Nós sempre escrevemos, afinal, sobre o tempo

Podemos criar universos paralelos, tecer tramas que se passam no século XXV ou recontar outras que ocorreram no século XIV – mas, no final das contas, tudo estão sempre inseridos em alguma cronologia.

O Tempo é o grande protagonista invisível de todas as nossas histórias – o que nossos livros contam, afinal, é sempre o que aconteceu com uma meia dúzia de personagens enquanto eles caminharam entre datas. Nesses períodos, fisionomias mudam, acasos irrompem, tempestades surpreendem. Se toda trama depende de uma teia de causas e consequências, e se a única coisa entre uma causa e uma consequência é o Tempo, então é ele também, sempre, o nosso grande herói.

E por que escrevo todas essas obviedades? Porque me deparei com um vídeo de um fotógrafo que, com uma técnica nova, está conseguindo inserir na mesma foto tempos diferentes e, assim, compor uma história que considero revolucionária.

Dêem uma olhada nesse vídeo abaixo.

Sim, sei que fazer isso em fotografia pode soar mais fácil – mas como seriam livros livres do tempo? Eu, pessoalmente, não conheço nenhum que siga esse pensamento. O mais próximo talvez seja o Deus Das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy, que conta uma história a partir de colagens atemporais de outras histórias. É uma obra de arte belíssima, talvez única no mundo… mas ainda pára um pouco aquém dessa destemporização absoluta.

Para falar a verdade, nem sei se isso é possível – e agradeceria se alguém soubesse de algo nessa linha que pudesse me recomendar. De toda forma, fica então como um devaneio qualquer criado na esperança da próxima revolução literária sair daqui das nossas terras :-)

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