Quando uma obra vira domínio público?

Algumas das principais dúvidas dos nossos leitores tem a ver com direitos autorais. Quais são os direitos, como cadastrar as obras, quando receber etc. Inclusive, fizemos um guia sobre direitos autorais, para facilitar a sua vida. Mas uma outra questão tem surgido em rodas de conversa e gostaríamos de esclarecer por aqui. Se você já escreveu um livro, talvez tenha a resposta, mas vamos lá: Você sabe quando uma obra passa a ser considerada de domínio público? 

De acordo com a Lei do Direito Autoral (Lei nº 9.619/98), os direitos patrimoniais do autor são válidos durante todo seu período em cida e, após falecido, têm o prazo de 70 anos. De acordo com o Art. 41, “os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos contados de 1º de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil.”

Depois que o prazo terminar, suas obras se tornarão domínio público, podendo ser utilizadas livremente por qualquer pessoa, com a possibilidade de ser explorada economicamente sem autorização do autor. 

As obras de Machado de Assis, por exemplo, estão nesse estágio. É comum encontrar textos publicados por várias editoras e comercializados em livros que levam o nome do autor, no entanto não há repasse financeiro das vendas. Isso acontece não apenas com livros mas com todo tipo de propriedade intelectual, como obras literárias e artísticas. Música, desenhos, pintura, fotografia, peças de teatro, filmes, novelas etc.

Apesar deste prazo estabelecido em lei, é importante destacar ele é válido apenas para os direitos patrimoniais do autor. Os direitos morais devem ser preservados em qualquer circunstância, mesmo após as obras se tornarem domínio público. Isso significa que se engana quem pensa que uma obra em domínio público “é de ninguém”. Herdeiros ou sucessores possuem a missão de “manter a fiscalização” da obra, por tempo indeterminado. Ninguém pode pegar um livro que está na condição de domínio público e republicar o conteúdo porém colocando sua própria autoria, por exemplo.

livro aberto

É de responsabilidade deles fazer com que a obra seja mantida em sua forma original, impedindo modificações que possam prejudicar a qualidade do conteúdo, honra ou reputação do autor, além de fazer com que o nome do autor seja vinculado à obra, sempre que ela for referenciada, reivindicar mudanças e autoria da obra, se houver necessidade. 

Veja o que diz o art. 24 da Lei nº 9610/98, que considera direitos morais do autor as seguintes prerrogativas:

I – o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;

II – o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;

III – o de conservar a obra inédita;

IV – o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra;

V – o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;

VI – o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem;

VII – o de ter acesso a exemplar único e raro da obra, quando se encontre legitimamente em poder de outrem, para o fim de, por meio de processo fotográfico ou assemelhado, ou audiovisual, preservar sua memória, de forma que cause o menor inconveniente possível a seu detentor, que, em todo caso, será indenizado de qualquer dano ou prejuízo que lhe seja causado.

Em caso de descumprimento de alguma dessas etapas, é possível obter apoio jurídico para penalizar a violação dos direitos. 

Ficou com vontade de publicar um livro? Então veja as nossas dicas.

Curiosidades

  1. Não existe uma lista oficial de obras que estão em domínio público. Para ter certeza é necessário confirmar a data de criação e fazer a conta.
  1. Não são apenas obras com o prazo final de 70 anos que possuem seus direitos descontinuados. Também é considerado de domínio público toda obra de “autor desconhecido” e de autores falecidos sem herdeiros ou sucessores.

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Melhores e-readers para comparar e escolher

Recentemente, escrevemos um texto sobre como publicar um livro digital. Falamos sobre a mudança de comportamento dos leitores e também dos diferentes formatos que cada dispositivo comporta. E aí surgiu a dúvida: diante de tantas opções, qual e-reader comprar? Separamos algumas opções para te ajudar a escolher qual atende melhor às suas necessidades. Mas, antes, vamos relembrar alguns benefícios desse dispositivo tecnológico para quem ama ler:

Compacto

Não precisamos nem falar que uma das grandes vantagens do e-reader é que ele é leve e ocupa pouco espaço, né? Enquanto algumas pessoas carregam livros de 500 páginas na mochila, outras guardam seus dispositivos no bolso! A tecnologia tem suas vantagens e a capacidade de “compactar” o que a gente precisa é uma delas – hoje em dia tudo é “Smart”. 

Destaque sem estragar

Você já emprestou (ou pegou emprestado) um livro cheio de marcações? Se você é do tipo que gosta de anotar mas se sente mal em rasurar um livro físico, o leitor de dispositivos digitais é para você Nele, você pode grifar trechos que achar relevante e consultá-los depois, seja por capítulo ou localização do texto.

Biblioteca particular

A memória desses dispositivos é alta e os livros digitais ocupam pouco espaço, o que significa que você pode armazenar muuuuitos livros nele. Pode incluir os clássicos, os que você leu quando jovem e quer ler de novo, os que usa de referência na faculdade ou na carreira, os de autoconhecimento, os romances para dias mais tranquilos, as biografias de pessoas que você admira… e ainda vai sobrar espaço!

Economia a longo prazo

Entendemos que parece loucura gastar mais de 300 reais em um dispositivo sendo que você pode ter livros físicos à sua volta. Mas um e-reader pode ser um investimento à longo prazo, já que existe uma grande vantagem em adquirir livros digitais: sem o custo da impressão, eles se tornam mais baratos! Portanto, à longo prazo, a economia vale a pena.

Bateria duradoura

Uma pergunta simples: quantos dias dura a bateria do seu celular? Se você é heavy user, provavelmente a resposta é “menos de 24 horas”, se não passa tanto tempo assim mexendo no celular, “deve durar mais ou menos um dia e meio”. O celular possui muitos recursos, está sempre conectado, buscando rede, sinal de internet etc… por isso exige muito mais da bateria. Já um e-reader tem apenas uma função: disponibilizar o livro no formato digital para que você tenha uma leitura agradável. 

Os manuais fazem um cálculo de durabilidade de bateria por número de páginas lidas e estimam que é possível ler entre 5.000 a 10.000 páginas com uma única carga. Então faça as contas: se o livro possui mais ou menos 500 páginas no seu dispositivo, você pode ler, no mínimo, 10 livros com uma carga completa. Mas isso pode variar um pouco de acordo com o uso – se você é do tipo que nunca desliga o aparelho e mantém apenas no standby, é possível que a bateria dure um pouco menos. Conectar no wi-fi o tempo todo ou usar os recursos de ajuste de luz no máximo (disponível ame alguns modelos específicos), também pode trazer oscilações nesse cálculo. Mas, no geral, a bateria desses dispositivos costuma durar algumas semanas, tranquilamente. Mesmo lendo todos os dias, por algumas (ou várias) horas. 

E não é porque a bateria dura tudo isso que ela vai demorar dias para carregar, viu? Em média, os dispositivos precisam de apenas 3 horas para completar a carga.

Resistente à água

Eu já vi muitos acidentes envolvendo livro e água. Aquela leitura despretensiosa na beira da piscina tem tudo pra dar errado quando uma criança pula e espalha água para fora. Um distraído pode esbarrar em você enquanto lê durante as refeições e derrubar a bebida no livro, entre outras situações inusitadas. Atualmente existem alguns modelos à prova d’água – mas mesmo quem possui outro modelo já se sente um pouco mais seguro nesse quesito. Isso porque os e-readers são fabricados com material resistente, muitas vezes são utilizados com capas de proteção e podem até aguentar umas gotinhas se forem socorridos rapidamente (a não ser que ele caia na piscina). 

livro na mesa e kindle na mão

Ótimo, já compartilhamos algumas vantagens de ter um e-reader e agora vamos te ajudar a escolher o modelo que mais se adequa ao seu gosto (e ao seu bolso):

AMAZON KINDLE

Os dispositivos da Amazon são os mais famosos e normalmente figuram entre os primeiros lugares nas listas dos e-readers mais recomendados. O queridinho atualmente é o novo Kindle Paperwhite. Ele tem as mesmas funcionalidades do Kindle Paperwhite clássico, com as vantagens de ser à prova d’água, pesar 24g a menos e ainda possuir versão com o dobro de armazenamento (8GB ou 32GB de memória interna). Ambos possuem versão Wi-Fi e 3G.

Com a tecnologia e-ink, a exibição do texto é bem nítida e sem reflexos, tornando mais parecido com a leitura em um livro físico, com a vantagem de não cansar os olhos – diferente das telas de LED dos tablets e Smartphones. Falando nisso, uma das grandes vantagens do Paperwhite, em relação a outros modelos, era a possibilidade de controlar a iluminação, ajustando o brilho da tela de acordo com o tipo de luz do ambiente em que você estiver. Ideal para quem lê em ambientes com pouca iluminação. Agora, todos os dispositivos da Amazon já estão sendo comercializados com essa tecnologia.

Com a chegada do Novo Kindle Paperwhite, o antigo não está mais disponível no e-commerce da Amazon. É considerado atualmente o melhor e-reader da Amazon e o modelo mais recente custa entre R$ 499 e R$ 650, dependendo das configurações selecionadas.

Se você gosta de modelos sofisticados, talvez se interesse pelo Kindle Oasis, mais um modelo à prova d’água (até 60 min e 2 metros de profundidade em água doce) da Amazon – mas que custa exatamente o dobro do valor! Ele possui uma tela maior (de 7″) e ultrafina, se tornando ainda mais leve e sensível ao toque, além de um design diferenciado com botões ergonômicos na lateral para virada de página. O Kindle Voyage fazia parte dos modelos com design diferenciado mas, diante da evolução dos outros, não está mais disponível.

Achou o preço salgado ou sentiu que não precisa de todos esses recursos? Talvez o modelo clássico seja o ideal para você. Ele foi remodelado recentemente porque era o mais pesado e o único que não possuía iluminação embutida. A 10ª geração é mais fina e mais leve, e é o primeiro modelo Kindle equipado com o recurso de acessibilidade chamado VoiceView que e permite o acesso à maioria dos recursos Kindle através do controle de voz. Mais uma vantagem: ele custa apenas R$ 349. 

Os dispositivos da Amazon leem nos formatos Kindle 8 (AZW3), Kindle (AZW), TXT, PDF, MOBI sem proteção, PRC naturalmente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP por meio de conversão.

KOBO

O Kobo foi criado pela Livraria Cultura e possui alguns modelos competitivos no mercado. Aqui no Brasil, você pode encontrar Kobo Mini, Kobo Touch e Kobo Glo. 

O Kobo Touch possui  mesma tecnologia e-ink da Amazon, com a vantagem de suportar o formato EPUB, não disponível os dispositivos da concorrente. O armazenamento é de apenas 2GB mas sua memória pode ser aumentada por meio de cartão micro SD. Possui conexão Wi-Fi e custa cerca de R$ 399 (a versão mini custa R$ 289, em média)

O Kobo Glo traz mais recursos em relação ao Touch e um ótimo custo-benefício.Ele pode ser comparado com o Amazon Paperwhite, devido aos recursos de luminosidade (mas a durabilidade da bateria é um pouco prejudicada por isso). Seu preço varia entre R$ 399 e R$ 449.

Os modelos suportam 14 formatos diferentes, entre eles EPUB, EPUB3, PDF, MOBI, JPEG, GIF, PNG, BMP e TIFF.

LEV

Este é o e-reader desenvolvido e comercializado pela Saraiva. São dois modelos: o Lev Fit (com 4GB de memória interna e sem recursos extras de iluminação e o Lev Neo (com 8GB de capacidade de armazenamento, LED com 20 níveis de intensidade e melhor acabamento na sensibilidade de tela). É possível expandir o armazenamento para mais 32GB com um cartão microSD, ambos possuem a tecnologia E-Ink que facilita a leitura sem cansar os olhos e os dois modelos possuem apenas conexão via Wi-Fi. São leves e possuem ótima autonomia de bateria e não deixa a desejar para os modelos concorrentes.

O preço varia entre R$ 299 e R$ 479, dependendo do modelo e os dispositivos leem nos formatos ePUB, PDF, HTML, TXT, FB2 e DJVU.

Gostou? Qual desses dispositivos você escolheria para comprar?

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Livros técnicos: saiba como escreve-los

Já parou para pensar que todos os livros que estuda quanto está na faculdade foram escritos por um especialista? E não estamos falando de um especialista do tipo PhD e sim de alguém que tem propriedade no assunto em questão. Pode ser um escritor iniciante mas uma referência em determinado tema ou com vasta experiência na área. Dê uma olhada em livros jurídicos, por exemplo. O tipo de escrita é diferente, a quantidade de referências a artigos e leis é enorme e o vocabulário mais ainda – o famoso “juridiquês”. Só alguém familiarizado com o universo do Direito é capaz de escrever de uma forma natural. 

Diferente dos livros de ficção, onde a gente cria uma história, escolhe os personagens e desenvolve um enredo com criatividade, os livros técnicos são feitos à base de pesquisa e experiência. Um personal trainer, por exemplo, é capaz de publicar um ótimo livro falando dos benefícios da atividade física para a saúde, com exemplos de atividades para praticar, explicando movimentos, quais músculos estão envolvidos, como fazer de maneira correta para evitar lesões etc. 

Você tem vontade de escrever um livro sobre algo específico da sua área de atuação? Tem algum estudo, experiência ou ponto de vista que gostaria de compartilhar mas não sabe por onde começar? Então veja o que é necessário para escrever um livro técnico:

Estude o tema que será abordado

Por mais que você entenda do assunto, é sempre bom se aprofundar para encontrar a melhor maneira de passar a informação. Anote suas ideias e vá atrás de mais conhecimento sobre o universo que as envolve. 

Relevância

Lembre-se que escrever um livro técnico significa ter o seu conteúdo utilizado como referência para aprendizado e consulta. Por isso, o conteúdo precisa ser relevante. Como saber se você está no caminho certo? Converse com pessoas que você considera público-alvo desta publicação, pergunte quais são as dúvidas delas em relação ao tema escolhido e o que elas gostariam de saber e não encontraram em outros livros. Quanto mais informações você tiver, melhor. Essa etapa é importante para organizar os assuntos, inclusive para estruturar o livro.

Inclua referências

Converse com especialistas, assista documentários, busque pesquisas e artigos que auxiliem no embasamento do seu conteúdo. Estudos são sempre valorizados, principalmente se a sua área de atuação for ligada à ciências biológicas. Existem muitas publicações norte-americanas especializadas na publicação de artigos com base em estudos de diversas áreas. Vale a pena pesquisar. 

Um capítulo de cada vez

Diferente de uma história de ficção, onde é importante que você leia o livro na ordem para compreender os detalhes do enredo, no livro técnico cada capítulo precisa ter começo, meio e fim. Com conteúdo organizado, a leitura fica mais fluida e a consulta mais fácil. Em um livro sobre determinada especialidade da Medicina, por exemplo, cada capítulo pode ser sobre uma doença ou tratamento. Em um livro sobre Tecnologia, os capítulos podem ser divididos por tipos de software e assim por diante.

Defina um bom título

Já falamos sobre a importância do título em outras publicações aqui em nosso blog. No caso dos livros técnicos, essa escolha deve ser muito bem pensada pois influenciará diretamente no volume de vendas do seu livro. Você precisa incluir palavras-chave relacionadas ao tema (ou área de atuação) e detalhar o(s) assunto(s) abordado(s) no subtítulo, para destacar o diferencial do seu conteúdo perante outros livros já publicados. Uma estratégia tanto para vendas online (já que as buscas são feitas por palavras-chave) quando em livrarias. 

Revisão especializada

Aqui temos mais uma particularidade dos livros técnicos: a revisão. Quando alguém diz que determinado assunto precisa de revisão especializada não necessariamente significa que você vai dar o conteúdo escrito para um colega de profissão “dar uma olhadinha se está tudo ok”. A não ser que ele seja realmente especialista no assunto (e mesmo assim você vai precisar de um revisor profissional para fazer os ajustes finais), é fundamental entregar o seu livro para quem realmente entende. 

A pós-produção é tão complexa e importante quanto todo o processo de escrita em si. Você sabia que existem revisores especializados em determinadas áreas? Além de fazer a revisão ortográfica e gramatical, esses profissionais conseguem auxiliar na checagem de nomenclatura de doenças e revisão de sintomas (no caso de livros médicos) e na conferência de artigos e leis (no caso de livros jurídicos). São eles que vão conferir se a jurisprudência foi citada corretamente, se aquela lei ainda é válida, se existe alguma atualização etc.

Divulgue

O trabalho do escritor não acaba depois que o livro foi escrito – muito pelo contrário. Divulgue seu livro nos grupos dos colegas de profissão, faça um resumo sobre ele e publique no seu Linkedin, convide algumas pessoas para uma roda de conversa sobre o tema abordado, presenteie pessoas influentes na área (como professores universitários que podem recomendar o seu livro para os alunos), abra um canal nas redes sociais para falar sobre o tema (e o livro). Essas são algumas das possibilidades para alavancar as vendas do seu livro. 

Quer saber mais sobre como publicar um livro? Venha para o Clube de Autores.

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notebook óculos e livros

Quero escrever uma biografia, por onde começo?

Esta é uma pergunta não tão rara quanto algumas pessoas podem imaginar. Isso porque muitas pessoas têm vontade contar a história de vida de outras pessoas – ou de si mesmo, no caso da autobiografia. A primeira vista, parece uma coisa simples: ouvir o que o biografado (quem terá a história contada no livro) tem a dizer e escrever de acordo com as palavras e memórias dele. Mas escrever um livro de biografia é muito mais complexo do que isso. Veja:

Escolha o biografado

Antes de começar, já temos a primeira pergunta: sobre quem você quer escrever? Geralmente, a escolha é baseada em alguém que admiramos e por isso temos vontade de expor sua trajetória de vida para que mais pessoas passem a conhecê-lo(a) e admirá-lo(a) também. Pode ser algum artista, político, atleta, pesquisador, cientista, médico, professor, ativista, músico, empresário, entre outras figuras. Se a ideia é escrever sobre a vida de alguém, é interessante que ela tenha algo a ensinar para quem lê – seja uma lição de vida, superação, maneira diferente de pensar etc. É interessante que haja algo novo (nunca contado ou pouco explorado) para detalhar, assim gera curiosidade e interesse no leitor.

Faça uma lista de pessoas que você admira e gostaria de ter a oportunidade de conhecer mais profundamente – acredite, este processo pode levar um bom tempo. Diante dessa lista, filtre quem está mais acessível, seja por distância geográfica, momento de vida ou rotina de trabalho, por exemplo. O biografado precisa estar disponível. 

Existe um outro cenário possível: personalidades que gostariam de ter sua vida relatada em um livro e que procuram escritores para isso. Se alguém te procurar com essa demanda, entenda qual é a necessidade do futuro biografado, o que ele gostaria de expor, em quanto tempo ele pretende ter o livro publicado e todas as informações necessárias para a construção da obra, antes de aceitar. Entenda que o livro é como um filho para o biografado

Temos ainda um terceiro cenário: a biografia de alguém que já morreu. Pode acontecer por interesse do próprio escritor ou por intermédio de familiares do biografado já que é a família quem tem que autorizar a publicação das informações, neste caso. 

Conversas e mais conversas

Estabeleça uma relação de confiança para que a pessoa se sinta à vontade em abrir a vida dela para você, essa é a parte mais importante do processo! Anote tudo desde a primeira conversa. Você precisa entender o que o biografado gostaria de expor, detalhes dos fatos (que muitas vezes são contados fora de ordem e em conversas totalmente aleatórias), nomes de pessoas, lugares onde esteve, datas. São muitas informações. 

A cada novo encontro, faça um resumo do que foi dito anteriormente. É bom para lembrar de onde pararam e também para confirmar se aqueles fatos realmente aconteceram e se falta algum detalhe. 

As datas não batem? Converse. Ficou com dúvida sobre algum momento específico? Converse. Quer obter mais informações? Converse. Essa dica vale também para pessoas próximas ao biografado. Converse com familiares, colegas de trabalho, amigos de infância e todas as pessoas acessíveis que possam confirmar (ou dar mais detalhes) sobre os momentos mais importantes da história dele. Em caso de biografia póstuma, essa etapa com quem convivia com o biografado é ainda mais importante para dar veracidade às informações. 

Pesquise muito

Uma pessoa mais velha, que teve sua história marcada pela Guerra, com certeza terá um contexto histórico como parte de sua biografia. Você precisa conferir as datas citadas, as notícias da época e tudo que envolva o universo de vida dela. Se for um pesquisador, você precisa ler seus artigos publicados, estudos relacionados ao trabalho realizado por ele, referências e como ele é visto na área de atuação. É preciso fazer uma varredura sobre a vida do seu biografado, saber o que já foi dito sobre ele na internet ou em qualquer outro lugar. Tudo isso é fonte de informação. 

sentado em frente ao computador

Se for uma personalidade e a exposição de sua figura (assim como polêmicas) for parte do enredo, você precisará pesquisar ainda mais! Isso porque, muitas vezes, a ideia da biografia é confessar algum ato cometido, limpar a própria barra de alguma situação ou até culpar outras pessoas. Esteja ciente da repercussão do seu trabalho. 

Organize os fatos

Essa é uma etapa desafiadora, não vamos mentir. Depois de colher muitas informações, chega a hora de costurar a colcha de retalhos e organizar os fatos para finalmente estruturar o livro. Diante das informações, vocês podem conversar sobre o melhor caminho a seguir: seja por ordem cronológica ou destacando os momentos mais importantes, separando capítulos por temas ou momentos de vida, por exemplo. Ressalte traços de personalidade que você percebeu ao longo do tempo que passaram juntos e escreva de uma maneira que demonstre o impacto dela diante dos fatos narrados.

É normal chegar nesta fase e perceber que ainda faltam algumas informações e voltar para a etapa anterior. E não há problema nenhum nisso, volte quantas vezes achar necessário para que a obra esteja o mais fiel possível aos fatos. 

Na hora de organizar este quebra-cabeça, você pode se deparar com algumas informações que julga serem não tão relevantes e é importante conversar com o biografado para entender se ele gostaria de manter no livro ou se, de fato, não fará diferença na história. Às vezes, pode parecer um fato comum para você mas foi um momento que marcou a vida dele. 

Ajustes finais

Tudo certo? Ainda não! Primeiro o biografado (ou familiar que irá autorizar a publicação) precisa aprovar a obra. Normalmente, ele recebe o arquivo original impresso ou em PDF para refinar alguma informação, incluir ou excluir trechos. Depois disso, basta escolher uma bela capa, enviar o material para revisão e publicar no Clube de Autores. Divulgue a obra e faça um evento para lançá-la oficialmente, em parceria com o biografado, obviamente.

Autobiografia

Mas e se eu quiser contar a minha história, preciso seguir todas essas etapas? A resposta é: mais ou menos. Claro que a obra sua vida pode ser escrita do jeito que você quiser mas é importante organizar os fatos (uma linha do tempo pode facilitar as coisas), incluir dados históricos (se necessário), conferir datas e pedir a opinião de amigos sobre detalhes que talvez você não se lembre. Escolha um profissional para revisar e publique com a gente.

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crianças com livros ao ar livre

A importância da literatura infantil

Converse com um adulto e pergunte se ele tem o hábito de leitura. Faça a mesma pergunta para um adolescente e descubra se ele costuma ler livros com frequência. A resposta, provavelmente, será diferente. Isso porque a nova geração já cresce imersa nos dispositivos tecnológicos e se diverte por meio de videogames, tablets, jogos para celulares e vídeos no youtube. Não é a toa que muitos jovens não sabem escrever direito e possuem grandes dificuldades de foco e concentração. 

Adquirir um novo hábito não é difícil mas é preciso interesse, disciplina e tempo – deu pra entender a complexidade? Por isso, é muito importante incentivar as crianças a gostarem de livros, quanto mais cedo melhor. 

Um livro infantil é aquele que foi escrito para crianças e tudo nele tem o objetivo de entretê-las. Seja uma capa diferente, ilustrações, cores vibrantes, a mensagem passada, estilo de escrita e até o seu formato. Quer saber mais sobre literatura infantil? Então, vamos lá:

A partir de que idade é indicado?

A resposta é uma pergunta invertida: qual é a idade do seu pequeno? Porque certamente existe um livro para a idade dele. Isso porque há muitas obras feitas exclusivamente para bebês. Geralmente são livros feitos de material resistente, com dobras mais grossas, de pano ou até mesmo material plástico que pode sujar e até ser colocado na água sem estragar. Tudo para que a criança consiga aproveitar muitos momentos divertidos com seu livro. Normalmente, os livros para bebês são repletos de desenhos e poucas frases, apenas para que o adulto repita e auxilie na associação da criança – seja de uma cor ou de um animal, por exemplo. Conforme ele vai crescendo, os livros possuem uma funcionalidade diferente, estimulam a criatividade, desenvolvimento cognitivo, linguagem e podem auxiliar na alfabetização. 

mae e bebê lendo livros

Benefícios da leitura na infância

Já citamos (acima) alguns benefícios para o desenvolvimento infantil mas existem muitas outras vantagens para quem usa a literatura infantil a favor dos filhos, sobrinhos etc. Ao ler para uma criança, você auxilia no aprendizado para que ela aumente o vocabulário, amplia a visão de mundo já que ela está recebendo informações sobre diversas situações que estão ao seu redor, como animais, brinquedos e meios de transporte, por exemplo. 

ALém disso, é a porta de entrada para abordar assuntos difíceis de conversar com as crianças e contribui para a sensibilidade e a exposição das emoções diante das histórias lidas/contadas. 

Como incentivar os pequenos a gostarem de ler

Não podemos culpar as crianças, se não colocarmos elas em contato com os livros. Esse é um papel do adulto e que fará toda a diferença no hábito da leitura para a vida toda. Mas você não tem com o que se preocupar, pois as tarefas são bem simples:

  • Dê livros (apropriados) de presente
  • Se ofereça para ler para uma criança
  • Mude a entonação ao diferenciar personagens
  • Gesticule ou aponte para os personagens do livro enquanto lê
  • Explore as imagens 
  • Reproduza os sons dos personagens 
  • Repita palavras que podem ser aprendidas (como nome de cores e animais)
  • Conte histórias antes de dormir
  • Monte um cantinho da leitura
  • Estimule a criatividade para dar novos rumos à história
  • Faça visitas à livrarias e bibliotecas

Como escrever um livro infantil

Tudo que falamos aqui serve de base na hora de escrever uma obra para crianças. Antes de fazê-la, reflita sobre o que pretende acrescentar na vida delas – novas palavras, uma lição de vida, atitudes para replicar no dia a dia, interatividade… são muitos temas possíveis para abordar em um livro infantil.

Utilize ilustrações a seu favor, geralmente os livros infantis possuem mais imagens do que texto – dependendo da idade que você pretende atingir. Abuse das cores e de personagens que sejam familiares para as crianças. O mesmo serve para a produção da capa

A linguagem deve ser simples e direta, principalmente para os pequenos que estão em momento de alfabetização.

Clássicos da literatura infantil brasileira

Existem muitos títulos dedicados ao público infantil e você pode encontrá-los em diversas livrarias e plataformas digitais. Tanto novos quanto clássicos. E que clássicos! Alguns livro marcaram a infância de diversas gerações. Aqui estão alguns:

  • Reinações de Narizinho (Monteiro Lobato)
  • O Menino Maluquinho (Ziraldo)
  • O Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos)
  • A Bolsa Amarela (Lygia Bojunga)
  • A Arca de Noé (Vinicius de Moraes)
  • Ou Isto ou Aquilo (Cecília Meireles)
  • Marcelo, Marmelo, Martelo (Ruth Rocha)
  • A Bruxinha Atrapalhada (Eva Furnari)

Gostou? Então veja todos os títulos de literatura infantil publicados no Clube de Autores.

Comente quais são os seus livros favoritos da infância.

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