2019 que já começa quente

Comemoramos feito loucos, no ano passado, os resultados do Clube. Em um período no qual o mercado editorial chorou quase incessantemente, afinal, conseguimos crescer 30%, um exemplo claro de quanto a literatura está mudando e de quanto os autores independentes estão ganhando mercado.

E frisamos isso porque, na prática, o Clube de Autores é mais consequência do que causa de todas essas mudanças. Não somos nós que escrevemos os livros, afinal: são os autores que aqui os publicam – os mesmos que já deram claros sinais de terem entendido toda a dinâmica do mercado editorial, disponibilizando obras cada vez melhor acabadas em todos os sentidos (do texto à capa).

A pergunta que nos fizemos em dezembro foi: “e no ano que vem? Será que esse ‘boom’ foi pontual, fora da curva, ou será que a estrada foi devidamente e definitivamente pavimentada para os escritores independentes?”

Bom… janeiro parece já estar nos dando a resposta.

Porque hoje, dia 1 de fevereiro, paramos para olhar para trás e constatamos – com sorrisos nos rostos – o que já se materializava como óbvio: o crescimento segue. Mais que isso: se comparados a janeiro do ano passado, o Clube de Autores cresceu 32%, tendo recebido um valorosíssimo número de títulos que tem desempenhado de maneira impressionante.

O que isso significa? Que 2019 começou tão (ou mais) quente quanto foi todo o ano de 2018 para os autores independentes.

Aproveitemos esse momento.

Mudemos em definitivo o mercado editorial brasileiro.

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Vivendo de escritor

Sim, sei que viver (ou sobreviver) como escritor não é exatamente uma tarefa fácil. E, antes que comecem a jogar a culpa no Brasil e em todos os problemas que assolam nosso país, já me antecipo em afirmar que é uma vida difícil em qualquer lugar do mundo. Até na Suécia.

Mais na Suécia do que no Brasil, aliás, porque os nossos 200 milhões de habitantes garantem público leitor bem, BEM maior.

Mesmo assim, mesmo considerando as dificuldades de se construir uma carreira sobre letras no que certamente é o mais competitivo dos mercados artísticos do mundo, o sonho nunca foi tão palpável.

Quem escreve, afinal, escreve de tudo: livros, crônicas, contos, artigos, posts em blogs.

É aqui que entra a magia dos nossos incríveis tempos.

Se você tem algo de relevante a dizer, se tem uma fluidez literária interessante e se tem uma disposição mínima para criar uma presença nas redes sociais, em breve somará um público leitor.

De like em like, de comentário em comentário, esse público tende a crescer desde que você mantenha constância em suas publicações e responda aos feedbacks da comunidade que começará a crescer em torno das suas letras.

Não que isso o transformará em um “influencer”, para usar um dos esdrúxulos termos da moda, capaz de cobrar zilhões de reais por um mísero post. Mas isso te dará o que novos autores mais precisam: um público base.

A partir daí, novas oportunidades comerciais podem surgir a partir dos seus textos – e a chance de um público estar disposto a comprar os seus livros certamente aumentará (até porque você efetivamente terá um público para chamar de seu).

O mais legal de tudo isso? Aos poucos, seus textos poderão passar de atividade coadjuvante a principal em sua vida.

Repito que não é (e, provavelmente, jamais será) um sonho fácil de ser alcançado. Todo grande sonho tem essa mania de ser difícil, de demandar suor e lágrimas até ser alcançado. Mas desde que você tenha perseverança e saiba nutrir (tanto comercial quanto tecnicamente) sua paixão pela literatura, é certamente um sonho extremamente alcançável.

 

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Que tal voltar à escola?

Se você ainda é estudante, por favor ignore este post.

Se não é, considere.

Recentemente, embalado por alguns livros de história, me peguei lendo outros que marcaram a literatura dos seus períodos como maneira de entender melhor as decisões que transformaram o nosso país no que ele é hoje. Isso inclui os poetas do arcadismo de Ouro Preto, abolicionistas como Castro Alves, realistas como Machado de Assis etc.

Acabei me dando conta de uma coisa: a riqueza literária produzida por esses tantos gênios filhos da pátria acaba relegada a um infeliz segundo plano no âmbito do estudo secundarista. Em muitos casos – e aqui falo por mim – um estudante simplesmente não tem maturidade para entender, com a devida profundidade, os contos de Álvares de Azevedo ou as narrativas de Raul Pompeia.

E talvez essa lacuna acidental em nossa educação literária tenha sido uma das responsáveis pela nossa geração (novamente, falo por mim) ser a que menos lê em toda a história brasileira.

O bom é que sempre há tempo de mudar – começando portam volta às aulas. Partamos, portanto, das primeiras letras da história literária brasileira. Como essa playlist abaixo que, embora talvez excessivamente básica e focada em provões que eu pessoalmente desprezo (como o ENEM), pode nos mínimo indicar alguns caminhos interessantes…

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De onde nascerá a literatura do futuro?

O México tem, por excelência, uma cultura oral praticamente sem precedentes no mundo. Em parte como forma de manter as culturas indígenas locais – que vão dos maias aos aztecas, passando por toda uma pletora de nações menos conhecidas – vivas, o povo simplesmente se habituou mais ao habito de conversar suas histórias do que de escrevê-las.

Vemos isso com uma facilidade impressionante aqui na Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Há, no interior do pavilhão de exposições, todo um conjunto de forças de mercado trabalhando para catapultar as histórias para para os papéis, dando mais força e menos fronteiras a elas.

Do lado de fora, no entanto, a vida é outra. Há, em todos os bancos de praças, em todos os botecos de esquina, em todas as escadarias de igreja, velhos contando as histórias e sabedorias de suas vidas para os mais novos. O fio de conhecimento chega a ser aparente, tangível, ligando a boca de uns com os olhos e ouvidos de outro e suscitando expressões de espanto, de curiosidade, de temor, de amor.

O desafio maior para a literatura é esse, creio: capturar a sabedoria do mundo em algumas tantas folhas de papel para, a partir daí, devolvê-la de maneira mais organizada e livre para o mesmo mundo.

É diferente no Brasil? Sem dúvidas que não.

Não temos uma tradição oral tão robusta quanto a desse povo encrustrado entre as duas américas e entre as tantas civilizações que os fizeram, mas a que temos está longe de ser desprezível.

Grandes gênios como Monteiro Lobato ou Jorge Amado perceberam isso e pregaram nossas lendas locais em suas histórias. Foram os nossos intérpretes, os nossos guias, os Virgílios dos que quisessem se aventurar pelas profundezas do nosso país.

Nós, autores independentes, temos muito o que aprender com eles. Nosso papel não é apenas o de conceber e escrever fantasias individuais, mas sim de cruzá-las com toda a cultura popular à nossa volta para criar uma narrativa que mescle, em sua extraordinariedade, pais e filhos, contextos populares reais e seus personagens inventados.

Não que exista alguma competição internacional, claro, mas me parece inquestionável, principalmente depois de testemunhar tantos contrastes narrativos no coração do México, que os pódiuns da literatura internacional irão para os países e escritores que melhor conseguirem capturar as tradições narrativas orais e transportarem-nas, com maestria, para o papel.

Escrever, ao que parece, não é apenas conceber. É, antes disso, saber observar, ponderar, e usar as tintas que as nossas próprias culturas já nos deram para pintar os melhores quadros possíveis.

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Artistas de mundos flutuantes

Um dos livros de Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura de 2017, chama-se “Um Artista do Mundo Flutuante“. Não pretendo entrar a fundo no enredo aqui no post mas, em linhas gerais, ele conta a história de um pintor japonês e seu papel na cultura local antes e depois da Segunda Guerra.

Não vou dizer que a narrativa é apaixonante: há momentos em que, ao menos em minha modesta opinião, o livro se perde em devaneios que poderiam facilmente ter sido deixados de fora. Aliás, os dois livros do Ishiguro que li tem essa mesma característica, o que não tira o brilhantismo de nenhum deles. No caso desse, o livro inteiro é quase que uma explicação, embalada em ondas literárias, sobre o título.

O que seria um artista de um mundo flutuante? Alguém que retrata sua vida, seu presente, seu mundo – e que depois, durante a velhice, depara-se com a inevitável conclusão de que esse mesmo mundo já fora substituído por um novo, com novas manifestações culturais e novos artistas e novas visões.

O livro, portanto, é um retrato de todos nós, escritores. O que fazemos, afinal, é exatamente isso: quer posicionemos nossas narrativas no passado, no presente ou no futuro, elas inevitavelmente refletem as nossas visões sobre a vida – visões construídas a partir dos valores que nos cercam hoje. O que deixamos junto com esses registros? Vestígios da nossa história, da história da nossa cultura e da nossa própria humanidade.

Nossa importância, pois, é tremenda – nós, assim como nossos irmãos pintores, escultores e artistas de maneira geral, vivemos justamente de registrar a história da humanidade. Mas, eventualmente, nós também nos depararemos com a inevitável conclusão de que tudo o que escrevemos já não reflete mais o presente em que viveremos. A grande pergunta que fica é: como lidaremos com isso quando essa hora chegar?

Quer aproveitar esse final de ano e dar uma olhada para a frente, vendo um pouco do seu futuro tal qual é o futuro de todo artista? Leia esse livro.

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