Vendo histórias a partir de suas ausências

Há uma espécie de anexo à Pinacoteca de São Paulo onde funciona o Memorial da Resistência. Nos anos mais negros da história recente do Brasil, o temido DOPS – Departamento de Ordem Política e Social – ficava ali. Traduzindo: naquelas dependências, um sem número de brasileiros foi detido e torturado até os limites da humanidade.

Hoje, uma pequena exposição ilustra alguns dos efeitos daquela era: ausências, do fotógrafo Gustavo Germano.

São duplas de fotos das mesmas pessoas, todas combatentes políticas, tiradas dos mesmos lugares, separadas apenas por algumas décadas.

E, nas fotos, os olhares de antes e de hoje revelam um abismo desesperador. Em alguns casos, revelam pessoas que se foram; em outros, lembranças para sempre presas à carne, traduzidas em uma mescla de medo com ódio.

E por que estou postando isso aqui no blog? Porque essa exposição acaba contando histórias de maneira tão profunda quanto instantânea. Não há enredos longos, não há tramas complicadas que se desenrolam por horas, não há, em muitos casos, nem pessoas em frente a paisagens.

Mas há uma inspiração incrível despertada a partir da fotografia.

Recomendo fortemente a todos os autores que estiverem por aqui por Sampa.

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Uma visita aos mestres

Todos nós, autores, estamos seguindo uma trilha que nos foi aberta em 1439 por Gutenberg, quando este inventou a imprensa. De lá para cá, a humanidade produziu verdadeiras obras de arte e imortalizou a alma de poetas e de tempos em páginas.

No Brasil, a popularização da literatura – se é que se pode falar assim – veio séculos depois. Apenas em 1747 é que o primeiro livro pôde ser impresso no país, sendo este imediatamente seguido por milhares de outros que testemunharam a vida brasileira, os ares coloniais, o império, república, ditaduras, aberturas, amores, dores e todo tipo de sentimento que sempre fez com que penas, canetas ou teclas se unissem às mãos dos escritores como um único elemento.

Quem mora ou está visitando São Paulo tem a oportunidade única de testemunhar parte importante dessa nossa história literária: até o dia 2 de maio, a Pinacoteca do Estado abriga a coleção Brasiliana, do Itaú.

Lá será possível ver preciosidades inimagináveis como o primeiro livro impresso no Brasil, outro com uma dedicatória de Machado de Assis para José de Alencar e primeiras edições e manuscritos de Monteiro Lobato, Drummond, Oswald de Andrade, Clarice Lispector e tantos mestres que desenharam os contornos da nossa cultura.

Para quem é escritor, visitar a exposição é prestar uma homenagem aos antepassados – e uma honra que certamente será inesquecível.

Assim sendo, programa-se e, se necessário, arrume as malas. As primeiras letras do Brasil te aguardam na Pinacoteca.

Pinacoteca do Estado – pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região
central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3324-1000. Ter. a dom.: 10h às
17h30 (c/ permanência até as 18h). Abertura 6/3. Até 02/05. Ingr.: R$ 6
(sáb.: grátis). Estac. grátis. Classificação etária: livre.

Primeiro livro impresso no Brasil

Livro com dedicatória de Machado de Assis para José de Alencar

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