Bem vindo, setembro

E chega um novo mês, desta vez encurtando ainda mais este ano que, verdade seja dita, voou. Mês de setembro, aliás, que já começa comemorando a nossa Independência e simbolizando momentos de ruptura e recomeço.

Para quem está trabalhando em uma nova história, perfeito. Nada melhor do que arquivar o passado e se inspirar nos gritos de D. Pedro para inaugurar um novo capítulo, uma nova fase, uma nova história. 

Gosto de momentos assim. Quando o Tempo em si nos inspira a virar página, temos que aproveitar. Aproveitar para sair da mesmice, do cotidiano que escrevemos para nós mesmos, de perspectivas que, por qualquer que seja o motivo, tenham ficado encravadas em um tempo mais utópico do que real. Viradas de mês com toques simbólicos são, assim, perfeitas. 

Ainda temos alguns meses até o final do ano: um trimestre inteiro, aliás. Normalmente, as nossas resoluções de mudança vem nos finais de ano. 

Mas talvez essa não seja uma regra. Talvez o ideal seja adiantar esse período e já promover alguma ruptura de status quo no presente, já, agora, a partir deste 7 de setembro. 

Quer data melhor para se independer de amarras desnecessárias? 

  
 

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Começa hoje o Café Amsterdam

Zapeando a Web em busca de algum programa cultural para aquecer os olhos e peitos de quem, como eu, ama a literatura, acabei me deparando com o Café Amsterdam. 

Não digo que seja um evento típico. É, antes de mais nada, uma espécie de ode a um dos ambientes que mais geraram boas histórias: o café. Copiando ipsis litteris a sinopse do site do evento:

No mundo todo, o bar é o lugar de encontro por excelência – de amantes, parceiros de negócios, artistas e escritores. O artista francês Roland Topor chegou mesmo a considerar a visita a um bar a sua atividade mais criativa. De 26 de agosto a 5 de setembro, São Paulo e o Rio de Janeiro serão palco de uma erupção de expressão criativa com diversos eventos. Livrarias e bibliotecas abrirão as suas portas para o Café Amsterdã: uma série de eventos literários em que personalidades brasileiras e holandesas se encontrarão e interagirão umas com as outras. Serão escritores, cartunistas, autores de livros infantis e músicos em debate aberto com o público sobre a vida atual na cidade moderna, a literatura e ética, Vincent van Gogh, Anne Frank, e muito mais. Confira a nossa programação com debates, entrevistas, filmes e exposições, protagonizando célebres talentos brasileiros e holandeses. Seja bem-vindo ao Café Amsterdã, onde você poderá fazer amigos, ouvir histórias, encontrar um novo amor, descobrir um novo talento, ou simplesmente matar o tempo.

Sensacional, não? Eu mesmo já estou montando a minha programação :-) 

Para saber mais, inclusive locais e eventos, acesse o site clicando aqui ou indo diretamente ao http://www.letterenfonds.nl/events/brasil/index-pt.php

  

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O mini livro de grandes eventos

Ao navegar pela Web nesses últimos dias, acabei me deparando com uma obra de arte no mínimo inusitada: um mini-livro contando, em pouquíssimas páginas, toda a história da humanidade (sintetizada em palavras e imagens). 
Por “mini”, estou sendo bem literal aqui: o livro tem 1,2cm de altura por 1,5cm de largura e soma 14 páginas. Escrito por Evan Lorenzen, ele veio para o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB-RJ) no começo do ano e agora está rodando o mundo. 

Bom para quem pôde conferir ao vivo. Para os demais, no entanto, resta essa imagem abaixo que mostra o exemplar. E por que ele importa? 

Porque nos faz pensar em como uma narrativa pode transcender o que entendemos como modelos tradicional de se contar histórias. 

  

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Detectando emoções por meio de uma app

Já imaginou se conseguíssemos detectar as expressões de um leitor enquanto ele lê um livro? Em outras palavras: não seria incrível termos uma crítica instantânea, à prova de mentiras, escrita pelos músculos faciais do leitor durante o ato de leitura?

Se tivéssemos essa tecnologia em mãos, poderíamos facilmente entender quais trechos das nossas narrativas encantam, quais entediam, quais viciam. Conseguiríamos ferramentas práticas para, na falta de uma palavra melhor, viciar o leitor.

Pois bem: ainda não estamos neste ponto na evolução tecnológica. Mas o vídeo abaixo mostra que estamos chegando perto – muito perto. Confira:

 

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Como se combate uma crise?

Acordei na terça-feira com a TV alardeando que, na melhor das hipóteses, o Brasil terá 2 anos de recessão. Serão dois anos de uma crise que se intensificará, com mais escândalos que provavelmente se amontoarão na mesa do Sérgio Moro e mais disputas palacianas entre os líderes que, gostemos ou não, foram todos eleitos pelo sagrado voto popular. 

Demissões provavelmente continuarão pipocando por todos os lados, juros e inflação permanecerão – pelo menos por mais um bom tempo – travando o crescimento e uma insatisfação nítida continuará pairando sobre o país (muito embora o governo insista em “comemorar” o fato de que as manifestações do dia 16 terem sido menores que as anteriores, ao invés de lamentar o fato delas terem existido).

Mas não me cabe aqui falar de política. Somos um blog de autores, de pessoas devotadas a escrever histórias melhores do que as que tem sido escritas para o nosso país. O que me leva a fazer este post, no entanto, é a sensação de que sairemos desta crise possivelmente piores do que entramos. 

Sairemos, provavelmente, com a mesma incapacidade explícita de entender argumentos. Nas redes e nas ruas, o que mais se vê é argumento supérfluo, reduzindo toda a democracia brasileira a uma versão pseudo-politizada do Festival de Parintins, com bois azuis brigando contra bois vermelhos. Se se critica a Presidente Dilma para um petista, ouve-se deste que Alckmin foi incapaz de lidar com a crise hídrica; se se critica denúncias contra Aécio Neves para um tucano, ouve-se que todos os males da humanidade, provavelmente desde Sodoma e Gomorra, foram culpa do PT. Mas poucos param para pensar que a incompetência de um governo jamais, em nenhuma hipótese, poderia ser justificada pela incompetência de outro. 

Sairemos desesperançosos. Nas trocas de partidos e no excesso de barbeiragens governamentais, sobraram órfãos de ideologias tidas como sagradas desde a luta pela redemocratização. Pessoalmente, não acho isso triste: ideologias dogmáticas, daquelas que não toleram argumentos opostos e buscam cegar-se diante dos mais claros fatos, precisam mesmo ser destroçadas para que alguma razão seja construída em seu lugar. Mas, mesmo ignorando os velhos dogmas, não há como fechar os olhos para a baixíssima confiança que restará quanto à capacidade das nossas instituições – do Planalto ao Congresso – fazerem o que foram eleitos para fazer. 

Sairemos divididos, em grande parte pelo tenebroso discurso de “nós contra eles”, do “pobres contra ricos”, do “sul contra o norte”, alardeado raivosamente na campanha. 

Sairemos, muito provavelmente, mais pobres, uma vez que a crise está corroendo de maneira decisiva o poder efetivo das nossas notas de real. 

Se somarmos todas essas hipóteses, o resultado é muito pouco estimulante. Todas elas, no entanto, tem uma causa comum: o pouco repertório que o brasileiro tem, a pequena bagagem trazida por uma educação de baixa qualidade e por uma média vergonhosa de 1,4 livro lido por ano (contra 8 nos EUA e 6,4 na Alemanha e na França).

Se lêssemos mais, estaríamos mais abertos a ouvir os argumentos dos outros e a racionalizar em cima deles. 

Se lêssemos mais, não seríamos tão dogmáticos com relação às nossas crenças: entenderíamos que são ideias e que, até por isso, podem e devem ser questionadas, melhoradas ou derrubadas. 

Se lêssemos mais, certamente votaríamos com mais consciência. 

Se lêssemos mais, não cairíamos nas ciladas verborrágicas que cismam em segregar o país geográfica, social e economicamente.

Talvez a solução que esteja propondo aqui esteja vindo tarde demais – ao menos para este delicado momento da nossa história, já em curso. 

Talvez ela funcione apenas para próximas crises pelas quais certamente passaremos. 

Ainda assim, deixo-a como uma espécie de proposta que considero óbvia para o crescimento sustentável de qualquer povo ou nação. 

Como se combate uma crise? 

Com livros. 

  
 

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