Livros como previsões de tempo

Dia desses me deparei com um aplicativo francês absolutamente genial: o Book Weather. O raciocínio deles é simples: livros caem e saem da preferência popular de maneira tão dinâmica quanto o clima. Massas de ar quente, por assim dizer, chegam a livros e se espalham por tópicos inteiros até que “frentes frias” fazem com que uma obra ultra desejada simplesmente saia da lista de sonhos de seus leitores ou potenciais leitores.

O que eles fizeram? Criaram um algoritmo para determinar, em tempo real, a temperatura de determinado livro. Basta escanear o código de barra dele e pronto: consegue-se saber onde ele está na preferência popular e acompanhar as mais diversas críticas postadas em redes sociais.

Por enquanto, esse aplicativo não está disponível no Brasil – mas a mera ideia dele já é absolutamente disruptiva. Confira no vídeo abaixo (infelizmente apenas em inglês/ francês):

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A leitura pode transformar as pessoas?

A resposta é meio óbvia: sim. Alguém tem dúvidas disso, aliás?

Se o que nos define como seres humanos, o que nos separa de animais ditos “irracionais”, é justamente a nossa capacidade de contar histórias, esse mundo imaginário é indubitavelmente a origem nervosa de toda e qualquer transformação.

Não vou entrar no mérito aqui do tipo de resgate da leitura: na minha modesta opinião, livros tem a peculiaridade de adensar toda e qualquer capacidade de raciocínio. Adensar, no entanto, é diferente de “melhorar”, no sentido mais maniqueísta do termo. Entregue páginas e mais páginas de filosofia para um homicida psicopata e é mais provável que ele aprimore as suas técnicas de assassinato do que se converta em um coroinha.

Por outro lado, também não tenho dúvidas de que o grosso da criminalidade brasileira – e aqui excluo os criminosos mais perigosos que se escondem em nossos palácios de governo e casas legislativas – é feita de pessoas com pouca visão de futuro, de longo prazo. Nesse sentido, livros abrem horizontes verdadeiramente impressionantes e que podem fazer toda a diferença.

Nesse sentido, vale acompanhar uma iniciativa que está sendo colocada em prática no Rio Grande do Norte e que está concorrendo a um dos mais conceituados prêmios de inovação do mundo, o Innovare. O resumo: a cada livro lido, o preso tem parte da sua pena reduzida.

Copio, abaixo, parte do texto da matéria publicada no G1, cujo link é http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2016/06/com-leitura-de-livros-detentos-do-rn-concorrem-premio-nacional.html, e que explica a mecânica:

O preso inscrito no projeto tem prazo de 21 a 30 dias para ler uma obra, que pode ser literária, clássica, científica ou filosófica. Ao final, deve apresentar uma resenha sobre o livro escolhido. A comissão organizadora da unidade prisional, composta por pedagogos, avalia se o conteúdo está compatível com a obra e se não houve plágio. Em seguida, o resultado da avaliação é enviado ao juiz competente, responsável pela decisão final a respeito da remissão.

O que você acha da iniciativa?

Para ler a matéria completa clique aqui ou na imagem abaixo:

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Talvez esteja na hora de mudar o jeito de fazer as coisas: conheça o Empire Project

Contar histórias segue, faz muito tempo, uma receita relativamente simples: traçar uma narrativa linear, normalmente (embora não obrigatoriamente) em ordem cronológica e deixar o usuários digeri-la do começo ao fim.

E essa fórmula pode ter funcionado – e ainda funcionar – muito bem: mas isso não significa que ela seja a única. Recentemente, um modelo de narrativa diferente foi lançado usando livro, Web e cinema de maneira simultânea para contar uma história.

Trata-se do Empire Project – um projeto independente e que está gerando muito burburinho por conta da inovação em seu modelo narrativo. Entenda melhor o conceito (trecho extraído de um post original que fiz no IDGNow! essa semana):

O tema central da história era o impacto da colonização holandesa em todo o mundo – desde os locais mais remotos, como o Sri Lanka, até a própria cidade de Amsterdam.

Mas como responder a uma questão tão ampla como os efeitos atuais do imperialismo daquela que foi uma das maiores potências ultramarinas do planeta? E transmitindo isso de maneira adequada, completa, para uma audiência igualmente distribuída pelo globo?

A resposta encontrada pelos diretores foi inusitada: trabalhar as narrativas simultaneamente sob um ponto de vista artístico, efetivamente permitindo que a plateia fosse bombardeada por conteúdo a ponto de forçá-la a mergulhar a fundo no universo cinematográfico.

O “filme” foi dividido em quatro camadas:

1) Instalações artísticas

Nada de cinema: para ver o filme em sua forma originalmente concebida, o usuário precisaria entrar em uma das quatro caixas pretas espalhadas pelo mundo (infelizmente, sem incluir o Brasil no roteiro). Na prática, eram ambientes fechados, com monitores por todos os lados rodando histórias de maneira simultânea, tendo apenas o áudio intercalado para viabilizar o entendimento.

Por exemplo: enquanto um morador de Ghana contava um pouco da sua vida em um monitor, uma pernambucana falava sobre o dia a dia no sertão. O elo entre ambos estava no passado, por serem fruto de ex-colônias holandesas – e esse tipo de narrativa multifacetada acabou permitindo que a própria plateia ligasse um ao outro por meio dos seus hábitos, costumes e crenças, entendendo mais a fundo os detalhes e sutilezas do legado colonial. Do ponto de vista de arte, poucas coisas poderiam ser mais revolucionárias para o cinema.

2) Adaptação online

O problema com instalações físicas, no entanto, é que elas são limitadas, demandando espaço e exigindo que o usuário se locomova para poder assistir. Foi desse problema que nasceu a segunda camada do projeto: a versão online, no www.empireproject.eu. Nele, o próprio usuário consegue reproduzir a sensação das narrativas simultâneas em seu computador por meio de uma interface absolutamente inusitada, inovadora. Vale a pena navegar, nem que seja para passar pela experiência diferenciada em um site feito para contar diversas histórias (que compartilham apenas a base original) simultaneamente.

3) Livro

Todo o projeto, da idealização às histórias, foram registradas em um livro. O objetivo foi claro: documentar o documentário da maneira mais linear possível, deixando um legado mais prático para todos os que quiserem entendê-lo melhor. Nas palavras dos diretores, o livro é a história do projeto deixada à disposição de gerações futuras que quiserem entendê-lo. É curiosa a forma com que diversas tecnologias de última geração foram utilizadas para realizar o projeto – mas que o bom e velho livro foi escolhido como meio para imortalizá-la no tempo.

4) Materiais complementares

Cada vez que um projeto diferente como esse sai, uma tonelada de reportagens, artigos (como esse), fotos e filmes do making-of é gerada. Para os idealizadores, todo esse material também compõe a narrativa por um princípio óbvio mas, não obstante, ignorado por quase todos os diretores de cinema ou autores: uma história inteira só pode ser contada de verdade quando se soma sua linha temática central a todos os efeitos que ela gerou em quem assistiu.

Todo o caos iniciado pela ideia de se criar uma história feita pela soma de narrativas simultâneas, acaba fazendo parte dessa mesma história, fechando um ciclo poderoso que pode ajudar a desenhar as novas fronteiras da narrativa.

E, se contar histórias é justamente o que nós, autores, fazemos em nosso cotidiano, talvez seja hora de navegar por aí e explorar novos formatos “fora da caixa”.

Aceite uma sugestão: pare um pouco, abra uma outra janela no navegador e mergulhe no universo do www.empireproject.eu.

Boa viagem!

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Que tal um romance com apenas um ponto final?

Explorar novas formas de se escrever é sempre algo saudável para escritores – principalmente quando acabamos desbravando novos estilos com os quais podemos buscar inspiração.

Afinal, de García Marquez a Saramago, muitos dos maiores gênios da literatura praticamente criaram seus próprios dialetos ao brincar com palavras, concordâncias e pontuações, usando a forma (em uma espécie de licença poética gramatical) como um dos ingredientes das tramas.

Pois bem: o alemão Friedrich Christian Delius decidiu radicalizar e escreveu o romance “Retrato da Mãe Quando Jovem“, com 144 páginas, utilizando apenas 1 ponto final em TODO o texto. Funcionou?

Segundo a crítica, pelo menos, sim. New York Times, The Guardian, Die Welt e muitos outros veículos aplaudiram de pé a obra. A Folha de São Paulo chegou a fazer uma reportagem sobre ela seguindo o mesmo estilo – com apenas um ponto final – e dando uma palhinha de como é essa nova forma.

Mesmo gerando uma sensação de desespero e falta de fôlego, fato é que ela realmente prende a atenção – e vale ser lida por todos os escritores que, justamente por fazerem das letras o seu mundo, devem também estudá-las em todas as suas peculiaridades.

Para ver a matéria da Folha de São Paulo, clique aqui ou vá ao link http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1105512-alemao-escreve-romance-com-apenas-um-ponto-final-leia-texto-no-mesmo-estilo.shtml

Para ver e comprar o livro, clique aqui ou vá ao link http://www.tordesilhaslivros.com.br/livro/retrato-da-mbe-quando-jovem.htm

 

 

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Livro do Clube participa de projeto de financiamento colaborativo

Se tem uma coisa que autores do mundo todo concordam é que a divulgação é uma das chaves do sucesso de suas obras.

Na maior parte dos casos, essa divulgação é feita de forma guerilheira, sem verba alguma e com base principalmente nas redes de relacionamento dos autores. Não há nada de errado com isso – verdade seja dita, casos concretos comprovam que resultados brilhantes podem ser alcançados assim.

Mas já imaginou se, além dessa rede, você tivesse uma verba de R$ 10 mil para se divulgar? Usando a Web, o autor Pablo Vallejos está participando de um projeto colaborativo de arrecadação de fundos para a sua obra, Como Seria Recomeçar, a ser publicada aqui no Clube.

A ideia é simples: todo mundo que quiser apoiar pode entrar em um site específico e ajudar a financiar uma parte em valores a partir de R$ 10,00. No processo, o doador pode inclusive exigir uma contrapartida (como receber um exemplar personalizado ou ter a sua história como parte do livro).

Isso feito, o montante fica contabilizado até janeiro de 2012, quando termina o período.

Se, até lá, o livro não arrecadar R$ 10 mil (que é a meta estabelecida), você recebe o valor doado de volta integralmente.

Na prática, o que o “investidor” estará fazendo é apoiar uma história com a qual se identifique, ajudando-a a ter mais visibilidade. Tudo, claro, via Web e com a mais completa segurança.

Gostou? Então acesse a página da campanha clicando aqui ou indo diretamente ao link http://catarse.me/pt/projects/442-como-seria-recomecar

Veja também um vídeo criado pelo Pablo abaixo!

Como Seria Recomeçar - O Projeto from Como Seria Recomeçar on Vimeo.

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