Morram de inveja, finlandeses e suecos

Nos últimos anos tivemos Lava-Jato, impeachment, dezenas de ultrapoderosos e multimilionários presos, crise seguida por recessão, intervenção militar depois que a nossa segunda maior cidade entrou em colapso completo, brigas e incongruências entre os quatro poderes (os três “oficiais” e nós, a população), Copa do Mundo e, agora, eleições.

Fico imaginando a vida em algum lugar como Finlândia ou Suécia. Sim: deve ser de uma calma por vezes invejável, com uma estabilidade utópica para nós aqui deste lado do equador e uma facilidade para se tocar a vida que sequer conseguimos imaginar.

Mas olhe o lado positivo: a quantidade de assunto que temos aqui é de causar inveja a qualquer finlandês ou sueco.

Para nós, escritores, então, é um prato cheio. Já imaginou a quantidade de panos de fundo ou enredos que podemos desenvolver a partir da mera observação das tantas óperas que se desenrolam no nosso dia-a-dia? O tanto de personagens que podemos criar a partir de modelos que vão de supervilões a superheróis? O volume de ficção que podemos sugar a partir da assombrosa não ficção que nos inspira cotidianamente?

Nosso país pode estar em um dos momentos de estresse mais histéricos da história – mas pelo menos não podemos reclamar de falta de inspiração para que nos transformemos, em um futuro breve, na nação com maior potencial de produção de literatura de todo o globo!

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Os momentos Eureka

Acredito que o sucesso de qualquer indivíduo na busca pela sua própria felicidade pode ser medida pela quantidade de “Momentos Eureka” que ele tenha.

Quando se leva um cotidiano morno, basicamente composto de “acordar-trabalhar-dormir” e que, no longo prazo, vira algo como “nascer-procriar-morrer”, o ser humano acaba pulsando em suas veias tanta vida quanto uma planta. Nada contra plantas, claro: mas poder racionalizar o mundo em torno de nós é uma dádiva que poucas espécies tem.

Por que, então, não aproveitar isso melhor?

Racionalizar a vida é algo simples: basta prestar atenção em tudo o que nos cerca, bebendo os detalhes, observando as sutilezas e, na falta de uma palavra melhor, aprendendo. Pode ser qualquer coisa: um programa chato na TV, a chuva caindo em um dia cinzento, o suor pingando quando se corre no parque, uma apresentação entediante no trabalho. Qualquer mínima coisa carrega em si uma espécie de vida própria, de “novidade”, de mini caos a partir do qual formas e conceitos inteiros se originaram até se transformar no que vemos em sua superfície.

Isso pode parecer insano, quase lisérgico. Eu sei.

Mas, no final das contas, se você prestar atenção em cada detalhe como que descobrindo uma nova dimensão, acabará percebendo esse caos que pulsa nas novidades e não-novidades do nosso cotidiano.

E, ao perceber o caos, é como se pudesse beber de uma fonte de inspiração muito mais poderosa e intensa, muito mais nítida, muito mais relevante. Quando se aprende a observar, aprende-se a pensar, e mergulhar, a inovar.

É dessa observação que pode nascer um “Momento Eureka”: uma grande descoberta sobre algo igualmente grande ou até mesmo minúsculo, algo que possa mudar a vida de maneira indiscutível.

A regra, portanto, é simple: ignore as formalidades da monotonia e observe com olhar de lince cada detalhe que nos cerca. Descubra a alma de cada coisa, a confusão que a originou, o caos. Mergulhe nesse caos. Traga esse caos para a sua própria vida.

Dele, puxe algum “Momento Eureka” para si mesmo. E passe a colecioná-los, possivelmente ampliando o leque de “coisas diferentes” que pode passar a fazer na vida.

E, depois, escreva um – ou vários – livros.

Eureka descoberta

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6 motivos que comprovam que o melhor momento para ser um escritor é hoje

Às vezes converso com alguns escritores que dizem que o maior sonho deles era ter nascido em outros tempos – algo como a Paris do começo do século XX, a Londres vitoriana ou mesmo o Rio do final do século XIX.

Eu discordo de todos.

Em minha modesta opinião, o melhor momento para escritores é agora.

Veja seis motivos que confirmam que vivemos na era perfeita para escritores:

  1. Livros são baratos e onipresentes. Já imaginou a dificuldade que os arcadistas do século XVIII tinham, lá em Ouro Preto, para acessar a literatura? Hoje, pagando menos de um almoço, compra-se uma obra prima que pode ser digerida no formato que preferir – impresso, digital ou áudio. Os limites para o acúmulo de conhecimento e inspiração são praticamente inexistentes.
  2. A informação é plena. Nem consigo imaginar o tamanho da pesquisa que Mário de Andrade teve que fazer para escrever Macunaíma. Sei que ele rodou a Amazônia e o restante do país e que levou anos compilando as lendas que fizeram nossa alma brasileira. Hoje, até podemos (e devemos) viajar para desbravar o mundo com nossos próprios olhos – mas temos o apoio fundamental da Internet como ferramenta perfeita de pesquisa. Quer estudar algo para um novo romance? Basta abrir o Google e começar a navegar.
  3. O acesso ao público depende apenas de você. Costumamos achar que a vida de escritores do passado era fácil, que bastava que eles escrevessem para serem magicamente descobertos por editores e conseguirem suas famas. Ledo engano: se hoje temos acesso a apenas um punhado de autores do passado é porque muitos, mas muitos MESMO, deixaram o mundo sem conseguir se publicar. Concorrência no mercado editorial sempre foi imensa – mas a diferença é que, hoje, com acesso a redes sociais, cada autor consegue criar o seu próprio público sem depender de ninguém.
  4. A publicação é gratuita. Não preciso nem me alongar muito nesse tópico: pelo Clube de Autores consegue-se publicar seu livro em um punhado de minutos.
  5. Há profissionais à disposição para te ajudar. Quer um revisor? Um capista? Um diagramador? Alguém para te guiar na burocracia do ISBN? Simples e barato: basta acessar o www.profissionaisdolivro.com.br e escolher dentre algo como 2 mil profissionais do mercado editorial que oferecem seus serviços a preços diferentes.
  6. Sempre haverá interessados em suas obras. No mundo plural que vivemos, a probabilidade de não haver público interessado em seu livro, sobre o que quer que seja ele, é mínima (ou inexistente). Pode ser que você ainda não saiba acessá-lo, claro – nem todo mundo nasce com talento para marketing. Mas com alguma pesquisa e estudo, certamente se pode criar uma estratégia de divulgação que abrirá aos autores as portas do paraíso.

the ends, clu

 

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Uma outra ótica sobre o post-viagem da sexta

Na sexta passada, confesso, acabei viajando um pouco e escrevendo um post extenso – muuuuito extenso – sobre oportunismo e a maneira com que devemos entender bem as correntes de pensamento para conseguir impactar mais a vida das pessoas.

Hoje busquei um vídeo no sempre fértil site do TED com um enfoque diferente sobre a mesma coisa. O tema? Como grandes líderes inspiram ação. Recomendo que leiam o post de sexta e que vejam esse vídeo.

E recomendo também, claro, que tentem colocar algo assim em prática não apenas no próximo livro que escreverem, mas em toda a carreira que estão desenhando.

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