Participe do projeto Crônicas de Quarentena!

[Resultado do desafio]

Que tal aproveitar o momento de quarentena que estamos vivendo para produzir uma crônica sobre essa experiência? Confira as regras e participe do Projeto Crônicas de Quarentena:

  • O texto precisa ter entre 400 a 800 palavras.
  • Não serão avaliados textos fora do formato crônica: não pode poema, dissertação ou qualquer coisa fora desse escopo.
  • Precisa ter título!
  • A palavra “quarentena” precisa aparecer pelo menos 1x no texto.
  • Os textos podem ser enviados até o dia 31/03! As 3 (três) melhores crônicas, de acordo com o júri do Clube de Autores, serão publicadas no Instagram Oficial.

Bônus: Se tivermos bastante engajamento nesse desafio, vamos publicar um ebook e um livro impresso com algumas crônicas escolhidas por um comitê do próprio Clube, sendo que toda a arrecadação será utilizada para ajudar os parceiros do Clube de Autores que viabilizam a operação como um todo a atravessarem essa crise tão severa causada pelo COVID-19.

Gostou da ideia? Então corre para compartilhar com todos os autores que você conhece!

Já tem sua crônica? Então é só se inscrever neste formulário!

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Um universo além do personagem principal

Recentemente, falamos sobre a importância de trabalhar bem o personagem principal na hora de produzir o seu livro. Mas, a verdade é que todo personagem é muito importante e deve ser criado com o máximo de características possível para que você possa explorá-lo bem na narrativa. Mas isso não significa que só o protagonista é importante. Os personagens secundários, coadjuvantes  e outros são fundamentais para dar mais consistência à jornada dos personagens principais.

Personagem secundário

Para muitas pessoas, o personagem secundário é considerado sem importância na narrativa, já que interpretam como se ele participasse do enredo mas sem desempenhar um papel decisivo. A verdade é que o personagem secundário também deve ser valorizado na ficção. Vamos dar um exemplo: no livro O Pequeno Príncipe, obviamente o protagonista é o jovem menino de cabelos dourados. Podemos considerar a raposa um personagem co-protagonista mas o que seria a rosa? E todos os outros personagens que ele encontra no caminho durante a sua jornada? Isso mesmo, personagens secundários. As reflexões que O Pequeno Príncipe traz não estão ligadas somente ao protagonista mas permeiam por todos os personagens e o ambiente ao redor deles. Não é porque são papéis de menor representatividade que não são importantes para a narrativa. 

Antagonista

O antagonista é o personagem que se contrapõe ao protagonista. Ele geralmente traz ou representa alguma possível reviravolta na narrativa como dificuldades, impedimentos, obstáculos ou ameaças, na tentativa de desviar o caminho do protagonista. Pode ser o vilão da história mas não é uma regra. 

Oponente

Ele pode ser considerado parceiro do antagonista, em uma relação parecida com a do protagonista e co-protagonista. A ligação entre os personagens pode ser por parentesco, mesmo ambiente de convívio ou outras ideias. 

Coadjuvante

É um personagem que faz parte do enredo e auxilia no desenrolar da narrativa mas não necessariamente seu papel está relacionado ao personagem principal. 

Figurante

Este sim é um personagem pouco utilizado. Por ter um papel menos significativo, sem relação com o enredo ou nenhum dos personagens. Ele tem a função apenas de “compor” o ambiente. Pode ser citado poucas vezes ou até apenas em uma única situação que o autor julgar relevante.

Existência de personagens na narrativa

Lembrando que os personagens são os seres atuantes na história mas eles podem ser muito diversos. O personagem pode ser um animal, uma pessoa, ou até mesmo um objeto, desde que apresente características humanas – como tantos que você conhece pelos clássicos da Disney em livros infantis. 

  • Real ou histórica: os personagens existem (ou existiram) de verdade
  • Fictícia ou ficcional: os personagens não existem e são frutos da imaginação do autor. Neste caso, pode ser inspirado em pessoas reais
  • Real-ficcional: os personagens são reais, mas com personalidade fictícia
  • Ficcional-ficcional: os personagens são ficcionais dentro de obras de ficção
  • Ficcional-real: os personagens são ficcionais, mas que passam a existir no mundo real

Dicas para criação de personagens

Como você pôde perceber, existe um universo além do personagem principal e a maneira como eles serão aceitos depende do carinho com que você os cria. Dê personalidade às suas criações. Escolha algumas características que façam com que o leitor se identifique ou pelo menos crie um laço afetivo com o personagem. Pode ser por uma história de vida, alguma característica física, tom de voz… 

crianças lendo livro de contos

Para que esses personagens fiquem na memória do leitor, você pode usar alguns recursos como associar a determinada ação ou lugar. No caso do Pequeno Príncipe, a rosa tem um lugar fixo e é descrito exatamente o que tem ao redor dela. Facilita a identificação e também a associação durante a leitura da história.

Tente relacionar os personagens secundários ao protagonista de alguma maneira. Essa interação entre os personagens é fundamental para o envolvimento da trama. Em uma história com muitos personagens, determine quais poderão ser esquecidos ou ter um papel de menor destaque – não existe regra mas você pode criar momentos para destacar ou ocultar determinados personagens. 
E aí, se inspirou? Então saiba como escrever e publicar o seu primeiro livro.

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estoria ou história

Entenda a diferença entre estória e história

Muitas palavras da Língua Portuguesa nos deixam com dúvidas, principalmente na hora de escrever. Afinal de contas, “estória” é diferente de “história”? Se você der um Google nas duas palavras, vai perceber que a diferença entre conteúdos publicados e resultados de busca é muito diferente entre elas. Em outubro de 2019, eram aproximadamente 2.000.000 de resultados para estória e 509.000.000 resultados para história. 

Será que as duas opções estão corretas? Em qual contexto devo usar? Essas dúvidas são comuns e a resposta é muito simples: as duas grafias estão corretas, o que pode diferenciar é significado de cada uma, de acordo com o contexto (e o tempo), veja:

Estima-se que a palavra estória esteja na Língua Portuguesa há muitos séculos. De acordo com o dicionário Houaiss, a palavra data do século XIII e significa narrativas de cunho popular e tradicional. Ou seja, não reais, como contos, folclore e outras indicações de ficção.

Nos primórdios da nossa língua, há relatos de “istória” e até “hestoria”, quando ainda não havia uma grafia uniformizada para o nosso vocábulo. Por isso é tão comum encontrar a palavra estória em textos antigos. Por esse motivo também, a palavra história tinha o significado oposto: era atrelada à ciência, fatos, acontecimentos reais. 

Não dá para negar que a Língua Portuguesa mudou bastante nos últimos séculos, foram tantas adaptações que, nos dias de hoje, a palavra estória é considerada arcaica – ou seja, que praticamente não é mais utilizada. O que poucos sabem é que o gramático João Ribeiro reforçou seu significado distinto, em 1919, na Academia Brasileira de Letras. 

A mudança só aconteceu em 1943, com a vigência do nosso sistema gráfico brasileiro. A Academia Brasileira de Letras entendeu que não havia necessidade de diferenciar as palavras história e estória – e que a palavra história deveria ser empregada em qualquer situação, tanto para referência à narrativas reais quanto fictícias. 

Veja os exemplos a seguir:

Antes de dormir, a mãe contou uma história para o filho dormir

A história do descobrimento do Brasil está nos livros escolares.

Meu amigo gosta de contar histórias de amor.

Se pararmos para analisar, a mudança faz muito sentido, já que sua origem é inglesa e deriva da palavra story, que significa narrativa, em prosa ou verso, que tem o objetivo de divertir ou instruir o leitor. Ou seja, mais uma vez, independe se o contexto é real ou ficção. 

A mudança trouxe uma adaptação tão simples que nem todos os dicionários possuem a definição de estória entre suas palavras. Ela existe mas não é mais reconhecida como parte da Língua Portuguesa. Um fator interessante é que algumas publicações citam a palavra com a definição de “brasileirismo”, ou seja, uma palavra ausente do vocabulário de outros países da mesma língua. Exclusividade nossa. 

Maiúscula ou minúscula?

Pronto, já sabemos que a palavra história é coringa para as narrativas mas agora você pode ter se questionado sobre uma outra questão, relacionada à mesma palavra: escrevo com letra maiúscula ou minúscula? . 

Até pouco tempo atrás, História, com letra maiúscula, era utilizada para denominar a ciência que estuda as ações humanas ao longo do tempo, um curso ou disciplina. Mas de acordo com o Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009, devem ser utilizadas letras iniciais minúsculas em nomes que indicam domínios do saber, cursos e disciplinas, podendo ser opcional o uso da letra maiúscula.

Assim, a palavra história, sendo uma disciplina e ciência, poderá ser escrita tanto com letra inicial maiúscula quanto minúscula. Veja alguns exemplos:

Minha filha esqueceu o livro de história na escola. 

Me matriculei no curso de História da Arte. 

Entendeu? Então que tal usar esse conhecimento como inspiração e escrever a sua própria história

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Inspire-se na radicalidade dos nossos tempos para escrever seu livro

Nada pode ser melhor para um escritor do que uma boa dose de caos

Olhe ao seu redor: o mundo está um caos. Preferências políticas à parte, é relativamente fácil dizer, com pouquíssima margem para contradições, que o Brasil nunca esteve tão dividido e radicalmente dilacerado enquanto sociedade política. Brasil? E os EUA, à beira de um impeachment? Ou o Peru, em um vácuo de poder que não via desde a independência para Espanha? Reino Unido e o Brexit? Europa inteira e todo o caos envolvendo os refugiados que, por sua vez, fugiram de suas terras dilaceradas em busca do mais básico dos direitos humanos, o da sobrevivência?

Nosso mundo, sim, está o mais puro caos – mas isso não é algo peculiar aos nossos tempos. Já escrevi isso antes aqui no blog e repito: revoluções em nosso naco do planeta costumam ocorrer a fogo brando, com muito menos sangue e intensidade do que em qualquer outro local e tempo da história da humanidade. 

O que isso tudo importa para escritores?

Vi, recentemente uma entrevista com Fernanda Montenegro em que ela dizia que a arte não se dá muito bem com a repressão. Não vou – é óbvio – defender nenhum tipo de repressão: nossa maior bandeira aqui no clube é justamente a total e irrestrita liberdade de expressão para todos. Todavia, os fatos crus, práticos, contradizem Fernanda Montenegro.

Tostoi e Dostoievsky? Os dois maiores escritores russos escreveram suas maiores obras primas em um dos momentos mais conturbados da história russa, a derrocada do regime czarista.

Nossos modernistas, de Mário de Andrade a Guimarães Rosa, praticamente inauguraram uma literatura verdadeiramente brasileira justamente em uma época de tumulto intenso casado a uma das mais sanguinárias ditaduras da nossa história, na Era Vargas.

Mia Couto? O que seria da sua literatura se ela não buscasse inspiração na tenebrosa África pós-colonialista?

O artista, claro, pode não gostar da repressão – ele costuma ser a sua primeira vítima. A arte, no entanto, ama. Ela bebe da raiva alheia, se inspira na censura e faz renascer um tipo de vida ainda mais poderosa que a própria vida humana.

E é por isso que nossos tempos são incríveis para escritores

Sei que isso parece frio, quase mórbido – e já peço desculpas por isso. É que, às vezes, a realidade é fria e mórbida.

O tipo e repressão que existe hoje – ainda bem – é melhor e mais branda que a do passado. Não quero menosprezar nenhum tipo de luta, claro: mas não dá para negar que a própria impossibilidade de se ir preso e torturado por expor uma ideia é um belo salto evolucionário para a humanidade.

Perfeito: usemos esse salto.

Aproveitemos essa liberdade de expressão e bebamos de toda a raiva social que existe e de todo o radicalismo que caminha pelas nossas ruas para escrever.

Baseemo-nos na estratégia de Shakespeare.

Pensemos em novas ideias para escrever.

Utilizemos as ferramentas ao nosso dispor para lançar livros inovadores e distribuí-los nas maiores livrarias do mundo.

O futuro da humanidade, em essência, depende de como nós contaremos o nosso presente para as próximas gerações. É o nosso papel, nosso direito, nosso dever.

Quer uma referência? Conheça Rétif de la Bretonne.

Fui em busca de alguma referência, de algum outro relato escrito por alguém que testemunhou alguma mudança brusca na condução de uma política. 

Encontrei lá na mãe das revoluções modernas, talvez a mais sangrenta e aguda de todas: a francesa. O livro: As Noites Revolucionárias, escrito por Rétif de la Bretonne. 

Fica sendo esta a minha recomendação. Quer entender o que se passou na Paris do final do século XVIII enquanto Danton e Robespierre se engalfinhavam pelo poder, enquanto Louis XVI e Maria Antonieta perderam as suas cabeças, enquanto a briga pelo poder fez a humanidade mais parecer com uma rinha de galos? 

Leia o livro. Um relato absolutamente impressionante sobre o que acontece nos bastidores das mudanças sociais mais radicais. 

Inspire-se

E escreva a sua história também

Para facilitar, deixo aqui o link: http://livraria.folha.com.br/livros/literatura-estrangeira/noites-revolucion-rias-restif-la-bretonne-1311258.html

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Seu livro preferido é só uma história escrita por alguém? Ou o início da sua obra prima?

Como um livro pode ser o início de toda uma ampla pesquisa literária – e que pode inclusive te inspirar a criar a sua obra prima

É comum o mercado inteiro considerar um livro como uma espécie de ponto final de uma jornada de conhecimento. E isso até pode ser (parcialmente) verdade sob a ótica de um autor – mas e do leitor?

Imagine, por exemplo, um livro como Mulheres de Saramago, publicado aqui no Clube. É óbvio que o livro em si já traz toda a sua própria narrativa e os pensamentos do autor – mas, para o leitor, ele pode ser um ponto de partida para uma jornada ainda mais ampla.

A partir desse livro, ele pode se interessar por outras obras, algumas do próprio mestre Saramago. Pode acessar artigos sobre Memorial do Convento ou Ensaio sobre a Cegueira; pode querer ver o filme feito sobre o último; ver entrevistas no Youtube envolvendo Saramago e estudiosos sobre ele; e assim por diante.

Para um leitor interessado, todo livro funciona como uma semente para uma nova árvore de conhecimento, com raízes e galhos imensos que podem se desdobrar até o infinito.

O futuro do livro é ser sempre um novo começo

Nós, aqui no Clube, acreditamos que o futuro do livro seja precisamente isso. Nada de debates infrutíferos sobre ebooks substituindo impressos ou impressos continuando a dominar: sendo franco, discutir a forma da literatura nos parece uma perda de tempo descomunal considerando as tantas transformações pelas quais a literatura como um todo está passando.

Se você é um autor (e mesmo que não seja), deixe todos os seus preconceitos de lado e abrace tudo em relação ao nosso mundo atual. Quer ler, para ficar em um outro exemplo, Morte em Veneza, do brilhante Thomas Mann? Vá também à Wikipedia e pesquise sobre o autor e a obra. Você descobrirá, por exemplo, que o personagem principal se baseia em Mahler. Vá ao Spotify, escute esse gênio da música. Depois volte e leia os contemporâneos de Mann – como Nietzsche, que certamente o inspirou.

Sabe o que acontecerá? Você será dragado por uma espiral filosófica que terá como consequência natural cutucar tantos neurônios que escrever será uma inevitável válvula de escape.

E isso serve para todo e qualquer livro: de Saramago a Mann, de Guimarães Rosa a García-Marquez. Todo e qualquer livro é uma porta aberta para um universo que, via de regra, é maior que ele mesmo.

Por que isso interessa a você, escritor?

Porque pesquisa e inspiração são ingredientes fundamentais para qualquer livro.

Escrever é mais que um ato isolado, hermeticamente trancado dentro de um lampejo de inspiração qualquer: um bom livro depende de boas referências. E não entenda “boas referências” como alguma espécie de juízo de valor sobre um ou outro livro. Toda referência literária pode ser boa desde que o leitor se permita mergulhar aprofundadamente nela, pescando as pérolas que todo autor traz dentro de si.

Quer escrever uma obra prima? Leia, inspire-se. Já dissemos isso algumas vezes e repetimos sempre: não há como ser um bom escritor se você não for um bom leitor.

Por onde começar?

Honestamente, por qualquer livro que chame a sua atenção. Que tal experimentar o épico 1Q84, de Murakami? Ou o surreal Mestre e Margarida, do incrível Bulgakov? Ou um outro livro independente, desses incríveis publicados todos os dias aqui no Clube de Autores?

Não importa o livro por onde você comece: importa que você comece – e que encare a leitura justamente como esse começo de uma jornada que terá como resultado único um texto seu, gerado pelo casamento da sua mente com a coletividade das mentes mais brilhantes do mundo.

A partir daí, é só seguir a cartilha e publicar seu livro, gratuitamente, para todo o mundo. Simples assim.

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