Como você devora a sua literatura?

Não considerarei aqui a possibilidade de você, que está lendo este post em um blog voltado para escritores, não ser um devorador de literatura. Já houve até uma série de posts aqui, aliás, sobre como ser um leitor ávido é fundamental para se ser um bom escritor.

A questão aqui é outra, símbolo dos maravilhosos tempos que vivemos: com tanta abundância de literatura, como você “come” a sua?

A variedade, afinal, nunca foi tanta. Você hoje pode encontrar o título que quiser pela Internet, sobre o assunto que desejar e pelo autor favorito. Quer um livro velho, que deixou de ser editado há anos? Vá à Estante Virtual. Quer um best seller? Vá a qualquer livraria tradicional, seja na Internet ou na esquina. Quer um livro novo sobre um tema qualquer, popular ou nichado? Venha aqui ao Clube de Autores, que concentra a imensa maior parte dos livros independentes do país.

Hoje, portanto, você pode encontrar tudo.

Como?

No formato ainda preferido pela população mundial, o impresso.

Em um modelo mais portátil, o ebook, perfeito para quem gosta de andar com sua biblioteca inteira sempre à mão.

Em formato de audiolivro, ideal para quem passa horas no trânsito ou em locomoções gerais e pode trocar o ruído ambiente pela literatura.

E dá ainda para mesclar tudo e se inscrever em clubes de assinatura de livros, em quaisquer formatos, sendo surpreendido mensalmente com títulos que podem mudar a sua forma de ver o mundo.

Veja só, então: ler nunca foi tão fácil e prático quanto hoje.

É só querer.

E depois? Depois, com tanta referência entrando pupilas adentro o tempo todo, escrever livros cada vez melhores será apenas uma consequência natural.

Cultura, afinal, gera cultura.

E é isso que faz dos nossos tempos um período tão exemplarmente único em toda a história da humanidade!

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Você não viverá direito se não ler

Desculpem-me a acidez no título, mas não há como florear o óbvio.

Vivemos duas vidas na nossa existência: a cronológica e a intelectual.

Nossa vida cronológica é óbvia, linear, de uma indiscutibilidade feita de cimento. Nós nascemos, crescemos, procriamos (às vezes) e morremos. Simples assim, direto assim, da mesma forma que ocorre com macacos, lebres e amoebas.

Não há o que discutir na vida cronológica: façamos o que quisermos, o tempo sempre seguirá impávido, senhor dos senhores, ignorante de todo e qualquer desejo que porventura quiser dobrá-lo.

Se você não lê, é a este tempo que deverá obediência para o resto de seus dias.

Mas e se tiver o hábito de ler?

Bom… aí tudo muda.

Porque, nos livros, você poderá mergulhar em outros mundos e tempos com a facilidade de quem se teletransporta em histórias de ficção científica. Poderá passear pela Inglaterra Vitoriana, se assustar com a Inquisição medieval, saborear as belezas do Rio da década de 50 ou mesmo voar por uma Nova York destruída por alienígenas robôs que nunca existiram de fato.

De fato.

Essa existência intelectual nos permite até redefinir o que é fato e o que é ficção.

Deixamos de ser caretas, presos às imagens que entram pelas nossas íris.

Aprendemos a entender que verdade não é necessariamente algo que vemos, mas sim tudo o que sentirmos ou percebermos, ainda que em nossos íntimos individualíssimos.

Porque há mais para a vida do que apenas a tediosa cronologia que envelhece as nossas células: há as histórias que a humanidade aprendeu a deixar pelo caminho como rastros de sua própria divindade.

Há a imaginação escrita, transcrita, inscrita.

Há as tantas páginas dos tantos livros capazes de nos catapultar para tantos tempos e mundos diferentes.

Capazes de nos fazer, em uma única vida cronológica, viver dezenas ou centenas ou milhares de vidas com a simultaneidade da nossa vontade, do nosso desejo.

Basta abrir um livro.

E depois outro.

E mais outro.

E deixar as vidas entrarem.

Certa vez disseram que só se vive uma vez. Besteira pura, essa.

Vive-se quantas vezes se quiser. O que basta mesmo é querer.

Porque o caminho para isso… bom, o caminho está nas tantas livrarias que hoje recheiam a Internet e as equinas de todas as cidades.

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As desculpas que embotam a mente

“Livro no Brasil custa caro demais”, dizem, roboticamente, os não-leitores ávidos por encontrar uma justificativa para manterem-se distantes das letras.

“Adoro ler, mas não tenho tempo nessa correria do cotidiano”, repetem alguns.

“Eu até estava procurando um livro, mas não o encontrei em livraria alguma”, arriscam-se outros.

Há muitas, muitas desculpas para não se ler. Todas são furadas.

Primeiro, porque nós sempre, sempre damos algum jeito de fazer o que amamos. Encaixamos jantares em agendas lotadas, bares com amigos, cinemas nos finais de semana, ampliamos horários de almoço e, ao menos nas grandes cidades, entramos em um estado vácuo intelectual por horas sempre que fazemos o percurso de casa para o trabalho, do trabalho para a casa.

Se tem uma coisa que todos nós, humanos, somos mestres em fazer, é dobrar o tempo para que ele caiba em nossas vontades. E quer saber? Ele sempre cabe.

Quer ler? Basta ter consigo um livro, seja impresso, eletrônico ou em áudio. Encontrar alguns minutos diários, ainda que intercalados, será a coisa mais fácil do mundo.

O preço do livro? Ora, convenhamos! Um jantar, uma noite no boteco, um cinema… tudo isso durará um punhado de horas e custará muito, muito mais que um livro (que hoje tem preço médio de R$ 40 no Brasil). E isso sem considerar a inocência desses parâmetros que uso aqui para comparar! Porque um livro está mais próximo de uma viagem do que de um boteco, claro! Que outra “ferramenta” pode te catapultar instantaneamente para o Japão distópico do Murakami, para a Moçambique apocalipticamente poética do Mia Couto ou para a desalentadora burocracia existencial da Praga de Kafka? Nenhuma – assim como nenhuma deixará também resíduos poderosíssimos de inteligência.

E todos esses – de Murakami a Kafka, passando por milhares de gênios contadores de história – nunca foram tão acessíveis a todos.

Seja em uma Estante Virtual, onde hoje pode-se encontrar absolutamente todos os livros já publicados, seja no Ubook ou na Audible.com, onde se pode adquirir audiolivros de todos os tipos, seja aqui no Clube de Autores, que reune as dezenas de milhares de títulos independentes publicados todos os dias no Brasil.

Você realmente preza o livro, gosta da literatura, sente que pode crescer na medida em que consome as fabulosas histórias que nos diferenciam enquanto espécie?

Ótimo. Agora é só jogar as desculpas na lata de lixo e começar a ler.

Ou abrace-as junto com a própria ignorância e siga por aí, repetindo velhas desculpas desencaixadas na esperança de que mentiras ditas para si mesmo não acabem embotando seu próprio cérebro por falta de uso.

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Como escrever um livro infantil

Qual o segredo de capturar a atenção de crianças para uma história?

Em primeiro lugar, é fundamental já deixar claro que gerações diferentes não são espécies diferentes. Ou seja: por mais que as crianças, hoje em dia, estejam sujeitas a um volume abundante e excessivo de informação 24 horas por dia, isso não faz delas alienígenas ou robôs. Crianças continuam sendo crianças: precisam (e gostam de) desenvolver a própria imaginação, sonham, criam mil teorias para tudo em suas cabecinhas e, acima de qualquer coisa, são hiper-criativas.

“Ah, mas com tantos tablets e games, certamente o espaço para livros despencou!”, exclamam os profetas da negatividade. Bom… eles estão errados. Muito errados.

Quebrando mitos: sim, crianças não apenas continuam lendo livros, como o fazem em muito maior intensidade que nas gerações passadas

Aliás, uma pesquisa de 2017 da Education Week revelou que crianças (do pre aos 12 anos) não apenas estão lendo mais, mas 65% preferem impressos a ebooks. Se deixarmos os fatalismos de lado e pararmos para pensar (e observar), isso faz total sentido:

  1. Para quem nasceu na era digital, o meio importa pouco – desde que a história seja contada. Isso significa que o fascínio pela tecnologia está muito mais nos adultos do que nas crianças, que já nasceram em um mundo eletrônico.
  2. Do ponto de vista de storytelling, de narrativa, um livro permite se atiçar muito mais a imaginação do que um ebook interativo, um game ou mesmo uma animação. O motivo? Enquanto, em um game, a criança se concentra em descobrir onde ela precisa clicar e, em uma animação, ela recebe os personagens já imaginados por vozes, trilhas sonoras e tons, no livro é ela quem precisa contribuir com a sua imaginação para interpretar a história.
  3. O volume de estímulo à leitura para crianças é, hoje, muito – mas MUITO – maior do que nas décadas de 70, 80 ou 90. Ou alguém se recorda de tantas livrarias com espaços lúdicos inteiramente dedicados a crianças, permitindo que elas tomem intimidade com os livros ao folheá-los e manuseá-los livremente?
  4. A própria sociedade, por fim, tem incentivado cada vez mais a leitura para crianças – incluindo hábitos dos pais de lerem para seus filhos antes destes irem para a cama. A mesma pesquisa da Education Week revelou que 62% dos pais de crianças de 3 a 5 anos lêem livros para elas (contra 55% em 2014).
  5. Para nós, latinoamericanos que costumávamos “importar” a cultura produzida fora das nossas fronteiras, esses números tendem a ser ainda mais intensos. Afinal, uma coisa é uma criança baiana, para ficar apenas em um exemplo, se identificar com uma sereia ruiva chamada Ariel que vive no Atlântico Norte; outra é ela se identificar com uma sereia chamada Janaína que vive nas águas da Baía de Todos os Santos. E, na medida em que produzir livros ficou mais barato para toda a cadeia, histórias muito mais próximas da realidade das crianças foram sendo disponibilizadas, ajudando a transformar de maneira importantíssima toda uma legião de novos leitores.

Enfim… esses são apenas cinco pontos que nos ajudam a entender que, ao contrário do que costuma pregar a sempre pessimista futurologização, crianças gostam sim de livros e estão lendo cada vez mais. Mas isso significa que basta escrever e pronto?

Não. Da mesma maneira que o incentivo à leitura cresceu, a oferta de títulos também se avolumou, o que significa que a competição entre os livros infantis saltou de maneira exorbitante. E é aqui que entra a capacidade do autor em trabalhar melhor o seu livro. Como?

Como escrever livros infantis?

Como em toda produção artística, não há uma receita de bolo que funcione em todos os casos. Mas há, sim, algumas melhores práticas que devem sempre ser observadas para garantir uma maior aderência da história para a imaginação da criança.

1. Leia livros infantis

Esse talvez seja o primeiro ponto: a melhor maneira de escrever um livro para crianças é partindo de um entendimento claro do que elas gostam de ler. Vá a uma livraria, converse com os vendedores, folheie os títulos que mais saem. Compre alguns, leve para casa, analise cada obra minuciosamente. Como é a relação texto x imagem? Quantos conflitos há no enredo? Como é a fluidez da história? Cada ponto aqui conta – e muito.

2. Saiba com quem você está falando

Não existe uma grande massa uniforme chamada “criança”. Se você estiver falando com crianças de 2 a 4 anos, por exemplo, deve entender que estão na pre-alfabetização e ainda desenvolvendo a capacidade de concentração. Histórias densas demais, com tramas muito complexas e poucas ilustrações dificilmente as conquistarão. Crianças de 5 a 6 anos, por sua vez, já estão entrando na alfabetização e o reconhecimento de letras é importantíssimo (motivo pelo qual, por exemplo, o texto deve preferencialmente ser todo escrito em caixa alta, já que é assim que elas aprendem a ler na escola). E, na medida em que as crianças vão envelhecendo, a necessidade de ilustrações cai e a necessidade de tramas mais complexas, identificáveis com os seus cotidianos, cresce.

3. Entenda que a forma importa tanto quanto o conteúdo

Para crianças, um livro não é a história contida nas páginas: é o conjunto inteiro da obra (incluindo capa, ilustrações etc.). Tudo precisa chamar atenção, ser cativante, seduzir, envolver. Aliás, é sempre útil encarar um livro como uma espécie de brinquedo: ele tem o seu propósito, mas para ganhar e prender a atenção do público precisa ser bem acabado, ter qualidade plástica. Em outras palavras: de nada adianta escrever um texto fenomenal para crianças de 3 anos se ela não tiver ilustrações bem feitas que ajudem-na a entender o universo que está sendo narrado. Histórias infantis não são escritas: são criadas por um conjunto de elementos que incluem tanto texto quanto ilustração.

4) Estruturas são fundamentais

Qualquer que seja o enredo, uma estrutura sólida é importante para que a criança se sinta confortável com a narrativa. Ou seja: há a necessidade de um personagem principal com quem ela se identifique facilmente; de personagens secundários que a ajudem a caminhar pela história; de conflitos ou problemas que precisam ser solucionados; de sustos ou surpresas que ajudem a manter as suas atenções presas, ansiosas pelo que estiver por vir.

5) Cuidado com lições de moral

Era comum imaginarmos que todo livro infantil deveria vir com alguma lição de moral embutida. Bom… até certo ponto, isso pode funcionar com crianças menores… mas, na medida em que elas crescem, a própria existência de moralismos pode acabar tendo o efeito contrário e afastando os pequenos leitores. Livros não são aulas de certo e errado: são maneiras do próprio indivíduo se entender e formar a sua visão sobre o mundo ao seu redor. Se esse indivíduo não se sentir livre para formar sua opinião por meio da sua imaginação, para interpretar a história sem que ela seja entregue de maneira “enlatada”, ele acabará se cansando e perdendo o interesse. Mais do que para adultos, para crianças a leitura deve ser uma fonte primária de prazer, não de lição.

6) Crie conexão

Este ponto talvez seja o mais importante de todos. Quanto mais a criança conseguir se enxergar na história ou nos personagens, mais ela se interessará. E “se enxergar” aqui inclui tudo: o local em que a história se passar, a fisionomia dos personagens, as realidades em torno delas, as tramas que precisam ser vencidas etc. Da mesma forma que na vida real, conexão gera empatia.

7) Publique seu livro

Já comentamos, acima, que crianças preferem livros impressos a ebooks. Vamos até além disso: enquanto é relativamente fácil ler um livro impresso para um filho ou uma filha na cama, fazer isso com um tablet é virtualmente impossível uma vez que ele ou ela quererá tocar, arrastar, brincar com a tela (ao invés de prestar atenção ao enredo). Assim sendo, publicar o livro em formato impresso é simplesmente fundamental. Como fazer isso? Simples: vá ao Clube de Autores e publique gratuitamente, dando preferência ao formato quadrado de livros que é ideal para o público infantil. Temos este post aqui no blog, aliás, que explica em mais detalhes como fazer para publicar um livro – incluindo desde dicas importantes (como encontrar um leitor crítico) até pequenas e fundamentais burocracias (como registrar o ISBN). O ISBN, aliás, é fundamental para que seu livro seja vendido não apenas no site do Clube de Autores, como também em todas as livrarias com as quais temos parceria como Cultura, Amazon, Estante Virtual etc. Se precisar de mais detalhes sobre como registrar o ISBN, recomendamos este post aqui. Se quiser um manual sobre como publicar o seu livro no Clube de Autores gratuitamente, veja este guia aqui.

8) Crie eventos

Lançar um livro – principalmente para um público infantil – vai muito além de produzir um material. Aqui, o evento de lançamento é importantíssimo por funcionar como um pontapé inicial da obra. Organize um lançamento diferente, incluindo rodas de leitura com horário marcado e em períodos que funcionem para que pais e mães levem seus pequenos. Não pare em um evento, aliás: negocie com livrarias, escolas ou de outros locais feitos para crianças um calendário em que você possa ler para o público e, ao mesmo tempo, deixar seu livro à venda. Em geral, todos esses lugares costumam ser acessíveis pois você estará oferecendo a eles um atrativo a mais para seus públicos. Temos um outro manual aqui, focado em divulgação de livros, que também pode ser útil.

9) Tenha algum estoque contigo – sempre

Hoje, é cada vez mais comum que leitores procurem os próprios autores para comprar seus livros. Não é fundamental que você tenha um estoque próprio contigo – mas é recomendável. Dê uma olhada no Programa de Gestão Colaborada do Clube de Autores: você poderá adquirir seus exemplares a custos bem mais baixos e ainda garantir uma pronta distribuição em todo o país.

10) Não pare no primeiro título

Por serem curtos, livros infantis costumam ser lidos em uma tacada só. Como fazer para se consolidar como um autor de livros infantis? Siga o exemplo dos grandes mestres: mantenha uma produção sempre fértil. Quanto mais escrever, mais o público se identificará com seu estilo e mais fácil será você conquistar seu lugar ao sol.

É isso?

Além dessas dicas, há outros pontos que devem ser observados – alguns dos quais podem ser conferidos aqui e que servem tanto para livros infantis quanto adultos. Mas, de todos, o mais importante é: comece. Escreva seu primeiro livro, publique, teste-o com as crianças que estiverem mais próximas.

O público infantil costuma ser difícil, exigente e extremamente sincero: aprenda com isso e use cada retorno que tiver como insumo para construir e consolidar a sua carreira.

 

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