Você já sentiu que, apesar de ter uma ótima trama, seus personagens parecem um pouco “planos”? Como se fossem apenas peças em um tabuleiro, movendo-se conforme a necessidade do autor, mas sem uma alma própria?
No Clube de Autores, sabemos que o coração de um livro inesquecível não é apenas o que acontece, mas a quem acontece. Para criar personagens que respirem e que façam o leitor se importar, precisamos mergulhar na psicologia. Hoje, vamos explorar como o MBTI e os Arquétipos de Jung podem ser o “manual de instruções” para a mente dos seus protagonistas.
Vamos lá? Boa leitura!
O que é o MBTI e por que ele importa?
O MBTI (Myers-Briggs Type Indicator) é uma das ferramentas de personalidade mais famosas do mundo. Baseado nos estudos de Carl Jung, ele organiza a forma como as pessoas percebem o mundo e tomam decisões em 16 tipos de personalidade.
O MBTI não diz “quem” o personagem é, mas sim como o cérebro dele funciona. Ele é dividido em quatro eixos:
- Extroversão (E) vs. Introversão (I): de onde o personagem tira energia? Do mundo externo ou da reflexão interna?
- Sensação (S) vs. Intuição (N): como ele absorve informações? Pela realidade física e fatos (S) ou por padrões, possibilidades e o “sexto sentido” (N)?
- Pensamento (T) vs. Sentimento (F): como ele toma decisões? Usando a lógica e a objetividade (T) ou baseando-se em valores pessoais e no impacto nas pessoas (F)?
- Julgamento (J) vs. Percepção (P): como ele lida com o mundo exterior? Ele prefere ordem, prazos e estrutura (J) ou é improvisador e prefere manter as opções abertas (P)?
Imagine um detetive INTJ (O Arquiteto). Ele será estratégico, frio e sempre terá um plano reserva. Agora, imagine um detetive ESFP (O Animador). Ele agirá por impulso, confiará no seu instinto físico e provavelmente se meterá em muito mais confusão. O MBTI garante que as reações do seu personagem sejam coerentes.
Os 12 Arquétipos de Jung: a alma da jornada

Se o MBTI é o motor, o Arquétipo é o combustível e o destino. Os arquétipos representam padrões universais de comportamento que todos os seres humanos reconhecem.
Aqui está como cada um dos 12 arquétipos clássicos pode moldar a motivação do seu personagem:
1. O Inocente
Motivação: Ser feliz e encontrar o paraíso.
O Inocente teme ser punido por fazer algo errado. Na literatura, é aquele personagem que mantém a esperança mesmo no caos, mas que pode ser ingênuo demais.
2. O Órfão (o cara comum)
Motivação: Pertencer.
Ele quer se conectar com os outros. Sua ferida geralmente vem de um sentimento de abandono, o que o torna um personagem altamente identificável, pois ele é “como nós”.
3. O Herói
Motivação: Provar seu valor por meio de atos corajosos.
O Herói precisa vencer desafios e superar monstros (reais ou metafóricos). Seu grande medo é a fraqueza ou a vulnerabilidade.
4. O Cuidador
Motivação: Proteger e cuidar dos outros.
É o arquétipo do sacrifício. O conflito surge quando ele precisa cuidar de si mesmo ou quando sua ajuda é rejeitada.
5. O Explorador
Motivação: A liberdade de descobrir quem é através do mundo.
O Explorador odeia o tédio e a conformidade. Ele prefere a estrada à segurança do lar.
6. O Rebelde (O Fora da Lei)
Motivação: Revolução.
Ele quer destruir o que não funciona. É o agente de mudança, mas corre o risco de cruzar a linha para a vilania se não tiver um código moral.
7. O Amante
Motivação: Estar em relacionamento com as pessoas e o trabalho que ama.
Não se trata apenas de romance, mas de paixão. O medo é ficar sozinho ou não ser desejado.
8. O Criador
Motivação: Criar algo de valor duradouro.
É o artista ou o inventor. Ele teme a mediocridade e ser apenas “mais um”.
9. O Governante
Motivação: Controle.
Ele quer criar uma comunidade próspera e ordeira. O conflito aqui é o equilíbrio entre autoridade e tirania.
10. O Mago
Motivação: Compreender as leis do universo para fazer as coisas acontecerem.
Ele busca a transformação. Pode ser um cientista brilhante ou um feiticeiro, mas sempre foca na visão de futuro.
11. O Sábio
Motivação: Encontrar a verdade.
O Sábio usa a inteligência e a análise para entender o mundo. Seu maior medo é ser enganado ou ser ignorante.
12. O Tolo (o bobo da corte)
Motivação: Viver o momento com pleno prazer.
Ele usa o humor para iluminar o mundo e para dizer verdades que ninguém mais ousa dizer.
Como isso ajuda na construção de boas histórias?
Quando você une MBTI (Como pensa) e Arquétipo (O que busca), você cria uma bússola para o seu personagem.
- Consistência: se o seu personagem é um Sábio (Arquétipo) com personalidade INTP (MBTI), ele não vai resolver um conflito dando um soco em alguém do nada. Ele vai analisar, buscar a lógica e agir de forma cerebral.
- Conflitos Internos: o drama surge quando o arquétipo do personagem entra em choque com sua natureza MBTI. Um Herói que é naturalmente Introvertido e Sentimental (ISFJ) terá uma jornada muito mais dolorosa e interessante do que um herói que já nasceu pronto para a luta.
- Ressonância com o Leitor: os leitores se identificam com tipos psicológicos reais. Quando um personagem age conforme uma psicologia sólida, ele deixa de ser “papel” e se torna uma pessoa que o leitor sente que conhece.
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Entender a mente humana é o primeiro passo para escrever livros que mudam vidas. Se você já tem seus personagens estruturados e sua história pronta para ganhar o mundo, o que está esperando?
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