O Mundo versus o Tempo

Storytelling, hoje em dia, é algo absolutamente fascinante.

No passado, contar uma história impactante demandava enredos bem trabalhados, personagens dramáticos, tramas tensas e todo um contexto de complexidades se entrelaçando. Mas o mundo evoluiu, ainda bem. E, junto com o mundo, o nosso conceito de narrativa.

Quer um exemplo perfeito? Veja este vídeo abaixo.

Feito em time-lapse, somando 27 mil fotos tiradas em pontos e momentos diferentes, há uma palavra perfeita para descrevê-lo: hipnotizante.

Perceba os contrastes: é uma história sem enredo, uma trama sem acontecimentos, um filme que foi fotografado, não filmado, e que ainda assim nos impele a grudar os olhos na tela, fazendo o imaginário pirar em torno da mais épica e mais antiga das batalhas: a do Mundo versus o Tempo.

História bem contada é assim: elegante e inspiradora.

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Malta: A Time-lapse Journey from Kevin sciberras on Vimeo.

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Os momentos Eureka

Acredito que o sucesso de qualquer indivíduo na busca pela sua própria felicidade pode ser medida pela quantidade de “Momentos Eureka” que ele tenha.

Quando se leva um cotidiano morno, basicamente composto de “acordar-trabalhar-dormir” e que, no longo prazo, vira algo como “nascer-procriar-morrer”, o ser humano acaba pulsando em suas veias tanta vida quanto uma planta. Nada contra plantas, claro: mas poder racionalizar o mundo em torno de nós é uma dádiva que poucas espécies tem.

Por que, então, não aproveitar isso melhor?

Racionalizar a vida é algo simples: basta prestar atenção em tudo o que nos cerca, bebendo os detalhes, observando as sutilezas e, na falta de uma palavra melhor, aprendendo. Pode ser qualquer coisa: um programa chato na TV, a chuva caindo em um dia cinzento, o suor pingando quando se corre no parque, uma apresentação entediante no trabalho. Qualquer mínima coisa carrega em si uma espécie de vida própria, de “novidade”, de mini caos a partir do qual formas e conceitos inteiros se originaram até se transformar no que vemos em sua superfície.

Isso pode parecer insano, quase lisérgico. Eu sei.

Mas, no final das contas, se você prestar atenção em cada detalhe como que descobrindo uma nova dimensão, acabará percebendo esse caos que pulsa nas novidades e não-novidades do nosso cotidiano.

E, ao perceber o caos, é como se pudesse beber de uma fonte de inspiração muito mais poderosa e intensa, muito mais nítida, muito mais relevante. Quando se aprende a observar, aprende-se a pensar, e mergulhar, a inovar.

É dessa observação que pode nascer um “Momento Eureka”: uma grande descoberta sobre algo igualmente grande ou até mesmo minúsculo, algo que possa mudar a vida de maneira indiscutível.

A regra, portanto, é simple: ignore as formalidades da monotonia e observe com olhar de lince cada detalhe que nos cerca. Descubra a alma de cada coisa, a confusão que a originou, o caos. Mergulhe nesse caos. Traga esse caos para a sua própria vida.

Dele, puxe algum “Momento Eureka” para si mesmo. E passe a colecioná-los, possivelmente ampliando o leque de “coisas diferentes” que pode passar a fazer na vida.

E, depois, escreva um – ou vários – livros.

Eureka descoberta

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Capturando o tempo

No segundo em que um escritor termina uma história, qualquer que seja, ele terá cumprido uma das mais incríveis tarefas da vida: emprisionado o tempo.

Porque veja: séculos podem ter se passado, por exemplo, desde a Revolução Francesa; mas basta começar uma História de Duas Cidades e imediatamente somos guiados pelas mãos imortais de Dickens até as agruras da Paris pré-revolucionária, das guilhotinas, do cheiro de sangue e esgoto que costuma impregnar todos os ideais de liberdade.

E, se quisermos, podemos saltar da Revolução Francesa para a Moçambique pós-guerra civil, guiados pela genialidade de Mia Couto; depois para o Brasil neo-europeu de Machado de Assis; e então até mesmo para tempos que jamais ocorreram, como nas distopias fantásticas de Kazuo Ishiguro ou Haruki Murakami.

Há mais ainda: no instante que quisermos podemos sempre saltar de volta do conforto dos nossos lares para os inseguros séculos passados ou para os impossíveis séculos futuros, seja em nossas próprias cidades ou na Europa, na Antártida, na África, nos áridos sertões de Guimarães Rosa ou Rachel de Queiroz.

Livros nos permitem viver em um estado de liberdade quântica que jamais nenhum outro ser vivo, ao menos em nosso planeta, experimentou.

Arte em geral (e livro em específico) é, no fim, apenas uma belíssima estratégia de emprisionar tempos e espaços. Estratégia viável tanto pelos artistas e escritores, que dedicam-se a congelar momentos em forma de histórias, quanto a espectadores e leitores que, a cada passada de olhar, a cada atenção dedicada, esticam esse tempo até a eternidade.

Só a física quântica pode explicar essa tão fantástica relação entre artista, arte e espectador.

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Quando nossas histórias imortalizam a História

A última coisa que pretendo aqui é escrever qualquer coisa – absolutamente qualquer coisa – de cunho político. Se tem uma coisa que uma empresa de autopublicação adota como sagrado, afinal, é a livre expressão e o respeito à opinião de todos.

Ainda assim, não dá para não observar tudo o que está ocorrendo com o nosso país de um ângulo mais… digamos… profissional.

Sim, porque todo e qualquer movimento dramático de capte as atenções de um país inteiro, levando multidões às ruas e elevando o estado geral de ânimos, merece um respeito além do normal.

Quer acreditemos em um lado ou outro, nenhum de nós pode negar que estamos testemunhando, em primeira mão, a História ser feita. Estamos com uma chance rara de poder inclusive arriscar palpite sobre o que dominará capítulos inteiros de livros que ainda estão por ser escritos, vendidos, adotados em escolas, base de formação de estudantes que ainda sequer nasceram.

E aqui vale uma análise mais fria, mas não menos importante: para escritores, aqui nasce quase que uma responsabilidade de passar para as gerações futuras um pouco da noção de como era viver nesses tempos tão insanos que vivemos. Porque veja: não é nos livros factuais, didáticos, que aprendemos o que foi a Revolta de Canudos, a II Guerra, a Revolução Francesa. A esses, cabia apenas a responsabilidade pro-forma de nos fazer decorar o passado – algo totalmente diferente de entendê-lo.

Um Conto de Duas Cidades, do Dickens, ou os Miseráveis, de Victor Hugo, dizem mais sobre a Revolução Francesa que qualquer livro de história. A Dor, de Marguerite Duras, vai muito, muito além das obras tradicionais sobre aqueles tão negros tempos dos anos 40. A Guerra no Fim do Mundo relata de maneira muito mais emocional aqueles fatos tão pouco secos que varreram os sertões baianos em tempos de Conselheiro.

E porque digo isso? Porque, em sua maior parte, essas são obras que têm romances como protagonistas e histórias como pano de fundo.

Exatamente como na vida real.

Nesse sentido, nós, autores, temos a oportunidade de escrevermos histórias sobre o que quer que seja usando esse momento dramático brasileiro justamente como pano de fundo.

É isso, muito mais que qualquer reportagem do Estadão, da Globo ou da Folha, que imortalizará os nossos tempos.

É hora de criarmos a visão que nossos descendentes terão da nossa história.

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Celebre-se: escreva a sua história

Se você escreveu um livro e o publicou, não esqueça de celebrar-se.

Não digo aqui para se abraçar e se beijar, claro – embora isso também não seja um mau conselho dado que escrever um livro é um marco incrível. Mas digo para organizar o seu próprio evento, o seu lançamento.

O motivo? São poucos os momentos em que você conseguirá reunir tantos interessados – incluindo família e amigos – com o objetivo de dar ignição às suas vendas.

Em um lançamento, dezenas ou centenas de pessoas – dependendo das suas redes sociais (virtuais ou não) se reunirão para comprar um pedaço da sua mente, para garantir que olhos percorrerão os papeis que escreveu, para espalhar a sua palavra.

Daí, muita coisa pode acontecer. Pode ser que seu livro viralize e alcance novos mundos; pode ser que você seja catapultado para os holofotes literários; ou pode ser que você viva o auge da vida do seu livro ali mesmo, naquele evento.

Mas, seja como for, não há como perder: se é no livro que uma história se escreve, é também no seu lançamento que o autor vira protagonista.

Isso sem contar, claro, que as opções de lugares são imensas, em qualquer cidade do país. Qual livraria não aceita negociar ou mesmo dar espaço, afinal, para que autores levem hordas de leitores dispostos a comprar livros em seus domínios? Normalmente, é uma questão de ir até a sua preferida e negociar uma data. Simples assim.

Tem um livro publicado aqui no Clube? Então não perca tempo: organize já seu evento de lançamento. Escreva melhor a sua história.

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