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Bibliotecas: o brasileiro faz bom uso? | Insights da 6ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil

Como autor independente, você já parou para pensar na importância das bibliotecas na trajetória de um livro? Muitas vezes focamos apenas em livrarias e marketplaces digitais, mas a 6ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) acende um alerta — e também aponta oportunidades — sobre como o brasileiro interage com esses espaços.

No texto de hoje, vamos analisar os dados do Capítulo 16 (Slides 116 a 128) e entender o que eles revelam sobre o nosso mercado. Você vai se surpreender! Boa leitura.

O cenário atual: menos frequência, mais distância

O dado mais impactante da nova pesquisa é o aumento do desinteresse ou da falta de acesso: 75% dos brasileiros declararam não frequentar bibliotecas. Em 2019, esse número era de 68%.

Além disso, a percepção de existência de bibliotecas públicas nos bairros ou cidades caiu de 47% para 45%. Para o autor, isso reforça um desafio logístico: o livro físico está encontrando menos “portos seguros” públicos para chegar ao leitor.

Onde estão os frequentadores? (Oportunidade para autores!)

Se você escreve para o público jovem ou infanto-juvenil, preste atenção:

  • 58% dos que frequentam bibliotecas utilizam a biblioteca escolar;
  • O perfil do frequentador é majoritariamente jovem: 32% têm entre 11 e 17 anos;
  • 61% dos frequentadores são estudantes.

Análise: a escola continua sendo o principal ponto de contato entre o brasileiro e a biblioteca. Para um autor independente, estratégias de doação ou palestras em escolas podem ser mais eficazes para visibilidade do que tentar entrar em grandes redes de bibliotecas públicas municipais, que sofrem com a percepção de escassez.

O que o brasileiro busca em uma biblioteca?

A pesquisa mostra uma mudança na percepção do que é uma biblioteca:

  1. Lugar para pesquisar ou estudar (59%): a biblioteca ainda é vista mais como um espaço de suporte acadêmico do que de lazer.
  2. Lugar para emprestar livros (18%): houve uma queda expressiva aqui (era 22% em 2019).

Isso sugere que o brasileiro está indo à biblioteca com um propósito utilitário. No entanto, quando perguntados sobre o que os faria frequentar mais, 13% acham que elas deveriam ser mais próxima de casa ou de fácil acesso; 11% pedem mais livros ou títulos novos.

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Insights para o autor independente

A partir dos dados e análises apresentados, entenda como você, autores independente pode se destacar no mercado:

1. O “gap” da descoberta

Existe uma demanda reprimida por novidades. Se 11% dos não frequentadores dizem que iriam mais se houvesse “títulos novos”, há um espaço para autores contemporâneos. O leitor quer ser surpreendido por vozes atuais, mas nem sempre as bibliotecas têm orçamento ou agilidade para atualizar o acervo com produções independentes.

2. O papel do professor

Nas bibliotecas escolares e universitárias, 79% dos professores indicam livros para leitura. Se o seu livro não está no radar do educador, ele dificilmente chegará à prateleira da biblioteca escolar. O marketing autor para professor é uma ferramenta poderosa.

3. A barreira da localização

A maior razão para não frequentar é a distância (29% gostariam que fosse mais próxima de casa). Isso abre uma brecha para as Bibliotecas Comunitárias, que embora estáveis em 13% de existência percebida, são pontos de resistência cultural onde o autor independente costuma ter trânsito mais fácil e direto.

Conclusão

O brasileiro não está fazendo “bom uso” das bibliotecas no sentido de lazer e descoberta literária constante, mas sim de forma utilitária e escolar. Para o mercado literário independente, o dado de que 39% dizem que “nada faria frequentar” uma biblioteca é duro, mas o dado de que o público jovem é o maior frequentador é a nossa maior esperança.

Se quisermos que nossos livros sejam lidos, precisamos ocupar esses espaços — seja através de editais, doações estratégicas ou parcerias com educadores. A biblioteca ainda é o maior aparelho de democratização da leitura no Brasil, e os dados da 6ª edição nos mostram que ela precisa, mais do que nunca, de conteúdo que conecte com o leitor moderno.

Gostou dessa análise? Compartilhe com outros autores e vamos pensar em como colocar nossas obras onde os leitores (mesmo os poucos que restam nas bibliotecas) estão!

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