Recebi uma mensagem de Susanna Florissi

Susanna, para quem não sabe, é uma editora que trabalhou conosco, aqui no Clube, ao longo de boa parte do ano passado. Dentre muitas outras coisas, ela é responsável pelo comitê que cuida e promove a língua portuguesa em nome da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

A mensagem que recebi dela foi sobre um programa voltado especialmente para professores do português – um clube onde se discutirá não apenas as tantas idiossincrasias do nosso belíssimo idioma mas também sobre como lidar com ele em sala de aula.

Como entendo que todos nós aqui no Clube somos entusiastas da língua portuguesa, me vi na obrigação de divulgar o programa. Ei-la:

Caros Professores e entusiastas da Língua Portuguesa,

Como Profissionais de Ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE), é importante que ajudemos a difundir a Língua Portuguesa pelo mundo, compartilhando ideias, experiências e conteúdos para aulas.

Por isso, gostaríamos de apresentar a vocês nosso novo projeto: o Clube de Professores Torre de Babel. Nosso objetivo é disponibilizar diferentes caminhos para Professores de PLE ou demais pessoas ligadas à Língua Portuguesa e questionar temas relevantes relacionados à gramática do português e à cultura brasileira para serem aplicados em sala de aula.

Assim, o Clube será uma oportunidade de reunião de profissionais de PLE para construção de materiais autênticos, aulas mais estruturadas e troca de experiências. Serão dois encontros mensais, toda sexta-feira, com os temas já estabelecidos abaixo. O profissional interessado poderá se inscrever nos encontros que tem interesse de maneira avulsa ou optar pelopacote mensal.

Confira os temas dos encontros:

Clube do Professor Torre de Babel

Março
10/03 – Aspectos da prova oral no exame Celpe-Bras
24/03 – Aspectos da prova escrita no exame Celpe-Bras

Abril
07/04 – Como trabalhar com materiais autênticos
28/04 – Dificuldades mais comuns para alunos falantes de espanhol

Maio
12/05 – Como abordar gírias e expressões idiomáticas
26/05 – Estratégias para o ensino da fonética

Junho
09/06 – O uso da tradução em sala de aula
23/06 – Como tratar o uso dos pronomes

Público-alvo: Professores de Português para Estrangeiros ou demais interessados na área
Investimento: R$100,00 por encontro (ou pacote promocional de R$150,00 por mês)

Local: Torre de Babel – Avenida Paulista, 726 – cj. 501 – São Paulo-SP

As inscrições já estão disponíveis e poderão ser realizadas com Maria Lucia por e-mail ([email protected]) ou pelo telefone 11 3289-3291.

Leia Mais

Nossas línguas portuguesas

José Saramago é, sem a menor sombra de dúvidas, um dos meus maiores ídolos literários. Retifico: é um dos meus maiores ídolos. Ele está lá, pairando pelo meu Olimpo pessoal juntamente com Kafka, Tolstoi, Guimarães Rosa, Machado de Assis e um punhado de outros mestres que iluminaram minha vida com suas letras.

No caso de Saramago, sempre considerei que havia dois protagonistas onipresentes em obras primas como Caim, Ensaio sobre a Cegueira ou as Intermitências da Morte: os enredos fantásticos e a língua portuguesa.

Sua forma de escrever, suas frases intermináveis recheadas por vírgulas, a falta de fôlego imposta pela pontuação acelerada, tudo contribuía para dar um ritmo inimaginável aos textos. Era seu estilo, dizia a mim mesmo.

Até que, por conta da Fábrica de Historinhas, projeto que lançamos recentemente em parceria com uma editora portuguesa, me deparei com livros escritos em, digamos, “lusitanês”. Um dos meus papeis era adaptar os livros infantis escritos em português de Portugal para o português brasileiro – e confesso que imaginei que me depararia apenas com uma simples tarefa de tradução de termos como “fixe” ou “giro”. Ledo engano.

Sabe o que encontrei em cada uma das histórias? O mesmo estilo de Saramago, as mesmas frases aceleradas a ritmos alucinados, as mesmas regras gramaticais que julgava particulares, características de um estilo inconfundível.

Pois é: não era o estilo de Saramago que estava a me encantar por todos esses anos e sim a gramática portuguesa, com todas as suas regras de concordância e pontuação que em nada têm a ver com as nossas.

“Traduzir” livros infantis de um português para outro me fez entender que, apesar de não ser necessário fazer um curso para ler em “lusitanês”, histórias geradas por escritores de lá do além-mar tem esse tipo de tempero a mais que muda todo o ritmo dos textos. E, se isso fez com que Saramago perdesse um pouco do brilho (embora ele o tenha de sobra, devo acrescentar), fez também com que toda uma nova porta se abrisse para mim.

Que tal, de repente, conseguir ler autores em seu idioma original, diferente do “brasileirês”, sem precisar fazer um curso? Fantástico.

Estou, agora, à caça de portugueses para a minha biblioteca pessoal como quem descobre novas espécies de histórias para enriquecer vocabulário, imaginação, coração.

Descoberta empolgante, essa.

jose-saramago

Leia Mais

Não se pode escrever sem saber escrever

Há alguns anos, em uma Flip dessas tantas que participamos, acabei entrando em uma discussão com um romancista. O assunto: a língua portuguesa.

Segundo ele, o mais importante de um livro era passar a sua mensagem, a sua história, mesmo que para isso algumas regras (básicas) da nossa gramática fossem… digamos… ignoradas.

Discordei, como discordo hoje.

Não dessa prioridade em se passar uma mensagem, claro – mas do papel singular que o uso correto do português tem para cumprir esse objetivo.

Há uma diferença muito pouco sutil entre a história falada e a história escrita: a fala carrega tons e entonações que dificilmente podem ser replicadas pela escrita. Por este mesmo motivo, histórias faladas permitem mais liberdades com o nosso idioma, são mais soltas, mais musicais.

Na história escrita, tudo muda: nela, a entonação é dada pelo leitor, não pelo narrador.

A posição de uma vírgula pode quebrar todo o ritmo da frase ou mesmo alterar o seu sentido; a falta de vírgulas pode deixar o leitor com absoluta falta de ar, asfixiando a história inteira; tempos verbais errados (como usar o ‘quer que eu faço isso?’ ao invés de ‘quer que eu faça isso?’) podem assassinar a imagem do autor perante o leitor – imagem que sempre deve ser mantida no mais alto patamar pelo bem do enredo.

A história escrita depende da escrita e quanto mais mambembe, quanto mais desconectada do nosso idioma, ela for, mais difícil será cativar uma base interessante de leitores. Vejo isso no cotidiano do Clube de Autores: se tem um ponto comum da imensa maioria dos livros mais vendidos aqui é que eles passaram por uma revisão profissional antes de chegarem às prateleiras.

Para o nosso azar, temos um idioma que, embora belíssimo, é carregado de sutilezas e de minuciosas regrinhas para tudo. É difícil, muito difícil, dominar todos os detalhes do português – mas usar isso como desculpa para não se aprofundar no básico não ajuda o autor em nada. Quer viver da escrita? Estude seu idioma.

Para a nossa sorte, é relativamente fácil encontrar bons revisores a preços acessíveis. Não acredito que seja nesse quesito que se deva economizar.

Histórias bem escritas, afinal, são também histórias mais lidas, como se pode concluir por obviedade.

E bons livros tem os seus enredos bem escritos, não cuspidos de qualquer maneira em folhas em branco.

creative-writing-diploma-course-p56-165_zoom

Leia Mais

Reconstruindo a Língua Portuguesa

Não cheguei a publicar nada aqui no blog – as notícias já eram abundantes pela Internet afora sobre o assunto. Mas, claro, o incêndio que destruiu o que considero como um dos maiores templos da nossa cultura, o Museu da Língua Portuguesa, em 21/12/2015, foi – ao menos para mim – um dos mais tristes acontecimentos de um ano já repleto de tristezas e dramas.

2015, ainda bem, passou. Entrou para o passado como um capítulo tenso, complicado, repleto de estresses e angústias.

E 2016 chegou. Se você acessar os principais portais de notícia, de fato não terá a impressão que 2016 será muito diferente… Mas costumo gostar de cultivar algum otimismo, principalmente em meses de janeiro.

Nesse sentido, meu otimismo torce para que 2016 seja um ano de reconstrução. Reconstrução de um país em pandarecos, de uma economia em  frangalhos, de uma autoestima nacional frustrada pelos assaltantes e estelionatários que, ironicamente, nós mesmos empossamos em Brasília.

Do ponto de vista da nossa cultura, bem maior de qualquer povo, essa reconstrução pode ser simbolizada pelo Museu da Língua Portuguesa. Não sei ao certo quais são os planos concretos do governo ou prazos para que as exposições voltem a acontecer no prédio histórico; não sei o tamanho do trabalho pela frente; não sei qual a vontade financeira, por assim dizer, dos patrocinadores de continuarem apoiando o nosso sagrado idioma em um ano tão complicado.

Mas sei que, se conseguirmos reerguer o Museu da Língua Portuguesa até o final de 2016, teremos dado um passo decisivo no sentido de curar as feridas e começar a tirar desta crise uma das suas maiores e mais invisíveis vítimas: a nossa cultura.

incendio-fogo-museu-lingua-portuguesa

Leia Mais

Se você é professor e está em São Paulo, aproveite para melhorar o nosso idioma

Isso pode parecer ingênuo, até: é óbvio que todo professor de português ou literatura busca melhorar a compreensão e fluência do idioma em sua base de alunos. A diferença é que, agora, um aliado importante está se juntando ao processo: o Museu da Língua Portuguesa, a Meca do nosso idioma.

Já peço desculpas por alertar em cima da hora, mas amanhã ministrarão um curso gratuito para professores com o objetivo de incorporar o próprio museu e todo o seu acervo no ensino do idioma.

As informações completas estão abaixo e as inscrições são feitas pelo email [email protected].

Captura de Tela 2015-09-07 às 19.38.15

 

Leia Mais