Minha jornada física pela literatura

Eu amo livros. Isso deve ser óbvio para qualquer um que acompanhe este blog e o Clube de Autores como um todo – ninguém, afinal, montaria uma empresa focada em literatura se não tivesse uma verdadeira paixão pelas tantas histórias que, destravadas de suas páginas, conseguem nos transportar por tantos universos improváveis.

Mas eu tenho um outro amor egoísta também – e digo egoísta no sentido de defini-lo como algo só meu, que cuido para meu único prazer e sem compartilhar com praticamente ninguém além de mim mesmo. Eu corro.

Quando digo correr, quero dizer perambular por longas distâncias por ruas e trilhas, somando às vezes 50, 80, 100km de uma só tacada. Sim, tenho perfeita noção da esquisitisse encapsulada no próprio conceito de considerar os 42km de uma maratona como algo quase “pequeno” – mas todos temos direito às nossas próprias esquisitisses.

E por que estou falando sobre isso aqui neste blog? Porque, por obra do destino, conseguirei unir as minhas duas paixões em uma única ocasião.

No meio de agosto próximo, haverá uma corrida para a qual me inscrevi chamada Caminhos de Rosa.

Local? Sertão mineiro, mais especificamente perfazendo todo o caminho que Guimarães Rosa fez, há décadas atrás, e que está hoje registrada no “diário de bordo” A Boiada.

O caminho não incluirá apenas a rota da boiada: cortará o cenário de Grande Sertão: Veredas, ficará no encalço dos personagens do conto O Recado do Morro e chegará em Cordisburgo, capital da literatura de Rosa e de onde saíram maravilhas como Sagarana e Corpo de Baile.

Serão, no total, 140km esmagados entre a poeira do sertão e o sol inclemente que deve lançar raios que variarão entre 18 e 44 graus.

Mais do que isso, será uma maneira de entender a literatura de uma maneira muito mais crua, muito mais carnal, do que “apenas” devorando páginas debaixo do conforto do ar condicionado.

Há dois preparos que estou fazendo. O primeiro, mais óbvio, é treinar insanamente para que meu corpo esteja preparado quando agosto chegar.

O segundo, mais importante, é devorar cada palavra que puder encontrar de Guimarães Rosa.

Será uma viagem e tanto, uma maneira diferente de digerir literatura.

E, apesar de faltarem ainda tantos meses, a ansiedade já me consome como a Riobaldo enquanto ele desfiava suas histórias.

Mais uma vez, perdoe-me o leitor do blog por essa licença de despejar aqui coisas tão pessoais e tão pouco… digamos… institucionais. Mas, se não pudermos falar livremente das tantas formas de literatura em um espaço como esse, que serventia terá ele então?

Abaixo coloco o mapa literário da prova e os dados do percurso oficial.

E, se algum escritor por aí também compartilhar este estranho hábito e quiser me acompanhar, é só dar um grito!

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