Quer saber o que acontece no cenário editorial latino? Pergunte-nos: estamos no olho do furacão!

Como comentei no post da sexta, estamos hoje na FIL – Feira do Livro de Guadalajara, no México, segunda maior do mundo. 

Nosso objetivo é saber o que está acontecendo no cenário editorial fora das nossas fronteiras: que casos, inovações, dificuldades, soluções e histórias estão sendo construídas por aqui. 

Tem alguma curiosidade sobre isso? Quer fazer alguma pergunta qualquer?

Então siga-nos no Twitter e acompanhe a nossa transmissão! E, claro, fique à vontade para nos perguntar o que quiser por aqui ou por lá e faremos o possível para responder!

 

 

Leia Mais

Um olhar sobre os diferentes modelos de apps focadas em narrativas

Sabe qual o maior desafio para autores (ou editores) mergulharem no mundo das apps e criarem livros mais interativos?

Custo.

De uma maneira geral, produzir um livro interativo interessante o suficiente para ser efetivamente comprado em lojas online custa muito, muito caro. Meses de desenvolvimento intenso, em alguns casos.

Por outro lado, cobrar muito não é uma opção. Vi um estudo em Londres (cuja fonte, perdoem-me, esqueci) dizendo que uma app de R$ 9,99 é encarada como um livro de R$ 99,99. Ou seja: subir o preço para pagar os custos tem como efeito colateral praticamente zerar as vendas.

E esse, provavelmente, será o maior desafio para uma espécie de mutação de livros em apps, uma realidade que, embora muito preconizada, dificilmente decolará DE VERDADE.

Selecionei três modelos de empresas interessantes para avaliação.

O primeiro se chama Me Books (mebooks.co). De todos, é o único realmente rentável por se tratar de um estúdio focado em livros infantis e com muita, muita escala. O segredo deles é a estruturação de uma linha de montagem baseada em animações padrão para livros infantis: em média, do papel para a app (incluindo desenvolvimento, animações e gravações de vozes), um livro leva de 1 a 7 DIAS para ficar pronto. Eles vendem a valores próximos a US$ 1,99 e contam com acordos feitos com personagens da Disney e de outras empresas. As vendas unitárias são espetaculares? Não. Mas a soma do volume funciona. Para autores independentes, não chega a ser exatamente um bom negócio. aliás, não dá nem para dizer que é um negócio. Mas para a editora e para marcas com direitos de personagens como Disney e Peppa, por outro lado, é bastante lucrativo.

O segundo é a TouchPress (touchpress.com), uma empresa feita por artistas multimídia realmente incríveis. Como trabalham? Eles escolhem um tema qualquer, criam aplicativos incríveis para contar uma história e fazem um desenvolvimento tão inacreditavelmente bem acabado que rapidamente vão parar nas recomendações oficiais da Apple ou Google Play. O segredo deles é a perfeição pura que acaba atraindo a atenção das grandes varejistas de app e, por consequência, gerando divulgação. Considerando que há apps que levaram 9 meses para ficar pronta, é uma aposta arriscadíssima – mas que tem funcionado para eles.

O terceiro, finalmente, é a NosyCrow (nosycrow.com), focada em histórias infantis da mesma forma que a Me Books. A diferença aqui é que as apps também são mais artísticas e elaboradas – mas não tanto quanto as da TouchPress. Pelo papo que tive com eles, não me pareceu que a empresa se pague, exatamente, o que acaba deixando um questionamento sobre o modelo de negócios como um todo. A NosyCrow é um excelente representante de como editoras tem trabalhado o mundo das apps, buscando um desenvolvimento bem acabado mas ainda sem chegar a uma fórmula de receita sustentável. Vai funcionar? Só o futuro dirá.

Mas uma coisa que parece claro é que, ao menos para esse mercado, há duas alternativas de sucesso: qualidade ou quantidade, quase como opostos de um raciocínio de sobrevivência mercadológica.

Leia Mais

Há espaço para gigantes no #FuturoDoLivro?

Qual o futuro do livro? Nessa semana que estou aqui em Londres, um dos principais tópicos discutidos no encontro dos YCE (grupo de 6 empreendedores do mercado editorial vindos da Rússia, Africa do Sul, China, Emirados Árabes, Colômbia, Espanha e, claro, Brasil) gira em torno desse assunto.

E, já no primeiro papo que aconteceu no Groucho Club (SoHo), a conclusão já foi bem simples: todos os países estão enfrentando os mesmos tipos de problema, incluindo:

– Embates sobre livro impresso vs. livro digital (o que, sinceramente, acho uma discussão meio inútil)
– Briga por espaço para novos autores até mesmo como forma de rejuvenescer a literatura tradicional
– Briga com os “donos” do mercado editorial

Esse último ponto é importante principalmente para países como o Reino Unido e Espanha, que contam com uma dominação inacreditável do mercado pela Amazon – algo que não ocorre, ao menos com esse peso, no Brasil.

Esse é, aliás, um ponto curioso da própria dinâmica de mercados: a Amazon cresceu no mundo principalmente pela sua competência – ela conhece o leitor como ninguém mais.

Por outro lado, o gigantismo gerado pela sua competência acaba servindo como uma força política imensa usada para impedir (ou ao menos diminuir) o crescimento de outras empresas do meio. Ou seja: o sucesso no longo prazo de uma iniciativa inovadora como a Amazon parece estar preso à necessidade de dificultar, por meio de sua força política, novas iniciativas inovadoras que, por definição, existem para questionar e alterar o status quo (que ela passou a representar).

Diferentemente do passado, no entanto, novas iniciativas nunca tiveram tanta oportunidade de crescimento quanto agora devido à Internet – o próprio Clube é testemunha disso.

E as forças que, mesmo de maneira desestruturada, tem se unido contra o gigantismo de uma ou algumas poucas empresas, parecem ainda maiores do que elas.

Para onde isso aponta? Para o questionamento da própria viabilidade de iniciativas pseudo-monopolistas como a Amazon. Hoje, certamente, ela domina o mercado como ninguém mais: mas parece que o mercado está começando a reagir a essa (e a qualquer outra) forma de dominação tão clara.

Veremos as cenas dos próximos capítulos.

20140406-102646.jpg

(Na foto, os participantes da reunião dos YCE que acontece agora no Groucho Club).

Leia Mais

Sejamos todos bem-vindos à Feira de Ribeirão

Começou ontem a X Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto! 
A partir de hoje, o Clube de Autores dividirá as suas operações entre a base de São Paulo e a Feira em si, na qual estaremos presentes por meio da nossa parceria com o AGBook (e em seu stand lá). 
Teremos desde lançamentos de autores do Clube até uma participação na mesa de debates sobre novas tecnologias no dia 17/06, na ACIRP (Rua Visconde de Inhaúma, 489). 
Aos que irão para a Feira, nos vemos lá! Aos que não conseguirão estar presentes, fiquem atentos aos nossos próximos posts e tweets!
Para ver a programação completa da Feira, clique na imagem abaixo ou vá diretamente ao link http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=32127053&access_key=key-j9ed89mesj7pudib698&version=1&viewMode=fullscreen

Leia Mais