Não mande originais para editoras: publique e concentre-se no seu público

Mesmo nós sendo uma empresa de autopublicação, um site onde os próprios autores podem, diretamente, publicar seus livros como quiserem e vê-los à venda nas maiores livrarias do país, até hoje recebemos originais pelos Correios.

Às vezes são livros inteiros, encadernados profissionalmente e tudo. Às vezes são manuscritos. Às vezes são páginas impressas a partir do Word. Seja como for, o fato é que letras continuam chegando até nós das mais esdrúxulas maneiras possíveis.

E por que digo “esdrúxulas”?

Porque já passou da hora de autores largarem para trás o utópico sonho de serem descobertos por editoras e de, subitamente, tornarem-se celebridades literárias.

É possível que isso ocorra ainda hoje com uma ou outra pessoa? Sim, é possível – mas elas são o extremo da exceção, bem distante de qualquer coisa que se assemelhe à regra geral.

E, se isso é verdade para o Clube, é igualmente verdade para todas as editoras tradicionais brasileiras – aquelas que não cobram diretamente dos autores para publicarem seus livros, vendendo caro sonhos que dificilmente se transformarão em realidade pelo simples fato de que apenas o autor, e ninguém mais, consegue transformar sua história em um best-seller.

Mas sabe o que acontece quando um original é enviado pelo Correio (ou mesmo pela Internet) na expectativa de que alguma editora o publique sob seu selo? Expectativas são elevadas à altura do Everest; decepções são cozinhadas na medida em que o tempo passa sem resposta; raivas resignadas são geradas a fogo brando; talentos incríveis são perdidos para o mar de lodo morno e amorfo que define a realidade do mercado editorial brasileiro. Colocando em outros termos: é energia demais jogada fora quando a solução está dentro de cada um dos autores.

Quer ter seu livro transformado em best-seller? Publique-o você mesmo aqui no Clube de Autores. Mas publique-o com o carinho que ele merece: com o português revisado, uma capa bem feita, o ISBN registrado, uma diagramação bem feita. Em pouco tempo, seu livro estará na Cultura, na Amazon, na Estante Virtual, na FNAC… no mundo.

Isso resolve o problema? Claro que não.

Mas te leva ao pé da montanha.

A partir daí, é uma questão de refocar as energias. Ao invés de perder tempo e suco gástrico tecendo esperanças vãs com editoras, monte seu próprio evento de lançamento, seu plano de divulgação, lance-se nas redes, faça e cresça seu próprio público, construa sua própria carreira.

Será fácil? Obviamente que não.

Mas certamente será muito mais viável que dedicar vidas (as suas e as dos seus personagens) a rezar por utopias que provavelmente jamais se transformarão em realidade.

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Como funcionam os direitos autorais sobre Fan Fics?

Há algum tempo atrás, fiz um post sobre um site que todo autor deveria conhecer, o meudireitoautoral.com . Em linhas gerais, ele contém uma série de conteúdos de extrema relevância sobre, obviamente, os direitos e deveres que todos temos ao criar obras literárias.

E, como tudo nesse nosso mundo moderno, há sempre mais zonas cinzentas do que pretas e brancas.

Uma delas refere-se a Fan Fics – livros escritos por fãs de enredos já conhecidos, utilizando como pano de fundo cenários ou personagens, mas com histórias completamente originais. Exemplo: uma história que se passe em Hogwarts, terra de Harry Potter, mas que sequer cita os famosos personagens magos.

Como funcionam os direitos autorais nesse caso?

Bom: há um post no MeuDireitoAutoral exatamente sobre isso. Se você é autor de uma FanFic, recomendo seriamente que leia clicando aqui ou na imagem abaixo!

http://www.meudireitoautoral.com/fanfiction-direitos-autorais/

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Menos debate, mais livros

Recentemente, a timeline do meu Facebook tem sido tomada por eventos “mercadológico-literários”. Todos tem a mesma pauta: discutir o futuro do mercado, ebooks versus impressos (ainda), o papel de editores, para onde vamos etc. e tal.

Cansei de todos esses tipos de evento.

Para mim, esse negócio de prever o futuro é relativamente simples: basta olhar o presente e tirar dele tudo o que não faz sentido.

E o que não faz sentido?

Esses tipos de debate em si, como se qualquer conclusão que saísse deles fosse efetivamente mudar alguma coisa.

Qual o futuro do livro? O livro.

Simples assim.

As velhas editoras em seus modelos de distribuição arcaicos, cobrando fortunas justamente dos autores para entregar o que já se pode conseguir de graça, fazem sentido? Não, claro que não. Então devem eventualmente desaparecer.

Os profissionais do livro, como capistas, diagramadores, revisores etc., continuam sendo necessários? Óbvio que sim. Então devem não apenas continuar existindo, como também crescer enormemente pelas possibilidades de negócio que a Internet tem aberto a todos. Um parêntese aqui: só o Profissionais do Livro, que lançamos há alguns anos e nunca fizemos nenhuma divulgação extensiva na mídia, já tem quase quatro MIL profissionais vendendo e entregando seus serviços. Quer prova maior de mercado?

O futuro do livro é impresso ou digital? Sinceramente, isso importa? O importante não é apenas que as pessoas leiam (ou escutem, no caso de audiolivros)? E da maneira que melhor convier a cada um?

As livrarias tradicionais tendem a desaparecer? Bom… a partir do momento que você vai a uma livraria física e nunca encontra o livro que você procura – algo cada vez mais comum em um mundo com cada vez mais livros e menos espaços em vitrines – me parecem que, no mínimo, elas precisarão mudar.

Vejam… não estou tecendo nenhuma conclusão complexa, sofisticada, fruto de horas e horas de reflexão no alto de uma montanha no Tibet: estou apenas escrevendo o que parece o mais óbvio e ululante.

O que também é óbvio? Se há como se publicar gratuitamente, se há redes sociais para se construir seus próprios públicos, se há como distribuir os seus livros nas maiores livrarias do país sem pagar nada… então para que perder tempo discutindo o sexo dos anjos? Não é mais proveitoso sentar, escrever, publicar, divulgar e vender?

Não é para isso que todos estamos aqui, afinal? Para contar as nossas histórias para o mundo?

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A História da Chuva

Niall Williams abre o seu belíssimo livro “History of the Rain” (ou ‘A História da Chuva’, aparentemente ainda não traduzido para o português) dizendo que nós somos as nossas próprias histórias. 

Em tese, o pensamento em si não é tão original: certamente todos nós já ouvimos isso de diversos escritores ou poetas que biografam a vida. Mas há que se sair da superfície para entender o que ele realmente quis dizer. 

No livro, a protagonista cava fundo em suas memórias para recontar a história de seu pai e de seu avô como maneira de se entender melhor enquanto passa os dias acamada por uma doença grave. Há toda uma sucessão de tragédias familiares: o irmão gêmeo morre afogado, a casa pega fogo, o pai tomba, súbito, de câncer, e assim por diante.  Há o suficiente para que o leitor babe ininterruptamente de tanto chorar. 

Mas há mais. 

Entre cada pedaço de história familiar, a narradora insere trechos de histórias de Dickens, de Dante, de Shakespeare. Entre cada vida vivida, ela soma vidas lidas a partir da biblioteca de mais de 3 mil livros do pai – livros aos quais ela dedica cada minuto do tempo que lhe resta. É como se o autoconhecimento não viesse apenas da fria árvore genealógica, mas principalmente do acúmulo de conhecimentos que cada parte dela – seu pai, seu avô, seu bisavô – absorveu ao longo de suas próprias vidas. 

Algum antepassado leu Virgínia Woolf, por exemplo? Então a história se introjetou no sangue familiar, ajudando a moldar o pensamento genealógico dali para a frente. 

Parece uma viagem? E é. Principalmente porque, em um determinado momento, a história familiar real, factual, vai perdendo importância e deixando-se substituir pela história romanceada, imaginada, escrita e, portanto, imortalizada.
Ao final do livro, o leitor não tem sequer a certeza do que realmente aconteceu – mas esse real fica tão irrelevante frente à maneira com que a narradora expõe seus desejos como fatos passados que o pensamento que abriu este post ganha uma nitidez incrível. 

Sim: somos as nossas próprias histórias. Mas não apenas porque foram elas que embasaram as nossas visões de mundo e sim porque foram – e são – elas que, repassadas adiante, significam o que sonhamos ser e o que, lá em nosso íntimo, mais acreditamos ser. E isso é algo muito, mas muito mais real do que a própria realidade. 

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