Leitura crítica: garanta que seu livro esteja realmente bom antes de lançá-lo

Não há nada como um bom crítico literário para ajudá-lo a escrever a história perfeita

Como autores, é natural que acabemos incorrendo no risco de depender exclusivamente da nossa opinião sobre a nossa história. E sim, é um risco imenso: como “pais” da história, é absolutamente natural que acreditemos que ela esteja perfeita (ou pelo menos próxima disso) no instante em que colocarmos o ponto final.

Só que nem sempre (ou quase nunca) o nosso livro está perfeito no instante em que terminamos a sua primeira versão. Por mais que você tenha seguido todas as melhores práticas ao longo da concepção da história, seus personagens podem estar construídos de maneira confusa demais, a trama pode ter se perdido ao longo do caminho, situações específicas podem ter ficado fora de contexto ou até mesmo capítulos inteiros podem ter ficado mal escritos o suficiente para se verem absolutamente despidos de qualquer lógica.

O resultado dessa soma de pequenos ou grandes erros? O assassinato de uma história que, em essência, até tinha um bom potencial.

E nem adianta o próprio autor ler e reler e reler: como autor, a possibilidade dele sequer enxergar essas pequenas falhas é de quase 100%. Da mesma maneira, não adianta muito pedir que um amigo próximo leia: se este não for um leitor assíduo, se não realmente gostar de livros e for capaz de entregar uma opinião franca e detalhada, servirá apenas para dar falsos elogios ou críticas superficiais.

Não é isso que você, autor, precisa no momento de escrever o seu livro. Você precisa de sinceridade editorial detalhada.

Isso se chama leitura crítica

Como funciona

O processo de leitura crítica não é apenas uma espécie de revisão feita por um amigo ou familiar e que te devolverá uma opinião geral sobre a obra. É um processo intenso e, sobretudo, detalhado.

Normalmente, a relação entre leitor crítico e autor é profissional: envolve algum tipo de pagamento, independentemente do valor, e algum combinado de prazos e etapas. Por que isso é importante? Justamente para quebrar a imagem de que se trata apenas de uma opinião sobre um livro dado por um leitor qualquer.

Estabelecida essa relação profissional, o leitor crítico deve receber o livro inteiro, “pronto” – e não em partes. O “pronto” aqui está entre aspas por um motivo óbvio: é mais do que natural que, após essa revisão literária, o autor acabe mudando trechos inteiros do livro e gerando uma versão mais… digamos… finalizada.

Ainda assim, entregar o livro para o leitor crítico em capítulos é uma péssima ideia que costuma não funcionar. Ele precisa ter uma visão do todo, precisa ter em mãos o texto completo até para que possa passear de capítulo em capítulo, de frente para trás ou de trás para frente, sempre que quiser esclarecer alguma dúvida ou pontuar alguma brecha que porventura tenha aparecido na narrativa.

Ou seja: entre a primeira versão completa da sua obra para que o trabalho possa ter início.

A leitura crítica em si

Feito isso, o trabalho do leitor se iniciará.

Sua leitura deve ser feita com extrema atenção a detalhes, incluindo a pontuação de coisas como:

  • Trechos confusos que precisam ser reescritos
  • Falhas na cronologia da narrativa
  • Observações sobre a construção de personagens, incluindo algumas incoerências relacionadas à forma que suas personalidades foram efetivamente concebidas
  • Trechos “excessivos” que, por vezes, fazem o leitor se perder ou perder o interesse na narrativa como um todo
  • Trechos rasos demais e que deveriam ser aprofundados para agregar maior densidade literária
  • Observações gerais e específicas sobre a fluidez da obra
  • Etc.

Perceba, portanto, que se trata de um trabalho essencialmente editorial, motivo pelo qual ele deve realmente ser levado a sério.

O que esperar das entregas e da relação com o leitor crítico?

É claro que cada leitor crítico tem as suas próprias características e preferências, mas a maioria prefere receber os originais impressos para que possa rabiscar à vontade.

A relação entre autor e leitor crítico em si, no entanto, depende muito mais da capacidade de aceitação de crítica do autor. E dizemos isso porque, na prática, é normal que o leitor crítico devolva o seu original repleto de rabiscos e anotações coalhadas de críticas, pedindo para que trechos inteiros sejam reescritos e apontando falhas graves que você sequer se deu conta que existiam.

Imagine que seu livro é seu filho e que o papel desse profissional é, essencialmente, apontar cada mínima falha de caráter que encontrar nele. Fácil, não?

Não, não é nada fácil. Mas, do ponto de vista literário, é essencial.

Justamente por conta da delicadeza da relação, é normal que a primeira devolutiva seja feita em um encontro pessoal onde o leitor crítico possa expor alguns dos motivos pelos quais fez algumas das suas observações enquanto as mostra. Se tiver essa possibilidade, abrace-a. Nesse sentido, mesmo que o trabalho seja feito a distância, não há nada que uma conversa via Facetime, Whatsapp, Skype, Meet ou qualquer outra ferramenta gratuita de video-conferência não possa ajudar.

A partir da primeira devolutiva, caberá ao autor fazer as revisões editoriais necessárias.

Você deve seguir tudo o que o leitor crítico apontar?

Lembre-se: no final do dia, o livro é seu. A primeira versão que ele te devolver deverá, claro, ser submetida à sua própria opinião de autor.

Tente ser menos passional nesse sentido: analise cada opinião e apontamento da maneira mais fria e racional possível. Mude o que precisar ser mudado, reescreva capítulos se sentir a necessidade, mude, elimine ou crie personagens, ajuste a narrativa. Faça o que tiver que fazer para responder a essa crítica e deixar o seu livro melhor.

Ao final dessa primeira revisão sua, devolva a obra para que o leitor crítico dê a segunda opinião.

A releitura

O ideal é entregar a ele tanto a impressão com os seus ajustes quanto a impressão com as suas mudanças para que ele possa comparar e compreender melhor o que foi feito. Dependendo da ferramenta que tiver utilizado para escrever o livro, aliás, você pode inclusive entregar com as macas de revisão devidamente apontadas (algo comum no MS Word, por exemplo).

É também normal, aliás, agendar uma reunião para que você exponha a ele o que fez, deixando-o mais preparado para o trabalho.

E o ciclo segue girando

A partir daí, um ciclo de leitura crítica, revisão autoral, nova leitura crítica, nova revisão autoral etc. segue girando até que você considere o livro efetivamente finalizado.

O bom senso, naturalmente, deve imperar em algum momento. De nada adiantará você ser perfeccionista ao ponto e exigir uma infinidade de rodadas: há um ponto em que o trabalho em si naturalmente se esgota, chega a uma espécie de beco sem saída.

Isso é ruim? Não necessariamente. Porque, provavelmente antes disso, tanto você quanto o leitor crítico já terão consensado todos os ajustes necessários e chegado a uma espécie de “acordo” quanto à maturidade do original.

Como escolher um leitor crítico?

Essa não é, exatamente, uma pergunta fácil.

Um leitor crítico pode ser um amigo? Sim, pode… mas desde que você tome alguns cuidados importantes. Amigo ou não, por exemplo, é fundamental estabelecer a relação profissional que comentamos no início do post. Amigo ou não, é também fundamental que escolha alguém não por afinidade pessoal, mas por afiniade com o tema da sua obra e com intimidade com a literatura em si. Escolher alguém que leu o último livro no ano passado certamente não te ajudará em muita coisa, certo?

Mas o ideal mesmo é que o leitor crítico seja um profissional do mercado. Quem?

Pode ser um crítico literário real de algum veículo de comunicação ou blog especializado em literatura, pode ser um editor, pode ser um agente literário. Entenda: você estará contratando um serviço profissional e, portanto, iniciará com uma cotação, com um processo de orçamentação normal.

E como você encontrará essas pessoas? Na Internet, é claro.

Busque blogs e redes sociais e simplesmente envie uma mensagem a eles perguntando se topam fazer esse serviço e quanto cobrariam por ele. Simples assim.

Quanto tempo leva um trabalho de leitura crítica?

Depende do tamanho do livro e da fluidez da escrita, claro. Se o livro tiver umas 150 ou 200 páginas bem escritas, o trabalho inteiro pode durar duas ou três semanas; se o livro tiver umas 400 ou 500 páginas e for inteiramente truncado, mal escrito e recheado de erros gramaticais e ortográficos ao ponto de não se conseguir entender os textos, pode levar meses.

Mas lembre-se: estamos falando de um livro, de um filho seu. De nada adianta ser apressado em excesso e publicar um material ruim, correto?

Quanto custa a leitura crítica?

Isso também depende de uma série de fatores, desde os que comentei acima até o próprio nome e fama do leitor crítico que selecionar. Mas, se eu pudesse estimar ordens de grandeza, seria algo entre R$ 500 e R$ 4.000.

O que não esperar da leitura crítica?

Revisão ortográfica e gramatical, diagramação, ilustração, capa, registro de ISBN etc. Um leitor crítico é um leitor crítico. Ele até pode apontar erros mais crassos de português, mas tenha por certo que seu papel não é o de um revisor.

A revisão continua sendo absolutamente essencial – assim como todas as etapas de transformação de um texto em um livro publicado, por assim dizer.

O livro está pronto depois da leitura crítica?

Não, claro. Ele estará apenas editorialmente fiinalizado.

A partir daí todo um novo conjunto de processos se inicia – desde a revisão ortográfica e gramatical até o ato da publicação em si. Neste sentido, recomendamos que veja este post aqui com todos os passos para que você lance o seu livro.

Recomendamos também este outro post aqui com os motivos para você lançar no Clube de Autores – incluindo o fato de sermos gratuitos, de trabalharmos com formatos impresso e digital, de distribuirmos (também gratuitamente) pelas maiores livrarias do país e de vendermos, inclusive em formato impresso, em todo o mundo.

Gostou? Junte-se a nós aqui no Clube de Autores!

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Não se pode escrever sem saber escrever

Há alguns anos, em uma Flip dessas tantas que participamos, acabei entrando em uma discussão com um romancista. O assunto: a língua portuguesa.

Segundo ele, o mais importante de um livro era passar a sua mensagem, a sua história, mesmo que para isso algumas regras (básicas) da nossa gramática fossem… digamos… ignoradas.

Discordei, como discordo hoje.

Não dessa prioridade em se passar uma mensagem, claro – mas do papel singular que o uso correto do português tem para cumprir esse objetivo.

Há uma diferença muito pouco sutil entre a história falada e a história escrita: a fala carrega tons e entonações que dificilmente podem ser replicadas pela escrita. Por este mesmo motivo, histórias faladas permitem mais liberdades com o nosso idioma, são mais soltas, mais musicais.

Na história escrita, tudo muda: nela, a entonação é dada pelo leitor, não pelo narrador.

A posição de uma vírgula pode quebrar todo o ritmo da frase ou mesmo alterar o seu sentido; a falta de vírgulas pode deixar o leitor com absoluta falta de ar, asfixiando a história inteira; tempos verbais errados (como usar o ‘quer que eu faço isso?’ ao invés de ‘quer que eu faça isso?’) podem assassinar a imagem do autor perante o leitor – imagem que sempre deve ser mantida no mais alto patamar pelo bem do enredo.

A história escrita depende da escrita e quanto mais mambembe, quanto mais desconectada do nosso idioma, ela for, mais difícil será cativar uma base interessante de leitores. Vejo isso no cotidiano do Clube de Autores: se tem um ponto comum da imensa maioria dos livros mais vendidos aqui é que eles passaram por uma revisão profissional antes de chegarem às prateleiras.

Para o nosso azar, temos um idioma que, embora belíssimo, é carregado de sutilezas e de minuciosas regrinhas para tudo. É difícil, muito difícil, dominar todos os detalhes do português – mas usar isso como desculpa para não se aprofundar no básico não ajuda o autor em nada. Quer viver da escrita? Estude seu idioma.

Para a nossa sorte, é relativamente fácil encontrar bons revisores a preços acessíveis. Não acredito que seja nesse quesito que se deva economizar.

Histórias bem escritas, afinal, são também histórias mais lidas, como se pode concluir por obviedade.

E bons livros tem os seus enredos bem escritos, não cuspidos de qualquer maneira em folhas em branco.

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Se estiver no Rio, nao perca o InterLivro

São poucos os eventos especificamente voltados para profissionais do livro – seja editores ou diagramadores, capistas etc. Aliás, pouca atenção é dedicada a esses profissionais fundamentais para toda a cadeia literária: sem eles, o potencial de uma boa história acaba sendo absolutamente subexplorado para a tristeza dos leitores e, claro, dos autores. 

Pois bem: uma iniciativa recente quer começar a mudar um pouco esse panorama, integrando profissionais em torno das tantas mudanças que o mercado editorial vem passando e buscando apontar rumos mais uniformes e claros: o Interlivro. 

O evento é gratuito e terá duração de um dia – amanhã, 3 de setembro – lá no Riocentro. E quem falará nele? Alguns dos nomes mais influentes do nosso mercado, como Emma House (Publishers.org.uk, Reino Unido), Jo Lendle (Hanser.de, Alemanha), Elisa Braga (Cia das Letras, Brasil) e mjuitos outros. 

Eu diria até que é um evento que vale a pena não só para os mais de mil profissionais que estão aqui no www.profissionaisdolivro.com.br, mas também para todos os autores e curiosos com os rumos da nossa literatura. 

Enfim: eis a dica para amanhã. Mais informações, inclusive grade, endereços e formulário de inscrição (gratuita) podem ser vistas no http://www.interlivro.com.br

  

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Já temos 579 fornecedores no Profissionais do Livro!

Logo que começamos o Clube, abrimos uma área específica para serviços editoriais como revisão, diagramação e capa. A ideia não foi exatamente nossa: a própria comunidade de autores independentes exigiu isso como algo importante para dar acabamentos mais sofisticados às suas criações literárias.

A questão é que, sempre que não há concorrência, o consumidor perde. E, muito embora sempre tivéssemos excelentes avaliações dos três fornecedores que atuavam em modelo de exclusividade, decidimos abrir, no meio do ano passado, um canal para todos os fornecedores que quisessem fazer negócio.

O modelo, tangibilizado no www.profissionaisdolivro.com.br, é simples: todos podem oferecer seus serviços e estabelecer os seus preços e cabe ao autor decidir de quem comprará.

Para dar mais segurança, algumas regras foram implementadas ao processo:

1) A comunicação entre autor e fornecedor fica toda documentada pelo site, em uma área exclusiva de acompanhamento de serviços
2) O pagamento é feito na hora pelo autor (podendo ser parcelado no cartão em até 12 x) – mas o fornecedor recebe apenas depois de ter o serviço prestado e aprovado, seja explícita (quando o autor valida online) ou tacitamente (quando o fornecedor posta o seu trabalho e 30 dias se passam sem que o autor se manifeste).
3) As avaliações dadas só podem ser feitas por clientes, garantindo que não haja “falsos aplausos” no site que acabem confundindo o processo de tomada de decisão

Assim, conseguimos garantir que todos os serviços sejam prestados com qualidade – ou devolvemos o dinheiro. Simples, não?

Pois é. E, em 6 meses, já temos quase 600 diferentes fornecedores cadastrados e que já realizaram centenas de serviços diferentes!

A nossa meta agora é dar mais ferramentas de controle para autores e fornecedores, facilitando a comunicação entre todos, e abrir o leque de serviços.

E, para isso, contamos com a ajuda de vocês – que, afinal, foram os reais idealizadores de tudo o que o Clube fez até aqui. Além dos serviços prestados atualmente – capa, revisão, diagramação, registro de ISBN, conversão para EPub e ilustração – que outros sentem falta?

Há mais algum que seria interessante e que poderia ajudar você na confecção de seu livro?

Caso positivo, poste aqui como comentário e contribua!

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Profissionais: não esqueçam de cadastrar os seus perfis completos para os autores

Quando um autor está convencido de que precisa adquirir serviços profissionais como capa, diagramação, revisão, ilustração ou outros, a primeira coisa que ele costuma fazer é buscar nomes e referências na Web.

Sob esse aspecto, o Profissionais do Livro (www.profissionaisdolivro.com.br) já veio como uma verdadeira mão na roda, somando os diversos serviços profissionais no mesmo local de forma absolutamente democrática.

Mas, mesmo tendo acessos aos profissionais, estes ainda precisam convencer os autores de que são as melhores opções em um mercado cada vez mais concorrido. Afinal, mesmo tendo a garantia do próprio Clube de que o pagamento será feito apenas mediante aprovação, ninguém fica feliz em fazer apostas erradas, por assim dizer.

Sabe como o profissional pode resolver isso? Cadastrando, no próprio Profissionais do Livro, referências de seus trabalhos na Web. Afinal, além de uma biografia bem descrita, prática, uma relação de sites e blogs com os seus trabalhos já costuma ser o suficiente para que os autores sintam-se mais confortáveis em contratar um determinado serviço. Vejam no exemplo abaixo, que pegamos de um dos profissionais cujos serviços estão à venda no site:

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