1Q84 e a Lei de Tchekhov

Tchekhov dizia que, se um revólver aparecesse em uma cena qualquer de uma história, é porque ele eventualmente seria disparado. 

Histórias, ao menos sob a ótica do mestre russo, não tinham espaço para elementos supérfluos, para desnecessidades. Nas histórias, tudo devia ser calculado, medido, intercalado em uma relação simbiótica de causas e consequências.

Tudo devia ser construído para conduzir a concentração do leitor pela imaginação do autor: qualquer possível desvio, qualquer brecha deixada por descuido poderia soprar a imaginação do leitor para longe, fazendo-o criar versões paralelas repletas de “se’s” e costurar hipóteses que seriam, em essência, estradas abertas para a total perda de interesse no enredo real.

Tchekhov morreu em 1904.

Anos depois, um outro mestre da literatura, o japonês Haruki Murakami, publicou a sua obra prima 1Q84 – uma espécie de thriller psicometafísico tão impressionante que as suas 1.500 páginas terminam quase que em um susto só, deixando um surpreendente gosto de “quero mais”.

Em um ponto específico da história, um personagem entrega um revólver para uma amiga mencionando a “Lei de Tchekhov” e, portanto, profetizando que ela eventualmente atiraria em alguém. Ela teria que atirar, afinal.

E há oportunidades para isso. Inúmeras.

A personagem, Aomami, chega a um ponto em que a arma vira quase uma extensão de seu próprio corpo. Mas… o livro chega ao fim e o revólver nunca cumpre o papel para o qual foi criado.

Alguns podem argumentar que, talvez, o papel do revólver tenha sido justamente esse: o de representar algo, de agregar alguma sensação de segurança para guiar a personagem pelo sempre tenso enredo. Talvez a sua própria existência tenha sido uma espécie de fim em si mesmo.

O fato, no entanto, é que tanto na arte quanto na vida as histórias são invariavelmente resultados dos seus tempos.

Na Rússia do final do século XIX – a mesma de Tolstoi e Gorki, diga-se de passagem – a vida real era tão rústica e prática que uma arma não disparada simplesmente não faria sentido em nenhuma história: geraria estranheza, angústia, incômodo. No passado, tudo tinha um motivo de ser, um destino a ser cumprido – e a arte, enquanto mímica da vida, não poderia ser diferente.

Hoje, nossos tempos são outros.

Hoje, lemos livros enquanto prestamos atenção na estação de metrô que devemos saltar, assistimos à televisão enquanto navegamos no Facebook e escrevemos as nossas histórias enquanto absorvemos as críticas feitas em tempo real sobre seus trechos inacabados.

O autor de hoje é tão multitarefa quanto seu leitor: vive escolhendo, a cada piscar de olhos, a que deve prestar atenção e o que deve ignorar. Hoje, portanto, todos estamos acostumados não a uma, mas a toda uma coleção de “desnecessidades” supérfluas nos cenários das nossas vidas reais. Nossas vidas reais, arriscaria dizer, são muito mais recheadas de coisas supérfluas do que de elementos que realmente fazem parte dos nossos destinos.

O próprio conceito de destino mudou: de algo pre-determinado e imutável ele se metamorfoseou em algo essencialmente volúvel, dependente das pequenas escolhas nossas de cada dia.

No mundo de Tchekhov, um revólver não faria sentido se não fosse disparado. Era a finalidade que definia o ser, o objeto.

No mundo de Murakami, no nosso mundo atual, basta que um revólver exista para que sua função seja cumprida. O objeto em si é também a sua própria finalidade.

E isso muda toda a forma com que interpretamos as grandes obras dos nossos tempos de uma maneira revolucionária, somando sutilezas nos enredos que tendem a acrescentar muito mais sentido a cada capítulo, a emprestar muito mais realidade à ficção.

Para quem costuma achar que a “boa literatura” já estava morta (algo infelizmente corroborado por fatos como Bob Dylan receber o Nobel ou José Sarney ser membro da Academia Brasileira de Letras), é bom despir-se de preconceitos e ler novos livros com novos olhos.

As obras primas de hoje são muito mais complexas, sutis e densas que as do passado: os novos autores estão revolucionando a literatura como em nenhum outro tempo da nossa história.

NW cover

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Escolha a citação que preferir

Todas são de uma das maiores mestras da literatura mundial, Marguerite Duras.

E todas são sobre isso que tanto todos aqui amamos fazer: escrever.

Escolha uma ou fique com todas. Seja como for, certamente os pensamentos abaixo abrilhantarão, e muito, o dia :-)

Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído.

Os homens gostam das mulheres que escrevem. Pensam-no, mas não o dizem. Um escritor é um país desconhecido.

Se eu não tivesse escrito teria me transformado numa alcoólatra sem cura.

Posso dizer o que quiser, nunca saberei o motivo pelo qual se escreve, nem como não se escreve.

Caminhais em direção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros.

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Clube de Autores chega na Croácia

Olha que coincidência…

Na semana que começamos a divulgar a nossa distribuição em livrarias, um dos autores daqui do Clube, Ivonei Souza Trindade, nos envia uma notícia sobre uma matéria publicada no Total Croatia News sobre seu livro! Uma coisa não tem nada a ver com a outra, claro – mas exemplifica os bons ventos que autores independentes estão sentindo neste ano.

Deixamos, abaixo, o print e o link para a matéria – que recomendo fortemente que leiam, claro.

E, para saber mais sobre o livro, cuja sinopse também deixo abaixo, é só clicar aqui.

Sinopse:

Este trabalho é uma análise sobre o Caso Pavle Strugar no âmbito da proteção de bens culturais em caso de conflito armado. Pavle Strugar foi julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia e condenado a mais de 7 anos de prisão. Obra importante para os que possuem interesse em áreas como direito internacional penal, direito internacional do patrimônio cultural e funcionamento da UNESCO.

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Clube de Autores começa a distribuir livros impressos na Estante Virtual

Desde o começo desta semana, todos os livros impressos publicados no Clube (cuja distribuição tiver sido autorizada pelos autores) já estão disponíveis na Estante Virtual.

A partir desta semana, começamos efetivamente o processo de distribuição para muitas das maiores livrarias online do Brasil – o que deve multiplicar substancialmente o tamanho da audiência dos livros publicados aqui no Clube.

A partir desta semana, os livros publicados aqui no Clube deixam o nosso próprio ambiente, a nossa própria loja, para ganhar o mundo.

A partir desta semana, uma nova história começa a ser escrita para os autores independentes brasileiros.

A Estante é apenas a primeira livraria. Ainda haverá outras – muitas outras – que começarão a disponibilizar os nossos livros em uma questão de dias.

Parabéns a todos vocês. Parabéns a todos nós.

Quer saber se seu livro está lá na Estante? Simples: clique aqui (www.estantevirtual.com.br) e busque-se :-)

Para entender melhor as regras de distribuição, veja o texto abaixo:

Hoje, quando se autoriza a distribuição de ebook pelas lojas virtuais (Apple, Google, Amazon etc.), se aceita também regras novas de remuneração para que possamos incluir o repasse financeiro de parte do preço de capa para essas lojas. As regras que adotamos aqui serão as mesmas. Ou seja: 

Se seu livro custar, hipoteticamente, R$ 35,00 no Clube, dos quais R$ 5,00 são de direitos autorais, este montante continuará valendo apenas para vendas feitas através do site do Clube. Caso o livro seja vendido, por exemplo, via Amazon, a sua remuneração será fixa de 20% sobre o preço final – ou seja, de R$ 7,00. Apenas para frisar: custe o que custar o livro, o preço no Clube ou nas lojas será o mesmo e, no caso de vendas pelas lojas, o autor receberá sempre 20% do preço de capa. 

Se você já tem um ebook autorizado a ser distribuído, não precisará fazer nada – a mesma regra se aplicará ao impresso. Caso não tenha e deseje distribuir o seu livro pelos canais, basta que vá a Sua Conta, clique em Livros Publicados, clique no botão de ações e vá a Gerenciar Publicações em Livrarias, seguindo as instruções na tela. 

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Papel Pólen (amarelo) disponível no Clube!

Essa era uma demanda antiga, muito antiga dos autores – e finalmente conseguimos viabilizá-la aqui no Clube!

Desde o começo da semana passada, começamos a disponibilizar a opção de papel pólen (aquele amarelo) para os livros. Ele se juntará, portanto, a uma opção grande que inclui papéis offset e couché, de diferentes gramaturas, para que os livros fiquem com o formato que o autor preferir!

Há apenas uma questão importante aqui: livros que já estiverem publicados não podem ter seus tipos de papel “trocados” no site. O motivo é relativamente simples: como cada papel tem a sua gramatura específica, trocar a opção de um livro já publicado acabaria forçando todo um novo cálculo de lombada (pois a gramatura das folhas impacta diretamente no tamanho da lombada), de peso, de tabela de fretes etc. Nesses casos, a única opção é publicar um livro novo, começando o processo novamente como se ele não estivesse no ar antes. O autor pode, no entanto, deixar ambas as opções disponíveis no ar para que o leitor escolha (evitando perder assim o histórico de vendas e selos da sua obra).

Enfim, essa é a boa nova da semana :-)

Teremos mais em breve!

 

 

 

 

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