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Como escrever primeiro parágrafo de um livro?

Sua obra foi publicada e está em destaque na prateleira de uma grande livraria. Cheirinho de novo, capa criativa e cuidadosamente ilustrada, um título marcante, impossível de passar despercebido.

Um leitor se aproxima, curioso. Pega o exemplar, revista capa e contracapa. Lê a sinopse. Abre na primeira página e… a magia acaba. O livro volta para o expositor como se nunca tivesse existido. Quem nunca julgou um livro pelo primeiro parágrafo que atire a primeira pedra.

Um final incrível pode fazer com que as pessoas lembrem-se de uma história pelo resto de suas vidas. Mas um bom início é uma sementinha plantada que vai brotar e crescer a cada novo parágrafo, encorajando o leitor a mergulhar mais e mais, fazendo com que seja impossível desistir sem saber o que acontece na linha seguinte.

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.” Foi assim que Machado de Assis abriu sua obra-prima, Memórias Póstumas de Brás Cubas: com uma primeira frase que praticamente cola o olhar do leitor ao livro e o impele a devorar cada uma de suas próximas páginas.

É por isso que começar uma história é sempre difícil, principalmente para os perfeccionistas. Mas a dica aqui é: comece. Mesmo que o início pareça não fazer jus a tudo o que já foi planejado. A escrita irá evoluir conforme as letras forem se enfileirando e, à medida que as ideias forem se aperfeiçoando, a inspiração para editar o começo da história pode chegar também. Só não vai chegar se você ficar esperando.

Leia mais: A importância de pegar feedbacks sobre sua obra.

Saiba as formas de começar uma história:

É claro que seu primeiro parágrafo irá depender (e muito) do estilo criativo que você escolheu. Se você decidiu começar contando algo que só fará sentido no meio da história, por exemplo, torna-se ainda mais importante que essa primeira parte seja escrita com muito cuidado para não comprometer o restante do livro.

Por isso é super importante conhecer os tipos de texto responsáveis por abrir uma obra, como prefácio e prólogo, por exemplo:

Prefácio

O préfácio é um texto que antecede a história, normalmente contextualizando um pouco mais o leitor sobre as páginas que vêm a seguir. Ele pode contar sobre a experiência do autor durante a escrita e publicação da obra ou trazer opiniões sobre o livro, por exemplo. O autor pode ficar responsável pela abertura do livro, logo no prefácio, ou pode confiar essa tarefa a outro escritor ou amigo (principalmente aos famosos!). 

Prólogo

O prólogo é um recurso de texto utilizado antes do primeiro capítulo de um livro. Funciona como uma preliminar da história, trazendo informações paralelas ao discurso central. Enquanto o prólogo é parte da história, iniciando a narrativa, o prefácio funciona como uma nota do autor (ou de um convidado) explicando o conteúdo do livro ou dando sua própria opinião.

Spoiler da narrativa

As primeiras linhas do texto precisam fisgar o leitor e fazê-lo entender qual tipo de material tem em mãos. Uma história de ação pode começar com uma cena de tirar o fôlego, colocando ritmo em cada palavra. Um drama pode se apresentar com um diálogo de impacto. Um suspense pode descrever uma cena curiosa, envolvente, cheia de mistério.

Seja qual for o gênero ou estilo, o primeiro parágrafo deve causar algum tipo de emoção — humor, empatia, raiva. Escolha a sua com cuidado!

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*Parte deste texto está presente em nossa obra: 75 dicas para escrever um livro.

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Como escolher o nome para personagens do seu livro?

Muitos personagens da Disney se tornaram inesquecíveis não apenas pelas suas histórias mas pelo nome de seus personagens. Como não lembrar da história de Alladin ao ouvir alguém falar o nome “Jasmine”? Ou então no clássico Rei Leão, ao ler o nome “Simba” em algum lugar? E não é só na Disney que isso acontece. Aposto que, toda vez que você vê um cachorro São Bernardo na rua, você pensa “olha lá o Beethoven”. 

A força desses personagens é indiscutível e vale repetir que esse reconhecimento não é apenas culpa do enredo mas também do “peso” de cada um dos nomes. O exemplo dos filmes também acontece em séries, quadrinhos e, obviamente, livros! Alguém esquece de Capitu e Bentinho? Machado de Assis eternizou esses personagens por meio de sua obra, Dom Casmurro. 

Coisas que todo escritor iniciante precisa saber.

Como escolher o nome dos personagens?

No momento de definir os nomes das personagens, os escritores iniciantes se dividem em dois grupos distintos: os que não dão qualquer importância para este item e escolhem logo qualquer um para resolver a questão e os que fazem desta uma tarefa tortuosa e incessante, já que nenhum nome parece bom o suficiente para batizar suas criações.

Essa escolha faz parte do processo processo criativo para escrever um livro e é importante dedicar o tempo necessário para essa escolha. Afinal de contas, não é simplesmente um nome, cada personagem tem a sua história, suas origens, religião e tantas outras particularidades que o torna único. Pode parecer loucura, mas é como se você precisasse identificar a personalidade do seu personagem para nomeá-lo. 

O processo criativo, no entanto, também varia: há quem monte uma história inteira para depois nomear os personagens. E há quem dedique mais tempo nessa escolha, já pensando nas características que aquele nome possui (de acordo com experiências ou outras fontes de inspiração), para depois organizar o enredo e começar a escrever.

Exemplos de nomes alinhados à personalidade:

Aqui estão três exemplos simples, inseridos na Turma da Mônica, para te ajudar a entender o impacto do nome na identidade do personagem: 

Chico Bento

Um personagem com jeitinho “caipira”, que tem a pureza e a simplicidade de quem vem do interior para a capital. Um menino simpático e divertido, que usa chapéu de palha e gosta de moda de viola. Tanto o seu nome quanto as características representam esse jeito interiorano de ser. Nas histórias, ele está sempre brincando com os amigos, pescando ou dormindo na rede, tranquilão. Talvez, se fosse um personagem da cidade, se chamaria Francisco. Mas Chico combina muito mais com ele, não é verdade? 

Mônica

Um nome forte, que reflete a personalidade da personagem. Ao mesmo tempo em que é doce e uma super amiga, é nervosa e briguenta quando vira piada entre os outros membros da turma – especialmente os meninos, que também são os que mais sofrem com suas coelhadas. Se trouxermos Mônica para um cenário diferente dos quadrinhos, sua personagem vai ser aquela mulher com perfil de liderança, leal e dona de si. Tudo a ver com o nome, concorda? 

Cascão

Quantas pessoas você conhece que combinam mais com o apelido do que com o próprio nome? O Cascão é um caso desses. Um menino travesso que tem medo de água e odeia tomar banho. Seu animal de estimação é um porquinho, tão sujinho quanto ele. Realmente, nenhum outro nome combinaria melhor do que este. 

Entendeu as diferenças? É importante observar as fragilidades de cada personagem e o rumo que você pretende dar a ele durante a história. Assim como cada um de nós “carrega” o próprio nome por onde vai, o personagem carrega no nome a sua identidade. Por isso, dedique tempo a esta etapa importante e faça boas escolhas. 

Dicas para definição de nomes

Existem diversos recursos para encontrar o nome ideal para os seus personagens e alguns deles estão disponíveis aqui na internet. Você pode fazer busca por nomes que te interessam e pegar referências de pessoas na História com o mesmo nome, por exemplo.

É importante que o nome de cada um seja forte e alinhado com seu papel na trama. Para conseguir nomes interessantes para sua obra, pode ser interessante ir aos poucos criando uma lista de candidatos. Isso porque, em tempo de edição de textos por computador, ainda que ao final da obra você decida trocar o nome do protagonista, bastam poucos cliques para ter certeza de que todos foram substituídos. Por isso não se apresse: até o livro estar publicado, ainda há tempo de mudar.

Analise o tempo da história

Preste atenção em que tempo a sua história se passa, alguns nomes são mais característicos de determinada época do que outros. O mesmo acontece com nomes inspirados em filmes de outra nacionalidade – um personagem com nome estrangeiro faz sentido no enredo que você vai propor? Reflita.

Caso sua história aconteça numa época diferente da atual, para que a personagem tenha mais credibilidade, é interessante fazer uma busca dos nomes populares naqueles tempos. Isso porque ao escolher um nome moderno para uma personagem dos anos 30 pode criar um ruído na comunicação com seu leitor, pois cada vez que ele visualizar este nome na trama, vai lembrar que se trata de uma história completamente inventada, afinal, este estilo de nome nem existia naquela época!

Utilize o discionários de nomes

Você também pode pesquisar em Dicionários de Nomes Próprios – aqueles que futuros papais utilizam para escolher o nome do bebê, sabe? Geralmente ele é separado por gênero e possui alguns significados que ajudam na condução da personalidade do personagem. 

Observe nomes do seu dia a dia

E o mais simples: preste atenção ao seu redor! Repare na identificação da caixa do supermercado, nos nomes chamados no hall do consultório médico, na lista de chamada do seu curso, nos entrevistados de matérias da TV… o nosso dia a dia está repleto de possibilidades.

Leve o gênero do livro em consideração

Outro ponto de atenção é quando o gênero de história que se está criando é fantasia. Nesses casos, é imprescindível que o nome seja original, diferente, criado especialmente para esta personagem. Você pode buscar inspiração em outras histórias do tipo e mudar algumas letras do nome ou buscar inspiração em deuses e deusas também alterando algumas partes para dissociar uma coisa da outra. Aqui a regra é: quanto mais original, melhor.

Conheça as características da literatura Young Adult

Crie bancos de nomes

Outra dica é criar um arquivo de nomes para facilitar a pesquisa para personagens futuros. Você pode fazer uma planilha no Excel, com uma aba para nomes masculinos e uma aba para nomes femininos – se tiver alguma característica de personalidade, acrescente também. 

Resumindo: são muitas as possibilidades e por isso mesmo,
não deve ser nenhum drama batizar suas personagens. Por isso a
dica é: inspire-se e divirta-se no processo.

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Método Snowflake para escrever livros

O planejamento é o primeiro passo para idar início a qualquer projeto. Seja uma dieta, rotina de exercícios, lançamento de um produto, uma campanha publicitária ou… um livro!

Sem um planejamento, corremos o risco de tomar decisões incoerentes e que resultarão em trabalho dobrado para remendar os furos que deixamos pelo caminho.

E foi com o objetivo de ajudar nesse processo inicial que surgiu o método Snowflake (ou “floco de neve”, em português), idealizado pelo escritor americano Randy Ingermanson. Entenda!

O que é o método snowflake?

O método Snowflake é um “guia” utilizado por autores nas etapas iniciais de um livro. Ele serve para nortear a tomada de decisão sobre elementos fundamentais da história. Durante esse brainstorm, o escritor pode testar diferentes possibilidades e projetar a obra por completo, do começo ao fim.

Quais são as etapas do método Snowfale?

Etapa 1: escrever a história em uma frase

Resuma sua história em poucas palavras, sem muitos detalhes. Foque no gancho principal da narrativa. Por exemplo, o livro Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie, poderia ser resumido em “Detetive investiga assassinato em trem para descobrir o passageiro culpado”.

Etapa 2: expandir a frase em um paragrafo

Depois de criar uma frase, comece a adicionar detalhes. Ainda utilizando o exemplo do livro de Agatha Christie, o parágrafo poderia trazer informações sobre quem morreu e onde o trem estava indo.

Etapa 3: criar fichas para os personagens

Com essas informações, já é possível ter ideia de quais personagens farão parte da narrativa. Crie fichas para catalogar suas principais características e desvios de personalidade. Não é necessário ir muito a fundo neste momento.

Etapa 4: expandir o parágrafo inicial em vários parágrafos

Agora que você já perfilou os principais personagens, fica mais fácil adicionar ainda mais detalhes ao esboço que você já fez. Divida o parágrafo da etapa anterior como se você estivesse contando a história a um amigo, acrescentando mais detalhes para que a trama seja compreendida.

Etapa 5: expandir as fichas dos personagens em sinopses mais completas

Hora de escrever um pouco mais sobre cada personagem. Crie um resumo sobre sua personalidade e seu papel na história, realmente planejando sua jornada. Conhecer os arquétipos de personagens pode facilitar este trabalho.

Leia mais: o que é sinopse e como escrever uma?

Etapa 6: expandir cada parágrafo em uma página

Quanto mais detalhes você conseguir adicionar, melhor. Por isso, complemente o que já foi escrito com mais informações, pensando nos desdobramentos e em como cada ponto se conecta com o gancho principal da história.

Etapa 7: construir uma ficha detalhada dos personagens

Experiências passadas, sonhos, traumas, hobbies, motivações… todos esses detalhes são fundamentais para justificar as escolhas dos personagens ao longo da trama. Por isso ter tudo isso catalogado em uma ficha será fundamental para os passos seguintes.

Etapa 8: criar uma planilha com capítulos e cenas

Agora que você já sabe como sua história começa e termina, é hora de planejar a sequência em capítulos e cenas fundamentais para conduzir a narrativa até o ponto final. A dica é organizar tudo isso em uma planilha, assim você tem um guia prático de qual evento deve ser apresentado em seguida.

Etapa 9: desenvolver as cenas como base para um primeiro rascunho

Depois de organizar os capítulos, comece a rascunhar as cenas mais importantes, pensando em elementos fundamentais, decisões dos personagens e cenários.

Etapa 10: escrever seu primeiro rascunho.

Após esse passo a passo, você está pronto para rascunhar sua história. Todos os detalhes importantes já foram planejados, basta desdobrar tudo o que você já criou em cenas mais detalhadas.

Lembre-se de que você provavelmente revisará esse rascunho no futuro. Por isso, não se apegue ao perfecccionismo neste momento. Escreva da forma mais fluida possível e, depois de finalizar o texto por completo, trabalhe para melhorar o que for necessário.

E aí, gostou das dicas? Conta pra gente nos comentários qual método você utiliza para planejar uma história :)

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O que é epílogo e como escrever um?

O que acontece depois do “felizes para sempre”?
O príncipe encantado continua jovem e bonito? E a princesa, tem filhos ou decide largar o palácio e aventurar-se pelo mundo?

Algumas histórias tornam-se tão especiais que o desfecho da trama não parece suficiente para aceitar seu término. Imaginamos o futuro dos personagens, tentamos entender melhor algo que ficou aberto e ansiamos por algumas linhas a mais para acalmar o coração e seguir em frente.

Tudo isso pode soar bastante exagerado, mas não é atoa que existe um recurso textual justamente para nos dar esse gostinho depois do fim. Saiba mais sobre esse formato! =)

O que é epílogo?

O epílogo é o oposto do prólogo. É a última parte do texto, adicionada ao final da obra para encerrar a narrativa. Trata-se de um recurso utilizado para desfecho, sendo bastante útil quando não é possível deixar todas as pontas amarradinhas no último parágrafo, por exemplo. Também é usado para projetar o futuro dos personagens ou dar voz a um deles, revelando seus sentimentos a partir dos acontecimentos narrados.

Dicas para escrever um epílogo:

  1. Menos é mais: não utilize um epílogo caso sua história tenha sido bem concluída no último capítulo. As vezes, o mistério que fica depois do fim é o que torna a obra tão memorável. No livro “A culpa é das estrelas”, escrito por John Green, não sabemos o que acontece depois da cena final, o que nos leva a especular sobre o futuro de Hazel na luta contra o câncer. E é justamente esse tipo de incerteza que torna a narrativa tão especial, afinal, estamos falando de uma doença imprevisível. Um epílogo com certeza não teria o mesmo efeito.
  2. Planeje o futuro com cuidado: mexer com o futuro é sempre perigoso, inclusive para escritores. Ao projetar acontecimentos que não serão narrados, é preciso tomar muito cuidado, conduzindo os personagens por caminhos possíveis e adequados para os desdobramentos da história. As sagas infantojuvenis Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo são exemplos de projeções bem feitas e (geralmente) aprovadas pelo público.
  3. Fuja do óbvio: a não ser que você esteja escrevendo um conto de fadas para crianças, tente surpreender seus leitores no epílogo. Afinal, se os próximos acontecimentos já forem prevísiveis a partir dos capítulos finais, será que um desfecho é realmente necessário?

Ficou com alguma dúvida? Deixe um comentário abaixo!

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Arquétipos de personagens segundo Vogler

Se olharmos atentamente para as histórias contadas em livros ou filmes, é possível identificar traços de personalidade semelhantes em cada narrativa. Sim, cada personagem é único e possui características exclusivas que fazem dele uma persona original. Porém, não é novidade que existem recorrências nos papeis.

Esses padrões são chamados de arquétipos e é sobre isso que falaremos neste artigo. Confira! :)

O que são arquétipos?

De acordo com o psicólogo suíço Carl G. Jung, arquétipos são padrões de personalidade compartilhados por toda a humanidade.

Segundo ele, existe um incosciente coletivo, onde contos de fadas e mitos funcionam como sonhos de uma cultura inteira. Ou seja: apesar da variação de tempo, culturas e experiências, existe certa constância nas personalidades dos indivíduos.

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Arquétipos e funções, segundo Vogler

Tomando as teorias de Jung e Joseph Campbell (criador da Jornada do Heroi) como ponto de partida, Christopher Vogler explica os arquétipos mais utilizados na literatura e no cinema, em sua obra “A Jornada do Escritor”.

O livro apresenta em detalhes as principais características de cada tipo de personalidade. Além disso, explica como esses papeis podem confundir-se em um mesmo personagem. Confira o trecho extraído da obra:

“Quando comecei a lidar com essas idéias, pensava num arquétipo como um papel fixo, que um personagem desempenharia com exclusividade no decorrer de uma história. Quando identificava que um personagem era um mentor, esperava que ele fosse até o fim sendo mentor, e apenas mentor.
Entretanto, quando fui trabalhar com os motivos de contos de fadas, como consultor de histórias para a Disney, descobri outra maneira de encarar os arquétipos — não como papéis rígidos para os personagens, mas como funções que eles desempenham temporariamente para obter certos efeitos numa história”

Leia mais: como escolher o nome para os personagens do seu livro?

Características de cada arquétipo:

Heroi

O heroi é quem conduz a história (normalmente destacando-se como protagonista). Parafraseando Vogler, “a raiz da ideia de Herói está ligada a um sacrifício de si mesmo.” Normalmente o livro é narrado a partir do seu ponto de vista.

Mentor: velha ou velho sábio

Sabe aquele personagem que aconselha o heroi, possui mais experiência que ele ou já passou por situações semelhantes ao longo da vida? Esse tipo de personalidade pode ser classificada como “mentora” e normalmente se apresenta como uma pessoa mais velha.

Guardião de limiar

Para ganhar a batalha, o heroi precisa superar obstáculos (sejam pessoas, objetos ou lugares). Os guardiões de limiar são colocados no caminho do protagonista e precisam ser ultrapassados, mas nem sempre são figuras “do mal”. Podem ser capatazes do vilão ou personagens neutros.

Arauto

Acontecimentos ou pessoas que “empurram” o heroi em sua jornada são chamados de Arautos. Eles se apresentam em forma de desafios, são a força catalisadora para que a narrativa se desenrole.

Camaleão

A função do camaleão é ser instável e, por isso, nem sempre é fácil identificá-lo. Seu papel mais comum é o de par ou interesse romantico do heroi. Segundo Vogler, “os Camaleões mudam de aparência ou de estado de espírito. Tanto para o herói como para o público, é difícil ter certeza do que eles são. Podem induzir o herói ao erro ou deixá-lo na dúvida, sua lealdade ou sinceridade estão sempre em questão”.

Sombra

O vilão da história possui o arquétipo de “sombra”. Seus objetivos são sempre diferentes dos apresentados pelo heroi e, por isso, talvez seja necessário destruí-lo. É muito comum existirem traços semelhantes de personalidade entre vilão e heroi, porém, as características da sobra geralmente refletem os pontos negativos.

Pícaro

O pícaro entra em cena como um “alívio cômico”, trazendo um pouco de leveza para a história, mesmo em situações difíceis. Suas ações normalmente são carregadas de humor e críticas, sendo fundamentais para que o heroi tome decisões necessárias.

Como identificar a natureza de um arquétipo?

No livro, Vogler nos convida ainda e analisar a natureza que compõe cada um dos arquétipos. Segundo ele, existem duas perguntas capazes de nos auxiliar nesta jornada:

  1. Que função psicológica ou que parte da personalidade ele representa?
  2. Qual sua função dramática na história?

A resposta para a primeira questão concentra-se nas características que cada personagem apresenta. O heroi, por exemplo, é aquele que tenta proteger os outros e se arrisca, aceitando sacrifícios por um bem maior. Todos temos mais de uma característica dentro de nós, mas a principal função psicológica é a que mais se destaca entre elas.

Já a segunda questão gira em torno das funções que o arquétipo de cada personagem têm para a história. Ou seja, qual papel ele desempenha: gerar identificação com a plateia, promover a ação da narrativa, sacrificar-se ou aprender com os erros, por exemplo.

E você? Já sabe como utilizar esses conceitos para complementar sua escrita? :)

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