Tolerância zero contra plágio

É impressionantemente raro – e digo “impressionante”, aqui, por sermos um site de autopublicação – mas plágios em obras literárias sempre podem acontecer.

Temos, aqui no Clube, todo um sistema preparado para isso: checagem automática de cada publicação contra um banco de dados de mais de 650 mil títulos, listas de alerta com publicações naquela “zona cinza”, que demandam um olhar humano para entender as suas legitimidades, e o sempre fundamental olhar da comunidade que sempre pode denunciar qualquer título.

Até então, nossa postura sempre foi de remover a obra do ar e conversar com os autores, informando-os sobre as infrações que cometeram e alertando-os para que não as repitam. Desde meados de 2018, no entanto, no momento em que todas as obras do Clube ganharam mais visibilidade por conta da distribuição em livrarias como Amazon, Submarino e Estante Virtual, dentre outras que estão por vir, passamos a trabalhar com uma rigidez maior.

Desde então, todo tipo de infração de direitos passou a ser imediatamente endereçado da seguinte forma:

  1. Todo livro denunciado é imediatamente retirado do ar (algo que já funcionava antes)
  2. Autores que publicaram livros plagiados são imediatamente banidos do Clube, não podendo mais publicar nenhuma obra aqui em nenhum momento
  3. Todos os dados do plagiador e da obra em questão são submetidos à Justiça caso esta solicite, seja em nome do autor ou da editora que tiver feito a solicitação

O objetivo não poderia ser mais claro: garantir que este espaço, tão fundamental para os novos talentos da nossa literatura, mantenha-se tão limpo quanto sempre foi.

O melhor do Clube é a possibilidade de todos podermos contar as nossas histórias para o mundo. Isso é mais que uma tecnologia – é uma ideologia, algo pelo qual lutamos desde o nosso dia 1, lá em 2009. Plagiadores são, nesse sentido, aquela erva daninha que precisa ser extirpada sempre que aparece. Esse endurecimento de postura tem a ver justamente com isso: um ambiente mais saudável, afinal, só tem a beneficiar as dezenas de milhares de autores que fazem do Clube a casa de seus livros!

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O que política tem a ver com literatura?

Ultimamente tenho feito alguns posts com um teor mais político que literário.

Como todos, tenho também as minhas crenças políticas que sempre tentei manter distante daqui do blog e do Clube como um todo. E juro: na medida do possível, busco sempre ser o mais neutro que consigo.

A questão é que é impossível dissociar política de literatura pelo simples fato de que a segunda é filha direta da primeira.

Como? Ora… se a literatura é o conjunto de histórias nascidas em um determinado período, e se um determinado período tem seus contornos desenhados pelos efeitos das decisões políticas tomadas pelas suas lideranças, como negar a relação entre ambas?

Como negar a incrível análise de poder de Tolstoi em Guerra e Paz ou os efeitos da falência do “establishment” em Crime e Castigo, de Dostoiévsky? E nem precisamos ir tão longe, claro: como negar que uma obra prima como Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, foi escrita também pela perseguição política que manteve preso por tanto tempo?

E Castro Alves com seu discurso abolicionista? E Alcântara Machado com sua biografia de uma São Paulo tomada por imigrantes italianos na primeira metade do século XX?

E a literatura de periferia que, hoje, já é praticamente um gênero completo que nasceu a partir da desigualdade social gerada – claro – pelas decisões políticas brasileiras?

Tenho para mim que, como a política é uma arte empírica, ela se impõe a sociedades como ondas com efeitos imprevisíveis. Essas ondas geram tanta beleza quanto desastre – tudo depende das suas forças e dos seus efeitos, claro. Mas a cada vazante, duas consequências são sempre deixadas: os desastres e as histórias que os acompanham.

E, se não há como entender a literatura senão como filha direta da política, que todos nos aprofundemos o máximo possível nesse pano de fundo onipresente de todas as histórias que escrevemos em nosso cotidiano de autor.

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Fomos precursores pela primeira vez em muito tempo

O passado recente trouxe um inegável baque para o Brasil. Protestos sem precedentes foram encampados desde 2013, levando milhões às principais avenidas e ruas das maiores cidades do país a clamar por mudanças; o segundo impeachment da nossa história recente impôs uma mudança política e econômica de imensas proporções, tirando o Brasil do falido eixo bolivariano e nos aproximando de pensamentos mais liberais; no grito, a Lava-Jato encontrou forças para continuar caçando a corrupção mesmo com tantos no governo fazendo tantas manobras escusas para se salvar; e estamos, finalmente, começando a ver resultados que apontam para uma ainda tímida, mas já consistente melhora nos indicadores econômicos e sociais.

Se dermos um passo para trás para contemplarmos o cenário como um todo veremos que, de alguma forma, o Brasil está dando os seus primeiros passos para deixar aquele clima de divisão tão nefasto, do “nós contra eles”, que marcou tanto as últimas eleições presidenciais quanto os últimos embates entre esquerda e direita nos mais diversos fóruns.

Não, não é que não esteja havendo mais oposição e nem que todos estejamos felizes com os políticos que decidem os nossos futuros – longe disso. Mas talvez estejamos um pouco mais cientes da força das nossas vozes, o que já é um alento, e da ineficácia de discursos, propostas e governos populistas que se vestem de milagrosos, colhem vitórias de curto prazo geralmente baseadas no protecionismo e no agigantamento do estado, e enterram o país no atraso.

Estamos nos abrindo para o mundo – finalmente.

Mas sabe o mais curioso de tudo isso? Enquanto estamos dando esse passo tão decisivo, o mundo parece caminhar na contramão.

Nos EUA, um lunático xenófobo está buscando, de todas as maneiras, contrariar os mesmos ideais que fizeram do seu país a maior potência econômica do mundo; a Europa está quase se aniquilando como bloco unido ao permitir que uma assustadora extrema direita tome o poder; a Turquia decidiu brigar com tudo e com todos para se converter de democracia em ditadura; a Rússia parece querer reviver o conceito de imperialismo czarista e soviético que parecia ter sumido com o fim do regime comunista. E isso porque estamos falando aqui apenas de algumas das grandes potências do mundo e ignorando o absoluto caos no Oriente Médio.

Praticamente todas estão extremando-se, seja para a direita ou para a esquerda, e redesenhando as relações mundiais, dando a elas um toque vintage de guerra fria.

Normalmente, o Brasil persegue esses zeitgeists políticos globais com grande atraso – foi assim com a nossa esquisitíssima independência, com a abolição da escravidão, com a proclamação da república, com a queda da ditadura militar. Normalmente, o mundo apontava os caminhos para o progresso e nós seguíamos sempre com base na procrastinação e no jeitinho brasileiro.

Desta vez, no entanto, parece diferente.

Desta vez nós já provamos o sabor azedo de um governo mais divisor, de uma ideologia populista colocando pobres contra ricos enquanto se imiscuía em relações para lá de profanas. Não que corrupção nunca tenha existido aqui nas nossas praias, claro – mas os níveis que chegamos, e os efeitos desastrosos para a população dessa retórica de vitimização dos poderosos, nunca havia sido tão sentida por todo o povo, de todas as classes.

Em outras palavras: desta vez, de maneira inédita, nós já experimentamos o rumo para o qual o mundo aparentemente caminha, já o rejeitamos e já decidimos mudar.

Desta vez estamos na vanguarda.

Talvez seja essa, finalmente, a nossa grande chance de crescermos para além das nossas próprias fronteiras, de puxarmos o mundo ao invés de sermos puxados por ele.

Isso ainda pode levar algum tempo, claro… mas que boa história, que bom livro não é feito de reviravoltas em teias espetaculares de tramas?

Que o futuro nos reserve um pouco mais de orgulho da nossa terra do que o que temos hoje.

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Bem vinda, crise política

Meu Facebook amanheceu em guerra na segunda-feira, um dia depois das eleições. Havia de tudo: esquerdistas dizendo que estariam buscando exílio em Cuba, direitistas comemorando em estado de euforia a estrondosa derrota do PT nas urnas. Havia gritos de guerra, clamores por resistências, medos e esperanças.

A única coisa que não havia era discurso de pacificação, de união, de calmaria pregado por quem quer que seja.

Não entrarei aqui com nenhuma opinião sobre o que é bom ou ruim para o Brasil e nem sobre as benesses de uma sociedade pacificada, por assim dizer: o foco desse blog é a literatura, não a política.

E, sob o aspecto puro da literatura, por mais paradoxal que seja, só temos a comemorar esse clima de guerra.

Literatura, como toda arte, tem nos conflitos o seu oxigênio mais puro.

100 Anos de Solidão foi parido no mesmo período em que toda a América Latina se transformava em berço de ditaduras sanguinárias. Proust escreveu boa parte de sua obra-prima às vésperas da I Guerra Mundial. Sartre mudou o mundo com A Náusea mais ou menos no mesmo período que a II Guerra Mundial se iniciou. Cervantes escreveu Dom Quixote, o livro mais lido de todos os tempos, ao final de uma devastadora guerra de 19 anos entre Inglaterra e Espanha. Memórias do Cárcere foi escrito enquanto Graciliano Ramos estava atrás das grades, como preso político, na era Vargas. O cubano Pedro Juan Gutierrez tem preciosidades como ‘O Rei de Havana’ escritas em decorrência da miséria animalesca que ele viveu na capital da ilha de Fidel. Exemplos de obras primas compostas em períodos de pura tensão são tantos que listá-los daria um livro à parte.

Sim, é claro que se encontrará grandes obras mesmo nos períodos mais calmos da humanidade: a literatura não segue uma receita, uma fórmula de aritmética básica. Mas é fato que períodos de grande turbulência política e social são especialmente férteis para a literatura.

Tenho uma opinião sobre isso: a arte, em todas as suas formas, é uma maneira de fazer a alma sobreviver às agruras da vida e do mundo. Em momentos com concentração de conflitos, consequentemente, há mais espaço, mais inspiração para se criar. Há mais tempo. Há mais disposição.

Há, sobretudo, mais necessidade.

Assim, me encontro em uma posição curiosamente contraditória.

Como cidadão, compartilho o sofrimento de ver o meu país tão dividido e cheio das mesmas absolutas certezas, para qualquer que seja o lado, que o fizeram chegar ao abismo em que se encontra. Torço para que todas as mazelas trazidas pela crise vão embora o quanto antes.

Como amante da literatura, por outro lado, observo esse situação de “semi catástrofe social” com um ar que excitação pueril, de ansiedade, quase que de felicidade por ter a certeza de que teremos como legado livros que mudarão a maneira de vermos o mundo.

Em resumo? Torço, claro, para que essa crise social vá embora o quanto antes – mas que, como diria o Vinícius, seja infinita o quanto dure.

Keiskamma-Guernica

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Que os mares revoltos tenham ficado para trás

Ultimamente, tenho tido a sensação de que um ano novo está começando agora, em maio.

Não digo isso com a ingênua esperança de que todos os problemas do Brasil se resolvam com o impeachment da presidente, a passe de mágica. Problemas, aliás, esse nosso país tem de sobra.

Mas, se a certeza sobre os próximos capítulos em nosso futuro não é exatamente nítida, é inegável que ela é muito, mas muito menos nebulosa que esse passado recente. Nos últimos meses o Brasil foi ditado pela incerteza: enquanto acumulamos números cada vez mais devastadores comprovando o que víamos nas ruas – desemprego, inflação e uma destruição sistemática de mercados inteiros – não tínhamos nenhuma vaga noção do que aconteceria.

O impeachment passaria na câmara? Não quero entrar em política aqui, mas a existência de duas hipóteses garantia uma incerteza devastadora para quem quer que busque estabilidade.

Agora, parece claro que teremos uma espécie de governo de transição. Repito: não quero entrar em política ou fazer qualquer juízo de valor sobre políticos ou partidos. Mas agora já sabemos quais serão os próximos passos. Esses próximos passos incluem a tomada de uma série de medidas já virtualmente anunciadas por meio de sites escancaram os bastidores do país.

Esses próximos passos anunciados já permitem que todos nós consigamos atuar com um mínimo de planejamento. Embora sem conseguir saber os resultados das ações que serão tomadas pelo novo governo, pelo menos sabemos, com algum grau de segurança, quais serão essas ações – e conseguimos assim nos preparar de acordo com as nossas capacidades de dedução e percepção.

Os nossos governantes – todos eles, acrescento – passaram os últimos anos nos tirando o que é mais importante para qualquer sociedade estável: a previsibilidade das perspectivas. Os nossos governantes, tanto da situação quanto da oposição, fizeram uma lambança tão grande que, hoje, estamos na esdrúxula situação de comemorar o reveillon em pleno mês de maio.

Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Pelo que estamos acompanhando, os mares mais revoltos estão finalmente ficando para trás e a tão sonhada calmaria, embora ainda no futuro, já começa a alcançar as nossas cansadas vistas. Ao que parece, conseguimos atravessar o pior dessa crise.

Que venha um novo capítulo.

E que ele seja mais fácil do que o último.

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