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Releitura de textos: o que é e como fazer?

De acordo com o dicionário, releitura é “a elaboração de uma obra tendo outra como base”. É, literalmente, reler algo produzido por outra pessoa, adicionando novas técnicas, interpretações e contexto.

Aqui cabe um parênteses bem importante: releitura não é plágio. As duas coisas são, inclusive, praticamente opostos.

Qual a diferença entre plágio e releitura?

Quando alguém plagia o trabalho de outra pessoa, acaba “reivindicando” a autoria da obra (consciente ou incoscientemente). A cópia tem como objetivo apagar o nome do artista original, adicionando uma nova assinatura – é basicamente roubar uma ideia. E é crime, vale lembrar.

Continue lendo: saiba mais sobre plágio e como evitá-lo. em seu trabalho

Já na releitura, a autoria da obra original não se perde. Pelo contrário, a nova interpretação do texto, fotografia ou imagem “homenageia” o artista, evidenciando sua assinatura e dando novos significados para a criação.

E certamente você já viu ou até mesmo reproduziu uma obra. O Abaporu, de Tarcila do Amaral, é um exemplo clássico disso: a releitura do quadro faz parte do currículo básico da educação infantil. E nem por isso é tratada como pláfio. Afinal, só de bater o olho é possível identificar a origem do desenho.

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Fonte: ProfLab

Como fazer a releitura de um texto?

Não existe “receita de bolo” para releitura, mas vale ficar atento às dicas para garantir um bom texto:

  • Evidencie as características do texto original: nome de personagens, expressões marcantes, trocadilhos… Qualquer recurso que auxilie a associação dos conteúdos é válido;
  • Não esqueça dos créditos: utilizar elementos originais (e deixá-los em evidência no texto) não é suficiente. Todo mundo precisa entender que trata-se de uma releitura, inclusive os que não conhecem a obra utilizada como base;
  • Seja criativo! Não é necessário manter o formato inicial para fazer uma releitura. Transforme um poema em crônica, uma música em filme, uma pintura em texto.

E para encerrar, que tal uma uma releitura exclusiva do Clube de Autores? O texto base chama-se “Quadrilha” e foi escrito por Carlos Drummond de Andrade. Expandimos o enredo, adicionamos novos elementos e recontamos tudo da perspectiva de Lili – antes apensas coadjuvante da história. Confira:

Texto original: Quadrilha – Carlos D. de Andrade

“João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento, 
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história.”

Releitura: Nunca aprendi o ritmo de São João – Clube de Autores

O Joaquim tirou a própria vida no mês passado – eles disseram.

Mas esse velório não é de Joaquim. É Raimundo naquele caixote de madeira, geladinho que nem picolé. Raimundo que amava Maria. Ninguém sabe a causa da morte e a autópsia não soube dizer. Um desastre. Vai ver, morreu de amor.

Maria escolheu ficar sozinha, no fim das contas. Ela nunca soube que era amada, mas sempre amou Joaquim, que engoliu 37 comprimidos no dia do meu casamento, por coincidência.

Casamentos! Que dias felizes. 

Que dia triste – ouvi alguém dizer. 

É Teresa, no canto da sala, enxugando as lágrimas no hábito escuro. Sempre achei que dez anos no convento seriam suficientes para se esquecer alguém. Parece que não. Teresa, freira respeitada, nunca esqueceu Raimundo, mesmo quando namorava o João que, de todos nós levou a melhor: transformou a rejeição em livro e foi viver nos Estados Unidos.

Pensando agora, tenho saudades. Éramos um grupo esquisito. Mas que turma da faculdade não é? Naquela época, eu não amava ninguém. Ainda hoje, velando Raimundo, com uma aliança dourada no dedo e um sobrenome que não é meu, continuo não sabendo amar ninguém.

Acho que sempre pensei no amor como uma quadrilha. 
Eu nunca soube a dançá-la.

E aí, o que você achou da releitura? =)
Deixe um comentário abaixo e arrisque você também!

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