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Você conhece todos os tipos de narrador?

Toda história é contada por alguém que pode, ou não, fazer parte da narrativa. É essa “voz” que conduz os eventos e define a perspectiva pela qual os leitores tomarão conhecimento de todos os acontecimentos registrados. Essa figura tão importante é chamada de narrador, mas nem sempre recebe os devidos créditos ou é explorada como deveria.

É por isso que, neste artigo, falaremos sobre os tipos de narração! Vamos lá?

Quais são os tipos de narrador?

Narrador Observador:

A narração conduzida em terceira pessoa, mas sem a participação do narrador na história é chamada de “observadora”. Ou seja: a voz responsável pela trama não “existe” de verdade. É um narrador neutro, como no livro “Mulherzinhas”, de Louisa May, que em 2020 estreou nos cinemas como filme, a propósito. Confira:

“Como os jovens leitores gostam de saber “como é a aparência das pessoas”, aproveitaremos este momento para lhes oferecer um pequeno esboço das quatro irmãs que estavam sentadas, tricotando sem parar naquele entardecer, enquanto a neve de dezembro caía silenciosamente do lado de fora e o fogo crepitava alegremente dentro de casa. 

Narrador Personagem:

A maioria das histórias contadas em primeira pessoa traz como narrador um dos personagens da obra, normalmente o protagonista. Nesse tipo de narração o leitor tem acesso apenas aos sentimentos e pensamentos de quem está conduzindo o texto. Quase como se ele mesmo estivesse vivendo todos os acontecimentos. 

Um exemplo famoso e atual pode ser visto na saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, em que as histórias são conduzidas por Bella Swan, personagem principal do romance:

“Minha mãe me levou ao aeroporto com as janelas abaixadas. Estava fazendo 24°C em Phoenix, o céu estava um azul perfeito e sem nuvens. Estava vestindo minha camiseta preferida: sem mangas, de renda furadinha. Usava-a como um gesto de despedida. Minha bagagem de mão era um parka.”

Narrador Onisciente:

Onisciente significa “saber de tudo, ter conhecimento absoluto de tudo o que acontece”. O narrador com essa característica é aquele que conhece todas as vírgulas escritas e sabe tudo o que vai acontecer. 

Além de saber dos acontecimentos, o narrador onisciente também tem acesso aos pensamentos e sentimentos das personagens e pode ser descrita em primeira ou terceira pessoa. 

Um exemplo clássico deste formato pode ser observado nas histórias de Harry Potter, o bruxo mais amado nos quatro cantos do mundo. Abaixo, um trecho do primeiro livro da saga, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”:

“Não disse mais nenhuma palavra sobre o assunto a caminho do quarto onde foram se deitar. Enquanto a Sra. Dursley estava no banheiro, o Sr. Dursley foi devagarinho até a janela e espiou o jardim da casa. O gato continuava lá. Observava o começo da rua dos Alfeneiros como se esperasse alguma coisa. Estaria imaginando coisas? Será que tudo isso teria ligação com os Potter? Se tinha… se transpirasse que eram aparentados com um casal de… bem ele achava que não aguentaria”

Dicas do Clube de Autores para escolha do narrador: 

Qual é o ângulo da narrativa?

Ao imaginar a história, você compartilha os pensamentos íntimos dos personagens ou pensa nos acontecimentos com uma visão de fora, apenas descrevendo tudo o que acontece? No primeiro caso, sugere-se a escolha do narrador personagem. Já o segundo, é mais coerente com o observador. 

Seja fiel à sua escolha: 

Raramente será possível misturar com sucesso todos os tipos de narração em um único livro. É provável que essa aventura resulte em uma confusão de perspectiva e deixe os leitores perdidos na história. Portanto, seja fiel ao tipo de narrador que escolheu e descreva os eventos considerando suas características fundamentais.

Teste sua escrita: 

Se ficar em dúvida, faça o teste: procure descrever a história de diversos ângulos e veja o que mais combina com a sua narrativa. Alguns escritores utilizam, inclusive, o tipo de narração como uma “marca pessoal”.

Aos poucos, a escrita será fluida e seus dados mergulharão no teclado naturalmente, mas se ainda restam dúvidas, experimente!

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