Mudando de ares

Na medida em que o tempo passa, o termo nomadismo digital vem sendo mais e mais utilizado. O conceito é simples: se temos a Internet com todas as suas capacidades, de videoconferências gratuitas via Skype ou Hangout a acesso infinito ao caótico “banco mundial de conhecimento”, por que precisamos nos prender a um lugar? 

Para uma meia dúzia de reuniões cara-a-cara? Para um cafezinho qualquer espremido entre trânsitos? 

Fora essas pequenas frugalidades que nos prendem a um passado de cimento, há algo na nossa vida moderna que poucos aproveitam: a possibilidade de irmos atrás do que nos inspira sem precisar romper com o que nos sustenta. 

Fiz isso essa semana. Por conta de um evento familiar, “me mudei” para um cenário parecido com esse, da foto abaixo. De uma mesa parecida com essa estou montando relatórios, escrevendo posts, estruturando projetos e coordenando a equipe do Clube. 

Aliás, eu arriscaria dizer até que estou rendendo muito mais aqui do que estava em São Paulo tamanho o grau de inspiração. Rendendo mais e pagando menos: afinal, há lazer melhor do que essa gratuita possibilidade de mergulhar em um mar paradisíaco com 3 ou 4 passos? Não. 

Nós somos todos escritores, criando incansavelmente enredos e personagens e tecendo realidades que mesclam nossos maiores sonhos com nossos piores pesadelos. Mas dificilmente pensamos – pelo menos falo por mim – que nós mesmos podemos ser um dos nossos personagens, mudando de cenário com a facilidade de quem vira uma página. 

Os nossos tempos decididamente são os mais repletos de possibilidades que o mundo já testemunhou. Às vezes, a única coisa difícil mesmo é percebê-las como viáveis e utilizá-las para escrever as nossas próprias histórias. 

  

Como o autor Júlio Cruz conseguiu mais de R$ 20 mil para publicar seu livro?

Há algum tempo, colocamos no ar uma parceria entre o Clube e a Kickante, empresa especializada em crowdfunding. Imediatamente depois disso começamos a caçar casos relevantes de autores que conseguiram verbas consideráveis para financiar os seus livros.

Claro: não estamos falando de nomes já consagrados. Com todo o respeito que temos a eles, o que interessa mesmo é saber se autores independentes, sem fama e fortuna, conseguem mesmo fazer funcionar a roda do financiamento colaborativo.

A resposta veio na Flip, em uma mesa fantástica acontecida na Casa do Clube: conseguem. Júlio Cruz, amigo e autor daqui do Clube, conseguiu somar mais de R$ 24 mil em uma campanha de financiamento coletivo para lançar o livro O Caranguejo do Saara, contando sua experiência de fazer a cobertura do rally Paris-Dakar.

E mais: amanhã à tarde ele estará batendo papo via Hangout com quem se interessar, contando sua experiência e dando dicas valiosíssimas!

Quer conferir? Acesse http://bit.ly/1KtIo9g a qualquer hora para ser lembrado ou acompanhar amanhã, quarta, às 16:00!

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Impressos, ebooks e a hora de terminar com os fatalismos

Dia desses estava lendo uma história para a minha filha de 3 anos quando me deparei com uma constatação quase disruptiva: apesar da idade, ao menos quando o assunto era livro, a preferência dela era inquestionavelmente para o impresso. 
Sim: é uma criança, daquelas que já nasceu mexendo em IPad e que tem dificuldade em compreender um mundo que não seja touch-screen. Mas, ainda assim, preferia o impresso. 
Por que? 

Arrisco um palpite: pela necessidade de se concentrar em absoluto em uma narrativa. No passado, um artigo da revista Nature que comparou a absorção de conhecimento em interfaces de papel versus digitais já havia deixado isso claro: as possibilidades do mundo virtual são tamanhas que, na mera atividade de decidir se se deve ou não clicar em um link, vídeo, imagem ou verbete durante uma “leitura digital”, parte da capacidade de raciocínio simplesmente se perde. 

Para a leitura, menos é mais. 

E parece que, agora que o hype dos ebooks está passando, isso está ficando claro. Veja a pesquisa abaixo, publicada recentemente no UOL: 

  
Perceba que houve um crescimento substancial na preferência por impressos, chegando a 69% (versus 28% de ebooks). E isso, registre-se, porque estamos falando do público americano, já MUITO mais habituado a ebooks que os brasileiros. 

Seria pela idade avançada das gerações anteriores que ainda compõem a média? O exemplo da minha filha me fez discordar. Outros dados da pesquisa também. 

Entre jovens de 18 a 29 anos, a imensa maioria lê livros impressos e apenas 4% afirmam ler apenas ebooks. 

Temos esse hábito ingênuo de pregar fatalismos a cada nova disrupção: já dissemos que a TV mataria a rádio, que a Web mataria a TV. Exceto em casos onde a informação se faz obsoleta – como com jornais – todas as mídias acabam tendo seu espaço. 

O ebook certamente veio para ficar até porque cumpre uma função incrível de permitir acesso infinito a bases de conhecimento, algo extremamente valioso principalmente para consultas técnicas ou científicas. Mas isso não significa que a tecnologia do livro impresso tenha morrido. 

A julgar pelas pesquisas mais recentes e pelos hábitos de “leitura” da minha pequena filha, pelo menos, isso está longe de acontecer. 

Brasileiros lêem pouco?

Sempre ouvi de autores que o brasileiro lê pouco. Na verdade, sempre ouvi isso de muita gente.

Decidi pesquisar.

A força dos dados me fez ficar meio triste e meio arrependido – com aquele tipo de arrependimento que um cego tem ao ser ferido pela luz.

Sendo prático: 

  1. Em média, cada cidadão brasileiro compra 1,4 livro por ano. Compra – porque nem sempre ter um livro significa lê-lo. Como comparação, um americano compra uma média de 8 livros; um alemão, 6,45; um francês, 6,39; um britânico, 5; um espanhol, 3,34.
  2. A oferta também não é diferente: mesmo com a segunda maior população dentre todos os países pesquisados, o Brasil só tem 57 mil novos livros lançados por ano – contra, por exemplo, 184 mil do Reino Unido, país que tem 1/3 da nossa população.

Se o crescimento e a evolução de um povo tem a ver com a sua capacidade de absorver conhecimento – como acredito que tenha – fica difícil acreditar na tese de que o Brasil é o país do futuro.

Pelo menos se não mudarmos o presente, entregando mais histórias, compartilhando mais experiências e batalhando por mais e mais leitores.

Mudemos, então, este cenário.

Nosso site no celular

Sabe a parte de novidades que comentei no último post? Pois é: essa é a primeira delas. 

Não sei se cheguei a postar isso aqui antes, mas cerca de 30% de todos os acessos do Clube vem a partir de celulares. E sim, é ridículo que, até hoje, não tínhamos nenhuma interface especificamente feita para telas menores. Até então, quem quisesse acessar o Clube via IPhone ou Android se deparava com aquela versão miniaturizada do site, algo pouco prático e efetivo. 

Era hora de mudar. Mudamos. 

Desde a semana retrasada, o Clube tem uma versão responsiva no ar. Basta acessar a partir de celulares que o próprio ssistema reconhecerá o local de acesso e exibirá o conteúdo perfeito para o tamanho da tela. 

Estatisticamente, isso deve resultar em dois grandes benefícios para os autores: 

  1. Os livros passarão a se destacar mais em buscas no Google, que estava começando a “despriorizar”, por assim dizer, sites sem versão para celular em buscas feitas a partir dos aparelhos
  2. Com uma interface mais simples e prática, as vendas em si via aparelhos móveis devem crescer 

Bom para todos nós!