Rodrigo-Abreu

Os desafios de se imprimir livros sob demanda

Um pedaço pouco conhecido da história do Clube de Autores

Estamos em julho de 2009. 

Após meses de desenvolvimento tecnológico, de promessas de sucesso como pagamento pelos riscos de qualquer empreitada rumo ao inexistente e com os parcos cofres já ocos, o Clube de Autores completava seu segundo mês de vida enfrentando uma tempestade como nenhuma outra. 

Iniciar uma operação de publicação gratuita de livros com impressão 100% sob demanda era, por aqueles tempos, algo absolutamente impensável. Seu funcionamento dependia não apenas de um complexo aparato tecnológico que permitisse que os arquivos enviados por autores de todo o vasto Brasil chegasse às gráficas nas medidas exatas para uma impressão eficiente; ele se baseava na premissa de que essas gráficas dessem a colossal atenção demandada por um negócio pioneiro que se baseava na impressão individual de livros em alta escala. 

Gráficas não: gráfica, no singular. Porque naqueles tempos, apenas uma gráfica tinha aceitado o desafio de encarar a empreitada, viabilizando assim a própria ideia do Clube, ainda que em troca de exigências financeiras razoáveis que incluíam o pagamento por um volume mínimo considerável de impressões ainda que estas não existissem na prática. Era o preço a ser pago pela inovação. 

Ocorre que, já no seu primeiro mês de vida, a demanda por autores foi tamanha – catapultada aos holofotes por um sem fim de matérias publicadas em todos os meios e veículos mais afamados, da TV Globo ao portal UOL, que a capacidade da gráfica de supri-la foi absolutamente insuficiente. 

Isso ficou claro quando o segundo mês de vida se iniciou com ondas de reclamações de autores e leitores. O motivo comum? Livros comprados que, ao serem folheados pela primeira vez, se desfaziam e deixavam chover páginas soltas no chão. 

O desafio da impressão de livros sob demanda

Uma visita surpresa às instalações da gráfica iluminaram o motivo: a empresa havia aceitado o desafio unicamente pelo pagamento mínimo que receberia de acordo com o contrato, não tendo se preparado para imprimir volumes maiores de livros pelo simples motivo de que ela não acreditava na ideia. Resultado: pilhas de livros a serem confeccionados sem máquinas ou equipes adequadas (ou dispostas) a assumir o desafio. 

Em um cenário desolador, me vi diante do inesperado: uma companhia que havia comprovado a viabilidade de mercado, já ganhando tração na mídia e adeptos entre os milhares de autores independentes desassistidos, mas incapaz de entregar o prometido de maneira sustentável. 

Decisões rápidas para combater a agonia lenta

Uma primeira decisão foi tomada de imediato: pagar o que fosse e amargar os prejuízos para entregar, com qualidade, todos os pedidos feitos. E não foram poucos os prejuízos, vale dizer. 

Uma segunda decisão esperava para ser tomada: encontrar uma segunda gráfica rapidamente mantendo, na medida do possível, o já cambaleante relacionamento com a primeira, então contratualmente responsável pelas entregas.

Dias se passaram. Prejuízos se acumularam. Reclamações foram desaparecendo na medida em que o caixa foi inteiramente utilizado para confeccionar livros a custos maiores que os preços de venda, garantindo assim a qualidade.

Até que os ventos finalmente mudaram…

Em um dia chuvoso de julho paulistano, quando o negócio inteiro parecia ter seus dias contados, chega um email pelo canal de atendimento escrito por um tal Rodrigo Abreu, interessado em negociar uma parceria para que sua rede, a já famosa Alphagraphics, pudesse assumir todas as nossas impressões. 

A negociação durou um dia. O contrato, outro dia. E a integração com uma das unidades da Alphagraphics, um final de semana. 

Em quatro dias, portanto, o Clube de Autores estava operando com uma nova gráfica, com garantias de custos sustentavelmente competitivos e de excelência em qualidade – promessas, desta vez, mantidas e inclusive superadas.

Nos dias de hoje

Rodrigo-Abreu
Rodrigo Abreu, CEO da Alphagraphics

De lá para cá, essa parceria nunca se desfez. Não fosse o convidado de hoje do Pensática Podcast, Rodrigo Abreu, é possível que o Clube de Autores jamais tivesse sobrevivido àquela primeira e imensa tempestade. 

Não fosse o convidado de hoje do Pensática Podcast, Rodrigo Abreu, o próprio mercado brasileiro não teria conhecido, há tantos anos, o significado real de se fazer impressão de livros sob demanda – algo propagandeado e vendido por tantos e até hoje entregue, acreditem, por muito poucos. 

Pois bem… nada melhor que entender melhor a engenharia da inovação gráfica do que conversando com o próprio Rodrigo Abreu, que começou como parceiro e se transformou em amigo e que hoje tenho o prazer de conversar aqui.

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Ricardo Almeida

Sou fundador e CEO do Clube de Autores, maior plataforma de autopublicação do Brasil e que hoje responde por 27% de todos os livros anualmente publicados no país. Premiado como empreendedor mais inovador do mundo no segmento de publishing pela London Book Fair de 2014, sou também escritor, triatleta e, acima de tudo, pai de família :)

2 comentários em “Os desafios de se imprimir livros sob demanda

  1. Lendo essa matéria, conclui-se que ainda há pessoas dispostas a se dedicar em favor de outras. O que me leva a continuar escrevendo, já publiquei um livro, pois já estou no segundo, lá pelos 70 por cento e com muitas ideias na cabeça ainda, pretendendo finalizar até o fim deste ano de 2023. Grande abraço.

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