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Como escrever uma biografia?

Texto publicado em dezembro de 2019 e atualizado em outubro de 2020.

Esta é uma pergunta não tão rara quanto algumas pessoas podem imaginar. Isso porque muitas pessoas têm vontade contar a história de vida de outras pessoas – ou de si mesmo, no caso da autobiografia.

À primeira vista, parece uma coisa simples: ouvir o que o biografado (quem terá a história contada no livro) tem a dizer e escrever de acordo com as palavras e memórias dele.

Mas escrever um livro de biografia é muito mais complexo do que isso. Por isso, separamos algumas dicas para ajudá-lo a colocar sua história no papel.

1. Escolha do biografado

Antes de começar, já temos a primeira pergunta: sobre quem você quer escrever?

Geralmente, a escolha é baseada em alguém que admiramos e, por isso, temos vontade de expor sua trajetória de vida para que mais pessoas passem a conhecê-lo(a) e admirá-lo(a) também.

Pode ser algum artista, político, atleta, pesquisador, cientista, médico, professor, ativista, músico, empresário, entre outras figuras.

Se a ideia é escrever sobre a vida de alguém, é interessante que ela tenha algo a ensinar para quem lê – seja uma lição de vida, superação, maneira diferente de pensar etc. É interessante que haja algo novo (nunca contado ou pouco explorado) para detalhar, gerando curiosidade e interesse no leitor.

Ou seja, se você já sabe quem gostaria de descrever, o primeiro passo já foi dado. Mas, caso tenha dúvidas, faça uma lista de pessoas que você admira e gostaria de ter a oportunidade de conhecer mais profundamente – acredite, este processo pode levar um bom tempo.

Diante dessa lista, filtre quem está mais acessível, seja por distância geográfica, momento de vida ou rotina de trabalho, por exemplo. O biografado precisa estar disponível. 

Existe um outro cenário possível: personalidades que gostariam de ter sua vida relatada em um livro e que procuram escritores para isso. Se alguém te procurar com essa demanda, entenda qual é a necessidade do futuro biografado, o que ele gostaria de expor, em quanto tempo ele pretende ter o livro publicado e todas as informações necessárias para a construção da obra, antes de aceitar. Entenda que o livro é como um filho para o biografado!

Temos ainda um terceiro cenário: a biografia de alguém que já morreu. Pode acontecer por interesse do próprio escritor ou por intermédio de familiares do biografado já que é a família quem tem que autorizar a publicação das informações, neste caso. 

2. Entrevistas e coleta de informações

Estabeleça uma relação de confiança para que a pessoa se sinta à vontade em abrir a vida dela para você, essa é a parte mais importante do processo!

Anote tudo desde a primeira conversa. Você precisa entender o que o biografado gostaria de expor, detalhes dos fatos (que muitas vezes são contados fora de ordem e em conversas totalmente aleatórias), nomes de pessoas, lugares onde esteve, datas. São muitas informações.

A cada novo encontro, faça um resumo do que foi dito anteriormente. É bom para lembrar de onde pararam e também para confirmar se aqueles fatos realmente aconteceram e se falta algum detalhe. 

As datas não batem? Converse. Ficou com dúvida sobre algum momento específico? Converse. Quer obter mais informações? Converse.

Essa dica vale também para pessoas próximas ao biografado. Converse com familiares, colegas de trabalho, amigos de infância e todas as pessoas acessíveis que possam confirmar (ou dar mais detalhes) sobre os momentos mais importantes da história dele. Em caso de biografia póstuma, essa etapa com quem convivia com o biografado é ainda mais importante para dar veracidade às informações. 

Para garantir que nenhum detalhe será perdido no processo, que tal sugerir a gravação das conversas? Elas podem ser feitas pelo celular mesmo. Assim, sempre que surgir uma dúvida, você pode voltar ao que foi dito. Existem, inclusives, alguns aplicativos que transcrevem as gravações, economizando muito tempo de decupagem.

Mas lembre-se: as gravações precisam ser autorizadas por quem está sendo entrevistado, ok? É fundamental manter a ética durante a escrita de uma biografia (e de qualquer outro texto, diga-se de passagem).

3. Pesquise muito

Uma pessoa mais velha, que teve sua história marcada pela Guerra, com certeza terá um contexto histórico como parte de sua biografia.

Você precisa conferir as datas citadas, as notícias da época e tudo que envolva o universo de vida dela. Se for um pesquisador, você precisa ler seus artigos publicados, estudos relacionados ao trabalho realizado por ele, referências e como ele é visto na área de atuação.

É preciso fazer uma varredura sobre a vida do seu biografado, saber o que já foi dito sobre ele na internet ou em qualquer outro lugar. Tudo isso é fonte de informação. 

sentado em frente ao computador

Se for uma personalidade e a exposição de sua figura (assim como polêmicas) for parte do enredo, você precisará pesquisar ainda mais! Isso porque, muitas vezes, a ideia da biografia é confessar algum ato cometido, limpar a própria barra de alguma situação ou até culpar outras pessoas. Esteja ciente da repercussão do seu trabalho.

4. Organize os fatos

Essa é uma etapa desafiadora, não vamos mentir.

Depois de colher muitas informações, chega a hora de costurar a colcha de retalhos e organizar os fatos para finalmente estruturar o livro.

Diante das informações, vocês podem conversar sobre o melhor caminho a seguir: seja por ordem cronológica ou destacando os momentos mais importantes, separando capítulos por temas ou momentos de vida, por exemplo. Ressalte traços de personalidade que você percebeu ao longo do tempo que passaram juntos e escreva de uma maneira que demonstre o impacto dela diante dos fatos narrados.

É normal chegar nesta fase e perceber que ainda faltam algumas informações e voltar para a etapa anterior. E não há problema nenhum nisso, volte quantas vezes achar necessário para que a obra esteja o mais fiel possível aos fatos. 

Na hora de organizar este quebra-cabeça, você pode se deparar com algumas informações que julga serem não tão relevantes e é importante conversar com o biografado para entender se ele gostaria de manter no livro ou se, de fato, não fará diferença na história. Às vezes, pode parecer um fato comum para você mas foi um momento que marcou a vida dele. 

5. Ajustes finais e aprovação da obra

Tudo certo? Ainda não! Primeiro o biografado (ou familiar que irá autorizar a publicação) precisa aprovar a obra. Normalmente, ele recebe o arquivo original impresso ou em PDF para refinar alguma informação, incluir ou excluir trechos.

Depois disso, basta escolher uma bela capa, enviar o material para revisão e publicar no Clube de Autores. Divulgue a obra e faça um evento para lançá-la oficialmente, em parceria com o biografado, obviamente.

Extra: Autobiografia

Mas e se eu quiser contar a minha história, preciso seguir todas essas etapas? A resposta é: mais ou menos. Claro que a obra sua vida pode ser escrita do jeito que você quiser mas é importante organizar os fatos (uma linha do tempo pode facilitar as coisas), incluir dados históricos (se necessário), conferir datas e pedir a opinião de amigos sobre detalhes que talvez você não se lembre.

Escolha um profissional para revisar e publique com a gente! =)

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Glossários em livros: quando criar um?

Engana-se quem pensa que um livro é composto apenas de histórias. Fotografias, mapas, ilustrações, glossários, referências bibliográfias, spoilers de obras sequenciais… tudo isso pode ser adicionado no arquivo final de uma obra, sabia?

Neste post, falaremos especificamente sobre os “dicionários” e como eles podem ser utilizados como complemento literário.

Mas, primeiramente, cabem algumas explicações:

O que são glossários?

Um dicionário da língua portuguesa é um acervo com a definição de todas as palavras nativas (ou herdadas). Para saber o significado de algo, basta fazer uma busca em ordem alfabética.

os glossários são versões simplificadas dos dicionários. Normalmente são utilizados para definir termos relevantes para determinado público-alvo. Por exemplo: um glossário do Direito pode conter apenas as expressões utilizadas por advogados e que confundem pessoas leigas. Essas expressões podem ser brasileiras ou não.

Como glossários podem ser utilizados em livros?

Histórias fantasiosas que incluem itens nunca vistos fora deste universo, livros técnicos com expressões complexas, narrativas muito longas e com muitos detalhes… o ponto comum entre esse tipo de conteúdo é justamente a necessidade de facilitar o entendimento do leitor durante a leitura (ou depois dela!).

E se temos um recurso são prático quanto um glossário, por que não utilizá-lo? Mas tome cuidado: todo elemento extra precisa ser inserido de forma cuidadosa e bem planejada, ainda que não interfira na história. Por isso, separamos algumas dicas para ajudá-lo nesta missão:

  • Você realmente precisa de um glossário? Esse é o ponto de partida fundamental. Se sua história for facilmente compreendida e não incluir termos com definições desconhecidas, abra mão deste recurso. Além do trabalho extra para conceituar e diagramar as páginas, o glossário será completamente desprezado pelo leitor.
  • Utilize definições breves: nada de se alongar muito nas explicações. Vá direto ao ponto com frases curtas e simplificadas.
  • Que tal anunciar seu glossário logo nas primeiras páginas? Eles funcionam muito melhor no final do livro, mas uma notinha de aviso no começo não faz mal algum. Aliás, muitos leitores não olham as últimas páginas antes de começar a ler e, portanto, podem encontrar o glossário somente depois da finalizarem a leitura – e aí esse recurso perde toda a utilidade, né?
  • Ordem alfabética é indispensável! Organizar as palavras pelas letras iniciais é um jeito super prático e já conhecido pelos leitores.

E aí, gostou das dicas?
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O papel do antagonista nos livros

Toda boa história tem um vilão. Um antagonista que atrapalha à beça a trajetória do nosso herói. Porém, por mais importante que seja sua função no livro, é importante ficar clara toda a sua história até ali. Por que ele se tornou vilão, de onde vem sua fúria, sua motivação.

Mas, primeiramente, vamos à definição de antagonista:

Antagonista significa “opositor”. Ou seja, aquele que vai conta alguma coisa (geralmente o heroi da narrativa).

Qual é a importância do antagosnita nas histórias?

Dar veracidade à sua história torna o antagonista mais interessante e, pasmem, até passível de algum afeto ou compreensão por parte do leitor. Isso porque uma personagem bem construída tende a ganhar a empatia de quem acompanha a história.

Ted Bundy, assassino em série norte-americado é um exemplo clássico de antagonista. Mesmo tendo estuprado e matado dezenas de jovens mulheres na década de 70, Theodore Robert Bundy ganhou a simpatia do público feminino por sua beleza (e pela narrativa adotada pela mídia da época).

No filme inspirado em sua vida, lançado em 2019 e protagonizado por Zac Efron, tudo isso fica bem evidente. Além disso, o personagem foi tão bem retratado que a história confunde as emoções até mesmo dos que já conheciam o desfecho.

Dicas para criar um antagonista respeitável:

O filme de Ted Bundy conta a história do vilão. As vítimas e a heroina (sua namorada da época) são coadjuvantes do enredo. Mas não é necessário colocá-lo como protagonista da narrativa para que ele ganhe o respeito dos leitores.

É possível, sim, manter o estilo tradicional da literatura e desdobrar os acontecimentos da perspectiva do heroi, usando a personalidade oposta como tempero da história.

Veja algumas dicas para destacar seu vilão:

  • Normalmente, pessoas más tornam-se negativas por conta de suas experiências passadas. Abusos psicológicos, criação conturbada, relacionamento familiar complexo, contexto social desfavorável… enfim! Explore essas questões e deixe o leitor conhecer o histórico do antagonista. Isso torna o personagem mais real;
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  • Se o papel do vilão na história é atrapalhar o caminho do herói, suas ações precisam ser justificáveis (pelo menos a partir do ponto de vista do próprio antagonista, alô Coringa!). Ou seja, é necessário criar motivação para garantir a credibilidade das decisões tomadas;
  • Ok, você quer que seu vilão ganhe um pouquinho da simpatia dos leitores antes que tudo acabe. Tudo bem! Porém, não force um carinho que não existe nos momentos finais da trama. É preciso tecer a história com cuidado, deixar migalhas ao longo da trajetória e amarrar todas as pontinhas. Ninguém é obrigado a amar seu personagem tanto quanto você!

E você, tem um vilão favorito? Conta pra gente nos comentários!

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O que é subtexto e como utilizar este recurso?

É possível escrever bons textos sem conhecer as palavrinhas complicadas da literatura. Mas é ainda mais interessante colocar a escrita em prática sabendo exatamente como brincar com as palavras. Para escrever, afinal, também é necessário estudo, disciplina e vontade de aprender.

Entre essas palavras pouco óbvias que fazem parte do universo dos livros está o subtexto. E é sobre ele que falaremos neste texto! :)

O que é subtexto?

É o conteúdo que fica nas entrelinhas. Enquanto o texto é tudo o que está escrito, o subtexto é composto pelas emoções, sentimentos e pensamentos escondidos na narrativa – e percebidos através de ações dos personagens ou descrições da cena.

Exemplo de subtexto:

“A caravana começou a viajar dia e noite. A toda hora apareciam os mensageiros encapuzados, e o cameleiro – que havia se tornado amigo do rapaz – explicou que a guerra entre os clãs havia começado. Teriam muita sorte se conseguissem chegar ao oásis.

Os animais estavam exaustos e os homens, cada vez mais silenciosos. O silêncio era mais terrívei na parte da noite quando um simples relincho de camelo – que antes não passava de um relincho de camelo – agora assustava a todos e podia ser um sinal de invação.”

O trecho acima é parte da famosa obra de Paulo Coelho, O Alquimista. Nos dois parágrafos o autor não menciona o medo da guerra ou a vigilância constante de quem atravessava o deserto – mas é possível reconhecê-los no susto com o relincho dos animais e na exaustão dos homens.

Como utilizar o subtexto para enriquecer suas histórias?

O leitor não é passivo. Ele interpreta tudo o que está escrito a partir de suas próprias experiências e sentimentos e, por isso, também não é necessário traduzir certas coisas em palavras – as vezes, a genialidade está justamente na conclusão que o leitor terá a partir do texto. E se você der todas as pistas, ele é capaz de chegar lá sozinho, fique tranquilo.

Por exemplo, ao descrever um parque de diversões como agitado, ensolarado, lotado de crianças correndo e brincando, não é necessário dizer que o lugar parece feliz. A simples descrição da cena é suficiente para conduzir o leitor até esta conclusão. Por isso, ao escrever seu livro, lembre-se de pedir ajuda para outras pessoas com uma leitura crítica – assim você saberá como alguém de fora interpretará tudo o que você planejou.

E você? Tem outras dicas para utilizar o subtexto em histórias? Deixe um comentário abaixo :)

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Como criar diálogos realistas para seu livro?

Você passou páginas e páginas preparando seu leitor. Descreveu ambientes, situações, pensamentos. Conseguiu transmitir todos os sentimentos de forma satisfatória. Envolveu o público. Criou personagens marcantes e personalidades críveis.

Está tudo indo bem. Até que, na hora de criar um diálogo, você trava e não consegue colocar entre aspas o que faria tão bem em forma de narração. Falta alguma coisa, as palavras parecem falsas, o tom de voz não está certo.

E aí, o que fazer?

Normalmente quando isso acontece é porque o escritor não sente que seus diálogos são realistas e plausíveis.

Erros comuns na criação de diálogos em livros

De duas, uma: ou o autor está utilizando um formato informal demais, tentando copiar fielmente a realidade, ou está forçando palavras muito formais e que não condizem muito com o contexto da narrativa.

Confira alguns erros que podem prejudicar sua escrita:

  • Falta de padrão nas falas, tornando o personagem confuso ou deslocado;
  • Falta de reações – gemidos, risadas, gritos de raiva ou alegria são fundamentais para conferir características humanas (e animalescas) aos personagens;
  • Diálogos muito parecidos: cada personagem é único e precisa ter seu próprio estilo de fala. Se o leitor não puder distinguir com facilidade o autor da frase, pode ficar difícil compreender o enredo.

Como criar diálogos realistas?

A solução é testar diferentes formas de diálogo (e não apenas introduzir as falas). Confira algumas dicas abaixo:

  • Descreva reações, sons e movimentos. O mundo não para só porque alguém abriu a boca e é fundamental situar o leitor sobre tudo o que está acontecendo enquanto dois personagens conversam;
  • Não exagere em gírias, mas não deixe de usá-las quando for necessário Por isso, a pesquisa é fundamental durante o processo de escrita: quem eram as influencias musicais da época? Com quem os personagens gostariam de se parecer? Qual era o cenário político? Tudo isso pode influenciar muito na forma de falar;
  • Crie frases curtas, diretas e simples. Caso contrário, seus leitores não acreditarão em seu discurso. Ninguém fala por dez minutos sem interrupção.
  • Crie diálogos indispensáveis. Aproveite esses espaços para imprimir ao máximo a personalidade de cada personagem e conquiste o coração de seus leitores com elas.
  • Escreva falas considerando sempre o tipo de narrador da sua história. Caso o enredo seja descrito em primeira pessoa, algumas informações precisam ser ditas por personagens secundários para que tudo faça sentido – afinal, o personagem principal precisa de insumos para fundamentar suas teorias, emoções e anseios.

E você? Tem outras dicas para criação de diálogos? Conta pra gente nos comentários! :)

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*Parte deste conteúdo foi extraído do livro autoral do Clube: 75 dicas para publicar um livro.

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