Exercitando o ócio criativo

Certa vez, um escritor amigo meu me ensinou um exercício que achei extremente interessante: criar enredos a partir de pessoas anônimas que cruzamos nas ruas.

Olhe para a frente. Sabe aquele sujeito ou aquela mulher que você nunca viu antes na vida mas que, agora cruza seu horizonte? E se você a transformasse em protagonista de uma história qualquer agora, inventando um par romântico, uma trama carregada de tensão, um destino de crueldade singular?

Claro: pode ser que a história em si não dê em nada, que ela não seja digna sequer de entrar no papel. Mas o ponto não é esse: inventar, afinal, é sempre um bom treinamento para nossos “músculos criativos”. E, além de treinamento, convenhamos… é um exercício no mínimo divertido :)

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Sobre a criação de realidades

Um dos meus escritores preferidos, o turco Orhan Pamuk, tem o curioso hábito de se inserir em todos os seus livros.

No Museu da Inocência, por exemplo, ele conta a história de um sujeito que caminha entre uma vida social tipicamente burguesa e um amor avassalador com uma parente pobre e distante na cidade de Istanbul. O livro (pelo qual peço perdão em ter feito um resumo tão grosseiro) é uma obra de pura ficção – mas que se disfarça de realidade a partir do momento em que o protagonista decide contar a sua história para o próprio Pamuk que, por sua vez, a transforma em livro.

Em outra obra sua, Neve – que lhe rendeu um Nobel – o autor é também amigo próximo do protagonista Ka e narra, no livro, o próprio processo de escrita da história.

Não há como terminar de ler qualquer obra sua sem se perguntar até que ponto ela é mesmo uma ficção. Quem inspirou Pamuk a contar essas histórias – todas, inclusive, recheadas de personagens históricos, reais? Até que ponto aquelas experiências relatadas foram reais?

Fiquei me questionando sobre isso logo que terminei de ler Neve… mas desisti. E desisti por um motivo óbvio: era irrelevante.

A realidade nem sempre precisa ter existido para ser real.

Realidade, afinal, tem sempre como base o relato de algum contador de história. Mesmo que se narre algo como o processo de construção de um prédio, sempre haverá alguma parcela de imaginação feita pelo autor para preencher as lacunas dos tediosos fatos práticos. Isso é ruim?

Não. Eu diria, inclusive, que é essencial.

Contar histórias, afinal, não é relatar fatos: é criar realidades. Que importa se elas existiram mesmo ou não?

Afinal, quanto mais delicadamente romanceadas forem essas realidades, mais envolventes elas serão, mais impacto elas causarão nos leitores e mais filosofias de vida espalharão.

 

Pense friamente: que diferença faz, afinal, se Ka (Neve) ou Kemal (Museu da Inocência) realmente existiram, se tiveram pais, mães e amores? Não basta que eles tenham existido na mente do escritor – uma existência forte e consistente o suficiente para gerar livros de uma beleza inigualável?

Então, aos meus amigos escritores que acompanham este blog, deixo os parabéns por esta conclusão que tanto demorei a chegar: vocês são criadores de realidades que, tenham ou não acontecido na irrelevante cronologia cotidiana, mudam as vidas dos leitores, testemunhas oculares das suas mais reais imaginações.

E, junto aos  parabéns, desejo também inspiração para que construam muitas novas realidades ao longo deste ano de 2017!

Enjoying imagination

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Há limites para a criação de novos universos?

Nas visitas que fiz lá por Londres, uma delas foi para a PotterMore, empresa da JK Rowling que tem como missão, em termos práticos, prolongar até o infinito a “experiência Harry Potter”.

No mundo mais cult (tendo ao intelectualóide), os livros de Harry Potter são quase endemoniados. Mas ninguém pode negar o seu sucesso: em alguns anos, a escritora conseguiu cativar mais leitores adolescentes do que qualquer outra pessoa em toda a história da humanidade.

Tendo origem no papel escrito, Harry Potter logo chegou às telas de cinema onde arrecadou uma média de US$ 1 bilhão por filme – e nunca diminuindo as vendas dos livros. Pelo contrário: a ansiedade por novos textos da autora beirava a loucura.

Mude, agora, a maneira de encarar. Ao invés de pensar nos livros do Harry Potter, pense no modelo de narrativa.

Ao fazer isso, consegue-se somar textos, filmes e, claro, Internet. O carro chefe da Pottermore, hoje, é a sua comunidade online – a pottermore.com . O que ela faz? Permite algo diferente aos fãs do pequeno mago: interação viva.

Por interação, entenda inclusive testes online gratuitos que alocam cada usuário em uma das “casas” de Hogwarts, como Gryffindor e Slytherin. Há textos inéditos da autora, um relacionamento próximo com a comunidade e um tipo de prolongamento da saga que vai além da história de Harry Potter em si e chega a novos personagens e detalhes do universo mágico que ela criou.

Isso nos ensina duas coisas:

1) Que escrever para mentes é diferente de escrever para páginas. Ao pensar em uma história, sempre vale a pena explorar possibilidades que vão além de livros, como aplicativos, sites etc.

2) Que universos não tem dono.

Esse segundo ponto é importante por ser uma espécie de falha no modelo da Pottermore. Lá, por mais que eles incentivem a interação, eles são declaradamente contra FanFics (livros de ficção escritos por fãs e tendo como base personagens e enredos originais).

Aqui vale uma observação: é natural que uma autora, por mais famosa que seja, não se sinta à vontade ao ter terceiros que ela não conhece escreverem sobre os seus “filhos”. Até aí, tudo bem.

Mas, se você se propôs a criar um universo mágico inteiro, como evitar que ele caia nas mãos de outros escritores?

Há um ditado que prega que escrever um livro é o mesmo que brincar de Deus, pois o autor tem poderes plenos de criação e destruição. O problema é que, depois de publicar o livro, esse poder é fatalmente compartilhado pelo mundo de leitores-escritores que mergulham na história. Cada um quererá participar com as suas próprias letras – e é esse movimento, esse envolvimento, que permitirá uma narrativa sobreviva ao seu autor original.

Não dá para afirmar, ainda, se a Pottermore mudará de ideia no futuro, mas dá para afirmar que essa relação com autores de FanFics certamente é algo delicado.

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Pensática: navegue pela versão Beta

Já há alguns dias temos falado sobre o Pensática, nossa nova incursão voltada especificamente para ebooks. O objetivo é simples: transformar a experiência de leitura em ebooks em um modelo de leitura multiplataforma, online e que permita se mergulhar também em todo o universo que cerca cada uma das obras.

O Pensática ainda está em versão beta – e isso deve ser destacado aqui. Mas queríamos abrir para todos os autores do Clube, para que naveguem e comecem a se inteirar melhor.

Pontos que precisamos frisar:

1) Ao abrir o Pensática, você verá uma série de árvores de conhecimento já pre ordenadas pelas mais completas.  Árvores mais completas são as que tem mais conteúdos relacionados ao livro (incluindo artigos, referências, vídeos etc.). No primeiro momento, nós importamos esses conteúdos das páginas biográficas dos autores.

2) Ao clicar em qualquer uma das árvores, você verá todo o conteúdo relacionado. Se não tiver o livro, poderá comprar online; se tiver, poderá lê-lo diretamente. Em todos os casos, você também poderá colaborar inserindo mais referências sobre o tema e deixando a árvore de conhecimento mais completa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3) A partir do momento em que você se logar no Pensática (usando o mesmo login do Clube de Autores), todos os livros que você publicou ou que comprou aparecerão como favoritos e você poderá lê-los online, diretamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4) O leitor online é um ponto importantíssimo. Todos os ebooks que você tiver comprado ou publicado estarão disponíveis – e em qualquer plataforma. Ou seja: se tiver um smartphone, tablet ou computador à mão e quiser ler, basta acessar o Pensática com seu login e senha do Clube, escolher o livro e ler sem precisar se preocupar com nada relacionado ao arquivo. Arquivos de livros, aliás, passam a ser desnecessários uma vez que o conteúdo é passado para a sua tela via streaming, algo mais seguro e prático.

5) Como a imensa maior parte dos ebooks são PDFs, estamos seguindo por uma caminho de distribuição inicialmente semelhante ao do Google – usando os arquivos PDFs como ebooks (e não os ePubs). Isso deve mudar no futuro, no entanto, e teremos ambas as opções.

Bom… além de abrir acesso a todos, queremos também deixar claro os pontos nos quais estamos trabalhando agora:

a) Importação do conteúdo: Temos dezenas de milhares de ebooks aqui no Clube e importar todos para essa plataforma não é tarefa fácil. Se acessar agora, é possível que não veja todos os seus livros presentes ainda – mas não se preocupe. Nossa equipe está ainda atuando no processo de importação, que deve ser concluído em mais alguns (poucos) dias.

b) Visual: As árvores de conhecimento estão ainda pobres demais do ponto de vista visual. Ainda vamos acrescentar mais efeitos e um design mais “gostoso”.

c) Widgets: Conteúdos relacionados serão expostos de maneira mais “conveniente”. Ou seja: se houver um vídeo, este deve ser inserido na própria árvore (e não abrir em uma página à parte). Tweets devem se recarregar dinamicamente e aparecer também na íntegra, da mesma forma que outras postagens sociais. Quanto mais prática a navegação, mais útil ficará a árvore como um todo.

Além desses três pontos, há ainda toda uma lista de itens que estão sendo vistos e revistos. Mas, na prática, o conceito inteiro do Pensática já pode começar a ser visto e utilizado como um leitor online, multiplataforma, funcional em qualquer tipo de leitor, integrado ao Clube e que, além de livros, permite acesso e colaboração a todo um ecossistema de conhecimento.

É isso que entendemos como sendo o primeiro passo rumo ao futuro do livro – e foi este projeto que se destacou lá em Londres, tendo parte fundamental no prêmio que o Clube recebeu na semana passada.

Espero que gostem e que, acima de tudo, nos ajudem a fazer dessa ideia uma realidade cada vez mais concreta, prática e funcional!!

Bem vindos à Pensática.

O endereço de acesso: http://www.pensatica.com

 

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Profissionais do Livro: Serviços para autores ganham novo formato

Até então, todos os serviços profissionais oferecidos pelo Clube para Autores se pautaram por três contratos que tínhamos envolvendo profissionais de peso no mercado editorial. E a prestação desses serviços sempre foi muito elogiada pelos autores que os adquiriram – mas também recebemos inúmeras sugestões de outros autores no sentido de “democratizarmos” mais esse espaço.

Depois de muito estudo e desenvolvimento, está no ar o Profissionais do Livro (www.profissionaisdolivro.com.br). A mecânica é bem simples:

1) Todos os fornecedores podem se cadastrar gratuitamente para oferecer os seus serviços online (da mesma forma que autores publicam os seus livros)

2) Quando o autor se interessar, ele pode fazer a compra online

3) Pelo próprio site, autor e fornecedor trocam mensagens e arquivos até que o serviço seja finalizado (e aprovado pelo autor)

4) Quando o serviço é oficialmente aprovado pelo autor, o fornecedor recebe o pagamento; caso o autor não aprove o serviço, ele é cancelado e o reembolso integral é feito

Além disso, a área de comentários é liberada unicamente para autores que compraram o serviço, o que garante uma maior credibilidade relacionada a todos os fornecedores.

Por enquanto, o Profissionais do Livro permite apenas o cadastramento de capistas, revisores e diagramadores – mas em muito pouco tempo já liberaremos também a oferta de MUITOS outros tipos de serviço.

A todos os profissionais do livro e autores, desejamos muito boa sorte nesse novo modelo de relacionamento, 100% online, seguro e com um modelo de satisfação garantida que não existe em nenhum outro lugar do mundo!!

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