As asas da borboleta que mudaram o mundo em 1755

Um dos conceitos mais belos da Teoria do Caos é a possibilidade de um único fato aparentemente isolado poder mudar todo o rumo da humanidade. Costuma-se usar bastante o exemplo de uma borboleta que, ao bater as suas pequenas asas, pode colocar e curso toda uma série de eventos capazes de revolucionar todo o curso da evolução.

O vídeo abaixo não é exatamente algo tão simples como uma borboleta batendo as asas – mas é um exemplo da teoria.

Lá no século XVIII, quando Lisboa ainda era um dos mais importantes centros comerciais do planeta, as igrejas se preparavam para festejar o dia de Todos os Santos iluminando velas por todos os seus interiores. Lá nas profundezas do oceano, no mesmo instante, um movimento brusco de placas tectônicas gerou um tremor de terra sem precedentes que chacoalhou toda a porção oriental do Atlântico.

Com os tremores, milhares de casas desabaram matando boa parte da população. Em seguida, veio uma tsunami que varreu o cais no mesmo instante em que as velas acesas causaram incêndios por toda a cidade. Tudo mudou a partir daquele dia – inclusive a história da humanidade.

Logo depois, o Marquês de Pombal reconstruiu Lisboa como uma cidade mais moderna, com avenidas amplas e mais ao estilo das grandes capitais europeias. Seu sucesso foi tamanho que ele passou a gozar de um prestígio e poder impressionantes, o que também o permitiu colocar reformas em curso na colônia. Uma delas, para ficar apenas em um exemplo, foi a mudança da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro – algo que teve um impacto ímpar por essas bandas.

Suas políticas inauguraram uma das eras mais esclarecidas, por assim dizer, da monarquia portuguesa – e mudaram não só a face do país como também toda a história da humanidade.

Assim, pode-se considerar que o mundo efetivamente mudou de rota a partir daquele incidente no fundo do Atlântico em 1 de novembro de 1755. Ao ver a reconstrução do episódio abaixo, vale a pergunta: o que teria acontecido caso o terremoto nunca tivesse existido? Teria Pombal sobrevivido com tanto poder e ditado os rumos da Coroa Portuguesa por 30 anos? Sem ele, como teria sido o desfecho de um dos movimentos mais revolucionários que o Brasil já testemunhou e que foi destroçado pelo seu pulso forte, a Inconfidência Mineira? Como estaríamos nós? Como estaria Portugal? Como estaria a Europa e o mundo?

O caos é de uma beleza inegável.

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