Como se inspirar para escrever um livro?

O que gera a faísca da criatividade?

Escrever, todos sabemos, não é exatamente uma tarefa mecânica. Não basta apenas abrir o computador e esperar que histórias revolucionárias saiam pelos dedos: há que se fazer a Deusa da Inspiração surgir, dar o ar da graça.

A questão é: como?

Se você é um escritor, são grandes as chances de já ter a resposta consigo a resposta (ainda que seja acometido pelo temido bloqueio criativo de vez em quando). Então, faça a pergunta a si mesmo: o que te motiva a registrar parte tão íntima dos seus pensamentos, das suas histórias e das suas fantasias?

E, principalmente, como fazer essa Inspiração surgir?

Quase sempre, as respostas que recebemos são tão abstratas quanto conclusivas. Diferentemente do imaginário dos leitores, a Inspiração costuma realmente bater de forma única para cada um.

Às vezes, ela vem em forma de música composta em versos regrados; outras, em sopros irregulares do vento.

Em alguns momentos, a declamação de uma poesia é suficiente para fazer o sangue de escritor pulsar mais forte; em outros, basta um anônimo balbuciar qualquer coisa sem sentido no meio da rua.

Há situações em que é necessário organizar todo um aparato para que um escritor consiga ordenar as suas ideias: iluminação perfeita, poltrona adequada, silêncio absoluto ao fundo; mas há também os que consigam escrever apenas quando estão no meio de um ambiente tão tumultuado quanto a própria vida.

Seja lá qual for o caso, desistimos da busca por uma definição mais clara da Inspiração: isso é, de fato, como buscar uma resposta sobre o sentido da vida.

Para nós, basta que a inspiração venha, e da forma que preferir. E basta estarmos vivos para recebê-la com as boas vindas que costumamos dar ao próprio ar que nos garante a existência.

E, com essa frustrante (e grata) conclusão, desejamos a todos os autores cujos olhos estiverem nessas frases sorte e bons ventos: que esses próximos dias tragam ainda mais letras para as vidas de todos nós.

E, se você nos permite uma dica que costuma funcionar para muitos, experimente apenas abrir seu programa de edição de texto preferido e simplesmente escrever o que vier à mente. Quem sabe não nasça daí uma história fenomenal?

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Porque cabe a nós, autores, formar novas gerações de leitores

Precisa dizer mais?

Precisa sim.

Não se forma bons leitores sem bons livros.

Sim: temos muitos bons livros disponíveis para qualquer um que quiser se aventurar pelas letras, de Dostoiévsky a Kafka a Guimarães Rosa a Thiago Fantinatti a Helena Polak.

Mas quem disse que a demanda por conteúdo é limitado, que está já suprido pelos grandes clássicos do passado ou pelos novos best-sellers do presente?

Ninguém.

Ao contrário: se tem algo que os nossos tempos provam diariamente é que sempre, sempre há muito espaço para boas histórias.

O que isso significa?

Que a pior coisa que um autor pode fazer é chafurdar-se no pessimismo de uma suposta (e irreal) falta de mercado para seus textos. Onde estaria a nossa cultura se mentes como Machado de Assis, Clarice Lispector e Graciliano Ramos, para citar apenas alguns poucos dos nossos gênios, pensassem assim?

E a melhor? A melhor é trabalhar a sua história, o seu livro, e publicá-lo para o seu público.

Tem dúvidas de como? Veja essa página aqui.

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Seja como for, tenha certeza de que mercado há de sobra. Basta que você se entenda como autor-empreendedor, confie no seu trabalho e siga adiante.

O futuro da literatura do Brasil depende diretamente de você, autor independente.

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Como ser um escritor

O que você deve fazer para se tornar um escritor de verdade?

A primeira resposta para essa pergunta, claro, é óbvia: escrever um livro.

Mas é óbvio também que há muito mais escondido em uma pergunta como essa do que as obviedades que começam a se desprender dela. Aliás, se você já se perguntou isso antes, é porque já está um passo à frente de muitos, muitos outros aspirantes a escritores.

E já aproveito para me desculpar por quem acessou este post buscando uma espécie de receita de bolo: ela não existe. E não existe, principalmente, porque escritores são escritores antes mesmo de colocarem sua primeira palavra no papel. Ser um escritor é uma espécie de estado de espírito – ou, se preferir, uma prisão surrealista para a alma que, desesperada, precisa do papel e do teclado mais do que o corpo precisa de ar.

O que, então, é este post? Talvez, quem sabe, uma coleção de sabedorias de outros sobre a arte da escrita que sirvam para te ajudar a responder uma pergunta muito mais relevante que o título propõe: se você já é, em essência, um escritor de verdade.

Ao invés de eu ficar filosofando daqui, colocarei abaixo algumas frases de uma das maiores mestres da literatura mundial, Marguerite Duras, retiradas do seu livro “Escrever” (que, aliás, recomendo a todos).

Encontre-se nessas frases e, acredite, você já terá a sua resposta.

“Se eu não tivesse escrito teria me transformado numa alcoólatra sem cura.”

“Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos se escrevêssemos – só o sabemos depois – antes, é a interrogação mais perigosa que nos podemos fazer”

“O escritor é uma coisa curiosa. É uma contradição e, também, um contra-senso.”

“Escrever, essa foi a única coisa que habitou minha vida e que a encantou. Eu o fiz. A escrita não me abandonou nunca.”

“É numa casa que a gente se sente só. Não do lado de fora, mas dentro. Em um parque, há pássaros, gatos. E de vez em quando um esquilo, um furão. Em um parque a gente não está sozinha. Mas dentro da casa a gente fica tão só que às vezes se perde. Só agora sei que permaneci na casa dez anos. Sozinha. E para escrever livros que mostraram, para mim e para os outros, que eu era a escritora que sou. Como isso aconteceu? E como isso pode ser expresso? O que posso dizer e que o tipo de solidão que há em Neauphle foi feito por mim. Para mim. E que é apenas dentro dessa casa que fico só. Para escrever. Não para escrever como havia feito até então. Mas escrever livros desconhecidos para mim, e nunca previamente determinados, por mim nem por ninguém. La escrevi Le Ravissement de Lol V. Stein e Le Vice-cônsul. E outros depois desses. Compreendi que eu era uma pessoa sozinha com a minha escrita, sozinha e muito distante de tudo. Isso durou dez anos, talvez, não sei mais, raramente contei o tempo que passei escrevendo e qualquer outro tempo. Contei o tempo que passei esperando por Robert Antelme e Marie-Louise, sua jovem irmã. Depois, não contei mais nada.”

O que você escreve?

Certa vez uma escritora me perguntou o que eu acharia dela escrever um livro de autoajuda uma vez que, em sua opinião, eram os que mais vendiam.

Minha resposta foi a única possível: se você escreve pensando em sua conta bancária, dificilmente seu livro terá qualquer sucesso.

Veja: não é que um escritor não deva nunca pensar em dinheiro. Todos precisamos de dinheiro para viver e, CLARO, garantir uma renda excelente a partir dos próprios textos é o legítimo sonho de qualquer um.

Mas a questão aqui é outra, é uma inversão de causa e efeito. Será muito, muito difícil (senão impossível) encontrar algum escritor de sucesso que não acredite piamente no seu próprio texto, que não seja o seu próprio texto.

Ou seja: não adianta tentar buscar um tema que venda bem se essa não for a sua.

Um escritor, antes de mais nada, se escreve no papel – ainda que utilize enredos e personagens e tramas absolutamente fantasiosas para maquiar o que, no fundo, sempre será a sua própria autobiografia.

O que você busca ao escrever?

Ainda pegando carona no exemplo citado acima: você escreve porque busca fama, fortuna e reconhecimento? Se a resposta for “sim”, talvez valha considerar alguma outra carreira: o mercado editorial é, provavelmente, o mais concorrido da história da humanidade.

É certamente mais fácil ter fama e fortuna cursando uma faculdade e estudando alguma especialidade qualquer.

Eu iria além: um escritor de verdade não tem sequer a opção de se perguntar o porquê de escrever um livro: ele escreve porque não tem nenhuma outra alternativa. Um escritor escreve porque, se não o fizer, morrerá asfixiado pelas tantas palavras que brigam incessantemente por escapar de seus dedos, de sua mente, de seu coração.

Como você cuida do seu filho?

Um livro é, sobretudo, um filho. Nesse sentido, ser um bom escritor é como ser um bom pai.

Se você apenas escreve um rascunho qualquer e o publica, sem se dar ao trabalho de buscar uma revisão ortográfica e gramatical, sem buscar uma leitura crítica relevante, sem buscar profissionais que consigam garantir uma capa e um acabamento mais sofisticado, sem registrar o ISBN para que seu livro seja distribuído nas maiores livrarias… bom, então é porque você realmente não acredita no que está fazendo.

Você lê?

Um escritor é, em essência, um amante da literatura. É alguém que não consegue passar muito tempo se ler alguma obra qualquer, sem garimpar referências, sem se aprofundar em algum tema que lhe seja caro.

Escritores são prisioneiros das palavras – tanto das que saem pelos seus dedos quanto das que entram pelas suas pupilas.

Em essência…

Não se vira um escritor: se é. Ou não.

De uma maneira binária, aliás, talvez até mesmo nata.

E ter um livro publicado? Claro: há inúmeras técnicas e boas práticas e tal… mas isso é só uma consequência, uma decorrência tão natural para um escritor quanto respirar é para um ser humano qualquer.

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