Como aproveitar o máximo da leitura?

É verdade que basta mesmo apenas ler para aprender?

Gostaria muito de dizer que sim. Como leitor ávido e apaixonado por literatura, eu devo boa parte do que penso (e, descartianamente falando, do que sou) à quantidade de livros que costumo ler.

É claro que ler é, provavelmente, a melhor maneira existente para se aprender a escrever e para se inspirar na criação de novas histórias – mas talvez precisemos ir um pouco além disso.

Como nosso cérebro aprende?

Veja esta imagem acima, feita com base em um levantamento da RoboEduc. Para nós, escritores, ele dá um caminho possivelmente mais rico para que consigamos aprender melhor (em todos os sentidos).

Ler, segundo esse levantamento, é uma espécie de base de retenção do conhecimento e corresponde a 10% da nossa capacidade de aprendizado. Mas é importante aqui não se entender as maneiras de captação de conhecimento como excludentes. Ao contrário: a grosso modo, há duas divisões importantes feitas aqui.

Captação unidirecional de conhecimento

Praticamente todas as tarefas listadas do lado esquerdo da ilustração são unidirecionais. Seja lendo, ouvindo, vendo ou algum casamento dos três, todos referem-se a uma pessoa absorvendo, de maneira relativamente solitária, um determinado “pedaço” de conhecimento.

É natural, claro, que dúvidas e questões acabem aparecendo. É mais do que natural: ler e entender todas as miudezas e nuances de uma obra como o Banquete, de Platão, sem sequer discuti-la com alguém, é praticamente impossível.

É aqui que entra o bloco da direita da imagem.

Interação como maneira e melhorar a interpretação

Quando se debate, se pratica ou se ensina um determinado tema a alguém, o próprio cérebro se esforça para estruturar raciocínios e respostas que, por sua vez, dependem de um exercício de interpretação mais sofisticado, mais intenso, mais denso.

Perceba aqui o motivo pelo qual as tarefas não são excludentes: sem ler o Banquete, para ficar no mesmo exemplo que dei acima, dificilmente alguém conseguirá debatê-lo ou ensiná-lo a contento.

O que isso nos diz na prática?

Que não basta ler para se dominar um determinado tema: é preciso praticá-lo, em todos os sentidos.

E o que significa praticar? Significa debater livros e teorias, participar de rodas de conversa literárias ou de grupos de interpretação de textos mais complexos – algo muito mais comum que se costuma imaginar. Para ficar apenas em um exemplo, a Casa do Saber, com unidades em São Paulo e no Rio, é possivelmente um dos centros intelectuais mais fenomenais que esse país já viu e aberto a todos.

Mas nem é preciso ir a um curso formal para se discutir histórias, conhecimento e literatura: a Internet existe, em grande parte para isso. Uma rápida busca no Google e você rapidamente descobrirá fóruns, blogs e redes focadas em se discutir um determinado tema de maneira extremamente aprofundada.

Pesquisa, em nossos tempos, mudou um pouco de figura e deixou de ser apenas uma tarefa individual de mergulho no conhecimento: pesquisa hoje é uma tarefa colaborativa, pautada pela interação com outros que compartilhem o mesmo interesse e que, assim, conseguem se inter-estimular.

Já falamos, aqui no blog, sobre uma série de dicas de como escrever um livro – e sempre destacamos que a mais importante é saber ler. Este post talvez leve o conceito um pouco mais adiante: não se prenda apenas ao ato da leitura: estimule seu cérebro por meio de interações sobre a sua leitura com outros interessados. Debata. Ensine. Pratique.

Na pior das hipóteses, você aprenderá ainda mais do que apenas com a leitura de qualquer filosofia que seja e, consequentemente, se inspirará muito mais para escrever a sua própria teoria, a sua própria história.

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