Sobre-os-Ossos-dos-Mortos

Sobre os Ossos dos Mortos: lições para criar personagens

Segundo The Economist, o livro de Olga Tokarczuk,  publicado em 2018, pode ser considerado “um dos livros mais engraçados do ano”. A avaliação é, no mínimo, curiosa, já que a obra é um misto de terror, fábula e filosofia.

A escritora, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2019, é uma das autoras mais reconhecidas da literatura polonesa. Aqui no Brasil, é difícil encontrar suas obras traduzidas, mas é claro que após tantos prêmios, o cenário deve mudar bastante nos próximos anos. 

Leia também: Melhores livros de 2019

Sobre os Ossos dos Mortos: a história

A história se passa em uma cidadezinha na Polônia, onde uma senhora aposentada (que às vezes dá aulas de inglês) acompanha alguns crimes recentes a partir de uma ótica um tanto excêntrica. A professora, que prefere a companhia de animais a de outros seres humanos, tem poucos amigos e acredita que, um dia, a natureza se vingará de tudo o que a humanidade têm feito contra ela. 

Mas não é sobre o livro que vamos falar neste artigo, e sim sobre os elementos que tornam a personagem principal (e narradora da história) tão única e digna de ser observada com atenção pelos aspirantes a escritores. 

Confira algumas das características mais marcantes de Janina Duszejko: 

Odeia nomes impessoais

A narradora acredita que os nomes não deveriam ser dados às crianças quando nascem. Além disso, deveriam ter um significado real e associado à personalidade de cada um. Durante a narrativa, descobrimos alguns dos nomes que ela dá (na própria mente) para conhecidos: Boas Novas, Esquisito e Pé Grande, por exemplo.

Sua vida é guiada pelos astros

Janina (que odeia seu próprio nome, inclusive!), utiliza a astrologia para justificar o comportamento de outras pessoas e seus próprios sentimentos. Para ela, os acontecimentos na Terra são um reflexo da organização dos planetas no céu – por isso, tem o hábito de perguntar aos outros sua data e local de nascimento, ocupando-se de fazer o mapa astral de vizinhos, amigos e até de policiais.

Vale observar que o livro é muito bem fundamentado no conhecimento dos astros, o que indica que a autora sabe muito sobre o assunto, ou teve que pesquisar bastante para construir a narrativa.

É uma senhora na casa dos 60 anos

Estamos tão acostumados a ler histórias narradas por personagens belos, corajosos, jovens e cheios de energia. E é isso que torna Janina tão especial e única – ela foge totalmente do estereótipo padrão de protagonistas. Ao longo da obra, descobrimos algumas de suas qualidades e defeitos: trata-se de uma senhora explosiva, que vê o mundo sobre um ponto de vista completamente diferente dos outros, com algumas limitações físicas por conta da idade, que se cansa facilmente e que não gosta muito de companhia. 

Todas essas características fazem com que a história adquira um outro tom, bem humorado, macabro e cheio de excentricidades. 

Tem gostos peculiares

Janina não assiste TV como o resto da humanidade. Para não se sentir tão sozinha, deixa o aparelho ligado no canal de previsão do tempo. Ora prestando atenção, ora utilizando os sons como plano de fundo para seus pensamentos. Além disso, dedica-se, junto a um amigo, à tradução de poesias de William Blake, a quem costuma mencionar ao longo de suas reflexões. 

Se você gosta de suspense, reflexões existenciais e debates sobre a vida, morte e natureza, Sobre os Ossos dos Mortos com certeza é uma boa pedida! E, caso você esteja começando a escrever um livro ou planejando uma nova publicação, vale espiar a obra e inspirar-se nessa personagem tão peculiar :) 

Conheça outros 5 personagens principais marcantes para se inspirar!

Continue lendo:

Distopia em livros
Sobre o livro Rios Invisíveis da Metrópole Mineira

Assine a Nossa Newsletter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *