Artista cria “pinturas” impressionantes usando livros como telas

Tá: esse post não é exatamente algo literariamente denso, por assim dizer.

Ele também não é nosso: é um repost do excelente blog Livros e Pessoas.

Ainda assim, é curioso – e curiosidade sempre inspira.

Sugiro, então, que cliquem na imagem abaixo ou aqui para acessar a matéria. Ou você já viu livros servindo de telas desta maneira??

Screen Shot 2016-08-22 at 12.35.05 PM

Leia Mais

Lendo Guimarães Rosa com suor

Há muito tempo eu publiquei aqui uma espécie de relato de intenções: iria participar de uma ultramaratona de 140km pelo sertão mineiro, largando de Morro da Garça e chegando em Cordisburgo (veja aqui). O que isso tem a ver com literatura? Foi por esse percurso que Guimarães Rosa tocou uma boiada com alguns vaqueiros e que acabou se inspirando para escrever uma das mais belas obras de arte da história humana: Grande Sertão: Veredas.

Pois é: a corrida foi no sábado passado. Ou melhor: ela largou às 14:00 da sexta e terminou às 19:30 do sábado, 29 horas e 30 minutos depois.

Além de fisicamente despedaçado, percorrer esse caminho (o nome da corrida era “Caminhos de Rosa”) foi esclarecedor. Primeiro, por largar de Morro da Garça, protagonista do conta “O Recado do Morro”, em pleno calor de 40 graus do sertão.

Corri, corri, corri e, por horas a fio, o morro realmente ficou lá, como que me seguindo com uma onipresença embasbacante.

Depois, a noite caiu. Me lembrei do Chefe, personagem de Buriti Bom que tinha tanto medo da noite que a atravessava acordado. “O sertão é de noite”, ele falava, referindo-se aos ventos que sopravam os esconderijos dos animais, das aves noturnas que caçavam, da vida que explodia quando o sol não estava lá para queimar tudo. Atravessei a madrugada correndo, sentindo uma solidão avassaladora e percebendo cada detalhe que encontrou sua casa nas páginas dos livros.

Horas depois, a bola vermelha começou a colorir o pálido do solo e das árvores retorcidas com o dia. Incrível, inspirador, de uma pureza tão simples quanto sofisticada. O sertão se esconde na sua aparência de simplicidade, diria o mestre: ele se disfarça, convida visitantes com o clima ameno das primeiras horas e com o cheiro suave da sua poeira para, depois, castigá-los pela ousadia.

E como castiga. Depois de 17 horas correndo e caminhando, o calor estava ja escorchante. Dava para imaginar com uma vividez incrível os jagunços de Riobaldo guerreando contra os de Hermógenes; dava para ver os pobres catrumanos rondando pela seca; dava para sentir o gosto das desejadas veredas que nunca apareciam.

O único ponto de descanso que a prova tinha era em uma fazenda lá pelo km 121.

Entrei.

Dormi por 10 minutos contados, me recuperando o que podia e comendo um prato de comida digno do sertão: simples e farto, delicioso e absolutamente essencial. ainda havia jornada: me recompus.

Troquei de roupa por uma muda limpa, sacudi a poeira caí na estrada de novo: ainda faltavam 27km (porque, sim, a marcação da prova estava errada e, no final das contas, a distância total somou 148km). O sertão engana.

Antes de iniciar essa corrida, li não apenas Grande Sertão: Veredas como também os três volumes de Corpo de Baile, totalizando algo como mil e quinhentas páginas. Precisava disso para seguir viagem, para ter comigo Manuelzão, Miguilim, Dito, as tias, Dona Lalinha, Dona Rosalina, Lélio, Pedro Orósio e todos esses vultos tão simbólicos, tão metafóricos e tão… precisos.

Estava me arrastando no último trecho: não tinha forças para correr, estava fraco, com bolhas nos pés, dores na cabeça e com coxas e panturrilhas urrando de dor.

Mas segui. É o que se faz quando não se tem outra opção, afinal.

Muitas horas depois, já no segundo por do sol, cheguei na Gruta de Maquiné, último ponto antes de Cordisburgo. Havia uma descida de 4km pela frente – algo que faz cada átomo do corpo doer depois de tantas horas correndo.

Desci, refazendo a vida, as histórias, o roseano da cabeça. Reli cada livro com a memória, cruzando seus fatos com o que eu havia testemunhado nas últimas tantas horas. Quando cruzei a chegada na cidade natal de Guimarães Rosa, estava em pandarecos, esfacelado, destroçado – mas feliz.

Estava inteiro.

Essa forma diferente de ler um autor – com as pernas – acabou me revelando que há muito mais para livros do que páginas, tintas e bits. Que histórias são feitas mesmo de poeira e ar, de sol, de suor e de cada milésimo de conclusão que cada leitor tira, a cada página.

Que histórias, quaisquer que seja, sempre se desenharão como metáforas para as nossas vidas: elas atraem, traem, tiram, devolvem, compensam. Basta atravessar – uma travessia que, acrescento, não é nada fácil.

O próprio Rosa diz isso na principal frase da sua obra prima, quase sempre depois de deixar claro que o sertão e a vida são uma coisa só: “viver é muito perigoso”.

Desculpem aqui o relato tão pessoal – quem me conhece sabe que não sou de falar de mim em espaços como esse. Mas essa jornada foi tão intensa, esclarecedora e, sobretudo, tão literária, que achei que cabia aqui.

 

 

 

 

 

 

 

Leia Mais

Uma pergunta, uma resposta

Nessa última semana, uma leitora daqui do blog nos enviou uma pergunta sobre direitos e questões envolvendo a forma de publicação tão interessante que decidi publicar aqui, como um novo post. O que é interessante? Ela acaba resumindo em sua questão muito do que muitos autores nos perguntam diariamente, seja por aqui pelo blog ou pelo Facebook.

Nossa resposta foi a mais sincera possível (obviamente). Vamos a ela, então:

Pergunta:

Boa Tarde
Primeiro, parabéns pelo blog me ajudou muito nos últimos dias.
Eu decidi encarar de vez o mundo dos “escritores” e enviei meu “livro” para uma editora publicar. Por diversos motivos, no meu caso, neste momento é melhor que tenha uma editora por trás me apoiando. Enfim, sobre o registo ISBN, a editora vai fazer esta solicitação por mim. Fiquei insegura, pois não sei ainda como funciona. Então minha dúvida é: Qual a melhor opção? Eu mesma fazer ou a Editora? Quais são os prós e contras de ser a Editora? Eu correria algum “risco” se daqui um tempo decidisse publicar com outra Editora?

Resposta:

Oi Débora! Muito obrigado pelas palavras! Vou me permitir ser o mais sincero possível com você. Todos nós, escritores, sempre preferimos ter editoras nos apoiando – esse sempre é e provavelmente sempre será “o” sonho de consumo. O problema é que, na quase totalidade dos casos – e falo não apenas por experiência própria, mas também pelo tanto que já conversamos com outros autores – esse “apoio” é muito mais teórico do que prático. Quando uma editora cobra do autor, ela está fazendo uma venda e sim, promete distribuição e tudo mais. Mas ter distribuição não significa estar presente em todas as livrarias ou mesmo em uma única vitrine, que é o que realmente faz a diferença. A grande maioria das editoras também não faz marketing bem feito, incluindo uma verba definida para campanhas em redes sociais etc. – em grande parte porque, hoje, isso é responsabilidade do autor.

Aliás, o maior erro que um autor pode cometer e acreditar que uma editora, qualquer que seja, fará o trabalho de divulgação do seu livro. Isso quase nunca ocorre exceto por um ou outro raríssimo caso. Você nos pediu dicas e a primeira e mais importante é: seja autopublicando ou publicando por uma editora, tenha a mais absoluta certeza de que a única pessoa que realmente capitaneará o marketing do seu livro será você – mesmo que alguem tenha te prometido o oposto. Aprofunde-se no assunto, estude casos de outros autores da Internet e coordene toda a comunicação do seu livro.

E, se seguir por uma editora, tome muito cuidado com o contrato. Assegure-se de que o tempo mínimo de exclusividade que a editora exige é justo, veja direitinho quais os direitos que estará cedendo a ela e o que, exatamente, ela fará. Normalmente o ISBN fica a cargo da editora – mas nada impede que você mesma o tire. O processo é simples e relativamente rápido – ele só parece burocrático.

Finalmente, sobre riscos, o que eu te diria é que todos corremos a partir do momento em que decidimos publicar (e, portanto, tornar públicas) as nossas histórias. No entanto, eu diria que é um risco pequeno, minimizado mais se você se assegurar dessas questões contratuais.

Espero ter ajudado e, do fundo do coração, desejo toda a sorte do mundo em sua empreitada! Parabéns: escrever um livro decididamente é um marco na vida de qualquer pessoa e uma impressão da nossa vida que deixamos para toda a eternidade!

Leia Mais

O perigo do silêncio

Volta e meia eu posto algum vídeo do TED por aqui. Sou fã deles:  a quantidade de palestras absolutamente inspiracionais é tanta que basta assistir a uma meia dúzia para se ficar energizado ao ponto de escrever todo um novo livro.

Em geral, replico os vídeos relacionados a literatura – mas hoje farei diferente.

O vídeo de hoje, que recomendo bastante, vai além de se escrever: é sobre se expressar. Mais: é sobre como o silêncio pode ser algo muito, muito perigoso para toda uma comunidade.

Dado que escrever é “apenas” uma maneira de eternizar a fala, deixar páginas escritas talvez seja a menos silenciosa – e mais importante – das formas de expressão.

Talvez essa última frase minha seja passível de algum debate, claro. Mas esse vídeo, abaixo, não:

 

Leia Mais

Cuidando do seu blog de autor

Recentemente, postei por aqui minha experiência usando um blog para abrir o livro inteiro que estava escrevendo, capítulo a capítulo. Em uma nota à parte: estou fazendo isso de novo com um outro livro neste exato momento e, se quiser, você pode conferir no www.genedocaos.com

Pois bem: minha experiência foi muito bem sucedida por motivos que já expressei neste post aqui. Mas esse relato acabou trazendo questionamentos novos de autores: um blog, afinal, não é apenas uma ferramenta de divulgação – é um outro meio de se fazer literatura. Basta, portanto, apenas sair escrevendo?

Não. é preciso montar um blog visualmente interessante, cuidar do seu conteúdo com frequência e constância e, enfim, deixá-lo sempre bem nutrido e sedutor o suficiente para captar leitores.

O Papo de Autor fez um outro post bem interessante que recomendo a leitura, listando erros comuns que ocorrem em blogs literários. Se você está seguindo este caminho, vale muito a pena ler clicando aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link http://www.papodeautor.com.br/5-erros-comuns-dos-blogs-literarios/!

Screen Shot 2016-08-15 at 11.08.23 AM

Leia Mais