As camadas da nossa própria história

Olhe atentamente a imagem abaixo:

Eu a tirei no mês passado, quando estava em viagem pela região das montanhas Drakensberg, no nordeste da África do Sul. E o que ela tel demais?

Essa imagem mostra uma lateral de escavação de uma região que foi habitada pelos San, homens das cavernas africanos, há milhares de anos.

Quanto mais para baixo da imagem – e, portanto, da rocha escavada – mais antigo é o período de onde os artefatos surgiram. Os instrumentos brancos, por exemplo, são facas feitas de ossos; a pedra com um buraco no meio era usada para fazer fogo; e assim por diante.

Cada um desses artefatos que resistiram ao tempo representam, claro, uma parte da nossa história enquanto seres humanos, um pouco de como vivíamos.

Bom… agora olhe para a camada mais superior da foto, do lado esquerdo. Sabe o que é aquilo, já referente a meados do século XX? Uma tampinha de Coca-Cola!

Muitos podem achar uma lástima um refrigerante “estragar” uma escavação arqueológica milenar – mas isso é por conta, principalmente, da nossa arrogância ao nos colocarmos acima da história. Sim, porque a Coca-Cola, quer queira quer não, é de fato um ícone da nossa história moderna, do cotidiano contemporâneo. E, em uma parede assim, colocada lado a lado de tanta coisa incrível, nos faz pensar em como as gerações futuras interpretarão os frutos gerados pelos nossos pares.

Olhar o passado sempre nos faz imaginar como será o futuro.

E esse exercício de leitura dos rastros das histórias dos nossos antepassados é importantíssimo, principalmente para nós que, afinal, vivemos de contar histórias.

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