Autor do Clube bate recorde com poema gigante

Leandro Campos Alves entra para o RankBrasil por ter escrito o Maior poema do país. Publicado em julho de 2017, aqui no Clube de Autores, o livro ‘O Viajante’ tem 421 páginas, possuindo 2.022 estrofes e 10.875 versos.

 

Natural de Liberdade (MG), o recordista reside atualmente em Caxambu (MG). Sua obra supera ‘Os Lusíadas’ de Camões, composto em 1556 com 1.102 estrofes e 8.816 versos, e também o poema épico da atualidade ‘História da Cidade Maravilhosa’, de Sérgio Gramático Júnior, que foi publicado em 2015 com mais de 9.700 versos.

‘O Viajante’ traz um jovem em suas andanças que se torna ouvinte para os desabafos de muitas pessoas, as quais revelam histórias de vidas, algumas tristes, outras radiantes e muitas intrigantes. Parte do livro foi composta por ficção, mas algumas histórias são verdadeiras.

Para saber mais sobre O Viajante, clique aqui ou na imagem abaixo:

Leia Mais

Vivendo de escritor

Sim, sei que viver (ou sobreviver) como escritor não é exatamente uma tarefa fácil. E, antes que comecem a jogar a culpa no Brasil e em todos os problemas que assolam nosso país, já me antecipo em afirmar que é uma vida difícil em qualquer lugar do mundo. Até na Suécia.

Mais na Suécia do que no Brasil, aliás, porque os nossos 200 milhões de habitantes garantem público leitor bem, BEM maior.

Mesmo assim, mesmo considerando as dificuldades de se construir uma carreira sobre letras no que certamente é o mais competitivo dos mercados artísticos do mundo, o sonho nunca foi tão palpável.

Quem escreve, afinal, escreve de tudo: livros, crônicas, contos, artigos, posts em blogs.

É aqui que entra a magia dos nossos incríveis tempos.

Se você tem algo de relevante a dizer, se tem uma fluidez literária interessante e se tem uma disposição mínima para criar uma presença nas redes sociais, em breve somará um público leitor.

De like em like, de comentário em comentário, esse público tende a crescer desde que você mantenha constância em suas publicações e responda aos feedbacks da comunidade que começará a crescer em torno das suas letras.

Não que isso o transformará em um “influencer”, para usar um dos esdrúxulos termos da moda, capaz de cobrar zilhões de reais por um mísero post. Mas isso te dará o que novos autores mais precisam: um público base.

A partir daí, novas oportunidades comerciais podem surgir a partir dos seus textos – e a chance de um público estar disposto a comprar os seus livros certamente aumentará (até porque você efetivamente terá um público para chamar de seu).

O mais legal de tudo isso? Aos poucos, seus textos poderão passar de atividade coadjuvante a principal em sua vida.

Repito que não é (e, provavelmente, jamais será) um sonho fácil de ser alcançado. Todo grande sonho tem essa mania de ser difícil, de demandar suor e lágrimas até ser alcançado. Mas desde que você tenha perseverança e saiba nutrir (tanto comercial quanto tecnicamente) sua paixão pela literatura, é certamente um sonho extremamente alcançável.

Leia Mais

O papel dos escritores no mundo

Ouvi dizer, dia desses, que o papel de escritores é o de registrar as histórias da humanidade.

Discordei na mesma hora.

Historiadores fazem registros, observando, sempre atentos, as provas cabais de fatos que superam teorias e ideais mais romanceados. Não é o caso de escritores.

Escritores não olham para trás nem quando escrevem sobre o passado. Ao contrário: ao impregnar em suas histórias plétoras de tramas, conflitos e ideais, eles constroem tempos absolutamente paralelos – tempos feitos a partir de suas visões de mundo e de utopia, de seus sonhos e pesadelos.

Escritores, portanto, olham sempre para a frente: criam novos conceitos de vida, inovam em narrativas que usurpam mentes e corações, propõem releituras sobre releituras da história, provocam, questionam, apontam caminhos os mais diversos.

Escritores não registram histórias: eles pavimentam de ficção os terrenos pelos quais a história ainda vai caminhar.

Escritores são oráculos.

Basta saber consultá-los.

oraulo-delfos-texto-ju

Leia Mais

Sobre ser e existir, parte 2

Continuação do post da quarta passada, que termina mais ou menos assim: 

Se existir é ter os contornos reais necessários para mudar o mundo a partir de impactos causados, então personagens são tão reais quanto qualquer outra pessoa de carne e osso.

Essa frase fica ainda mais verdadeira quando se muda o condutor do nosso pensamento para a física.

Normalmente, nos habituamos a prender a nossa percepção de existência à biologia.

Tomemos como exemplo o José da Silva: um lavrador sul matogrossense que nasceu em 3 de agosto de 1912 e morreu em 7 de julho de 2001.

Nos seus 89 anos de vida, José da Silva comeu, cuspiu, falou, casou, teve filhos, amou, sofreu e, por fim, morreu. Foi enterrado no pequeno cemitério de Corguinho, uma vila minúscula longe de tudo. Hoje, José da Silva segue o destino de todos nós: decompõe-se rapidamente em outras formas de matéria até virar, no longuíssimo prazo, poeira cósmica.

No mesmo ano em que José da Silva nascera, Franz Kafka escrevera sua obra prima: a Metamorfose. Não entrarei nos pormenores do clássico aqui, mas basta dizer que se trata da história de um Gregor Samsa que, um belo dia, acordou para se ver metamorfoseado em uma horrenda barata.

Gregor Samsa, claro, nunca existiu no sentido biológico: o oxigênio da nossa atmosfera nunca perambulou pelos seus pulmões. Mas, independentemente disso, ele foi gerado, ele teve um pai, ele foi fruto da energia criativa de um escritor. E mais: na medida em que sua história segue sendo lida por milhões de leitores mundo afora, essa energia perdura, viaja por ondas cerebrais diversas, muda percepções, inspira, transforma. Eventualmente, no entanto, a história de Gregor Samsa fatalmente cairá no esquecimento – e sua energia se decomporá até se transformar no mesmo tipo de poeira cósmica que também definirá o futuro de José da Silva.

A conclusão mais óbvia que se pode chegar aqui? Que, embora pessoas sejam feitas de matéria e personagens, de energia, todos tem o mesmo destino. Há inclusive um sujeito que colocou tudo na mesma fórmula: Einstein. A fórmula? E=MC2, que basicamente prova que matéria e energia são apenas formas diferentes da mesma “coisa”.

Sob esse aspecto, não parece de uma ingenuidade bossal considerar como existente apenas seres que respiraram por 80, 90 ou até 100 anos – uma fração de nada, considerando os 13,54 bilhões de anos do universo?

Não seria mais correto definir a existência como qualquer coisa – seja material ou energética – forte o suficiente para causar algum impacto transformador, por menor que seja, no Universo?

Volto, pois, à frase de abertura deste post:

Se existir é ter os contornos reais necessários para mudar o mundo a partir de impactos causados, então personagens são tão reais quanto qualquer outra pessoa de carne e osso.

 

andromeda

Leia Mais