Você conhece o Projeto Brasilianas?

Até pouquíssimo tempo atrás, um dos maiores bibliófilos do mundo reunia, em sua casa, uma das mais importantes coleções de livros raros do Brasil. José Mindlin faleceu em 28 de fevereiro de 2010 – mas doou o seu acervo para a Universidade de São Paulo (USP).

Em um esforço louvável, a USP está digitalizando o conjunto de obras raras e disponibilizando-as para o público no projeto Brasilianas. Obras como, por exemplo, a coletânea de viagens de Francazano da Montalbodo,
de 1507, que noticiava a vinda de Cabral às nossas terras, podem passar a fazer parte do acervo de todos os interesados. Acesso geral e irrestrito a um repertório cultural sem paralelos, para dizer o mínimo.

Quer conhecer o projeto Brasilianas? Então clique aqui ou acesse diretamente o endereço http://www.brasiliana.usp.br/

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José Mindlin

Na semana passada, o bibliófilo José Mindlin – uma das figurar mais importantes da literatura moderna brasileira – faleceu. No domingo seguinte, um dos autores do Clube, Elenilson Nascimento, nos enviou um artigo que fez como uma espécie de homenagem ao colecionador de livros.

Por uma questào de espaço, não publicamos o texto em sua íntegra – mas segue um trecho dele abaixo, como uma co-homenagem nossa, aqui do Clube de Autores.

Quem quiser ler o texto na íntegra pode ir ao site do Elenilson, clicando aqui ou acessando diretamente o link http://literaturaclandestina.blogspot.com/2010/03/morre-o-amigo-dos-livros.html

Morre o Amigo dos Livros
(por Elenilson Nascimento)

Eu conheci o senhor Mindlin numa tarde ensolarada de uma segunda-feira, no ano de 2007, quando acompanhei um grupo de 15 crianças muito bem-comportadas que entraram, a passos lentos e em fila, em uma livraria toda colorida, dedicada exclusivamente a elas – a “Casa de Livros”, localizada na Chácara Santo Antônio, em São Paulo. Lá se acomodaram, uma a uma, num tapete lindo e todo costurado em retalhos. Seguravam em suas mãozinhas uma tira de papel, na qual guardavam uma preciosa pergunta, que foi pensada por cada uma delas momentos antes e que seria dirigida a um notável, educado e atencioso senhor com quem tinham um encontro marcado. Foi uma tarde linda!

Naquele encontro, antes de iniciar o bate-papo com o Mindlin, dona Maria Angela, uma das sócias da livraria, nos contou um pouco da história da vida daquele senhor notável, que além de tudo era ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras. “Ele tem a maior biblioteca particular do Brasil e a gente achou que a paixão dele por livros poderia ser passada a vocês”. E fez-se um silêncio respeitoso mantido pelas crianças desde o início do encontro, o que chegou a causar um certo espanto no senhor Mindlin, levando-o a dar um belo conselho (*que só não deve agradar muito aos respectivos pais). “Mas vocês estão muito quietos e bem-comportados! Deixem para ser mais sérios assim quando vocês crescerem!”. Foi demais!

Porém, ontem, fomos pegos de surpresa. José Mindlin, um dos mais importantes bibliófilos brasileiros, morreu na manhã desse domingo, 28/02, aos 95 anos. Colecionador de livros desde os 13 anos, era dono de uma das mais importantes bibliotecas privadas do país, e em 2006 doou seu acervo para a USP, depois de quase 15 anos tentando a doação (*veja que ironia!), dando origem à Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. O nome é uma homenagem ao bibliófilo e sua mulher, Guita Mindlin, que morreu no mesmo ano da doação. Ao todo, foram doados cerca de 17 mil títulos, ou 40 mil volumes.

Certa vez, questionado pela reportagem da Folha em 2004 se existia um livro preferido em meio a tantos que colecionava, Mindlin disse que uma das características da bibliofilia era a poligamia. “Não há como dizer prefiro este ou aquele”, afirmou. E entre os destaques da sua coleção particular estavam a versão original de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, a primeira edição de “Os Lusíadas”, de Camões, e outras primeiras edições, como as de “O Guarani”, de José de Alencar, e “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo.

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