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A importância da ilustração nos livros infantis

Se você já leu para uma criança, deve ter percebido como a história em si é apenas uma parte do universo da leitura para os pequenos – eles gostam de observar as figuras, cores, detalhes… tudo encanta. 

Isso se a ilustração tiver a ver com a história que está sendo contada – acredite, nem sempre isso acontece! E não tem nada mais frustrante para uma criança do que não entender o que está desenhado ali. É a hora da famosa pergunta, com dedinho apontado “o que é isso?”. Você pode estar pensando “mas as crianças não conhecem tudo, os livros abrem um mundo de possibilidades para elas” – e está certíssima – o que irrita uma criança é quando ela conhece a palavra, o som, as cores e não entende a imagem. Ou quando não há ilustração naquele trecho específico. 

Até os 5 anos, mais ou menos, eles estão mais focados nas imagens do que na história em si. Às vezes, o pedido para ler novamente pode ser por um animalzinho fofo ilustrado na capa ou uma página super colorida no meio do livro. Os estímulos visuais são muito importantes nesta fase. É por meio deles que as crianças aprendem a diferenciar cores formatos, reconhecer figuras e até desenvolver melhor a fala, entre outros benefícios. 

Quanto menor a criança, mais importante é a imagem. O bebê não sabe a diferença entre um peixe e um cavalo mas ele gosta do que vê, aponta, ri, volta a página para o desenho que mais gostou. Conforme ela vai crescendo, as frases ficam maiores e as ilustrações com mais detalhes para prestar atenção.

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Reconhecimento de imagem

Quer um exemplo? Felipe é uma criança que não gosta muito de comer frutas, vira e mexe torce o nariz para o que a mãe coloca no prato e chora quando insistem que ele coma. Outro dia, estava brincando com um livro em que um macaco encontrava uma linda banana e sorria depois de comê-la. O estímulo daquela imagem, somado à explicação da mamãe, fez com que ele passasse a ver a banana de um jeito diferente – pelo simples fato de que ele reconheceu a fruta ali e associou a alegria do macaco ao alimento. Você já deve imaginar quem passou a comer banana feliz da vida depois desse dia, né? 

Tipos de ilustrações

Já sabemos o quanto a ilustração pode impactar na experiência da criança e por isso é importante pensar no tipo de ilustração que você pretende incluir no seu livro infantil. Assim como a escrita, existem diferentes estilos de desenho com traços e expressões variadas. 

Ao conversar com um especialista em ilustração infantil, você irá descobrir que existem diversas técnicas para ilustrar um livro. Além do desenho livre (feito à mão com lápis ou caneta), é possível usar técnicas de colagem, aquarela e até xilogravura. Você também pode criar personagens com características únicas, como O Menino Maluquinho, de Ziraldo.

Mas, atenção: desenhos disformes, ilustrações psicodélicas ou que gerem algum tipo de perturbação não são indicados para crianças – preste atenção antes de contratar alguém para realizar este serviço. Lembre-se que a ilustração é o complemento da narrativa e ela deve harmonizar com o contexto (e o clima) da história. Não estamos dizendo que não há espaço para arte diferenciada no universo infantil mas as crianças possuem uma mente mais realista e talvez são estejam preparadas para interpretar algo tão diferente do que estão acostumadas – se este for o caso, guarde o livro para quando ela estiver um pouco maior. 

Profissional ilustrador

Agora que você já sabe a importância da ilustração para o seu livro infantil, chegou a hora de escolher alguém para fazê-las. Não são simplesmente “rabiscos”, é o sucesso do seu livro em jogo. Geralmente, a primeira opção é um amigo que faz alguns desenhos legais mas recomendamos que você escolha algum profissional para dar mais vivacidade à mensagem que você quer passar. Existem diversas plataformas digitais onde você pode encontrar ilustradores que trabalham freelancer e possuem portfólio digital para avaliar os trabalhos já realizados. 

O Pinterest é uma rede social que pode te ajudar a buscar referências e ver as diferentes possibilidades para se inspirar na hora de passar as orientações de como ilustrar o seu livro. Para tornar o trabalho do ilustrador mais conectado à história, você deve terminar de escrever o livro e conversar sobre a maneira como imaginou o livro ilustrado enquanto produzia a obra.
Atenção: Se você desenha bem e quer se especializar em ilustração infantil, saiba que existem diversos cursos com essa finalidade – inclusive online. Você pode escolher uma técnica para começar e ganhar dinheiro como freelancer em projetos especiais.

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Como ensinar a crianças o amor pela literatura

Não há presente melhor para uma criança do que toda a sabedoria do mundo em forma de páginas

Dia das Crianças, Natal, aniversários: datas para darmos presentes a crianças não faltam. Mas o grande problema é que, como sociedade, quase sempre acabamos encarando presentes como “bens” que devem ser dados aos filhos (ou sobrinhos ou netos) por conta de alguma ocasião específica.

E veja: não quero menosprezar aqui nenhum tipo de brinquedo ou roupa ou qualquer coisa. Mas o fato é que, de todos os presentes possíveis, há apenas um que realmente abre as portas do mundo para as crianças: o livro.

E, se você é um escritor, então entende mais que qualquer humano comum o valor que a literatura tem para formar o espírito, a alma de qualquer criança.

Ensinar amor pela literatura significa formar contadores de história

Quando eu era pequeno, aprendi que há milagres em cada livro em rodas de histórias contadas por uma velha bibliotecária em minha escola. À época, aquela uma hora duas vezes por semana era a única, praticamente, que me empurrava para fora da realidade e para universos feitos de fantasias.

Hoje, claro, o mundo é bem diferente – e tentar forçar métodos de ontem para crianças de hoje dificilmente dará algum resultado.

Abro aqui um parêntese: há os saudosistas incuráveis, aqueles que crêem que se crianças não jogarem gude ou se cederem às seduções da Internet e do vídeo-game estarão invariavelmente fadadas a um futuro sombrio e solitário. Não me incluo entre esses. Ao contrário: sempre acreditei que a maneira mais saudável de criar filhos é justamente contextualizar os valores que queremos que eles tenham na realidade que os cerca. Eliminar os impulsos da era da informação é, para mim, o mesmo que formar um ser do século XIX para, no futuro, inadvertidamente catapultá-lo para o século XXI – uma receita que dificilmente dará resultados positivos.

Mas isso é outro assunto. Por hora, voltemos ao mundo das histórias para crianças.

A linha entre realidade e fantasia em nossos dias

Crianças hoje não vivem mais naquele obscurantismo praticamente medieval que cercava a humanidade até poucas décadas atrás. Sim: a mesma roda de histórias que me encantava quando eu tinha 5 ou 6 anos encanta também a minha filha em sua escola hoje – mas de forma diferente.

Na minha infância, a história do João, do Pedro ou da Maria eram a história do João, do Pedro ou da Maria. Ou seja: havia uma linha nítida que separava fantasia de realidade, uma linha tão inquestionável que ela tinha data e hora para se materializar.

Hoje, os gatilhos para fantasias são tantos que as linhas se atenuaram. Hoje, há como mergulhar em milhares de desenhos animados 24 horas por dia, há como se escolher dentre uma infinidade de opções as brincadeiras desejadas e há como se misturar fantasia com realidade a qualquer instante.

Se eu tiver que isolar uma diferença entre os universos infantis da década de 80 e de hoje, afinal, eu diria que é essa:  há tanta fantasia cercando crianças hoje, e de maneira tão intensamente sob demanda, que pode-se dizer que a dificuldade não está em fazê-las amar a literatura e sim em fazê-las se aprofundar mais em cada história.

Explico-me melhor: no longínquo passado de décadas atrás, as opções eram tão parcas que, para melhor aproveitar o tempo, as crianças acabavam buscando toda uma densa intimidade com os poucos personagens infantis à disposição.

Hoje não há apenas Pedrinho e Narizinho, João e o Pé de Feijão e esses seres de antigamente: há Peppas, Lunas, Mashas e todo um universo Pollys com vida própria que surgem e desaparecem nos labirintos do Youtube. Há tantas histórias e personagens que a possibilidade de uma criança se aprofundar em uma delas, colhendo os ensinamentos que sempre moram em suas páginas, é cada vez mais difícil. Em outras palavras: a superfície é tão sedutora, imensa e bela que mergulhos aprofundados acabam se fazendo raros. Raríssimos.

Voltemos, pois, à pergunta que abriu este post: como ensinar o amor à literatura para crianças?

Respondo apegando-me ao puro e inegável empirismo: emprestando à literatura um pouco do universo real da criança e usando este universo como maneira de seduzi-la para as profundezas de cada livro.

Sim, pode-se contar a história de uma avó maluca que amava fazer doideiras com a neta (sendo esta uma das histórias preferidas da minha filha). Mas e se a avó tivesse o mesmo nome da avó real – ou se a neta tivesse o mesmo nome da criança? E se, em uma história envolvendo um grande grupo de crianças, muitas tivessem os nomes de colegas reais?

Faça esse teste em casa.

Eu fiz. O resultado foi impressionante: de repente, aquele momento com o livro aberto passou a se diferenciar de todos: foi o único em que realidade e fantasia se mesclaram não apenas na imaginação, mas também nas páginas de um livro.

Foi, também, o momento em que os olhos das minhas filhas mais ficaram esbugalhados, que as atenções mais ficaram extremada e que as curiosidades mais foram aguçadas.

Para mim, o amor pela literatura se mede por esses três elementos: o estado dos olhos, da atenção e da curiosidade. Se todos permanecerem em estado de pura adrenalina é porque a receita está funcionando.

Imaginar faz parte de aprender a ler

Uma das características que mais difere um livro de, digamos, um filme, é que no primeiro a participação ativa do “receptor da história” é fundamental. Em um filme, personagens e cenários já aparecem imaginados por alguém: nomes já têm rostos, lugares já tem cores e, para nós, basta nos acomodarmos na adrenalina do que acontecerá depois.

No livro é diferente. No livro, o próprio leitor precisa construir rostos e paisagens em sua mente a partir de uma costura entre o que foi escrito e o que ele tem de referencial armazenado em seu cérebro. Saber imaginar, portanto, é fundamental para se saber ler bem.

E o que pode instigar a criança ainda mais nesse aspecto? A mudança de papel.

E se a própria criança tiver a incumbência de criar uma história, de escrever ou desenhar uma narrativa para, depois, contá-la ao adulto?

Essa inversão de papéis pode ser importantíssima para o seu desenvolvimento.

Por que tudo isso importa?

O que mais nos diferencia de outros animais é justamente a nossa capacidade de contar histórias. Apenas nós, humanos, conseguimos encapsular passado, presente e futuro e, de alguma maneira, tecer linhas narrativas que permitam que as mentes dos nossos pares atravessem qualquer tipo de barreira imposta pelo Tempo em si.

E não há nenhuma, absolutamente nenhuma profissão que não dependa disso. Um bom vendedor é aquele que consegue contar uma boa história para o seu cliente; um bom médico é aquele que consegue interpretar fatos e usá-los para tecer novos “capítulos” a partir de tratamentos que julgar necessários; um bom advogado é aquele que consegue construir uma narrativa forte o suficiente para convencer juízes; e assim por diante.

O que fazemos quando ensinamos nossas crianças a imaginar e criar histórias? Preparamos cada uma delas para que escrevam as suas vidas da maneira que preferirem.

Quer presente melhor que esse?

education, childhood, people, homework and school concept – bored student boy reading book or textbook at home

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Tempo Mágico, Tempo de Namoros disponível em audiobook!

Não saberia dizer, exatamente, em que momento uma criança deixa de ser criança e ingressa no burocrático cotidiano adulto. Talvez fosse fácil apontar uma idade lá pelos idos do século XIX, quando o internatos, lavouras mais áridas ou serviços militares catapultavam a ingenuidade para o meio de uma guerra de hormônios, egos e forças.

Hoje não é mais assim. Hoje, a correria pelo crescimento e por uma maturidade forçada é tamanha que a vontade se sobrepõe à idade, criando uma camada cinza na adolescência onde as descobertas são banhadas com crises tensões maiores do que se imaginava.

Não temos como gerar uma conversa entre um adolescente de hoje e um do século XIX, infelizmente. Mas temos, por certo, como forjar um encontro entre uma jovem dos nossos dias e uma de algumas décadas atrás.

Como? Esse é o pano de fundo de Tempo Mágico, Tempo de Namoros (outra vez!), escrito pela premiada Anna Cláudia Ramos e disponível aqui no Clube de Autores. Com um bônus: na semana passada, o livro foi disponibilizado pela UBook em formato de áudio, empregando uma maneira “nova” de se “ler” livros.

Dado que a obra aborda justamente um choque de gerações, nada mais perfeito.

E nenhuma recomendação poderia ser melhor, portanto, para o dia de hoje – Dia das Crianças. Recomendação principalmente para os pais, acrescento – aqueles que em breve começarão a sentir os efeitos da adolescência dentro de suas casas.

Assim, se quiser conhecer melhor esse brilhante livro e se aventurar, escolha a versão ideal abaixo e bom Dia das Crianças!

Para versão impressa ou ebook, clique aqui.

Para versão em audiolivro, clique aqui.

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Como ensinar uma criança a amar livros

Desde que virei pai, há quase exatos 5 anos, venho me perguntando qual é a maneira perfeita de se ensinar o amor pela literatura para a minha filha.

Quando eu era pequeno, aprendi que há milagres em cada livro em rodas de histórias contadas por uma velha bibliotecária em minha escola. À época, aquela uma hora duas vezes por semana era a única, praticamente, que me empurrava para fora da realidade e para universos feitos de fantasias.

Hoje, claro, o mundo é bem diferente – e tentar forçar métodos de ontem para crianças de hoje dificilmente dará algum resultado.

Abro aqui um parêntese: há os saudosistas incuráveis, aqueles que crêem que se crianças não jogarem gude ou se cederem às seduções da Internet e do vídeo-game estarão invariavelmente fadadas a um futuro sombrio e solitário. Não me incluo entre esses. Ao contrário: sempre acreditei que a maneira mais saudável de criar filhos é justamente contextualizar os valores que queremos que eles tenham na realidade que os cerca. Eliminar os impulsos da era da informação é, para mim, o mesmo que formar um ser do século XIX para, no futuro, inadvertidamente catapultá-lo para o século XXI – uma receita que dificilmente dará resultados positivos.

Mas isso é outro assunto. Por hora, voltemos ao mundo das histórias para crianças.

Crianças hoje não vivem mais naquele obscurantismo praticamente medieval que cercava a humanidade até poucas décadas atrás. Sim: a mesma roda de histórias que me encantava quando eu tinha 5 ou 6 anos encanta também a minha filha em sua escola hoje – mas de forma diferente.

Na minha infância, a história do João, do Pedro ou da Maria eram a história do João, do Pedro ou da Maria. Ou seja: havia uma linha nítida que separava fantasia de realidade, uma linha tão inquestionável que ela tinha data e hora para se materializar.

Hoje, os gatilhos para fantasias são tantos que as linhas se atenuaram. Hoje, há como mergulhar em milhares de desenhos 24 horas por dia, há como se escolher dentre uma infinidade de opções as brincadeiras desejadas e há como se misturar fantasia com realidade a qualquer instante.

Se eu tiver que isolar uma diferença entre os universos infantis da década de 80 e de hoje, afinal, eu diria que é essa:  há tanta fantasia cercando crianças hoje, e de maneira tão intensamente sob demanda, que pode-se dizer que a dificuldade não está em fazê-las amar a literatura e sim em fazê-las se aprofundar mais em cada história.

Explico-me melhor: no longínquo passado de décadas atrás, as opções eram tão parcas que, para melhor aproveitar o tempo, as crianças acabavam buscando toda uma densa intimidade com os poucos personagens infantis à disposição.

Hoje não há apenas Pedrinho e Narizinho, João e o Pé de Feijão e esses seres de antigamente: há Peppas, Lunas, Mashas e todo um universo Pollys com vida própria que surgem e desaparecem nos labirintos do Youtube. Há tantas histórias e personagens que a possibilidade de uma criança se aprofundar em uma delas, colhendo os ensinamentos que sempre moram em suas páginas, é cada vez mais difícil. Em outras palavras: a superfície é tão sedutora, imensa e bela que mergulhos aprofundados acabam se fazendo raros. Raríssimos.

Voltemos, pois, à pergunta que abriu este post: como ensinar o amor à literatura para crianças?

Arrisco uma resposta apegando-me ao puro e inegável empirismo: emprestando à literatura um pouco do universo real da criança e usando este universo como maneira de seduzi-la para as profundezas de cada livro.

Sim, pode-se contar a história de uma avó maluca que amava fazer doideiras com a neta (sendo esta uma das histórias preferidas da minha filha). Mas e se a avó tivesse o mesmo nome da avó real – ou se a neta tivesse o mesmo nome da criança? E se, em uma história envolvendo um grande grupo de crianças, muitas tivessem os nomes de colegas reais?

Faça esse teste em casa.

Eu fiz. O resultado foi impressionante: de repente, aquele momento com o livro aberto passou a se diferenciar de todos: foi o único em que realidade e fantasia se mesclaram não apenas na imaginação, mas também nas páginas de um livro.

Foi, também, o momento em que os olhos da minha filha mais ficaram esbugalhados, que a atenção mais ficou extremada e que a curiosidade mais foi aguçada.

Em minha mente, o amor pela literatura se mede por esses três elementos: o estado dos olhos, da atenção e da curiosidade. Se todos permanecerem em estado de pura adrenalina é porque a receita está funcionando.

Em minha mente, isso também é um indicativo importantíssimo: significa que a maneira de se formar os leitores do futuro parte de uma mudança radical na maneira que concebemos as histórias. Hoje, os personagens precisam ser as próprias crianças em uma mescla de realidade com ficção singular ao ponto de fazê-las sentir, e não apenas ouvir, cada frase proferida em uma narrativa.

Dad and two kids reading

 

 

 

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