Brasileiros lêem pouco?

Sempre ouvi de autores que o brasileiro lê pouco. Na verdade, sempre ouvi isso de muita gente.

Decidi pesquisar.

A força dos dados me fez ficar meio triste e meio arrependido – com aquele tipo de arrependimento que um cego tem ao ser ferido pela luz.

Sendo prático: 

  1. Em média, cada cidadão brasileiro compra 1,4 livro por ano. Compra – porque nem sempre ter um livro significa lê-lo. Como comparação, um americano compra uma média de 8 livros; um alemão, 6,45; um francês, 6,39; um britânico, 5; um espanhol, 3,34.
  2. A oferta também não é diferente: mesmo com a segunda maior população dentre todos os países pesquisados, o Brasil só tem 57 mil novos livros lançados por ano – contra, por exemplo, 184 mil do Reino Unido, país que tem 1/3 da nossa população.

Se o crescimento e a evolução de um povo tem a ver com a sua capacidade de absorver conhecimento – como acredito que tenha – fica difícil acreditar na tese de que o Brasil é o país do futuro.

Pelo menos se não mudarmos o presente, entregando mais histórias, compartilhando mais experiências e batalhando por mais e mais leitores.

Mudemos, então, este cenário.

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O crescimento de ebooks e o preconceito ao contrário

Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), a venda de e-books no Brasil cresceu 225,13% entre 2012 e 2013. Número alto, sem dúvidas, e que deixa claro uma adoção crescente do meio eletrônico para leitura.

O curioso é que dados como esse tem gerado uma espécie de preconceito inverso por parte de escritores: muitos começaram a publicar os seus livros apenas no formato eletrônico, auto-declarando-se “early adopter” e buscando uma parcela de leitores que acreditam ser o futuro.

E até podem ser – mas futuro costuma ser um conceito com prazo indeterminado. Sabe, por exemplo, quanto esse crescimento de 225% representa? 2,6%.

Em outras palavras: restringir a publicação ao formato digital é o mesmo que desprezar, por ideologia, 97,4% do público em potencial.

Há ainda um outro dado: em nenhum momento a venda de impressos diminuiu. Ao contrário: no mesmo período ela cresceu 4,13%. Sim: 4% é menos que 225%. Mas percentual é sempre um dado relativo – principalmente quando a base de crescimento é tão diferente.

O que isso tudo significa? Que qualquer tipo de preconceito quanto a formato não faz sentido.

Publicar só como impresso é, com certeza, perder uma oportunidade maior de venda e uma distribuição global instantânea e sem fronteiras.

Publicar só como ebook é desprezar a maior parte do mercado.

Para que, então, tomar decisão em nome do leitor? Se é possível, então por que não publicar em ambos os formatos?

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E-Books ainda são mercado pequeno, mas em franca expansão no Brasil

O número surpreende: no Brasil, a venda de ebooks gerou um total de R$ 3,85 milhões no ano passado (sendo que não há registros oficiais de 2011, em parte pelos resultados serem pequenos demais). Isso significa pouco menos de 240 mil exemplares vendidos, em uma participação de mercado total de 0,29%.

A pesquisa, esmiuçada no blog de Carlo Carrenho, deixa claro que o boom desse formato ocorreu apenas em outubro de 2012, quando a Apple começou a vender livros digitais brasileiros, e ganhou força máxima mesmo a partir de 5 de dezembro do mesmo ano, quando Amazon, google e Kobo chegaram juntas ao país. Isso indica algo muito importante: se fatos que marcaram os últimos meses de 2012 foram responsáveis por tanto crescimento súbito, imagine então como deve ser o ano de 2013, cujos dados ainda não saíram (naturalmente).

Para autores do Clube, isso vem como uma excelente notícia – afinal, nesse ano, todos os ebooks publicados aqui tem a possibilidade de distribuição gratuita pelas principais lojas online, incluindo todas as citadas acima :-)

Confira o texto de Carrenho em seu blog, no http://www.tiposdigitais.com/2013/08/participação-de-e-books-no-mercado-brasileiro-em-2012.html

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Infográfico: a evolução dos ebooks didáticos

Sim, ebooks estão crescendo em todo o mundo. Não se discute isso, muito embora caiba ainda a ressalva de que, ao menos em termos absolutos, as vendas de impressos sob demanda também tem crescido em ritmo semelhante.

Mas, dentre todos os segmentos literários, um tem realmente apontado uma tendência concreta de “troca” de formato: o didático. Os motivos são óbvios: diferentemente de romances ou livros de poesias, livros didáticos são fortemente utilizados para consultas, desenhando um padrão de leitura muito pouco linear. E versões impressas são, por natureza, limitadas nesse aspecto: afinal, apenas em ebooks se consegue fazer buscas por assuntos específicos, acessar outras referências de estudo relevantes e assim por diante.

Recentemente, nos deparamos com uma pesquisa americana que aponta justamente esse movimento e que colocamos abaixo. Confira você mesmo:

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