básicas que servem para todos os gêneros

Isso pode parecer genérico demais (e talvez seja mesmo), mas já escrevemos aqui uma série de dicas importantes sobre como escrever um livro que se aplicam tanto a romances quanto a outras temáticas diversas. Elas incluem, por exemplo:

8. Inspire-se em grandes obras para contruir seu próprio estilo

Exemplos de obras primas não nos faltam: Machado de Assis esculpiu Bentinho e Capitu em um extremo, Guimarães Rosa entregou Riobaldo e Diadorim em outro, Hemingway, Garcia Marquez, Pamuk, Kazuo Ishikuro e tantos mais nos brindaram com as maiores pérolas da literatura baseadas justamente nesse gênero máximo.

Mas, se amor é um sentimento universal, a técnica de se estruturar um romance envolvente certamente é bem mais individual. Basta, aliás, comparar alguns desses exemplos citados acima. Por mais incríveis que sejam, em nada o platonicismo do Amor nos Tempos do Cólera (Garcia Marquez) sequer se assemelha com a distopia de Não me Abandone Jamais (Kazuo Ishiguro). ainda assim, ambas são obras primas indiscutíveis.

E agora? O que fazer? 

Bom… a parte mais complexa de se escrever um livro, naturalmente, é sentar e escrevê-lo! Esse compilado de dicas aqui deve ser visto mais como uma espécie de caminho, de recomendação nossa com base na experiência de lidar com mais de 70 mil títulos e de ler muitos, muitos livros – principalmente de romance.

Mas nada, nada substituirá a sua própria veia de escritor. Assim sendo, procure ao menos observar as nossas recomendações e mergulhar na sua própria trama. Do nosso lado, desejamos toda a sorte do mundo e esperamos tê-lo publicado aqui, no Clube de Autores!

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Como escrever e formatar um livro no Word

Se você está se perguntando como utilizar o principal editor de textos do mercado para escrever o seu livro, veio ao lugar certo!

Já fizemos um post aqui, há algum tempo, sobre programas feitos para se escrever livros. Há toda uma lista de programas específicos lá – mas a indiscutível realidade é que o Word continua sendo, de longe, o mais utilizado.

Isso é um problema? Claro que não. Afinal, mesmo sendo o avô dos editores de texto, o Word é extremamente poderoso e se manteve prático ao longo de todos os seus anos de “envelhecimento”. A grande questão é – e isso vale para todos os programas – saber utilizá-lo direito.

Mas, antes de dar sequência ao tema, cabe destacarmos uma informação super importante:  aqui no Clube de Autores temos modelos de arquivo Word prontos para livros dos mais diversos tamanhos. É só baixar e começar a usar :)

Confira: Templates e modelos para livros no Word.

Os passos abaixo, no entanto, são para aqueles que querem começar do zero, criando seu próprio modelinho de trabalho. Veja as dicas:

Como formatar um documento de Word para escrever uma obra?

1. Ajuste o tamanho do papel

A primeira coisa que você precisa fazer é configurar o tamanho da página para um formato adequado para impressão. Para publicar aqui no Clube de Autores, por exemplo, é necessário utilizar nossas padronizações para garantir a qualidade da obra.

Além disso, é muito mais prático começar escrevendo-o nas medidas corretas do que tentar ajustar tudo depois de pronto.

Aqui vem uma pequena dificuldade: cada versão do Word, para cada tipo de sistema operacional (Mac ou PC, por exemplo) costuma ter “caminhos” diferentes para se configurar a página. De qualquer forma, não há muito segredo aqui: basta ir a “arquivo” ou “layout” e localizar a opção de configurar página.

Se você encontrar o tamanho ideal (como A5, A4 ou outro), ótimo: selecione-o e você já estará pronto para seguir adiante. Se não encontrar, será necessário inserir as medidas de maneira personalizada. Para facilitar, use essa tabela de referência com base em todos os formatos aceitos aqui pelo Clube:

  • A5 (14,8cm x 21cm)
  • A4 (21cm x 29,7cm)
  • Pocket (10,5cm x 14,8cm)
  • Quadrado (20,0cm x 20,0cm)

2. Configure as margens

Se você parte do princípio de que quanto mais páginas “economizar”, mais conseguirá publicar o seu livro a um preço competitivo, pense novamente. Livros com margens apertadas e fontes (letras) minúsculas cansam leitores, geram um tipo de preguiça que costuma afastar leitores e indicações instantaneamente. Isso sem contar com o óbvio: na prática, a economia de páginas dificilmente somará mais que alguns centavos no preço final.

Leia também: quanto custa publicar um livro?

Para criar um livro de forma adequada, é fundamental trabalhar com margens agradáveis e eficientes. Agradáveis para o leitor, que precisa se sentir bem ao folhear as páginas; e eficiente para as gráficas, uma vez que margens apertadas podem gerar cortes nos textos durante a etapa de impressão.

O Clube de Autores costuma recomendar as seguintes margens (embora você possa utilizar as que preferir):

  • Para livros A5 > Superior e inferior: 2,54cm; Laterais: 1,91cm
  • Para livros A4 > Superior e inferior: 2,54cm; Laterais: 1,91cm
  • Para livros Pocket > Superior e inferior: 1,50 cm; Laterais: 1,20cm
  • Para livros Quadrados > Superior e inferior: 2,54cm; Laterais: 2,54cm

Como configurar as margens?

No mesmo lugar que você configurou o tamanho do papel, bastando que você selecione a opção de margens e insira as que desejar.

3. Insira numerações, cabeçalhos e rodapés

O Word também permite que se insira números e informações básicas de arquivo de maneira simples. O caminho – que novamente depende da versão e plataforma operacional que estiver utilizando – costuma ficar sob a opção de “inserir”, no menu principal.

Uma vez lá, escolha a opção de inserir números de página: é simples assim.

A opção para se inserir cabeçalhos e rodapés costuma ficar sob a área de “elementos do documento”, mas normalmente pode ser acessada quando se dá um duplo-clique sobre a área onde costuma ficar o cabeçalho ou o rodapé, na própria página que estiver editando.

A partir daí é só escolher o tipo de texto que deseja inserir ou mesmo se deseja alterná-lo entre páginas pares e ímpares (por exemplo, deixando o título do livro nos cabeçalhos pares e o nome do autor nos ímpares). Não há regras editoriais aqui e nossa sugestão é que você mesmo veja em livros que tiver à mão algumas opções e tome sua decisão com base nelas.

4. Utilize os estilos de textos

Isso pode parecer besteira, mas acredite: não é. Estilos de texto servem para facilitar todo o trabalho, incluindo a formatação de índices dinâmicos.

O caminho é simples: escreva o texto livremente, sem se preocupar com formatações. Quando terminar, aplique os estilos nos lugares certos.

Como? Selecione, por exemplo, o título do capítulo e, em seguida, ache no menu a opção de formatar e clique em estilos. Uma janela se abrirá com uma lista imensa de estilos. Seja prático: selecione algum estilo de título (ou “heading”) para os títulos e o estilo “normal” para o restante do texto.

Siga assim para o livro inteiro. Você verá já já como isso será útil.

5. Trabalhe com quebras de página, não “enter”!

Terminou um capítulo e deseja passar para a próxima página? A pior coisa que você pode fazer é sair clicando em “enter”, no teclado, até chegar à página seguinte. Por que? Porque qualquer edição mínima que fizer no texto demandará que você o revise por completo para garantir que todos os capítulos não tenham “se movido” quando você acrescentou uma ou outra linha.

Ao invés disso, seja prático. Terminou um capítulo e deseja mudar de página? Dê um “enter” depois do último texto, apenas para garantir, e depois vá ao menu “inserir” e selecione a opção de “quebra de página”.

Pronto: isso garantirá que cada capítulo comece e termine de maneira independente do anterior e do próximo e evitará erros do gênero.

6. Insira índices dinâmicos

É aqui que os estilos entram em cena. Cada texto que você marcou como “título” será devidamente entendido como título pelo Word. E daí?

Daí que basta que você abra uma página no começo do livro (usando a instrução de quebra de página que comentamos acima, no item 5) e simplesmente selecione a opção de “inserir” (no menu) “índices e tabelas” (ou, dependendo da versão do Word, apenas “índice”). Você poderá escolher o modelo do índice que preferir e, depois disso, mágica: um índice automático se formará, com numerações automáticas, de acordo com a paginação em que cada título seu se encontrar.

Há, aqui, uma dica importante: o Word não costuma manter o índice atualizado automaticamente. Assim, sempre que mudar qualquer coisa no texto, vá ao índice, clique com o botão direito do mouse sobre ele e selecione a opção de atualizar. É simples assim.

E depois de ajustar a formatação?

Bom… agora é escrever o livro! Perceba que essas seis instruções são simples, práticas, e podem ser seguidas sem muito estresse. Mas fique atento a essas questões de versões. É possível que você precise passear um pouco pelo menu do Word até encontrar essas opções que mencionamos aqui, mas não se assuste: elas estarão lá.

texto em fundo roxo "publique sua obra"

Isso é o suficiente para escrever um livro? Claro que não: o Word é apenas o programa por onde fazê-lo.

Agora que você já sabe por onde começar, leia também nossas dicas para escrever um livro de sucesso:

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Diferenças entre Ghost Writer e Story Coach

Você já pensou em publicar um livro, mas não sabe por onde começar ou não tem familiaridade com com o processo de escrita? Saiba que você não está sozinho! E o melhor: existem diversas soluções para este cenário, entre elas, destacam-se o escritor fantasma” e o story coach.

Neste artigo, falaremos sobre mais sobre os dois papeis! Confira :)

Qual é o papel do Ghost Writer?

O escritor fantasma é o profissional contratado para escrever um livro no lugar de outra pessoa. É uma opção muito comum na publicação de autobiografias de famosos – pessoas que não têm tempo ou habilidades necessárias para escrever sua própria história e contratam terceiros para narrarem os acontecimentos de sua vida.

Normalmente, as duas pessoas precisam passar muitas horas juntos para que o escritor possa “capturar a essência” da pessoa que será retratada. Além disso, há longos processos de entrevista e aprovação do conteúdo.

Importante lembrar que o Ghost Writer não assina a obra (daí o nome, “escritor fantasma”). É o biografado que ganha os méritos pela escrita – isso é acordado previamente entre as duas partes e o papel do autor encerra depois que o texto é aprovado.

Qual é o papel do Story Coach?

O Story Coach é essencialmente diferente do Ghost Writer. Este profissional não escreve o livro, mas presta consultoria em todo o processo de produção e publicação da obra – independentemente do gênero: biografia, ficção, histórias reais, poesias e por aí vai.

Quando contratado durante a elaboração do projeto do livro, o Story Coach pode auxiliar o autor no planejamento da história, organização do enredo e análise dos textos. Além disso, durante o processo de produção, também pode ajudar no gerenciamento de outros profissionais como designers, capistas, diagramadores etc.

Por fim, na fase de publicação, o profissional pode indicar os caminhos para o lançamento da obra, tirar dúvidas sobre o registro do ISBN e criação de ficha catalográfica.

Ou seja: além de um bom repertório de escrita e storytelling, o Story Coach também precisa ter experiência com pessoas para contribuir de forma criativa e, muitas vezes, emocional.

Qual profissional devo contratar?

A escolha do profissional dependerá das funções que você precisa contratar: se você não quer escrever um livro, mas deseja publicar uma obra, o escritor fantasma é a melhor opção. Agora, se seu objetivo é ter um consultor que ajude na criação da história e em decisões estratégicas em todo o processo, a melhor opção é o Story Coach!

E por que não os dois?

Caso você não queira escrever sua obra, mas mesmo assim quer ter um profissional ao seu lado para ajudá-lo na validação do conteúdo e na tomada de decisões editoriais, é sempre possível contratar os dois profissionais. Claro, haverá custos extras que precisam ser considerados, mas sempre é possível contar com o auxilio de pessoas experientes no mercado editorial!

Dica extra: lembre-se sempre de certificar-se sobre a reputação e o histórico profissional antes de contratar alguém. Analise cuidadosamente as habilidades necessárias para cada uma das funções e opte pelos profissionais mais completos, sempre que possível.

Aqui no Clube de Autores, por exemplo, inúmeros livros já foram publicados com ambos os processos de produção.

Entre os profissionais que mais se destacam está Edvaldo Pereira Lima, Story Coach experiente – foi professor da USP por muitos anos, professor-visitante de universidades no exterior (Londres, Florença, Bogotá, Medellín), possui Doutorado pela USP e pós-doutorado pela Universidade de Toronto, no Canadá. Depois da aposentadoria da USP, continuou como professor independente, inclusive comandando o único Curso de Pós-Graduação em Jornalismo Literário que o Brasil teve, durante 12 anos. Em paralelo, no lado prático, atua desde sempre como jornalista e escritor independente, produzindo livros-reportagem, particularmente no campo das biografias – aliás, Edvaldo já lançou sete livros aqui no Clube :)

E aí, ficou com alguma dúvida? Escreva um comentário pra gente!

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crianças lendo livro de contos

O que é e como escrever um conto encantador?

Você já deve ter ouvido falar na expressão “quem conta um conto aumenta um ponto”.

Ela tem fundamento na história da criação dos contos, que eram passados de pai para filho por gerações. Obviamente, a memória e o tempo vivido por cada pessoa acabava incluindo algumas alterações na história – até que alguém teve a ideia de começar a registrar os contos verbais de maneira escrita. 

Mas, afinal, você sabe o que é um conto? Existe diferença entre conto crônica e poema? Por que escrever um conto é diferente de escrever um romance?

Essas perguntas parecem simples mas nem todo escritor consegue responder. Isso porque o conto é uma modalidade de escrita que ainda gera controvérsias. 

O que é um conto?

Conto é uma narrativa de ficção geralmente com poucos personagens e de forma menos profunda que nos romances. Esse tipo de texto também é mais curto que os romances.

O mesmo acontece com reviravoltas e acontecimentos tensos citados aos montes em um romance – o conto, normalmente, não aprofunda tantas questões (incluindo tempo e espaço) e possui apenas um clímax. 

Curiosidade: O conto tem conquistado seu lugar e prova disso é que, em 2013, o Prêmio Nobel da Literatura foi dado à “mestre contemporânea dos contos”. A escritora canadense Alice Munro possui 14 obras publicadas e é conhecida pela profundidade de seus textos!

Dicas para escrever contos

1. Leia contos

Essa é uma regra que se aplica a qualquer modalidade de escrita: ler é fundamental! Se você nunca leu um conto ou não se deparou com a grande variedade de estilos dessa modalidade de escrita, dificilmente vai conseguir escrever um texto com excelência. Procure revistas literárias, livros e outras fontes para se familiarizar. 

Dica de ouro: entre os autores de conto famosos que podem te inspirar neste incío estão Jorge Luís Borges, James Joyce, Nelson Rodrigues, Mário de Andrade, Kafka, Machado de Assis, Anton Tchekhov, Edgar Allan Poe, Julio Cortázar, Clarice Lispector, Lima Barreto, Virginia Woolf, Eça de Queirós, entre outros. 

2. Escreva muitos textos

Uma das grandes diferenças entre o conto, uma crônica ou um romance, por exemplo, é que ele é direto ao ponto.

A escrita criativa não precisa de tantos floreios e detalhes que não terão relevância direta no entendimento do conto ou no clímax da história. É como se você escrevesse uma história, lesse novamente e fizesse um resumo, apenas com os pontos mais importantes.

Para facilitar, pense em um lapso de tempo em que a história narrada acontece e organize toda a estrutura: exposição, narrativa, clímax e desfecho. Uma narrativa curta possui o tempo equivalente!

Escolha um tema, construa os personagens e conduza-os pelo enredo já focando no clímax da história.

3. Inspire-se nos ensinamentos de grandes cronistas

Não existe fórmula mágica mas o escritor americano Edgar Allan Poe considerava algumas características essenciais para escrever um conto: para ele, o tamanho do conto é fundamental e é preciso tomar cuidado para que ele não fique longo demais. O ideal seria que ele tivesse um tamanho suficiente para que pudesse ser lido de uma vez, sem pausas.

Além disso, ele defendia que o conto precisava ser bem elaborado, a ponto de despertar algum sentimento no leitor. Aqui vale pensar no ponto de vista em que a história está sendo contada (pelo personagem, por quem está de fora, por uma persona aleatória…) e qual é a força dessa narrativa. Você também pode brincar com o personagem para torná-lo relevante por este ponto de vista – quanto mais imprevisível for o que acontece com ele, melhor. 

O escritor argentino Júlio Cortázar dizia que um conto é uma verdadeira máquina de criar interesse. E ele estava certo. Crie conflitos ou situações que demonstrem um nível de tensão. Leitores adoram ser surpreendidos mas é importante tomar cuidado para não criar problemas demais e causar o efeito contrário: confusão na cabeça do leitor.

4. Planeje muito bem o final

Dedique tempo na criação do final – ele deve ser arrebatador. O clímax da história é o que vai ficar na cabeça do leitor e fazê-lo dizer se gostou do conto ou não. Muitas vezes, o escritor estrutura o conto já pensando na maneira que ele imagina o final e isso ajuda muito na condução dos fatos!

Se você começou uma história, mas ainda não sabe como irá terminá-la, invista um tempo para testar possibilidades!

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5. Dê um título e revise seu conto

Há quem diga que o segredo do conto é manter um ar de mistério – inclusive no título. Títulos curtos e que não revelam o conteúdo do conto costumam ser instigantes. Mas não existe regra, é uma questão de feeling do autor.

Com o conteúdo pronto, é hora de uma das etapas mais importantes: a revisão da sua obra. Releia e corte o que achar necessário: se algo estiver detalhado demais ou for irrelevante para a compreensão do conto, é hora de tesourar o texto!

Ortografia, gramática e repetição de palavras são peneiradas nessa fase, para refinar o conteúdo final.

6. Envie seu conto para publicação

Depois de fazer todas as etapas anteriores, não há mais dúvidas de que o seu conto está pronto para ser lido por aí. E que tal em um livro?

No Clube de Autores, você pode reunir todos os seus contos para a publicação de um livro especial! E o melhor: de graça!

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