Você curte audiobook?

Já comentei isso algumas vezes aqui no blog: eu, pessoalmente, sou apaixonado por audiobooks.

Quando falo isso sou normalmente encarado com preconceito dos leitores mais tradicionalistas. Aí devolvo uma pergunta: “o que você prefere fazer enquanto está por horas preso no trânsito? Ouvir um bom livro ou ficar encarando os carros imóveis ao seu redor?”

Até hoje, ninguém me respondeu a segunda opção.

E essa parece ser uma aposta de duas empresas brasileiras: a TocaLivros e a UBook. Ambas estão começando a se firmar no mercado brasileiro, porém com estratégias opostas.

A Tocalivros funciona como uma livraria tradicional que remunera autor e editora pelas vendas, colocando o preço entre o de um livro em papel e o de um ebook. A Ubook aposta no modelo de assinaturas – algo já comum nos EUA, em empresas como a Audible.com, mas que ainda não decolou por aqui.

Ambas tem como maior desafio a matemática. O custo de produção de um audiolivro pode variar entre R$ 5 mil e R$ 20 mil – algo bastante salgado. E pior: o acervo brasileiro é pequeno, com menos de 1.000 títulos disponíveis, e em uma cultura ainda pouco habituada ao formato.

Não sei se vai funcionar – mas torço ferrenhamente para que sim. Afinal, livro é livro – quer seja devorado pelos olhos ou pelos ouvidos.

Ricardo Almeida.

Há diferença de compreensão quando se lê livros e e-books?

Uma matéria publicada no Canal Tech no mês passado trouxe à tona uma questão interessante: com tantas peculiaridades entre a experiência de leitura analógica e digital, há alguma diferença prática na capacidade de compreensão do leitor?

Antes, vale sempre lembrar que uma experiência de leitura eletrônica pode ser muito, muito diferente do que uma analógica. Apenas para citar alguns exemplos: pode-se clicar em verbetes para entender definições de palavras, pode-se acessar vídeos embedados, pode-se interagir em trechos específicos e até mesmo mudar o rumo da história. Em todos esses casos, a lógica já dita uma consequência: toda a narrativa é sistematicamente interrompida. A história, por assim dizer, deixa de ser linear e passa a ser muito mais caótica.

E isso foi o que uma das duas pesquisas feitas concluiu: de acordo com a pesquisadora Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, a compreensão da cronologia dos fatos foi severamente prejudicada em leitores de ebooks.

Um outro estudo, feito por Matthew Scheneps (Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica), se focou em usuários disléxicos (com dificuldades de leitura e escrita). O resultado foi oposto: o fato de personalizar o livro (como aumentar fonte ou usar recursos sonoros para a pronúncia de determinadas palavras) os ajudou de maneira determinante na compreensão do texto.

A resposta para a pergunta alvo deste post, portanto, é que sim: há diferenças na compreensão de ebooks e livros mais tradicionais, de papel. A questão é que essa diferença não é necessariamente boa ou ruim.

Ricardo Almeida.

Agora é hora de nos unirmos de novo

A eleição passou.

Uma escolha foi feita pela maioria – mas essa maioria deixou uma gigante minoria com uma espécie de sensação de derrota amarga, triste, quase desesperançosa.

Bom… a democracia falou mais alto.

Aos que votaram no lado vencedor, torçamos que estejam certos. Aos que votaram no lado que perdeu, torçamos todos para que suas convicções se provem erradas.

No final, somos um só país – e não dois partidos.

É hora de virar a página e começar um novo capítulo nas nossas histórias.

Que todos tenham uma excelente segunda!

Domingo é hora de escrever um novo capítulo na história do Brasil

Hoje é sexta. Em dois dias, o destino do Brasil será decidido nas urnas pelos milhões de eleitores.

Nunca falamos de política aqui no Clube – e nem é essa a intenção agora. Hoje, vivemos em um país dividido, com um conflito de opiniões, visões e carregando um tipo polarização absolutamente enérgica.

E, independentemente dos resultados, só esse caldeirão de discussões que culminará na escolha do(a) próximo(a) presidente, já ajuda o nosso país a evoluir.

Todos aqui desejamos um excelente voto. É a hora de escrever um novo capítulo na história do país.

Dalí, Lewis Carroll e o protagonismo dos contadores de história

Dia desses eu estava navegando pela Internet em busca de inspiração. Fucei alguns livros, fui até o parque respirar um ar mais fresco, vi filmes daqueles angustiantes e, sem que nada tivesse surtido o efeito desejado, recorri à Web.

Ao Twitter, mais especificamente.

Acabei me deparando com um post feito no Brain Pickings, um site que sempre traz conteúdos “diferentes”.

E, nele, a matéria tratava de uma edição de Alice no País das Maravilhas ilustrado por ninguém menos que Salvador Dalí.

Sabe o que mais surpreendeu? A capacidade que uma diferente técnica de se contar histórias – ilustrações, ao invés de letras – tem de somar sentido. Ou melhor: a importância protagonista que o contador da história tem sobre ela.

Histórias, afinal, são coleções de experiências narrativas organizadas por pessoas. Elas dependem muito mais do narrador do que do próprio tema central, seja ele qual for. E contar com dois mestres – Lewis Carrol e Dalí – narrando o mesmo tema simplesmente o coloca em um patamar novo.

Diferenciado.

Surpreendente.

E, claro, inspirador.

Recomendo o post a quem quiser: basta clicar aqui ou na imagem abaixo (uma das ilustrações do livro):