Nadando pelos livros do Clube

Recentemente, o autor Rodrigo Rahmati nos mandou um posto que fez em seu blog em que se propôs um desafio: ele selecionará e lerá 7 livros publicados por aqui ao longo de 2017.

Na prática, a mecânica é a seguinte:

Ele já selecionou as obras e as expôs em seu blog, no http://www.rahmati.com.br/2017/03/desafio-clube-de-autores.html . Lá, ele colocou capa e resenhas e, em seguida, suas expectativas. Ele não fará exatamente resenhas dessas obras, mas dirá se elas atingiram ou não as suas expectativas.

O próprio autor-blogueiro deixa claro em seu post o motivo desse desafio: ele entende que, por sermos um ambiente de autopublicação, há de tudo publicado no Clube. A dúvida que quer responder é: selecionando obras cruzando capa, sinopse, primeiras páginas e gosto pessoal funciona?

Eu, que leio rotineiramente livros do Clube, posso ajudar a responder: sim, com certeza. Mas, como eu sei que qualquer resposta minha pode ser interpretada como parcial, aguardemos os retornos do Rodrigo!

Mas já adianto: atitudes assim são ESSENCIAIS para agregar mais visibilidade aos autores independentes do país!

 

 

 

 

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Tem novidade na Fábrica de Historinhas!

Lançamos, recentemente, um projeto diferente na Fábrica de Historinhas – empresa filha do Clube focada na personalização de livros infantis: um livro de aniversário. 

A ideia é simples (e, ao menos em nossa imodesta opinião, fantástica :-) ): publicamos um livro personalizável voltado para aniversário de crianças!

Seu funcionamento é diferente: 

  • Diferentemente de como a Fábrica costuma operar, não há a necessidade de assinatura: todos podem fazer uma compra avulsa diretamente no site
  • No ato da compra, a personalização é bem mais completa: a foto da capa, a ilustração dos personagens e seus nomes geram um livro com uma história diretamente relacionada à festa de aniversário dos pequenos.
  • Temos também duas opções: a compra do livro em si, que chega nos mesmos moldes e tamanhos que os livros da Fábrica (A4), e de pacotes de lembrancinhas (livrinhos com a mesma história, só que em formato menor, A6). 

Nesse caso, tanto convidados quanto os pais podem aproveitar e dar aos pequenos aniversariantes esse presente incrível: um livro personalizado tendo a própria criança como personagem principal! 
Curtiu? Dê uma olhada lá no nosso site, no www.fabricadehistorinhas.com.br e dê o presente de aniversário mais sensacional do mundo :-)

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Teremos, um dia, uma obra prima global?

Procuro sempre guiar o meu hábito de leitura pelos extremos: quando leio autores daqui mesmo, do Clube, ou outros brasileiros como Guimarães Rosa ou Graciliano Ramos, equilibro-me com um Murakami, um Pamuk ou um Tosltoy. São espécies absolutamente diferentes de literatura – espécies que beiram a incompatibilidade criativa. 

Aqui, no ocidente, tendemos a ser mais sucintos e mais mergulhados nas histórias do que nas formas. Não que as formas sejam desprezadas – mas elas existem mais para embalar alguma mensagem mais densa e disruptiva. 

Do lado de lá, tudo muda: a forma é protagonista. Para ficar em um exemplo: Vermelho, de Pamuk, é um livro construído nos mais delicados detalhes, chegando ao ponto de ter como narradores um cavalo, a cor preta, uma árvore. Os pontos de vista das coisas se entrelaçando em um enredo é algo brilhante por si só. 

Essa minha viagem constante pelas fronteiras da literatura tem me feito me perguntar algo: será que, um dia, teremos uma espécie de obra prima que una essas duas características como nenhuma outra? Será que, um dia, teremos algum livro composto com o detalhismo do hemisfério de lá somado à brutalidade genial do hemisfério de cá? 

Se isso ocorrer, arrisco-me a palpitar, será por agora: em nenhum outro tempo tantas ondas de imigração se sucederam, resultado de guerras e misérias, enevoando as fronteiras entre ocidente e oriente. Quanto menos fronteira, claro, mais união cultural se pode esperar.

Se isso ocorrer, arrisco-me a palpitar, será também por aqui, no universo da autopublicação – dificilmente um editor tradicional, antiquado, avesso a inovações, conseguirá sequer entender o poder de uma literatura universal.

Dos meus dois lados de cá – o do Clube de Autores e o de um leitor qualquer – fico na torcida para que esse dia em que uma obra prima universal, uma obra que una o melhor dos dois mundos do nosso mundo, seja logo composta. 

 

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2017, o ano da iconoclastia

No final do ano passado, me pediram para escrever um artigo sobre tendências do marketing que deveriam se concretizar em 2017. Fiz isso ainda em novembro e, no apagar das luzes de 2016, ele acabou sendo publicado em um ebook que pode ser baixado gratuitamente aqui.

Sim: o foco era em marketing e marcas de forma geral. Mas estou postando o artigo inteiro aqui, na íntegra, porque ele acaba refletindo muito da maneira de pensar que deve afetar não só marcas, como também autores, livros, leitores e assim por diante.

Espero que gostem!

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A neo-iconoclastia do século XXI

Em 730 DC, o imperador bizantino Leão III proibiu o culto a todo e qualquer ícone. Na nova política religiosa do então mais relevante império do planeta, venerar objetos seria como rebaixar Deus ao homenagear meros símbolos, “coisas” que, até por terem sido fabricadas pelas mãos imperfeitas do homem, jamais poderiam representá-Lo em sua plenitude.

Essa linha de pensamento – a iconoclastia, ou condenação ao culto de símbolos – ganhou peso ao ponto de provocar um cisma entre Roma e Constantinopla, sedes das duas principais igrejas cristãs da época.

De lá para cá, a força da iconoclastia sempre oscilou: foi condenada pelos católicos, apoiada pelos calvinistas, ignorada pelos hindus e severamente defendida por muçulmanos.

Como muitas das correntes de pensamento da história da humanidade, a iconoclastia acabou eventualmente deixando a esfera religiosa e mergulhando na secular. Para citar um único exemplo, uma das primeiras medidas que os revolucionários franceses tomaram depois da queda da Bastilha foi destruir o máximo possível de símbolos do antigo regime – de estátuas de monarcas à própria cripta de St. Denis, que abrigava os restos mortais de todos os imperadores desde o século X.

Seja do ponto de vista religioso ou político, o fato é que os iconoclastas sempre consideraram símbolos como falsidades ideológicas, como sínteses de valores glamurizados ao ponto de se transformarem em irreais e, portanto, mentirosos.

Entra o capitalismo

Pense agora em uma vitrine qualquer.

O que há nela? Marcas.

Muitas marcas representando, por meio de seus logos, ideais meticulosamente construídos para gerar conexões emocionais com seus públicos consumidores.

Quer se mostrar inovador? Compre algo que exiba o logo da Apple. Quer ser visto como um aventureiro? Compre uma jaqueta da Harley Davidson. Quer parecer rica? Nada como uma bolsa – ainda que falsa – povoada de logos da Louis Vuitton.

Para empresas, a receita de uma boa comunicação era relativamente simples: bastava sintetizar alguns adjetivos em um discurso de marca, distribuir bem a comunicação por diversos canais e colher consumidores fiéis.

#SQN

A vida não é mais tão fácil assim para as marcas.

Há, hoje, tanta informação trafegando pelo mundo que acreditar que uma marca qualquer consiga realmente representar a soma de todos os ideais de perfeição buscados por um indivíduo chega a soar pueril. O consumidor moderno sabe diferenciar a qualidade dos produtos de diferentes empresas, claro – mas ele também sabe que, na busca natural pelo lucro, todas invariavelmente sacrificam, em maior ou menor grau, os mesmos valores que elas alegam (e propagam) ter.

O que isso tem gerado? Uma geração de consumidores tão exigente quanto raivosamente cética, infiel.

A neo-iconoclastia

E qual o inimigo natural de um consumidor que exige a perfeição e duvida do discurso de qualquer marca? A própria marca, claro, uma vez que ela se esforça tanto para concentrar em seus símbolos (ou logos) o mesmo conjunto de ideais utópicos que cada vez mais consumidores entendem como pura hipocrisia.

Eis a versão moderna da iconoclastia.

Isso nos leva a uma questão fundamental que marcas precisarão começar a endereçar já em 2017: como lidar com um mercado composto mais de céticos fanáticos do que de apaixonados incondicionais?

Como conviver com a cada vez mais alta voz do consumidor? Como trabalhar a influência que cada cliente tem na decisão de compra alheia – principalmente quando ambientes como redes sociais se transformaram mais em repositórios de críticas do que de elogios? Como construir uma marca para um público consumidor que enxerga hipocrisia e ganância por trás de cada logo?

Pode não parecer, mas há uma saída tão óbvia quanto difícil para qualquer marca: sendo honesta.

Iconoclastas, afinal, querem sempre a mesma coisa: que verdades deixem de ser maquiadas por símbolos.

A questão, no entanto, é outra: quantas marcas você conhece que estão realmente preparadas, sob todos os aspectos, para se desnudar perante seus consumidores e ser absolutamente honestas com eles?

Arrisco um palpite: nenhuma.

E eis o desafio que as marcas tem em mãos não apenas para 2017, mas para as décadas futuras: aprender a quase impossível tarefa de ser honestas com os seus públicos consumidores.

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Livros contra o Tempo

Na quarta passada escrevi um post sobre os dois Tempos em que vivemos: o individual e o universal. 

Em uma síntese crua: enquanto caminhamos juntos no tempo universal, cronológico, nos diferenciamos de cada outro ser vivo no nosso Tempo individual, sendo este essencialmente composto de uma somatória de experiências memoráveis de vida. 

OK… e o que tem livros a ver com isso? 

Pense no tempo como uma linha que une, estruturalmente, todas as memórias de sua vida. Aliás, pense na sua própria vida: o que vem à sua mente? Tenha você 20, 30, 40 ou 90 anos, certamente não se lembrará de cada segundo que passou neste planeta e sim apenas dos mais importantes, dos mais memoráveis. Ainda assim, será possível, mesmo que com alguma margem de erro, seguir uma linha da primeira infância até os dias de hoje enquanto enumera as suas experiências memoráveis de vida – aquelas que te acrescentaram conhecimento pessoal, lágrimas ou sorrisos. Certo? 

Pois bem: todos somos reféns das nossas histórias pessoais, todos invariavelmente somos e pensamos de acordo com esse acúmulo de experiências de vida. 

É aí que entram os livros. 

Pegue um livro qualquer. 

Se estiver lendo Guerra e Paz, por exemplo, você terá em suas mãos algumas centenas de páginas que encapsulam, para toda a eternidade, todos os anos de vida de Pierre Bezukhov, do Príncipe Andrei, de Natasha e de tantos outros. Se estiver lendo Grande Sertão: Veredas, a vida inteira de Riobaldo pertencerá mais a você, dono das páginas, do que ao personagem que, tenha ou não existido, certamente já não caminha vivo entre nós. 

O mesmo vale para qualquer livro: todos são feitos de histórias de personagens, de memórias e experiências que, uma vez que ganharam as páginas, deixaram o Tempo para entrar na imortalidade. 

Eis a principal magia dos livros: eles são uma outra dimensão por permitir que possamos sentir um mundo que não presenciamos, durante um tempo que não vivemos e em lugares que nunca conhecemos. 

Livros transformam o tempo em um conceito quase arqueológico de tão antigo, ultrapassado. 

Literatura é um troço simplesmente incrível. 

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