Que tal voltar à escola?

Se você ainda é estudante, por favor ignore este post.

Se não é, considere.

Recentemente, embalado por alguns livros de história, me peguei lendo outros que marcaram a literatura dos seus períodos como maneira de entender melhor as decisões que transformaram o nosso país no que ele é hoje. Isso inclui os poetas do arcadismo de Ouro Preto, abolicionistas como Castro Alves, realistas como Machado de Assis etc.

Acabei me dando conta de uma coisa: a riqueza literária produzida por esses tantos gênios filhos da pátria acaba relegada a um infeliz segundo plano no âmbito do estudo secundarista. Em muitos casos – e aqui falo por mim – um estudante simplesmente não tem maturidade para entender, com a devida profundidade, os contos de Álvares de Azevedo ou as narrativas de Raul Pompeia.

E talvez essa lacuna acidental em nossa educação literária tenha sido uma das responsáveis pela nossa geração (novamente, falo por mim) ser a que menos lê em toda a história brasileira.

O bom é que sempre há tempo de mudar – começando portam volta às aulas. Partamos, portanto, das primeiras letras da história literária brasileira. Como essa playlist abaixo que, embora talvez excessivamente básica e focada em provões que eu pessoalmente desprezo (como o ENEM), pode nos mínimo indicar alguns caminhos interessantes…

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O bem vindo fim das escolas literárias

Ao aprender literatura, nos acostumamos a dividir o tempo por períodos. Passeamos, assim, por humanistas como Gil Vicente, por classicistas como Camões, pelos arcadistas revolucionários que fizeram a Inconfidência, por românticos como José de Alencar e realistas como Machado de Assis. 

Essas escolas literárias, se assim pudermos chamá-las, tinham definições claras: por mais que cada autor tivesse seu próprio estilo, todos seguiam mais ou menos a mesma estrutura temática e encaravam o mundo pelas mesmas lentes. Pudera: o mundo, no passado, era relativamente uniforme. 

Não digo que não houvesse desigualdade nos séculos passados – o ponto aqui é outro. É que as desigualdades eram todas extremamente homogêneas. Eram tempos lentos, vagarosos, onde ideias levavam décadas ou mesmo séculos para se assentar. E, por isso mesmo, eram tempos que permitiam a maturação de movimentos e que traziam assim vantagens claras para toda a classe artística. 

Afinal, a partir do momento em que um grupo de autores gerava histórias com base nos mesmos preceitos estético-filosóficos, eles também se “autodivulgavam” em bloco e se ajudavam simbioticamente na formação de um público leitor cativo. Havia comunidade – uma comunidade coesa, útil, traduzida em círculos intelectuais formadores de opinião e difusores máximos de correntes de pensamento. Há como imaginar, por exemplo, um Mário de Andrade sem um Oswald de Andrade ou um Guimarães Rosa sem uma Clarice Lispector? Não é só que um tenha influenciado ou inspirado o outro: todos, juntos, formavam ondas coesas de difusão de suas óticas comuns da realidade. 

E hoje? Que escolas literárias consolidadas temos nos nossos tempos? 

Faço essa pergunta e escuto vácuo. 

OK, serei menos injusto: temos o realismo fantástico, para ficar em apenas um exemplo. Temos a literatura da perifa para ficar em outro. Temos ondas de biografias não autorizadas e de obras políticas neo-maquiavélicas que tem sido frequentemente consideradas como movimentos literários à parte. Temos muitas ondas e as vemos todas aqui no Clube de Autores, berço orgulhoso da literatura independente brasileira. 

Ondas, no entanto, não são escolas formadas, maduras. Ao contrário: há tanta coisa paralela rodando e com ciclos de vida tão apaixonadamente efêmeros que dificilmente podemos considerar uma nova escola literária com a força homogênea que o romantismo teve para o século XIX ou que o modernismo teve para a primeira metade do século XX. 

O motivo? A absurda quantidade de informação que cruza nosso mundo moderno e inspira a nossa forma de ver o mundo. 

Há tanta referência, tanta coisa diferente acontecendo em simultaneidade que o resultado é um óbvio caleidoscópio de estilos literários. Quase um para cada autor, arriscaria dizer. 

Isso é bom? 

Para os autores, há quem diga que não. Escolas coesas ficam cada vez mais difíceis de existir e esse tipo de divulgação em bloco acaba se transformando em algo tão raro quanto um político honesto. No mundo do excesso de informação, é cada um por si. 

Mas pense por outra ótica.

Se não temos escolas literárias consolidadas como no passado, também não temos padrões de pensamento que precisam ser seguidos quase que à risca para que sejamos “aceitos”. Ao contrário: o mercado do “cada um por si” também pode ser redefinido como uma realidade em que dependemos apenas de nós mesmos para alcançarmos o nosso público.

Há dificuldades no caminho? Certamente. Mas as facilidades são maiores principalmente para os mais autênticos, para os que menos se enxergam como parte de convenções pre-estabelecidas.  

E, no final, não se trata de elogiar ou condenar uma realidade. Realidades são para ser encaradas, não opinadas. 

Se a literatura moderna é a mais plural, democrática e sem preconceitos que já existiu, quem precisa de uma escola literária para impor seu tradicionalismo ultrapassado?

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Escolas e criatividade

Dia desses estava conversando com um dos autores daqui do Clube sobre a educação de nossos filhos e a difícil tarefa de escolher uma escola.

Ele fez um comentário interessantíssimo: “escolhi a escola de acordo com o ranking do ENEM: as melhores classificadas ficaram automaticamente fora da minha lista”.

Seu raciocínio pode fazer pouco sentido à primeira vista – mas é perfeito. Provas grandes como ENEM e vestibular, afinal, selecionam alunos muito mais pela sua capacidade de armazenar conhecimento, de decorar. Em linhas gerais, quanto mais dados forem encaixados no cérebro da criança ou do adolescente, melhor ele tenderá a se sair nesses provões.

Mas, na prática, isso realmente prepara para vida? Ensinar a decorar realmente é o mesmo que ensinar a raciocinar, a pensar criativamente?

Confesso que concordei com o meu amigo autor.

E por que isso interessa a um ambiente como o Clube de Autores? Simples: nós lidamos, em nossos cotidianos, com a criação de histórias – e dependemos a capacidade de raciocínio de nossos leitores para que elas sejam bem recebidas, bem entendidas, envolventes.

Não vou aqui pregar outra ou a favor do sistema de ensino brasileiro – não tenho competência para isso. Mas vou, sim, deixar um vídeo extremamente curioso do TED, uma palestra em que o educador Sir Ken Robinson discute justamente a eficácia da maneira com que ensinamos as nossas crianças:

 

 

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Os movimentos literários

Se você escreve, é de se supor que seja também um ávido leitor.

E seja lá qual for o seu gosto literário, ele provavelmente é composto pela fusão de uma série de movimentos literários pelos quais a língua portuguesa passou – do barroco ao arcadismo, do modernismo ao simbolismo.

Mergulhar nos movimentos que originaram a forma de se fazer literatura no Brasil é, de certa forma, mergulhar nas origens de cada escritor, de cada estilo, de cada texto. Há, na Web, uma imensa variedade de textos sobre cada um dos movimentos – mas o site Brasil Escola reune uma espécie de resumo de cada e que pode abrir caminho para uma viagem incrível pela evolução das nossas letras.

Quer conhecer? Então clique aqui ou acesse diretamente o link http://www.brasilescola.com/literatura/ . E boa viagem!

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