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Resenhas de livros: a importância das recomendações

Se você tem o hábito de comprar online, sabe que os comentários e feedbacks de outros consumidores têm um papel decisivo na hora fechar um carrinho e pagar o boleto. São as críticas de quem já testou os produtos que ajudam outros possíveis compradores a entenderem se os itens cumprem o prometido pela marca ou se valem o preço anunciado.

No universo literário, temos um formato semelhante de avaliações: as resenhas críticas. E é sobre elas que falaremos neste post! Confira.

O que é resenha?

Resenha é um gênero literário muito utilizado para descrever e análise qualquer tipo de obra: filmes, séries, livros, músicas, quadros e por aí vai.

Diferente de um resumo ou sinópse, a resenha tem o objetivo de trazer reflexões sobre personagens e enredo, analisando as conexões feitas pelo autor e como tudo se complementa. É um texto mais aprofundado, com um apelo interpretativo.

Quais são os tipos de resenha?

Vale lembrar que existem dois tipos de resenha! Confira a diferença de cada um abaixo.

Resenha descritiva

As resenhas descritivas são aquelas que você mais praticou durante os tempos de escola, depois de assistir um filme e precisar “resumir” a história para provar que você prestou atenção direitinho.

Esse texto é mais “neutro” e foca em descrever o conteúdo da obra, analisar todo o repertório, mas sem necessáriamente dizer se foi bom ou ruim.

Resenha Crítica

Por sua vez, a resenha crítica faz juz a seu nome. Neste texto, além de analisar e resumir um pouco da história, também é possível criticar o conteúdo a partir de sua própria experiência.

Um personagem ficou perdido no enredo? Algo não ficou bem explicado? O final foi espetacular e surpreendente? Tudo isso pode ser avaliado e registrado em uma resenha crítica!

Como as resenhas críticas ajudam os autores? (E como incentivá-las?)

Se você está começando a se aventurar pela escrita independente, os feedbacks são fundamentais para que você entenda como suas obras são percebidas pelos leitores – principalmente os que estão fora do seu círculo de amigos e conhecidos.

Além disso, as resenhas publicadas no ambiente digital podem ajudá-lo a conquistar novos leitores. Afinal, é também uma forma de promoção do seu conteúdo, seja para o bem ou para o mal. Por isso, além de incentivar as resenhas e aprender com elas, acompanhar os comentários é uma excelente oportunidade de entender o que “brilha os olhos” das pessoas ao falarem de sua obra.

Além de publicar seu livro em grandes plataformas online, como o próprio Clube de Autores, Amazon e outras livrarias, também vale a pena:

  • Enviar seu livro para influenciadores do universo literário (ou de áreas relacionadas ao conteúdo de sua obra);
  • Cadastrar sua obra em aplicativos de leitura – como Skoob, por exemplo.
  • Utilizar o YouTube em parceria com outras pessoas populares na web, pedindo para que façam suas resenhas em vídeo;
  • Enviar releases para jornalistas, revistas e blogs divulgando sua obra e pedindo para que leiam e resenhem o livro.

E aí, qual dessas estratégias você já utiliza ou gostaria de utilizar? Conta pra gente nos comentários! E aproveite nossas dicas para complementar sua estratégia de divulgação :)

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Vozes verbais: o que você precisa saber

Infelizmente a criatividade não é o único requisito para narrar uma boa história. A forma como produzimos nossos textos influencia (e muito) na qualidade das obras.

Conhecer as diversas maneiras de conduzir frases e dar sentido às palavras é super importante! Para ajudá-lo nesta missão, preparamos um artigo dedicado à explicação e orientação de uso das vozes passiva, ativa e reflexiva. Confira! :)

Leia também: 5 dicas para melhorar sua escrita

O que são vozes verbais?

Vozes verbais são a relação entre sujeito e a ação do verbo. São elas que dão significado ao enunciado e ajustam o foco de cada frase.

Parece complexo, mas juro que não é! Confira os três tipos de vozes verbais abaixo.

O que é voz ativa?

A voz ativa coloca o sujeito do verbo em evidência. Ou seja, ocorre quando o sujeito agente (que pratica a ação) é o protagonista da frase.

Por exemplo:

  • A criança soltou a pipa;
  • O professor corrigirá as provas;
  • A mãe prefere tangerinas.

Nos exemplos acima, os sujeitos são: criança – professor – mãe; e a ação está presente nos verbos soltar – corrigir – gostar. Na voz ativa, a frase é construída a partir da seguinte lógica:

sijeito agente + verbo na voz ativa + continuação do predicado

O que é voz passiva?

A voz passiva é o contrário da voz ativa. Neste caso, o sujeito que sofre a ação (sujeito paciente) é que ganha destaque na frase. O sujeito agente (quem fez a ação) é adicionado ao restante do predicado e fica em segundo plano.

Podemos, ainda, dividir a voz passiva em sintética e análitica. Confira:

Passiva analítica

Além de trocar o sujeito agente e o sujeito paciente de lugar, é necessário adicionar uma preposição ligando verbo auxiliar + predicado. Já o verbo principal será conjugado no passado.

Exemplos:

  • A pipa foi solta pela criança;
  • As provas foram corrigidas pelo professor;
  • Tangerinas são preferidas pela mãe.

Nos exemplos, os verbos auxiliares e o verbo principal estão destacados. A ordem é a seguinte:

Sujeito paciente + verbo auxiliar e verbo principal na voz passiva + continuação do predicado

Passiva sintética

Para facilitar a definição, lembre-se do significado de sintética – ou seja, “resumida”, “abreviada”. Basicamente, é um formato passivo, só que reduzido. Assim fica fácil, né?

Esse formato é caracterizado pelo uso do pronome apassivador “se”. Ele ajuda a passar a ideia de que alguma coisa é ou está sendo feita por alguém.

Exemplos:

  • Pipas são soltas / Soltam-se pipa
  • Provas são corrigidas / Corrigem-se provas

Nas frases acima, a lógica é a seguinte:

Verbo principal na voz ativa + partícula apassivadora + sujeito paciente

O que é você reflexiva?

Por fim, a voz reflexiva ocorre quando o sujeito executa uma ação em si mesmo. Para facilitar, lembre-se dos espelhos, que utilizamos para ver nosso próprio rosto.

Nestes casos o sujeito é tanto agente como paciente, pois executa e sofre a ação do verbo.

Exemplos:

  • A criança filmou a si mesma / A criança se filmou
  • A mulher maquiou a si mesma / A mulher se maquiou

E aí, conseguiu entender a diferença na construção das frases?

Lembre-se que cada formato é recomendado para um tipo de narração. Por exemplo, se as provas forem o personagem da história, vale investir na voz passiva. Já quando o sujeito é o professor, é melhor utilizar a voz ativa :)

Deixe suas dúvidas nos comentários!

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O que significa sátira?

Sátira é um estilo literário de intervenção, com caráter político e muitas vezes cômico. É muito utilizado em textos, charges e até filmes. No YouTube, esse formato faz bastante sucesso, principalmente em canais de humor crítico!

Qual a diferença entre sátira e paródia?

Sátiras são reflexivas e sempre questionadoras. Servem para mostrar outros ângulos de algo que já foi dito, de forma crítica. Já a paródia normalmente utiliza como base algo que já existe, mas não possui caráter político (ou não precisa ter como via de regra).

Tipos mais comuns de sátira:

Diminuição

Esse estilo deprecia ou reduz a importância de algo. Normalmente é usado para criticar coisas que parecem exageradas ou então banalizar situações, tornando-as ordinárias.

Inflação

Um dos recursos mais populares. É o efeito exagerado de situações comuns ou características pessoais. Esse estilo é muito utilizado em caricaturas, por exemplo, que retratam o rosto de alguém, ampliando alguns detalhes e destacando certas características.

Justaposição

Ocorre quando existe a comparação e nivelamento de situações que não deveriam ter o mesmo peso. Uma forma muito popular de aplicar isso nos textos é comparar os famosos white people problems (como perder um avião ou reclamar do excesso de coisas boas e privilégios) com situações realmente ruins e difíceis que o resto do mundo enfrenta.

E aí, você conhece obras satirizadas ou autores fãs do estilo? Conta pra gente nos comentários!

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Como se tornar um escritor?

A primeira resposta para essa pergunta, claro, é óbvia: escrever um livro.

Mas é óbvio também que há muito mais escondido em uma pergunta como essa do que as obviedades que começam a se desprender dela. Aliás, se você já se perguntou isso antes, é porque já está um passo à frente de muitos, muitos outros aspirantes a escritores.

E já aproveito para me desculpar por quem acessou este post buscando uma espécie de receita de bolo: ela não existe. E não existe, principalmente, porque escritores são escritores antes mesmo de colocarem sua primeira palavra no papel.

Ser um escritor é uma espécie de estado de espírito – ou, se preferir, uma prisão surrealista para a alma que, desesperada, precisa do papel e do teclado mais do que o corpo precisa de ar.

O que, então, é este post? Talvez, quem sabe, uma coleção de sabedorias de outros sobre a arte da escrita que sirvam para te ajudar a responder uma pergunta muito mais relevante que o título propõe: se você já é, em essência, um escritor de verdade.

Ao invés de eu ficar filosofando daqui, colocarei abaixo algumas frases de uma das maiores mestres da literatura mundial, Marguerite Duras, retiradas do seu livro “Escrever” (que, aliás, recomendo a todos).

Encontre-se nessas frases e, acredite, você já terá a sua resposta.

“Se eu não tivesse escrito teria me transformado numa alcoólatra sem cura.”

“Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos se escrevêssemos – só o sabemos depois – antes, é a interrogação mais perigosa que nos podemos fazer”

“O escritor é uma coisa curiosa. É uma contradição e, também, um contra-senso.”

“Escrever, essa foi a única coisa que habitou minha vida e que a encantou. Eu o fiz. A escrita não me abandonou nunca.”

“É numa casa que a gente se sente só. Não do lado de fora, mas dentro. Em um parque, há pássaros, gatos. E de vez em quando um esquilo, um furão. Em um parque a gente não está sozinha. Mas dentro da casa a gente fica tão só que às vezes se perde. Só agora sei que permaneci na casa dez anos. Sozinha. E para escrever livros que mostraram, para mim e para os outros, que eu era a escritora que sou. Como isso aconteceu? E como isso pode ser expresso? O que posso dizer e que o tipo de solidão que há em Neauphle foi feito por mim. Para mim. E que é apenas dentro dessa casa que fico só. Para escrever. Não para escrever como havia feito até então. Mas escrever livros desconhecidos para mim, e nunca previamente determinados, por mim nem por ninguém. La escrevi Le Ravissement de Lol V. Stein e Le Vice-cônsul. E outros depois desses. Compreendi que eu era uma pessoa sozinha com a minha escrita, sozinha e muito distante de tudo. Isso durou dez anos, talvez, não sei mais, raramente contei o tempo que passei escrevendo e qualquer outro tempo. Contei o tempo que passei esperando por Robert Antelme e Marie-Louise, sua jovem irmã. Depois, não contei mais nada.”

O que você escreve?

Certa vez uma escritora me perguntou o que eu acharia dela escrever um livro de autoajuda uma vez que, em sua opinião, eram os que mais vendiam.

Minha resposta foi a única possível: se você escreve pensando em sua conta bancária, dificilmente seu livro terá qualquer sucesso. Veja: não é que um escritor não deva nunca pensar em dinheiro. Todos precisamos de dinheiro para viver e, CLARO, garantir uma renda excelente a partir dos próprios textos é o legítimo sonho de qualquer um.

Mas a questão aqui é outra, é uma inversão de causa e efeito. Será muito, muito difícil (senão impossível) encontrar algum escritor de sucesso que não acredite piamente no seu próprio texto, que não seja o seu próprio texto.

Ou seja: não adianta tentar buscar um tema que venda bem se essa não for a sua.

Um escritor, antes de mais nada, se escreve no papel – ainda que utilize enredos e personagens e tramas absolutamente fantasiosas para maquiar o que, no fundo, sempre será a sua própria autobiografia.

O que você busca ao escrever?

Ainda pegando carona no exemplo citado acima: você escreve porque busca fama, fortuna e reconhecimento? Se a resposta for “sim”, talvez valha considerar alguma outra carreira: o mercado editorial é, provavelmente, o mais concorrido da história da humanidade.

É certamente mais fácil ter fama e fortuna cursando uma faculdade e estudando alguma especialidade qualquer.

Eu iria além: um escritor de verdade não tem sequer a opção de se perguntar o porquê de escrever um livro: ele escreve porque não tem nenhuma outra alternativa. Um escritor escreve porque, se não o fizer, morrerá asfixiado pelas tantas palavras que brigam incessantemente por escapar de seus dedos, de sua mente, de seu coração.

Mas não desanime: se você tem o desejo de escrever, tem boas ideias, mas não tem tanta afinidade com as palavras, ainda assim pode ser um escritor. Afinal, gramática e ortografia são coisas que se aprendem.

Como você cuida do seu filho?

Um livro é, sobretudo, um filho. Nesse sentido, ser um bom escritor é como ser um bom pai.

Se você apenas escreve um rascunho qualquer e o publica, sem se dar ao trabalho de buscar uma revisão ortográfica e gramatical, sem buscar uma leitura crítica relevante, sem buscar profissionais que consigam garantir uma capa e um acabamento mais sofisticado, sem registrar o ISBN para que seu livro seja distribuído nas maiores livrarias… bom, então é porque você realmente não acredita no que está fazendo.

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Você lê?

Um escritor é, em essência, um amante da literatura. É alguém que não consegue passar muito tempo se ler alguma obra qualquer, sem garimpar referências, sem se aprofundar em algum tema que lhe seja caro.

Escritores são prisioneiros das palavras – tanto das que saem pelos seus dedos quanto das que entram pelas suas pupilas.

Saiba como ler lentamente ajuda a escrever melhor! :)

Em essência…

Não se vira um escritor: se é. Ou não.

De uma maneira binária, aliás, talvez até mesmo nata.

E ter um livro publicado? Claro: há inúmeras técnicas e boas práticas e tal… mas isso é só uma consequência, uma decorrência tão natural para um escritor quanto respirar é para um ser humano qualquer.

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1Q84 e a anulação da Lei de Tchekhov

Anton Tchekhov foi responsável por uma das regras mais famosas no universo literário, conhecida como “Arma de Tchekhov” – um recurso muito utilizado também no cinema para conectar início, meio e fim do enredo.

O que é a Lei de Tchekhov?

Tchekhov dizia que, se um revólver aparecesse em uma cena qualquer de uma história, é porque ele eventualmente seria disparado.

Histórias, ao menos sob a ótica do mestre russo, não tinham espaço para elementos supérfluos, para desnecessidades. Nas histórias, tudo devia ser calculado, medido, intercalado em uma relação simbiótica de causas e consequências.

Tudo devia ser construído para conduzir a concentração do leitor pela imaginação do autor: qualquer possível desvio, qualquer brecha deixada por descuido poderia soprar a imaginação do leitor para longe, fazendo-o criar versões paralelas repletas de “se’s” e costurar hipóteses que seriam, em essência, estradas abertas para a total perda de interesse no enredo real.

O que a lei tem a ver com o livro 1Q84?

Tchekhov morreu em 1904.

Anos depois, um outro mestre da literatura, o japonês Haruki Murakami, publicou a sua obra prima 1Q84 – uma espécie de thriller psicometafísico tão impressionante que as suas 1.500 páginas terminam quase que em um susto só, deixando um surpreendente gosto de “quero mais”.

Em um ponto específico da história, um personagem entrega um revólver para uma amiga mencionando a “Lei de Tchekhov” e, portanto, profetizando que ela eventualmente atiraria em alguém. Ela teria que atirar, afinal.

E há oportunidades para isso. Inúmeras.

A personagem, Aomami, chega a um ponto em que a arma vira quase uma extensão de seu próprio corpo. Mas… o livro chega ao fim e o revólver nunca cumpre o papel para o qual foi criado.

Alguns podem argumentar que, talvez, o papel do revólver tenha sido justamente esse: o de representar algo, de agregar alguma sensação de segurança para guiar a personagem pelo sempre tenso enredo. Talvez a sua própria existência tenha sido uma espécie de fim em si mesmo.

O fato, no entanto, é que tanto na arte quanto na vida as histórias são invariavelmente resultados dos seus tempos.

Como o contexto social influencia as obras?

Na Rússia do final do século XIX – a mesma de Tolstoi e Gorki, diga-se de passagem – a vida real era tão rústica e prática que uma arma não disparada simplesmente não faria sentido em nenhuma história: geraria estranheza, angústia, incômodo. No passado, tudo tinha um motivo de ser, um destino a ser cumprido – e a arte, enquanto mímica da vida, não poderia ser diferente.

Hoje, nossos tempos são outros.

Hoje, lemos livros enquanto prestamos atenção na estação de metrô que devemos saltar, assistimos à televisão enquanto navegamos no Facebook e escrevemos as nossas histórias enquanto absorvemos as críticas feitas em tempo real sobre seus trechos inacabados.

O autor de hoje é tão multitarefa quanto seu leitor: vive escolhendo, a cada piscar de olhos, a que deve prestar atenção e o que deve ignorar. Hoje, portanto, todos estamos acostumados não a uma, mas a toda uma coleção de “desnecessidades” supérfluas nos cenários das nossas vidas reais. Nossas vidas reais, arriscaria dizer, são muito mais recheadas de coisas supérfluas do que de elementos que realmente fazem parte dos nossos destinos.

O próprio conceito de destino mudou: de algo pré-determinado e imutável ele se metamorfoseou em algo essencialmente volúvel, dependente das pequenas escolhas nossas de cada dia.

No mundo de Tchekhov, um revólver não faria sentido se não fosse disparado. Era a finalidade que definia o ser, o objeto.

No mundo de Murakami, no nosso mundo atual, basta que um revólver exista para que sua função seja cumprida. O objeto em si é também a sua própria finalidade.

E isso muda toda a forma com que interpretamos as grandes obras dos nossos tempos de uma maneira revolucionária, somando sutilezas nos enredos que tendem a acrescentar muito mais sentido a cada capítulo, a emprestar muito mais realidade à ficção.

Para quem costuma achar que a “boa literatura” já estava morta (algo infelizmente corroborado por fatos como Bob Dylan receber o Nobel ou José Sarney ser membro da Academia Brasileira de Letras), é bom despir-se de preconceitos e ler novos livros com novos olhos.

As obras primas de hoje são muito mais complexas, sutis e densas que as do passado: os novos autores estão revolucionando a literatura como em nenhum outro tempo da nossa história. Justamente por isso democratizar o acesso aos livros e à publicação é tão importante – o que só é possível através da publicação independente e da isenção de impostos para produção e comercialização de obras, tornando-as mais baratas e populares entre todas as camadas sociais.

O que isso tudo importa para você, escritor?

Simples: seja simples, mas não simplório, na construção de seus cenários e de suas tramas. Se quiser , acrescente objetos que sirvam apenas para agregar valor ao contexto — mas cuidado para não deixar o seu leitor  perdido, com uma interrogação presa na mente. Você não precisa seguir à risca a Lei de Tchekhov, mas isso não significa que precise também desprezá-la completamente.

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