Inspire-se visitando a casa dos grandes escritores da humanidade

Como autores, todos temos como ídolos outros escritores, ainda vivos ou já eternizados no tempo. Nomes como Oscar Wilde, Kafka, Clarice Lispector, Machado de Assis, Guimarães Rosa e tantos outros acabam fazendo parte do próprio repertório criativo de muitos de nós, influenciando as nossas palavras e pensamentos.

E – como todos nós – esses grandes mestres da literatura foram também fruto de seu tempo e dos seus “zeitgeists“. Dá para imaginar um Euclides da Cunha que não tivesse vivenciado Canudos? Ou um Kafka que não tenha vivido sob o clima opressor da Praga de antigamente? É possível separar a literatura de Victor Hugo do clima romântico de Paris, ou vislumbrar um Machado de Assis distante da famosa Rua dou Ouvidor, no Rio?

Se quiser conhecer a fundo a alma de um escritor, é fundamental ir além de suas obras e visitar os seus lares, os seus quartos, estudar o tempo em que viveram. E como não faltam grandes nomes espalhados pelo mundo, não é também nada difícil aliar o útil ao agradável e aproveitar alguma viagem de férias ou feriado para mergulhar, de uma maneira um pouco mais íntima, na vida daqueles que nos inspiram.

Quer uma ajuda? Dê uma olhada nessa matéria aqui, com as casas de dez escritores famosos. Ou nessa, com 15 outros endereços; ou nessa outra, com mais 5

Ou seja: referências e locais para visitar não faltam. Basta vontade de se inspirar com esses grandes mestres.

E, claro, escrever o seu livro. E lançá-lo aqui no Clube de Autores, claro!

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O muro de Trump como símbolo perfeito dos nossos tempos

Fiquei me perguntando, dia desses, o que aconteceria (ou acontecerá?) com o mundo se o Trump realmente construir o seu muro. Sim, é óbvio que isso afetará mais a relação entre México e EUA do que entre quem quer que seja… mas será também o símbolo de uma mudança dramática na história da humanidade.

Por que? Porque mudanças são simbolizadas por marcos, por manifestações físicas de pensamentos polêmicos. O muro de Berlim, ingrato antecessor da ideia de Trump, teve esse papel: ao isolar diferentes culturas, ele simbolizou diferentes enfoques culturais e políticos e gerou toda uma pletora de conflitos e histórias. Símbolos e muros são como o pontapé inicial de uma dialética hegeliana: há a tese, cria-se uma antítese fisicamente separada dela e, depois de muita filosofia sobre divisões e uniões, chega-se em uma síntese nova.

Como humanidade, ficamos na ingrata posição de perder no curto prazo (uma vez que cismas entre povos dificilmente trazem benefícios) e de ganhar no longo prazo (uma vez que experiências, inclusive as malfadadas como creio que será a do muro, tendem a ampliar o nosso conhecimento sobre nós mesmos).

Mas o mais curioso é que símbolos, quando tangibilizados, servem apenas para oficializar pensamentos que já são generalizados. Olhe para o mundo distante: Brexit, polêmicas em torno dos imigrantes muçulmanos, fanatismo religioso, Estado Islâmico. Todos esses movimentos são fruto de uma crescente intenção de povos se juntarem em comunidades que pensem de maneira semelhante para se isolarem do resto do mundo (a quem condenam aos brados).

Olhe para o mundo próximo: as eleições para presidência no Brasil, vencidas por Dilma Rousseff, foram marcadas por discursos do ex-presidente Lula pregando o “nós contra eles” e posicionando o seu eleitorado como inimigo do “outro Brasil”, o “Brasil das elites”. Dilma pode ter sofrido o impeachment pouco tempo depois (por outros motivos), mas não se pode ignorar que foi esse discurso incendiário que conquistou os votos decisivos para que ela se consagrasse vitoriosa nas urnas.

Fora das eleições, há movimentos crescentes de separatismo, por exemplo, da região sul do Brasil – um dos quais já tem até mascote e abaixo-assinado com dezenas de milhares de apoiadores.

Aliás, nem precisamos ir tão longe: olhe o seu próprio Facebook. Seja por brigas entre esquerda e direita ou entre defensores de grafite ou da limpeza urbana, o fato é que as discussões estão cada vez mais inflamadas independentemente das suas causas.

O resumo de tudo isso: a era da informação, ao invés de nos unir enquanto povo, está nos separando em comunidades de fanáticos. O muro do Trump é, repito, apenas o símbolo mais dramático de um pensamento que, com maior ou menor força, já está presente na quase totalidade das pessoas.

Nos posts que faço aqui no Clube eu costumo olhar tudo sob a ótica da produção literária – mesmo porque isso é, afinal, um blog de literatura. Farei o mesmo, então.

Kafka foi filho de uma era de ruptura de pensamento social. Machado de Assis também. Como eles, em diferentes eras de ruptura, tivemos ainda Nietzsche, Proust, Shakespeare. Tivemos muitos, muitos gênios que produziram obras primas que questionaram tudo e, ao fazer isso, nos catapultaram para níveis intelectuais cada vez mais elevados.

A que conslusões isso nos leva?

O muro do Trump e esse segregacionismo generalizado podem ser as verdadeiras portas do inferno para sociedades de todo o mundo, abrindo caminho para que a humanidade mostre o que tem de pior. Mas, por outro lado, temos tudo para crer que já estamos testemunhando, em nosso cotidiano, lançamentos de maravilhas literárias que serão verdadeiros presentes para as futuras gerações.

Histórias, afina0516trumpwall01l, não hão de faltar nesse nosso caótico mundo de sociedades fanáticas.

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Vamos ao Machado de Assis

Ele é sempre o exemplo que utilizo quando me perguntam sobre autopublicação.

Há uma imagem de que o mercado para escritores hoje é muito mais difícil do que o do passado – que, lá atrás, existia todo um grupo de editores que apoiavam ferozmente novos talentos e os deixavam com a tarefa única de escrever.

Isso nunca foi verdade. Esse modelo de escritores descobertos pelo mercado e ganhando a possibilidade de dedicar o seu tempo única e exclusivamente em escrever nunca foi real, pelo menos não do ponto de vista da normalidade. Há exceções? Claro. Mas sempre foram poucas e raras.

A regra sempre foi outra. É difícil imaginar um escritor famoso, em qualquer canto do mundo, que não tenha dominado as ferramentas de marketing e autopromoção.

Machado de Assis, nosso grande mestre, não está fora dessa esfera. Ser negro, epiléptico e pobre no Rio de Janeiro do século XIX dificilmente abria portas.

Mas ele, no entanto, as abriu.

Vale conferir esse pequeno documentário sobre sua vida- e se inspirar com este que é provavelmente o maior mestre da nossa literatura. Mesmo porque, verdade seja dita, se tem uma coisa que os nossos tempos possibilitaram foi uma quantidade muito maior de portas que podem ser abertas mais facilmente do que nos séculos passados.

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O hipertexto contra o tempo

É inegável que autores como Machado de Assis sejam uma referência para a literatura brasileira – da mesma forma que textos como os de Kafka, Nietzsche, Goethe, Balzac, Camões e tantos outros marcaram de maneira definitiva a história de seus povos e do mundo inteiro.

Mas todas as obras são, por natureza, vítimas do tempo em que foram escritas. Por situarem-se em tempos e espaços compatíveis com a realidade ou imaginação de seus autores, a imensa maioria dos livros carrega referências de fundamental importância para a própria compreensão dos textos que as encerram.

Na medida em que o tempo vai passando, é natural que parte dessas referências vá deixando de existir ou simplesmente mudando – o que faz com que a interpretação do leitor se descole dos conceitos originais e acabe prejudicando a compreensão como um todo. Quer um exemplo?

Uma das obras primas de Kafka se chama “O Castelo”. O título faz referência a um castelo que observa, do alto, toda a cidade de Praga – ostentando um ar macabro, sombrio e quase intimidador. Se o leitor do Castelo for a Praga nos dias de hoje terá dificuldades em entender o título: um dos maiores centros turísticos europeus, o local é hoje colorido, alegre, repleto de flores e de pessoas sorridentes caminhando por entre as suas ruelas e corredores.

O mesmo tipo de problema pode ser aplicado a referências históricas, endereços e mesmo a conceitos que já deixaram de fazer parte do nosso cotidiano. Isso significa que a compreensão de obras primas escritas no passado está prejudicada de maneira irreversível?

Não. Significa apenas que é necessário que o leitor se contextualize enquanto estiver lendo.

Uma iniciativa da Fundação Casa de Rui Barbosa, com apoio do CNPq e da FAPERJ, tem justamente o intuito de ajudar o leitor nessa tarefa. Batizado de “romances em hipertexto”, o site se utiliza de recursos da própria Web para grifar verbetes ou termos específicos cuja compreensão seja importante para a leitura, definindo-os de maneira suscinta e prática. Em outras palavras, quando Machado de Assis faz referência à Aljube, basta passar o mouse sobre o termo para ver que se trata de uma cadeia antiga, extinta mesmo em sua época, e que nasceu para prender membros do clero. E tenha certeza: saber isso muda toda a compreensão do texto!

Esse tipo de funcionalidade – que já está presente também em boa parte dos leitores de ebooks – é certamente um passo importante para se perenizar ainda mais a literatura produzida no mundo, da qual todos nós, autores, somos legítimos representantes.

Enquanto o ano não vira, visite o site e conheça alguns romances em hipertexto clicando aqui, no linkhttp://www.machadodeassis.net/hiperTx_romances/index.asp ou na imagem abaixo!

 

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