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A importância da representividade na literatura infantil

Qual era seu personagem favorito de desenho animado quando criança? Por que você sempre gostava mais de personalidades femininas? Ou então, por que sempre torcia pela pessoa mais tímida e incompreendida dos filmes da Sessão da Tarde?

Se você nunca parou para pensar nos motivos deste favoritismo, saiba que ele não é aleatório. Livros, desenhos e filmes são tão importantes em nossa vida porque nos transportam para realidades paralelas, onde descobrimos personagens únicos com os quais nos identificamos, ou que possuem características que gostaríamos de ter.

E é por isso que a representatividade é uma pauta tão fundamental e precisa ser discutida com mais intensidade entre os autores de histórias infantis. Afinal, temos uma grande responsabilidade em mãos: cabe a nós, escritores, criarmos as referências das próximas gerações, eliminando estereótipos que fizeram parte do nosso desenvolvimento.

Leia também: Como criar personagens para seu livro?

Como a Marvel tem incluído mais diversidade em suas histórias?

Sana Amanat é uma editora americana de quarinhos, responsável por levar diversidade às HQs da Marvel. Além de sua participação notável em Ultimate Comics como Homem Aranha e Capitã Marvel, Sana é co-criadora da primeira série solo da Marvel a ser protagonizada por uma super-heroína muçulmana.

Ms. Marvel é, sem dúvidas, um exemplo incrível de representatividade. A personagem servirá de referência para crianças e adolescentes que até então eram cercados por representações negativas de sua religião, principalmente nos Estado Unidos, por conta de conflitos políticos. A própria editora, Sana, é uma inspiração para garotas que sonham em fazer parte deste universo predominantemente masculino e preconceituoso com o islamismo.

Confira alguns destaques da fala de Sana em seu TED Talk, “A importância da diversidade no universo de HQs”:

  • De acordo com a editora, existe algo chamado “ameaça de estereótipo”, que ocorre quando um grupo de indivíduos internaliza e reage a ideias negativas relacionados a eles. Por conta do medo de ser associado a este estereótipo, as pessoas deixam de agir conforme suas habilidades, performando menos do que poderiam (academicamente ou socialmente), mascarando quem realmente são para negar as expectativas dos outros.
  • Por conta do neurônio-espelho, é da natureza humana agir conforme a massa, repetindo ou acreditando no que os outros dizem que devemos acreditar. Por isso, é fundamental criar histórias empoderadoras e inspiradoras, que nos desafiem a ser melhores.
  • Ms. Marvel é uma personagem tão inspiradora porque está tentando se encaixar e descobrir quem é de verdade. Ou seja, sua história reforça que tudo bem ser diferente ou ainda estar em busca do seu verdadeiro eu.

Confira o vídeo completo abaixo:

E, da mesma forma que a Marvel vem incluindo diversidade em suas histórias, é nosso papel trazer mais representatividade para nossas histórias infantis, não é mesmo? :)

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Ler lentamente para escrever melhor

Se você já ouviu falar sobre leitura dinâmica, tem uma meta agressiva de livros para terminar até o final do ano ou se sente incomodado por não conseguir devorar uma história como fazia na adolescência, esse artigo talvez te decepcione: não vamos apresentar nenhuma técnica avançada para engolir as palavras. Pelo contrário, a proposta é desacelerar e observar tudo com olhos mais atentos.

TED Talk: O que ler lentamente me ensinou sobre a escrita (2019)

Em outubro de 2019, a escritora norte americana Jacqueline Woodson nos presenteou com uma reflexão incrível sobre o tema em sua palestra no TED Talk.

Segundo ela, quanto mais tempo passava com os livros enquanto criança, menos ouvia o barulho do mundo lá fora. Mesmo tendo sido criada para ler rapidamente, Jacqueline preferia passar os dedos pelas palavras e reler histórias – a cada nova leitura, descobria coisas novas nas entrelinhas.

“Quando criança, eu sabia que as histórias eram feitas para serem saboreadas, que as histórias gostariam de ser lentas, e que um autor havia passado meses, talvez anos, escrevendo”, explica a autora em sua palestra.

A autora vencedora do National Book Awards (2014), queria ser uma escritora desde os sete anos e acreditava que seu trabalho como leitora era respeitar cada narrativa.

Confira a palestra completa no vídeo:

Abaixo, alguns destaques de sua fala no TED Talk:

Isso significa que ler rápido é ruim para escritores?

Claro que não. 

Aliás, não existe certo ou errado. Existem pessoas que preferem a leitura dinâmica. Outros se demoram em cada página. Cada um tem seu próprio ritmo. 

O que Jacqueline propõe é experimentarmos outras formas de fazer o que já somos acostumados e que, muitas vezes, fazemos em modo automático.

A ideia é lembrarmos, justamente, que cada palavra escrita foi escolhida a dedo por outra pessoa. Cada frase publicada em um livro é resultado da imaginação de alguém diferente, com ideias, pensamentos e crenças únicas. E mesmo assim, quando compartilhadas com o mundo, têm o poder de nos transportar para outra dimensão. 

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Virginia Woolf, no texto que abre a coletânea de prosas-poéticas, “O Sol e o Peixe”, nos faz a mesma proposta, ainda que em um contexto diferente. Ela pede para olharmos mais atentamente para tudo o que somos, observando e sentindo todos os impulsos que nos movem.   

“Deixemo-nos fervilhar sobre nosso incalculável caldeirão, nossa enfeitiçadora confusão, nossa miscelânea de impulsos, nosso perpétuo milagre — pois a alma vomita maravilhas a cada segundo.” – Virgínia Woolf (1882–1941).

A proposta de ambas autoras têm algo em comum – nos provocam a ver as entrelinhas, com calma, absorvendo todos os detalhes. Para quem escreve, esse hábito tem um potencial imenso. Afinal, as palavras são nossa ferramenta e não é nenhuma novidade que a leitura faz de nós escritores melhores.

E você, o que acha disso? Conta pra gente nos comentários!

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Podcasts literários para escritores

Se você é escritor, certamente já leu em algum lugar que para escrever bem é preciso ler muito e que para vencer o bloqueio criativo, é necessário consumir conteúdos inspiradores, certo?

Para ajudá-lo nessa missão, preparamos uma lista de podcasts que todo autor deveria ouvir. Afinal, conteúdo não é só texto: vídeos, áudios, fotografias… tudo é arte! E sempre podemos encontrar boas ideias explorando outros formatos. 

Confira nossas 4 dicas de podcasts literários

Gente que escreve

O podcast de Fábio Barreto surgiu em 2015. O programa semanal é voltado para qualquer pessoa com interesse em escrita, produzido de escritores para escritores. O formato é inspirado em John August, roteirista e podcaster. Entre os temas dos episódios mais recentes estão: ideias para o desenvolvimento narrativo, por que escrevemos?,  influenciadores imaginários e biografias.

Os 12 Trabalhos do Escritor

Neste programa lançado quinzenalmente, AJ Oliveira busca esclarecer o processo de produção literária para todos os que pretendem escrever suas próprias histórias. O podcast traz grandes nomes da literatura nacional para discussão de temas como guia de eventos literários, divulgação de livros, design de capas e autores independentes.

Histórias de ninar para garotas rebeldes

Baseado no best-seller escrito por Elena Favilli e Francesca Cavallo, este podcast apresenta contos de fadas sobre mulheres inspiradoras. As histórias são lidas por vozes como Jout Jout e Daniela Mercury e os episódios são organizados pela B9 e estão disponíveis no Spotify, Apple, Google Podcasts, e Pocket Casts. 

Clube do Livro

Antonio Fagundes, ator da Globo, também é protagonista de podcasts! Neste programa, o artista embarca no universo da literatura, explorando temas importantes e atuais, dando dicas de obras e explicando gêneros de escrita. O podcast está disponível no Gshow.

E você? Tem outra recomendação? Conta pra gente nos comentários!

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O que são pseudônimos e quando são utilizados?

Pseudônimos são nomes adotados por autores para assinar obras sem utilizar seus nomes civis. São utilizados, normalmente, para preservar a identidade do escritor, seja por charme ou necessidade. Além disso, esse recurso não é exclusividade do mercado editorial. Na música e no cinema, muitos artistas preferem adotar apelidos diferentes de seus verdadeiros nomes, como Lady Gaga, Susana Vieira e Lana Del Rey, por exemplo.

Por que pseudônimos são utilizados?

Existem diversos motivos que levam um escritor a não utilizarem seus nomes verdadeiros na publicação de suas obras. Listamos alguns abaixo: 

Preconceito 

No século passado, muitas mulheres preferiam utilizar nomes masculinos para não sofrerem com o machismo, tendo suas obras invalidadas e desprestigiadas simplesmente por serem mulheres. Esse mesmo receio pode se aplicar ainda hoje em diferentes casos, como homofobia ou racismo, por exemplo. 

Medo de exposição

Nem todo mundo quer ficar famoso e viver a vida sob os holofotes. Por isso, muitas pessoas preferem preservar suas identidades, não revelando seu nome pessoal e passando despercebidos. 

Proteção e segurança

Durante o regime militar, a censura à imprensa e à liberdade de expressão obrigou diversos autores a utilizarem pseudônimos como forma de proteção. Atualmente é possível fazer críticas ao Estado e figuras públicas sem que isso resulte em tortura ou prisão, porém, essa prática ainda é utilizada por jornalistas e autores que denunciam e expõem pessoas envolvidas em tráfico e esquemas de corrupção, por exemplo. 

Destaque no mercado

Nem todo mundo nasceu com um nome artístico. Por isso, ainda que o pseudônimo seja associado à imagem de uma pessoa, ele é utilizado como alternativa ao nome de registro, sendo geralmente mais sonoro e fácil de destacar-se.

Saiba o que mudou no registro de ISBN de livros.

Exemplos de escritores que assinaram trabalhos com outros nomes:

J.K. Rowling (Robert Galbraith)

J.K. deu vida aos bruxos mais amados do universo literário. Escritora da saga Harry Potter e mundialmente conhecida, a autora decidiu lançar um livro sob o pseudônimo Robert Galbraith, para testar seu sucesso no mercado editorial e colocando à prova a qualidade de sua escrita. O plano, porém, não deu muito certo e sua identidade não demorou muito a ser relevada. O responsável por compartilhar a informação foi processo por J.K.

Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde)

Autor de obras importantes como O gigantismo econômico, Revolução Suicida e Mitos de nosso tempo, adotou o pseudônimo Tristão de Ataíde em 1919 ao se tornar crítico literário. O objetivo era separar sua atuação no meio artístico de suas demais atividades. Além de escritor e crítico, Tristão era formado em direito, dirigia a fábrica de tecidos de seu pai e, mais tarde, tornou-se líder da renovação católica no Brasil e símbolo na luta contra a censura no regime militar. 

E você? O que acha de utilizar um apelido para publicar seu próximo livro?

Conta pra gente nos comentários!

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Períodos estratégicos para divulgar seu livro

Você sabe como fazer pão caseiro? 
Ou melhor, você conhece uma receita simples e rápida de assar um pão em casa?

Independentemente da resposta, você deve estar se perguntando que tipo de introdução é esta, e o que ela está fazendo no texto de um blog sobre livros. Mas fique tranquilo, tudo fará sentido nas próximas linhas!

Mas vamos voltar para os pães…

Grande parte dos brasileiros consome pão diariamente. Alguns preferem comprar na padaria perto do trabalho, outros escolhem o seu na prateleira de um mercado no final de semana. Nenhuma novidade até aqui. 

Mas no meio do caminho demos de cara com o coronavírus, e com ele, o isolamento social, a ressignificação de atividades antes consideradas indispensáveis e os novos hábitos de consumo. 

Para se proteger e manter os hábitos alimentares, as receitas caseiras ganharam destaque na internet. Em paralelo, comportamento semelhante também apareceu como forma de passar um tempo de qualidade dentro da própria casa. Afinal, cozinhar é um hobbie bastante popular. 

E para provar que o interesse por fazer o próprio pão aumentou nas últimas semanas, basta olharmos para os tendências de busca no Google: 

Buscas contendo “máquina de pão”

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Buscas com “como fazer pão”

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Buscas por “receita de pão”

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Fonte: Google Trends

Ok, mas o que tudo isso tem a ver com livros, afinal? 

Nem só de ficção e biografias sobrevive o universo literário. 

Obras sobre culinária certamente têm um papel importante na vida dos brasileiros e os livros de receita continuam sendo fundamentais, mesmo com o advento da internet.

Aqui no Clube, já foram publicados centenas de livros deste gênero, ensinando o passo a passo de preparação de todo o tipo de refeição. E seguindo as tendências sociais, a procura por esse formato aumenta em determinados períodos do ano.

Por exemplo, no Natal, pesquisas por “receitas de bolacha natalina” entram alta. Em julho, quentão e bolo de milho não podem faltar. Já em janeiro, é a vez de sorvetes, picolés, sucos de fruta e todo o tipo de comida refrescante. 

Por isso, não ficamos nenhum pouco surpresos ao acessar o site do Clube de Autores nesta semana e perceber que não apenas um, mas dois volumes de livros com receitas de pão caseiro de máquina estavam entre os mais vendidos da semana. 

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As duas obras são de autoria de Mauricio de L. Rodrigues. A primeira, publicada em 2013, apresenta 350 receitas para máquina de fazer pão. Já o segundo volume, publicado em 2015, traz mais 150 novidades para completar o repertório.

Como escrever um livro de receitas?

O destaque dos livros não aconteceu do dia para a noite e a qualidade de ambos os volumes não pode ser questionada. Haja criatividade para mais de 500 receitas diferentes! Apesar disso, não podemos deixar passar a importância de saber aproveitar o surgimento das tendências de busca e consumo na divulgação de livros

Por isso, separamos algumas dicas de como utilizar a sazonalidade a favor da divulgação do seu livro. Confira:

Conheça bem o calendário

O calendário de datas comemorativas é bastante diverso e vai muito além de carnaval, Festa Junina e Natal. Todo dia é dia de comemorar alguma coisa, seja uma profissão, um acontecimento com menor destaque ou uma pessoa.

É claro que feriados nacionais sempre terão mais visibilidade, mas a competição pela atenção de leitores também será maior. Vale olhar com carinho para períodos não tão explorados no mercado literário.

Identifique potenciais oportunidades

Sua obra combina com algum período específico do ano? Ou então, você pode utilizar alguma data comemorativa como gatilho para despertar interesse de compra? Conhecendo o calendário e o público-alvo do seu livro, fica mais fácil encontrar oportunidades de marketing pessoal.

Veja alguns exemplos:

  • Um livro com uma história macabra pode ser associado ao Dia das Bruxas;
  • Uma obra de desenvolvimento pessoal pode ajudar a criar as metas de ano novo;
  • Livros didáticos podem ganhar destaque durante a preparação para o vestibular;
  • Histórias feministas são excelentes presentes de dia da mulher ou dia das mães. 

Invista na divulgação nos períodos mais estratégicos

Muitas vezes, seu livro poderá ser uma escolha assertiva em mais de um período do ano, basta saber observar o comportamento dos leitores. Sempre que uma oportunidade surgir, considere aumentar o investimento – seja patrocinando conteúdos nas redes sociais, participando de eventos, divulgando entre amigos etc.

Escolha os canais certos 

Decidiu apostar no dia das mães? Lembre-se de quem compra os presentes!

Um jovem adulto provavelmente estará conectado nas redes sociais. Já um filho mais maduro talvez prefira as lojas físicas. É fundamental que sua obra esteja nas prateleiras? Talvez seja necessário manter um pequeno estoque em sua casa? Enfim! Escolher o canal mais adequado faz toda a diferença no resultado da campanha. 

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