5 dicas para se publicar e vender poesia

Poesia vende no Brasil? Como em qualquer lugar do mundo, isso só depende do poeta!

Há uma espécie de crença popular nos círculos literários de que poesia não vende. Pois bem: já inicio este post deixando claro que trata-se de uma crença errada.

Há pouco mais de 70 mil livros publicados aqui no Clube de Autores. Destes, cerca de 8 mil – mais que 10% – são livros de poesia. E o comportamento comercial desses livros é rigorosamente o mesmo do comportamento comercial de biografias, didáticos, técnicos, romances.

Ou seja: quando o poeta se engaja, cria um produto de qualidade (inclusive tecnicamente, com uma capa bem elaborada, ISBN que permita distribuição em livrarias, revisão, leitura crítica etc.) e monta uma estratégia de divulgação boa, ele vende; quando ele apenas publica de qualquer jeito, sem dar a devida atenção à sua obra, ela não vende. Sim: é simples assim.

E que dicas podemos dar a novos poetas que queiram ganhar mercado com suas obras?

Dica #1: Leia poesias e aforismos.

Parece uma dica óbvia, certo? Mas há uma assustadora quantidade de poetas que dificilmente toca em um livro de poesias. Ora… se você está nessa categoria, se você mesmo não se dá ao trabalho de aprender com os grandes mestres, como esperar que outros façam o mesmo com o seu trabalho?

Poesia não é apenas um conjunto mais ritmado de versos: é, sobretudo, uma dificílima arte de condensar pensamentos ricos no menor espaço possível. É dominar a arte das metáforas, é ser um microcontista, é ser um músico, é ser… bom, é ser um poeta.

E há dois mestres que eu recomendarei com intensidade aqui: Manoel de Barros e Karl Kraus.

O pantaneiro Manoel de Barros é possivelmente um dos maiores poetas de toda a nossa história, talvez um dos melhores do mundo. Arrisco dizer até que ele não deve ser apenas lido, mas estudado. Por que? Porque ele não apenas escreve: ele reinventa toda a nossa língua portuguesa, cria novas palavras, ultrapassa fronteiras linguísticas que nós sequer sabíamos que existiam.

Karl Kraus vai em um outro extremo. Satirista austríaco do final do século XIX e começo do século XX, ele ganhou fama pela sua capacidade de criar aforismos que dilaceravam reputações e derramavam ovas óticas sobre velhos conhecimentos. Apesar de não ser um poeta formal, por assim dizer, ele dominou a arte de se condensar significado em palavras como poucos no mundo.

Há, claro, incontáveis outros poetas – mas esses dois já são um belo começo.

Dica #2: Tenha carinho pelo seu livro

Sim: carinho. Essa palavra pode parecer simplória, mas acredite: ela é muito, mas muito mais importante do que parece.

Pode ter certeza de que, se você publica um livro de poesia com uma sinopse rasa, uma capa feia e sem o ISBN que garantirá a sua distribuição, ele não será vendido.

Ou colocando em outros termos: se um livro bem acabado não é uma garantia de sucesso, um livro mal acabado é, sim, uma garantia de fracasso.

Faça pelo seu livro, portanto, tudo o que você puder. Ao menos se quiser que ele venda, claro.

Nesse sentido, recomendamos que veja este post aqui.

Dica #3: Monte e execute um plano de divulgação

Romantismos à parte, um livro é um produto como outro qualquer. Se você não divulgá-lo, ninguém saberá da sua existência e, consequentemente, ninguém o comprará.

E sim: esta tarefa é sua, do autor. Esqueça aquelas ideias românticas de arrumar uma editora mágica que investirá tudo em seu talento: isso não existe hoje. Você precisará ser o seu próprio empresário.

Há aqui, duas escolhas: você pode aceitar isso, aprender e se esforçar – e recomendamos que acesse esse guia aqui, uma espécie de manual de divulgação de livros; ou você pode dar murro em ponta de faca até destruir a própria mão crendo nesse conto de fadas de que um terceiro eventualmente te descobrirá.

Dica #4: Autopublique-se

Seguindo a mesma linha da dica anterior, use e abuse da autopublicação. Onde? Aqui no Clube de Autores, claro.

Por que aqui? Porque é apenas aqui, no Clube de Autores, que você conseguirá se autopublicar gratuitamente e ainda ter garantida a distribuição pelas maiores livrarias do país, incluindo Livraria Cultura, Estante Virtual, Amazon, Mercado Livre etc. – tanto no formato impresso quanto digital.

N!ao é à toa que há 8 mil livros de poesia aqui no Clube: modéstia à parte, não há nenhuma outra plataforma que ofereça mais a poetas e a escritores do que a nossa :)

Dica #5: Você também é poesia: use-se

Uma das coisas que mais difere poetas de outros escritores é que seu trabalho pode ser tanto lido quanto ouvido.

Perca, portanto, a timidez: cace eventos e oportunidades, saraus e feiras, onde você possa entrar em uma roda e simplesmente declamar.

Use a sua voz, use o seu corpo, use a si mesmo. Um poeta é um artista e usar a sua arte para levar a sua palavra primeiro aos ouvidos do público pode ser uma estratégia excelente.

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Um pouco de poesia para fechar a semana

Poesia, sempre acreditei, é essencial para se viver. E dessa dificílima arte de condensar significado em palavras que muitos dos nossos grandes mestres, de Drummond a Manoel de Barros, ajudaram a imortalizar a nossa língua e a nos entendermos a nós mesmos.

Em homenagem a todos os poetas – tanto do Clube de Autores, onde já são quase 8 mil – quanto de todo o mundo – deixamos abaixo um vídeo com interpretações fantásticas de textos ainda mais fantásticos.

Que sirva de inspiração para todos!

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Escrever no papel é diferente de escrever no vídeo

Há alguns anos, nos deparamos com uma espécie de experiência publicada no Vimeo por um grupo português. Na prática, trata-se de uma poesia transformada em curta-metragem filmado ao vivo pelas ruas da belíssima Lisboa.

Na descrição, o grupo fala que “escrever no papel é diferente de escrever no vídeo” – mas, seja como for, o próprio conceito de contar histórias nasceu de uma tradição oral que parece estar se perdendo no tempo. Vale a pena, portanto, conferir esse belo filme: Só de Mim, do grupo Diffuse:

Só de mim from Diffuse on Vimeo.

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A força da poesia

A poesia costuma ser o gênero literário mais escrito e mais desprezado.

Temos tanto poetas quanto críticos acusando-os de serem expositores da própria definição de pieguice. Uma pena.

Schopenhauer dizia que os dois trabalhos mais fundamentais para a humanidade eram a filosofia e a poesia. Basta ler Drummond, Bandeira e João Cabral de Melo Neto para concordar.

Mas não irei no vasto arcabouço de poetas brasileiros hoje. Hoje, recorrerei a um vídeo de uma poeta de Darfour para provar o meu ponto.

Vejam o relato abaixo.

Há como entender bem o drama da realidade humana sem que ele seja contado assim, por alguém como Emi Mahmoud relatando sua fuga de um genocídio?

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A poesia está morrendo?

Escrevi em algum outro post que o mundo tem perdido suas metáforas para os discursos diretos, menos carregados de simbolismos que no passado. O papo hoje é invariavelmente reto: há, afinal, liberdade de expressão demais para se perder tempo escondendo significados em teias literárias meticulosamente engendradas. 

Não gosto disso, confesso: prefiro, e muito, o universo dos códigos multisignificantes que nos deu Shakespeare, Tolstoi, Guimarães Rosa. Mas tenho também total ciência de que minha opinião aqui é absolutamente irrelevante. 

O fato é: se poesias formam um estilo rebuscado por natureza, tão carregado de lirismo quanto de simbolismo, há como elas sobreviverem em tempos que preferem linguagens tão mais cruas? Há como imaginar Rembrandts para uma plateia que prefere pieguices políticas rabiscadas nos muros das grandes cidades? 

Olhemos o passado. 

Na época dos trovadores, a literatura era praticamente restrita a poesia. Com o tempo, parágrafos foram substituindo versos e endireitando os labirintos. Ainda tínhamos Camões e Anchietas, mas convivendo com artistas mais… digamos… literais que literários. 

Caminhemos um pouco mais. 

Sim, encontraremos Fernando Pessoa, cruzaremos com Drummond, toparemos com Manoel de Barros… mas eles passam a ser mais indivíduos únicos do que representantes de todo um tempo.

E perceba também que, aos poucos, os nomes vão ficando cada vez menos conhecidos, famosos. 

Olhe para nossos tempos. Quais os poetas mais renomados de hoje? Sim, certamente há alguns que minha falha memória não me deixa enxergar… mas esses alguns são mais sobreviventes teimosos do que amostras de um vasto universo artístico.

“Poesia é brega”, ouve-se dizer com cada vez mais frequência. “Não tenho paciência para poesia”, alguém mais completa. 

Mas a pergunta que faço é simples: há espaço para a poesia em tempos de demanda tão direta por informação nua e crua, mais óbvia que sinuosa, mais ilustrada que simbolizada? 

Torço para que sim com a mesma força que lamento que não. 

E torço também para que nossos poetas de hoje sigam na batalha construindo o mundo dos seus sonhos nos mais belos versos. Um dia, espero, o mundo dará uma de suas conhecidas voltas e eles terão o devido valor. 

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