Quem mais ganha com essa crise distópica do mercado editorial brasileiro?

Em uma palavra: a Internet

Por que? Simples: a consequência imediata de uma crise cujo epicentro está nas duas maiores redes de livrarias físicas do Brasil é o desabastecimento de seus estoques locais. Sem receber pelos seus livros, as editoras não têm alternativa senão parar de entregá-los – seja de maneira consignada ou vendida – para empresas que se tornaram suas devedoras. O que elas estão fazendo, então? Buscando outros canais de venda, seja em marketplaces ou em livrarias online mais flexíveis, onde possam se fazer praticamente onipresentes sem a necessidade de entregar volumes grandes de exemplares físicos. Na Internet, afinal, o “produto físico” precisa existir apenas depois da venda, o que viabiliza modelos disruptivos e perfeitos como a impressão sob demanda. 

Mas e sob a ótica do consumidor, a que realmente importa?

Basta se colocar no lugar dele e imaginar uma jornada de compra tradicional: ele vai a uma livraria física, busca um livro e recebe de volta a informação de que o mesmo está fora de estoque. Ele faz isso uma, duas, três, quatro vezes. E, na medida em que o desabastecimento dos estoques das grandes livrarias físicas vai crescendo por conta de suas crises particulares, são cada vez maiores as chances dele ouvir um, dois, três, quatro respostas negativas. 

Se o consumidor estiver decidido a comprar um determinado livro, ele vai desistir por não encontrá-lo na sua Saraiva local? Pode até ser que sim… mas não é o que o leitor determinado costuma fazer. Desanimado com o prospecto de achar o que deseja nas ruas, ele rapidamente saca o seu celular e faz a busca na Internet. 

E lá, na Internet, ele certamente encontrará o que busca – seja no Clube de Autores, que imprime 100% sob demanda e que já está recebendo volumes imensos de títulos de pequenas e médias editoras, seja na Estante Virtual, que une em rede milhares de sebos espalhados pelo país, seja nos próprios e-commerces das livrarias tradicionais que, com centros de distribuição maiores, tendem a ter mais estoque que as suas unidades físicas dispersas Brasil afora. 

Aos poucos, de compra em compra, essa “solução” vai deixando de ser uma exceção e passando a se transformar em hábito, em cultura. Afinal, se os livros buscados passam a ser raros em livrarias físicas, mas facilmente encontráveis em diversos sites, por que sequer perder tempo caçando-os em lojas físicas? 

Em nossa opinião, nenhuma das duas grandes redes de livraria atualmente em recuperação judicial – Cultura e Saraiva – morrerão. São empresas grandes e representativas demais para sumir assim em um mercado que demanda cada vez mais livros. Elas se reestruturarão, mudarão seus processos e modelos e se readequarão. Serão forçadas a serem mais sustentáveis, o que acabará salvando-as. 

Mas, enquanto se repara o avião em pleno vôo, vai-se deixando como legado um efeito colateral importante: a crescente consolidação do hábito de se comprar livros pela Internet em detrimento de lojas físicas. 

E este hábito, por si só, abre tantas possibilidades para se agregar mais eficiência ao mercado que todos, leitores, autores, editores e até mesmo livreiros, já devemos comemorar. 

 

 

Leia Mais

Quais os melhores programas para se escrever um livro?

Dentre tantas opções, quais as mais práticas para você?

Já abro o post deixando uma coisa extremamente clara: o mais importante para se escrever um livro não é o programa, mas sim a história. E não estou falando aqui apenas de uma boa ideia para um enredo, mas sim da história inteira – sua estrutura, sua cadência, sua revisão ortográfica e gramatical, enfim… tudo o que o leitor for efetivamente ler. Neste sentido, caso tenha qualquer dúvida maior, recomendo que acesse esse post aqui com algumas dicas importantes para se escrever um livro.

OK… mas ter uma história bem estruturada na cabeça não significa, necessariamente, conseguir fazê-la magicamente pular para o papel e para todos os formatos que você precisará para que seu livro esteja no caminho para o sucesso. O motivo para isso é relativamente simples: além de uma diagramação bem feita para que seu livro seja mais gostoso de se ler (nada daquelas páginas com fonte minúscula e sem espaçamento que impõe preguiça ao leitor!), há toda uma questão técnica fundamental que precisa ser levada em conta.

As questões fundamentais (tamanho, PDF e ePub)

Primeiro, seu livro precisa estar no “tamanho” certo. Aqui, no Clube de Autores, trabalhamos com toda uma variedade de tamanhos (A5, A4, pocket e quadrado) – mas se eles não forem respeitados, o próprio sistema não aceitará a sua obra. Vale a pena dar uma olhada nesse post aqui que, além de modelos de documentos para download, traz algumas dicas relevantes.

Em segundo lugar, o seu livro precisa ser facilmente convertido para PDF. Essa regra é sagrada, aliás: sem um PDF, você não conseguirá publicá-lo aqui no Clube em formato impresso (que, hoje, corresponde a mais de 85% de todas as nossas vendas e de mais de 95% das vendas do mercado brasileiro). Normalmente, os próprios programas editores de texto já permitem a conversão para o formato PDF. De qualquer maneira, caso precise, recomendamos o uso desse site gratuito aqui.

Em terceiro lugar, há outro formato importante que você deve considerar: o ePub. Apesar de grande parte das lojas de ebook (como o Google Play, por exemplo) trabalharem com PDF para os livros eletrônicos, outras (como Apple iBooks e Kindle) operam apenas com o formato ePub.

O ePub, na prática, é o modelo mais “perfeito” para ebooks que existe pois, diferentemente do PDF, permite que se navegue com maior liberdade pelo arquivo (incluindo se aumentar ou diminuir fontes mais à vontade, para ficar apenas nesse exemplo). considerando que a imensa maioria dos brasileiros lê ebooks em seus celulares, o ePub é muito mais aconselhável que o PDF. E, a propósito, é possível publicar um PDF para o formato impresso e um ePub para o eletrônico no Clube de Autores, que fará a distribuição da sua obra literária para todas as grandes livrarias em todos os formatos.

O problema de ePub é que sua conversão não é exatamente tão simples quanto no caso de PDF, principalmente se seu livro tiver imagens ou tabelas. Nesse caso, recomendamos mesmo que contrate algum profissional especializado (como esses aqui). A conversão não costuma ser um serviço caro, mas é essencial. Ainda assim, se seu livro for essencialmente composto por texto, você conseguirá trabalhar com algumas ferramentas que fazem a conversão automática e gratuita – e, nesse sentido, vale testar.

Os melhores programas para se escrever um livro

Talvez o título ideal dessa seção não devesse ser exatamente este: “melhor”, afinal, costuma ser uma palavra individual ou pessoal demais. Ainda assim, arrisco algumas sugestões práticas com base no que mais vemos escritores utilizando e recomendando por aqui.

MS Word

Não pretendo me alongar muito nesse aqui. O Word, da Microsoft, é o editor de texto líder de mercado e, de longe, o mais utilizado. é seguro, permite se trabalhar seu livro nos diversos tamanhos possíveis e já consegue gerar o arquivo em formato PDF. Isso sem falar, claro, com a possibilidade de se fazer revisões mantendo os textos originais, o que também facilita – e muito – o processo de leitura crítica e de revisão ortográfica e gramatical.

O Word, portanto, apesar de ser o “avô” dos editores de texto, é ainda o mais utilizado e o mais fácil, prático.

Google Docs

O Docs é a versão do Google para o Word. Sua aparência é semelhante e suas possibilidades técnicas, idem… mas ele tem uma vantagem e uma desvantagem importantes.

A grande vantagem é que tudo o que você fizer ficará automaticamente salvo na nuvem, vinculado à sua conta no Google – o que é uma mão na roda. Há também aplicativos gratuitos para smartphones e tablets, além do bom e velho navegador, o que garantirá a você a possibilidade de escrever sempre que precisar ou desejar. Isso sem contar com outro ponto importante: a possibilidade de compartilhamento do arquivo com seus revisores ou críticos, que poderão acrescentar comentários ou observações extremamente úteis a você.

A grande desvantagem aparece quando você precisa acrescentar imagens no arquivo. Não que seja impossível, claro – mas o processo de fazer upload de uma imagem para a galeria do Docs e depois posicioná-la da maneira desejada é, para dizer o mínimo, chato.

yWriter

O yWriter não é exatamente um programa feito para quem já não tenha uma grande intimidade com tecnologia – mas é extremamente eficiente. Com versão para Mac e Windows, ele permite se acompanhar mudanças, registrar os movimentos dos seus personagens, organizar a história em linhas de tempo e cenários e até mesmo reagrupar trechos da história.

Eu não diria que seja exatamente um aplicativo facílimo mas, se você já for relativamente íntimo de tecnologia, vale experimentar.

Scrivener

O Scrivener é um dos mais famosos aplicativos para escritores em todo o mundo. Ele tem muitas das características do yWriter mas, ao menos na minha opinião, é mais intuitivo e prático. É, de certa maneira, uma mescla entre um editor de texto e um gerenciador de projetos, incluindo desde possibilidades de anotações técnicas à elaboração de linhas de tempo. Também já exporta – e com alta qualidade – para os formatos PDF e ePub, o que pode quebrar um bom galho.

O ponto negativo? Ele é pago (entre US$ 40 – U$ 45).  De toda forma, vale muito conferir: não é à toa que o Scrivener é tão utilizado no mundo afora.

ZenWriter

É uma espécie de meio termo entre o MS Word e o yWriter ou mesmo o Scrivener. Na prática, a grande vantagem do ZenWriter é a experiência de se escrever: quando se inicia um texto, ele “domina” a tela inteira e gera uma sensação de imersão absolutamente inspiradora.

Há também uma biblioteca de inspiração, mas, honestamente, não vi tanta utilidade prática nela (embora seja minha opinião pessoal e não uma realidade escrita em pedra).

O ZenWriter também é pago – US$ 17,50 – e, da mesma forma que o Scrivener, tem apenas a versão em inglês. Ainda assim, vale conferi-lo.

StoryBook

Não vou dizer que o StoryBook esteja na minha lista de preferidos (como o Scrivener, por exemplo): ele tem um aspecto esquisito e uma experiência inversamente proporcional, por exemplo, ao ZenWriter.

Ainda assim, ele inegavelmente auxilia na organização e na estruturação do enredo. Por ser gratuito, talvez valha experimentar o StoryBook como uma espécie de introdução a esse universo de programas para escrever livros mais profissionais.

Scapple

Eu não chamaria o Scapple de um programa perfeito para se escrever livros – mas a facilidade de se organizar ideias e enredos nele é excepcional. Há como se criar mapas interrelacionados, estruturas cronológicas, árvores de personagens e toda uma gama possibilidades que garantirão mais coerência a qualquer enredo mais complexo.

Há mais programas por aí? 

Há, sem dúvidas! Mas esses 7 que listamos aqui acabam, de certa forma, sintetizando toda uma série de possibilidades interessantes para escritores. E, embora alguns deles (como o Scapple, por exemplo) funcionem melhor em conjunto com outro (como o Google Docs ou mesmo o Word), todos acabam suprindo necessidades importantes de escritores.

Nossa recomendação principal, aqui, é que você teste, experimente. Mesmo os pagos costumam ter suas versões gratuitas para demonstração, que costumam ser um caminho interessante para que você se familiarize e descubra se se sentirá ou não à vontade.

Mas não se esqueça: o mais importante não é o programa, é a sua história e a maneira com que ela foi/ está sendo escrita. Tendo ela escrita, tudo passa a ser uma questão de como trabalhá-la para que ela se transforme no livro dos seus sonhos (e dos sonhos de seus leitores, claro).

Tem alguma dúvida? 

Seja sobre programas ou sobre o próprio processo de se publicar um livro (veja mais informações aqui), basta nos escrever por aqui pelo blog ou pela área de dúvidas em nosso site. O Clube de Autores, afinal, nasceu justamente como um lar para autores independentes, e reunimos aqui um compilado de experiências que se somam desde a nossa fundação, em 2009 :)

Aliás, se você ainda não nos conhece, recomendo que reserva alguns poucos minutinhos e acesse o nosso site (clique aqui), navegue pela plataforma e descubra como publicar seu livro gratuitamente em todos os formatos e ainda tê-lo distribuído pelas maiores livrarias do país (como Estante Virtual, Cultura, Amazon, Mercado Livre, Kindle, Apple iBooks, Kobo, GoogleBooks e muitas outras!)

Leia Mais

Números reais que cismam em negar que o mercado do livro realmente esteja em crise

Quem lê as notícias e colunas e relatos e desabafos de velhos editores sobre o mercado do livro corre o risco de achar que, em um futuro brevíssimo, ninguém mais lerá no Brasil. Entre campanhas mendicantes e notícias de recuperação judicial, afinal, a que outra conclusão se pode chegar? 

Pois bem: do nosso lado, das trincheiras da literatura independente, sempre falamos o oposto: não há crise com o livro uma vez que os leitores brasileiros estão cada vez mais vorazes e em maior número. O que explica as notícias negativas, então? Em nossa opinião, a falta de modernização das empresas mais tradicionais do ramo, que cismam em operar como se ainda vivêssemos na década de 80, desconsiderando o mar de novos títulos que temos todos os dias, o estilo nichado da demanda e a própria possibilidade de vender em multiformatos que vão desde o audiolivro até a impressão sob demanda (o que também praticamente destrói a necessidade de estoques tão gigantescos quanto os custos atrelados às suas manutenções).

Mas essa é so a opinião de uma empresa do mercado, certo? Errado. 

Saiamos das opiniões, então. 

Que tal deixar as notícias opinativas, tendenciosas, e olhar números brutos reais e atualizados? Todo mês, o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) publica um relatório chamado Painel de Vendas, contendo os números reais e consolidados de todo o setor. Estivéssemos mesmo em crise, os números seriam assustadores, certo? Veja então a realidade, abaixo, no atualizadíssimo relatório de outubro de 2018 (que você também pode baixar clicando aqui). Os dados abaixo refletem o período de 13/08/2018 a 09/09/2018 comparado a 14/08/2017 a 10/09/2017. 

  • Crescimento de vendas (em volume): 3,65%
  • Crescimento de vendas (em valor): 5,37%
  • Crescimento de ISBNs registrados: 6,40%

Se compararmos o período inteiro, de janeiro até setembro, houve um crescimento acumulado de 5,70% em quantidade de exemplares vendidos e de 9,33% em valores faturados.

Se quiser mais detalhes, pode baixar o relatório diretamente aqui.

Mas um crescimento de faturamento de quase 10% em um ano em que o país inteiro deve crescer algo como 1,4%, depois de uma recessão como nunca antes vimos, parece algo longe de caracterizar uma crise generalizada no setor… certo? 

 

Leia Mais

Trabalhe seu livro

Você está buscando o devido reconhecimento como escritor?

A hora é agora.

Não será, já antecipo, uma jornada fácil: há dezenas de milhares de novos escritores competindo por olhos todos os anos, meses, semanas, dias. A cada hora que passa – ainda bem – novas histórias incríveis são publicadas aqui no Clube, todas contribuindo com um movimento evolucionário sem paralelos do mercado editorial brasileiro.

E cada uma delas, claro, está atrás da mesma coisa: a atenção, a concentração, a imaginação sempre esfomeada da massa anônima de leitores.

Para autores, o mercado editorial sempre foi um dos mais ferozes campos de batalha.

O que mudou?

A democratização da oportunidade.

Se você não leu ainda os últimos posts aqui no blog sobre o Clube Select, recomendo que o faça. Pela primeira vez no mundo, livros autopublicados estão recebendo tratamentos tão sofisticados quanto os grandes bestsellers em um movimento pioneiro de desvendamento de novos talentos.

Se acredita em suas histórias e em sua carreira, publique seu livro aqui no Clube. E esforce-se, escute críticos, aprimore seu “produto”, deixe-o nas condições perfeitas para que ele possa fazer parte do acervo do Select.

Trabalhe seu livro.

Nós, daqui do Clube, faremos o possível e o impossível para apoiá-lo.

Leia Mais

Como escrever um livro?

Tem uma história para contar? Parabéns: o primeiro passo está dado.

Livros são, antes de mais nada, registros de histórias relevantes. 

Podem ser ficção, não ficção, manuais técnicos ou qualquer gênero existente: seja como for, livros são compilados estruturados de conhecimento.

Mas há algo nessa frase acima que deve ser relido: a palavra “estruturados”.

Todos, afinal temos alguma história para contar sobre alguma coisa qualquer que vivemos ou imaginamos – mas isso não significa que todos consigamos efetivamente escrever um livro de sucesso (qualquer que seja a medida de sucesso considerada) com base nessa história.

É preciso, antes de mais nada, estruturar a história, dar a ela a cadência necessária para que capte não só o entendimento do leitor, mas também – e talvez principalmente – o seu desejo em continuar lendo-a.

Assim, se você tiver uma história para contar, ótimo: já é o primeiro passo para escrever um livro. Só não se esqueça que a estrada será longa e que ainda haverá muitos passos a serem dados – muitos dos quais serão explorados aqui, neste guia, com o único objetivo de auxiliá-lo por esta inenarrável aventura que é criar mundos.

Regra # 1: Domine o seu idioma

Há uma diferença muito pouco sutil entre a história falada e a história escrita: a fala carrega tons e entonações que dificilmente podem ser replicadas pela escrita. Por este mesmo motivo, histórias faladas permitem mais liberdades com o nosso idioma, são mais soltas, mais “musicais”.

Na história escrita, tudo muda: nela, a entonação é dada pelo leitor, não pelo narrador.

A posição de uma vírgula pode quebrar todo o ritmo da frase ou mesmo alterar o seu sentido; a falta de vírgulas pode deixar o leitor com absoluta falta de ar, asfixiando a história inteira; tempos verbais errados (como usar o ‘quer que eu faço isso?’ ao invés de ‘quer que eu faça isso?’) podem assassinar a imagem do autor perante o leitor – imagem que sempre deve ser mantida no mais alto patamar pelo bem do enredo.

A história escrita depende, por óbvio, da escrita, e quanto mais mambembe, quanto mais desconectada do nosso idioma, ela for, mais difícil será cativar uma base interessante de leitores. Vemos isso no cotidiano do Clube de Autores: se há um ponto comum na imensa maioria dos livros mais vendidos aqui é que eles passaram por uma revisão profissional antes de chegarem às prateleiras.

Temos um idioma que, embora belíssimo, é carregado de sutilezas e de minuciosas regrinhas para tudo. É difícil, muito difícil, dominar todos os detalhes do português – mas usar isso como desculpa para não se aprofundar no básico não ajuda o autor em nada. Quer viver da escrita? Estude seu idioma.

Histórias bem escritas, afinal, são também histórias mais lidas, como se pode concluir por obviedade.

E bons livros têm os seus enredos bem escritos, não cuspidos de qualquer maneira em folhas em branco.

Regra # 2: Não ignore o mar de referências à sua volta

É impossível escrever bem se você não lê bem. Aliás, isso não deveria sequer ser uma questão: é um privilégio inenarrável termos, hoje, a possibilidade de ler tanto por tão pouco. Temos, ao alcance de todos, gênios como Guimarães Rosa, Mia Couto, Tolstoi. Mestres que praticamente refundaram idiomas inteiros e criaram modelos de expressão literária absolutamente revolucionários.

Como sequer querer multiplicar leitores sem antes entender como esses grandes mestres dos nossos e de outros tempos o fizeram? Ou, refazendo a pergunta: para quê desperdiçar essa base tão gigantesca de conhecimento que está ali, ao nosso alcance?

E isso porque estamos falando aqui apenas dos mestres já consagrados.

Há outros: há os escritores independentes que apenas agora começam a criar os seus públicos. E por que eles são fundamentais? Porque a literatura do futuro está sendo desenhada justamente por eles.

Há como ser um escritor incrível sem ser um leitor ávido? É possível, claro, mas não provável. E decididamente não é um caminho que pareça muito inteligente.

Quer um lugar ao sol junto aos mestres da literatura? Comece pelo caminho mais fácil e óbvio: aprenda com eles.

Faça uma lista de histórias e livros que te interessem e mergulhe neles. Leia não com um olhar leigo, mas sim como um explorador desbravando um novo universo: atente-se à cadência das frases, às palavras, às referências utilizadas, à maneira com que o autor brinca com o tempo e apresenta protagonistas e antagonistas, a toda a construção da trama.

Aliás, ao invés de apenas ler, estude as obras que considerar referências importantes para você.

Não que você precise seguir uma espécie de receita de bolo – escrever sempre dependerá de um estilo essencialmente individual. Mas o simples fato de você estudar os seus próprios mestres o fará ampliar, decisivamente, os limites da sua própria capacidade criativa.

Regra # 3: Entenda (e abrace) o zeitgeist

Zeitgeist é uma palavra alemã que significa “espírito do tempo”. Sua aplicação prática: entender qual o conjunto de valores que está efetivamente movendo uma sociedade em um dado momento para que se consiga tomar proveito disso.

O “tomar proveito”, nesse caso, significa surfar a onda de uma comoção popular já formada e, portanto, deixando algo que se queira vender (seja um produto ou uma história) com uma vantagem fundamental. E, apesar do conceito parecer recém saído das páginas de um livro de marketing, ele já era essencial há séculos.

Tome Shakespeare, por exemplo.

Todas, absolutamente todas as suas grandes peças tiveram os seus enredos baseados em fatos que estavam mexendo com o imaginário popular. Othello foi escrito quando Elisabeth I expulsava os mouros de Londres; o Rei Lear se baseou em um caso jurídico real que se transformara na grande fofoca do reino; MacBeth foi feita para celebrar, por meio de metáforas, a linhagem do monarca James I, para quem a peça foi escrita.

A receita de Shakespeare sempre foi simples (o que, ressalvo, não subtrai em nada a sua genialidade): entender o que estava movendo o povo e criar uma peça que metaforizasse o momento para angariar um tipo mais entusiasmado de atenção.

O bardo, no entanto, viveu em um tempo de poucas imensas mudanças sociais – o oposto do nosso.

Nossos tempos são mais agitados: há pequenas revoluções, por assim dizer, acontecendo a cada par de dias. Olhe para a política brasileira: não há uma só semana em que tudo não esteja na iminência de uma ruptura completa.

Olhe a política americana: não dá para dizer que a gestão Trump, com todas as suas promessas xenófobas e radicais, tenha pacificado o planeta.

Olhe para os refugiados do Oriente Médio, para a falta de preparo da Europa em recebê-los e para o absoluto caos gerado por causa disso. Olhe para o Brexit.

Olhe ao seu redor.

O mundo tende a ser um lugar muito, mas muito mais tenso do que o que já foi em qualquer ponto do passado pós revolução industrial.

E por que isso tem alguma relevância em um guia para escritores?

Porque, se nos permite a frieza, nunca um mundo entregou tantos zeitgeists e tanta inspiração para histórias.

Esse lugar quente, feito de cataclismas semanais e de radicalismos diários, é uma espécie de paraíso para mover mentes e corações e gerar clássicos talvez muito mais intensos que os da Inglaterra Shakespeariana.

Para quem está do lado de cá das prateleiras, apenas acompanhando a literatura moderna enquanto ela se forma, é um tempo que se pode traduzir no mais puro entusiasmo.

Para quem está do lado daí, escrevendo, torna-se cada vez mais imperativo saber como aproveitar bem esse nosso mundo tão inclinado a se revolucionar.

O resumo dessa regra? Busque banhar o seu enredo, de todas as formas possíveis, nos grandes temas que estiverem movendo a opinião social do seu público leitor. Acredite: só isso já servirá como um poderoso convite para que eles se entreguem de corpo e alma às suas páginas.

Regra # 4: Faça uma linha do tempo

Marguerite Duras costumava dizer que, para um escritor, escrever é um ato tão involuntário quanto respirar.

E, de fato, às vezes a maior dificuldade que encontramos é justamente evitar que ideias se transformem em frases, que frases se transformem em parágrafos e que parágrafos se transformem em capítulos com uma força tão tsunâmica que, em pouco tempo, a narrativa inteira acabe se perdendo no caos.

Não que esse caos seja de todo danoso: a livre escrita é uma ferramenta poderosa para ajudar o autor até a descobrir mais sobre a sua própria obra.

Há, no entanto, que se inserir um pouco de estrutura para evitarque a obra se perca – a começar por uma linha de tempo.

Um livro não precisa, necessariamente, seguir uma narrativa linear, partindo sempre no sentido passado-futuro. Na sua obra prima “Ghana Must Go”, a autora Taiye Selasi passeia pelas vidas de gerações de seus personagens sem nenhum tipo de receio, forçando o próprio leitor a encaixá-los cronologicamente na história.

Para a autora, no entanto, essa cronologia já estava mais que definida. Caso contrário ela facilmente se perderia e um livro fabuloso se transformaria em uma confusão incompreensível.

A lição que isso dá para escritores? Se você já tiver a sua história mais ou menos concebida, pegue um pedaço de papel e desenhe a sua cronologia.

Partindo do passado para o presente ou o futuro, anote os fatos, registre causas e consequências, insira personagens e genealogias onde achar necessário.

Este será o esqueleto da sua obra, uma espécie de linha mestra à qual você sempre poderá recorrer em caso de necessidade.

A partir daí você até poderá, para o bem do seu estilo narrativo, começar pelo final, voltar ao passado, saltar até o presente e brincar pela cronologia o quanto quiser. Mas, quando tiver dúvida sobre algum fato qualquer, sobre que antagonista impactou que protagonista por que motivo e em que momento, bastará recorrer à sua linha do tempo.

Esta será a sua estrutura perene, sagrada.

Regra # 5: Crie personalidades, não personagens

Se você já leu a obra prima Cem Anos de Solidão, do vencedor do Nobel de Literatura Gabriel García Marquez, certamente foi impactado pela árvore genealógica da família Buendía que, por gerações e gerações de nomes praticamente idênticos, chegam a confundir o leitor quanto a quem fez o que, quando e onde.

Mas… se há tanta confusão, como foi, exatamente, que esse livro se transformou em um dos maiores clássicos da história da literatura mundial?

Simples: cada um dos personagens tem uma história própria, uma personalidade marcante e absolutamente singular.

Mais do que nomes riscados em uma folha, os personagens de García Marquez têm os seus próprios medos, traumas, angústias, esperanças, ímpetos. Todos são fruto de suas sociedades, de seus tempos e de suas ambições, o que dá ao romance uma credibilidade formidável.

Mais do que isso: as personalidades são tão vivas que o leitor costuma não apenas se identificar, mas se apaixonar pela saga dos Buendías, criando um tipo de laço que costuma existir apenas aqui fora, na vida real.

O que se aprende com isso?

Que personagens precisam ser mais que nomes jogados no meio de uma história.

Quando for criar os seus, assegure-se de dar a eles uma história que inclua tudo, de medos a motivações.

Mesmo que parte dos traços de personalidade não encontrem espaço na narrativa em si, mantenha-os anotados para evitar que um determinado personagem aja de maneira incoerente com quem ele realmente for.

Regra # 6: Pesquise e crie mundos tangíveis, não cenários artificialescos

Seu livro, naturalmente, se passa em algum lugar – seja ele real ou imaginário. E mesmo que ele seja imaginário, sua imaginação certamente se baseou em algum (ou alguns) lugares reais, com auras e climas próprios.

Da mesma forma, seu livro também se passou em algum tempo. Seja na antiguidade clássica ou em um futuro distópico, o fato é que o tempo da sua narrativa certamente foi moldado e abalado por acontecimentos que fizeram todos, de personagens a cenários, chegarem onde chegaram.

Se estiver trabalhando em um romance sobre a ditadura militar brasileira, terá um enredo provavelmente abalado por um zeitgeist de medo, censura, guerra fria.

Se estiver concebendo uma história de amor nascida nos confins dos sertões nordestinos, terá um ambiente forjado pela lei do mais forte e pela escassez absoluta.

Se estiver historiando a vida do Rio de Janeiro no período imperial, perambulará sobre uma sociedade perdida entre os impulsos da modernização e o conservadorismo distópico característico de um reino europeu nos trópicos latinos.

Seja qual for o tempo e o espaço do seu romance, pesquise tudo o que conseguir.

Quais foram os personagens reais que marcaram época? Quais os fatos que movimentaram a opinião social? Quais os costumes? Quais as situações políticas? Quais os níveis de caos abalando os mundos em que suas histórias se passarão?

Da mesma forma que você deve criar personalidades ao invés de personagens, aqui é importante criar mundos próximos do que a imaginação do leitor possa entender como reais, críveis.

Regra # 7: Deixe as mãos guiarem o enredo

Se você tem uma linha de tempo, cenários críveis, personagens densos e um zeitgeist amarrando a tudo e a todos em uma mesma teia aderente, então resta a parte efetivamente divertida: escrever.

E aqui a regra é a mais simples de todas: dê espaço para que suas mãos, provavelmente já agoniadas, se derramem pelo teclado.

Nem sempre saberemos ao certo por onde começar, claro – mas, dado todo o material já colecionado sobre a história, aqui é o momento de deixar as mãos decidirem.

Busque apenas ficar a sós com o teclado e com suas anotações em algum ambiente propício à concentração e pronto. Comece.

Deixe vir uma palavra aqui, outra ali… Deixe surgir o eventual arrependimento, apagando frases inteiras e produzindo novas.

Na dúvida, recorra à suas anotações sobre a história. Se necessário, ajuste-as um pouco. Ou muito.

Mas siga.

Olhe em frente, testemunhando em primeira mão pessoas se metamorfoseando em personagens. Na imaginação, nomes passarão a se colar a faces, passados a rugas, futuros a olhares.

Encontros e desencontros inventados, e não por isso menos reais, povoarão o imaginário do escritor que ficará dali, de uma mesa discreta, arquitetando os destinos do mundo.

E que mundo, acrescente-se. Bem melhor que o de carne-e-osso, feito apenas do que vemos e não do que pensamos. O mundo de quem observa escrevendo inclui tantos pensamentos e inconscientes alheios que faz da realidade algo tão tedioso quanto uma samambaia dormindo no canto de uma sala escura.

Enquanto isso, o teclado metralha. Frases desconexas vão ganhando sentido, parágrafos vão se erguendo como que por mágica, capítulos vão se formando como cidades inteiras. Mundos inteiros vão nascendo, feitos para o deleite do seu Criador que constrói, destrói, cria e mata.

É, afinal, hora de escrever.

É hora de olhar ao redor e de voltar a imaginar as imaginações dos que passam crus, inocentes, aguardando sem saber os seus destinos serem esculpidos.

É hora de ignorar uma realidade para criar outra.

É hora de ser escritor.

Cuidados importantes

Não seja um mero relator de fatos

Qual livro é mais fidedigno: Os Sertões, de Euclides da Cunha, ou Guerra do Fim do Mundo, de Vargas Llosa?

Já começamos aqui pedindo desculpas se ofendemos qualquer um com o nosso próprio gosto literário. Não negamos, nem poderíamos negar, a poderosíssima importância histórica dos Sertões: sem ele, todo um tempo-espaço do nosso país seria desconhecido.

Mas, entre as páginas e mais páginas de dados históricos, há uma narrativa chata, insuportável, daquelas que faz o leitor questionar seriamente a sua própria sanidade caso pense em prosseguir até a última página. Os Sertões é tão linearmente verdadeiro que ele ultrapassa as fronteiras da chatice aceitável.

Mude, agora, de livro: vá para A Guerra do Fim do Mundo.

A história é a mesma: a Canudos de Antônio Conselheiro; a narrativa, por outro lado, é extremamente diferente.

Sim, há dados históricos e personagens inquestionavelmente verdadeiros. Mas há também pequenas corruptelas – como o fictício Barão de Canabrava, representando o Brasil velho e que, na vida real, provavelmente era o Barão de Jeremoabo.

Há cenas que poderiam facilmente ter existido – como diálogos entre soldados e jagunços – mas que dificilmente teriam sido exatamente aquelas, proferidos exatamente por aquelas pessoas. São alguns dos melhores diálogos de uma obra prima digna do Prêmio Nobel, acrescento.

Há realidade, sem dúvidas, algo comprovado por séries de referências históricas encontradas nos próprios Sertões de Euclides da Cunha. Mas, para aqueles momentos em que a realidade fica chata ou obscura demais, há a ficção com sua pulsação mais forte, mais densa, mais intensa.

O que, no fim, importa mais?

Uma realidade tão enfadonha quanto todas as realidades que existem, ainda que de uma densidade aterrorizante como a de Canudos do fim do século XIX, ou uma visão romanceada e, portanto, mais emocionante, dela?

A pergunta foi retórica: a verdade mais verdadeira, aquela que pode ser esticada em uma simples linha de tempo, é apenas um livro mal escrito.

A verdade que fica para a posteridade, afinal, é sempre a versão mais bem contada da história.

Veja: não estamos pregando aqui a ficcionalização de realidades. Estamos apenas reforçando que, com o objetivo de gerar mais aderência à sua obra, não se negue a lançar mão de uma imaginação… digamos… ponderada.

Observe com cautela a Lei de Tchehov

Tchekhov dizia que, se um revólver aparecesse em uma cena qualquer de uma história, é porque ele eventualmente seria disparado.

Histórias, ao menos sob a ótica do mestre russo, não tinham espaço para elementos supérfluos, para desnecessidades. Nas histórias, tudo devia ser calculado, medido, intercalado em uma relação simbiótica de causas e consequências.

Tudo devia ser construído para conduzir a concentração do leitor pela imaginação do autor: qualquer possível desvio, qualquer brecha deixada por descuido poderia soprar a imaginação do leitor para longe, fazendo-o criar versões paralelas repletas de “se’s” e costurar hipóteses que seriam, em essência, estradas abertas para a total perda de interesse no enredo real.

Tchekhov morreu em 1904.

Anos depois, um outro mestre da literatura, o japonês Haruki Murakami, publicou a sua obra prima 1Q84 – uma espécie de thriller psicometafísico tão impressionante que as suas 1.500 páginas terminam quase que em um susto só, deixando um surpreendente gosto de “quero mais”.

Em um ponto específico da história, um personagem entrega um revólver para uma amiga mencionando a “Lei de Tchekhov” e, portanto, profetizando que ela eventualmente atiraria em alguém. Ela teria que atirar, afinal.

E, no livro, há oportunidades para isso. Inúmeras.

A personagem, Aomami, chega a um ponto em que a arma vira quase uma extensão de seu próprio corpo. Mas… o livro chega ao fim e o revólver nunca cumpre o papel para o qual foi criado.

Alguns podem argumentar que, talvez, o papel do revólver tenha sido justamente esse: o de representar algo, de agregar alguma sensação de segurança para guiar a personagem pelo sempre tenso enredo. Talvez a sua própria existência tenha sido uma espécie de fim em si mesmo.

O fato, todavia, é que tanto na arte quanto na vida, histórias são invariavelmente resultados dos seus tempos.

Na Rússia do final do século XIX – a mesma de Tolstoi e Gorki, diga-se de passagem – a vida real era tão rústica e prática que uma arma não disparada simplesmente não faria sentido em nenhuma história: geraria estranheza, angústia, incômodo. No passado, tudo tinha um motivo de ser, um destino a ser cumprido – e a arte, enquanto mímica da vida, não poderia ser diferente.

Hoje, nossos tempos são outros.

Hoje, lemos livros enquanto prestamos atenção na estação de metrô que devemos saltar, assistimos à televisão enquanto navegamos no Facebook e escrevemos as nossas histórias enquanto absorvemos as críticas feitas em tempo real sobre seus trechos inacabados.

O autor de hoje é tão multitarefa quanto seu leitor: vive escolhendo, a cada piscar de olhos, a que deve prestar atenção e o que deve ignorar. Hoje, portanto, todos estamos acostumados não a uma, mas a toda uma coleção de “desnecessidades” supérfluas nos cenários das nossas vidas reais. Nossas vidas reais, arriscaríamos dizer, são muito mais recheadas de coisas supérfluas do que de elementos que realmente fazem parte dos nossos destinos.

O próprio conceito de destino mudou: de algo pre-determinado e imutável ele se metamorfoseou em algo essencialmente volúvel, dependente das pequenas escolhas nossas de cada dia.

No mundo de Tchekhov, um revólver não faria sentido se não fosse disparado. Era a finalidade que definia o ser, o objeto.

No mundo de Murakami, no nosso mundo atual, basta que um revólver exista para que sua função seja cumprida. O objeto em si é também a sua própria finalidade.

E isso muda toda a forma com que interpretamos as grandes obras dos nossos tempos de uma maneira revolucionária, somando sutilezas nos enredos que tendem a acrescentar muito mais sentido a cada capítulo, a emprestar muito mais realidade à ficção.

Para quem costuma achar que a “boa literatura” já estava morta (algo infelizmente corroborado por fatos como Bob Dylan receber o Nobel ou José Sarney ser membro da Academia Brasileira de Letras), é bom despir-se de preconceitos e ler novos livros com novos olhos.

As obras primas de hoje são muito mais complexas, sutis e densas que as do passado: os novos autores estão revolucionando a literatura como em nenhum outro tempo da nossa história.

O que isso tudo importa para você, escritor?

Simples: seja simples, mas não simplório, na construção de seus cenários e de suas tramas. Se quiser, acrescente objetos que sirvam apenas para agregar valor ao contexto – mas cuidado para não deixar o seu leitor perdido, com uma interrogação presa na mente.

Você não precisa seguir à risca a Lei de Tchekhov – mas isso não significa que precise também desprezá-la completamente.

Dicas de George Orwell sobre como escrever bem

Já que tanto falamos sobre mestres e referências, por que não abrir uma seção de dicas partidas exatamente de um deles?

George Orwell é, provavelmente, um dos escritores mais lidos do mundo. Autor de A Revolução dos Bichos e 1984, ambos com uma concepção distópica de sociedades “pseudo-comunistas”, ele cativou leitores por todo o planeta.

Boas ideias para livros, no entanto, são apenas parte da fórmula de sucesso de qualquer escritor. Além disso – e de outros ingredientes como, por exemplo, pitadas de sorte e competência em autopromoção – há que se escrever bem. Claro.

E não é que Orwell criou uma espécie de manual para se escrever bem? Veja as suas seis regras abaixo:

  1. Nunca use uma palavra longa quando uma curta resolver
  2. Se for possível cortar uma palavra de um texto, corte
  3. Nunca use a voz passiva quando puder usar a voz ativa
  4. Nunca use metáforas ou comparações que já forem “lugar-comum” (e que, portanto, você já tiver visto inúmeras vezes)
  5. Nunca use um termo em inglês ou em jargão científico quando conseguir substituir por algo mais corriqueiro, simples de ser entendido
  6. Se necessário, quebre qualquer uma dessas regras para evitar dizer algo que soe tosco

Tudo bem que não há um livro de receitas para se escrever livros – mas não custa nada beber um pouco da sabedoria dos que já trilharam, com sucesso, o caminho que estamos buscando. Não é verdade?

Livro escrito é livro pronto?

Não: um original escrito deve ser considerado como um rascunho do que o seu livro realmente será.

Há ainda outros pontos que precisam ser endereçados antes dele ser efetivamente lançado, incluindo leitura crítica, revisão ortográfica e gramatical, capa e diagramação, ISBN etc.

Aliás, temos um post bem completo sobre como fazer o registro do ISBN, sendo esse um processo que costuma ser um pouco mais burocrático, e outro aqui com todas as etapas de lançamento de um livro.

Mas esse é um segundo passo, dado apenas depois que seu livro estiver devidamente escrito e que você se sentir razoavelmente confortável com o resultado.

Quer mais informações sobre como lançar um livro? Fizemos um post aqui no blog do Clube de Autores que certamente poderá ajudá-lo. Acesse, leia e tenha uma boa sorte com seu livro!

 

Leia Mais