Como fazer a capa perfeita para seu livro

Capas vendem. Simples assim.

Iríamos até além dessa afirmação acima. Capas não apenas vendem: elas possivelmente são as melhores vendedoras de livro do planeta. E se você acha isso péssimo, se acha que isso reflete uma espécie de estereótipo de mau leitor que depende de uma imagem para se decidir… bem… talvez seja a hora de deixar de preciosismo e pensar de novo.

Por que capas importam tanto?

Toda história começa por algum lugar. No caso de livros, que demandam uma imersão maior por parte de leitores (uma vez que o próprio ato de ler requer mais tempo e concentração que qualquer outra maneira de se absorver histórias), a necessidade de sedução é sempre, sempre grande.

No passado, há um ou dois séculos, era normal que capas mais artísticas sequer existissem. Mas não adianta levar isso em conta como uma espécie de argumento de que, lá no passado, as pessoas liam mais e melhor. É uma afirmação saudosisticamente vazia: os tempos simplesmente eram outros.

Lá naqueles idos do passado, a variedade de livros era muito menor, dependia-se de livrarias fisicamente próximas e decidia-se com base em críticas feitas por jornais que, tendo uma base infinitamente menor de títulos para revisar, conseguia estruturar artigos completos o suficiente para fazer ou matar o sucesso de alguma obra.

Hoje, há uma infinidade de livros sendo lançados todos os dias. Mais de 40 por dia apenas no Clube de Autores, aliás. Hoje, há livros impressos, ebooks, audiolivros. Hoje, há Internet, deixando todos os livros do mundo ao alcance de todo mundo.

Hoje há abundância, não escassez. E abundância se traduz em concorrência. 

Imagine-se agora olhando uma vitrine com dezenas ou centenas de livros de autores que você não conhece. O que você faria para se decidir por um? Ler um trecho de todos? Dificilmente: ninguém tem tempo para isso.

Muito provavelmente você escolheria alguns e os folhearia para ver se se identifica com os textos. E como você escolheria quais folhear? Se você não conhecer os autores ou os enredos, muito provavelmente pela capa. É por isso que ela importa.

O que você JAMAIS deve fazer?

Ignorar a importância da capa por conta da empolgação de ter terminado de escrever seu livro, fazer qualquer coisa, de qualquer jeito, e publicar.

Fazer isso é praticamente dizer para o leitor que nem você mesmo acredita no seu livro ao ponto de ter dedicado um mínimo de zelo e de carinho para construir uma capa condizente com o conteúdo.

Aliás, hoje, é extremamente comum que o leitor “deduza” a qualidade do texto a partir da qualidade da capa. Isso está certo? Está errado? A discussão é irrelevante: se é assim que o leitor pensa e escolhe, é nesse mundo que o autor deve se enquadrar.

1. Saiba o que você quer

O primeiro passo para a capa perfeita é descobrir o que, exatamente, você quer. Isso pode parecer óbvio, mas a quantidade de escritores que não fazem ideia do que desejam ao iniciar um trabalho de criação de capa é assombroso. A regra aqui é simples: se você, que escreveu o livro, não sabe o que quer de capa, dificilmente um capista conseguirá produzir algo bom.

Isso significa que você deve descrever, em detalhes, uma imagem de capa, para que um artista a coloque no papel? Claro que não: você é escritor, não capista.

Mas quer dizer que você deve saber sim, em detalhes, qual imagem, qual percepção você deseja transmitir ao leitor. Isso nos leva ao segundo ponto:

2. Sintetize sua mensagem

Todo livro do mundo tem uma mensagem central, uma ideia básica que funciona como alicerce para toda a sua narrativa. Seja de maneira direta ou indireta, óbvia ou abstrata, você deve ter essa ideia tangivelmente clara, descrita, palpável.

Essa será a essência do seu “briefing”, do seu pedido para o capista que trabalhará em seu livro. E se, ao final do trabalho, você não achar essa mensagem transmitida na capa, é porque ela não está boa (independentemente da sua qualidade artística).

3. Sintetize seu livro

Não adianta também entregar um livro inteiro para um capista e falar “se vire”. Sejamos práticos: a probabilidade de um capista profissional que depende de escala (e, portanto, produz diversas capas por mês para sobreviver) efetivamente ler o seu livro inteiro é mínima.

Sintetize-o. Tenha clara a mensagem que deseja transmitir e entregue ao capista material para que ele possa se aprofundar, incluindo uma sinopse eficiente e trechos que você acredita que sejam “exemplares”.

4. Tenha referências

O capista que você arrumará (falaremos disso logo mais) até pode entender a mensagem do seu livro – mas ele dificilmente saberá o seu gosto pessoal se você não passar referências práticas.

O que são essas referências? Capas de outros livros que você gosta.

Vá a uma livraria no final de semana, pesquise na Internet, tire fotos, enfim: reuna algumas imagens que sirvam de inspiração para o profissional que estiver trabalhando para você.

Referências, aliás, nem precisam ser apenas de capas incríveis, como essas aqui. Dê uma olhada neste link, com uma espécie de coleção das piores capas. É tão importante dizer o que quer quanto dizer o que não quer.

5. Arrume um bom capista

A não ser que você seja um capista – o que certamente facilita a vida – não tenha dúvidas da necessidade de arrumar um para trabalhar para você. Como?

Pode ser um amigo ou um profissional de mercado – tanto faz. O importante é ter em mente que este será um profissional fundamental para seu livro. FUNDAMENTAL.

Nesse sentido, recomendamos que você navegue no Profissionais do Livro, plataforma do Clube de Autores que permite a contratação direta dos mais diversos prestadores de serviço relacionados ao mercado editorial. Lá você encontrará centenas e mais centenas de capistas oferecendo seus serviços a preços com grande variação. Significa que todos sejam incríveis? Não.

Uma vez no Profissionais do Livro (ou em qualquer outra plataforma), você deve vasculhar os comentários de clientes feitos sobre aquele capista e, principalmente, visitar o seu site ou portfolio para ver se realmente gosta do seu estilo. Se não gostar, não contrate. Simples assim.

Se gostar, contrate: mas seja extremamente rígido na sua demanda e aprove apenas se realmente amar a capa.

A capa é só o que eu preciso para o meu livro funcionar?

Claro que não – há muitos livros com capas incríveis que nunca venderam mais que meia dúzia de exemplares. Há mais, muito mais envolvido em transformar uma história em um sucesso de vendas. A capa é só um dos elementos fundamentais.

Quer saber mais? Então recomendamos que acesse esta página aqui, com instruções mais detalhadas sobre como publicar o seu livro e muitos conteúdos que podem te interessar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia Mais

Somos mais vanguarda do que o que imaginamos ser

Esse não é um post de autoelogio. Ou talvez seja um pouco… embora se estenda para todos nós, autores do Clube.

Compromissos pessoais me trouxeram para a Itália essa semana.

Estou aqui, na terra de Dante e de Calvino, no berço do renascimento, na origem principal, para ficar em apenas um exemplo, do nosso próprio idioma.

Decidi pesquisar o mercado editorial local.

Sabe o que encontrei?

O mesmo que se encontraria aí no Brasil na década passada.

E isso não se resume à Itália: Reino Unido, Alemanha, França, Bélgica e a imensa maioria dos países europeus estão recheados de escritores e livros sem porta alguma para se mostrar ao mundo. Não há um Clube de Autores lá, um site em que publicar passou a ser gratuito para autores e que, portanto, abriu portas que nem sequer se imaginava existentes.

Verdade seja dita, há algo como o Clube apenas nos Estados Unidos e, em menor escala, na Espanha.

Ainda assim, nenhum deles – CreateSpace ou Lulu, nos EUA, ou Bubok, na Espanha – tem uma distribuição minimamente semelhante à que conseguimos viabilizar daqui, incluindo lojas como Estante Virtual, Submarino, Amazon e tantas outras que estão prestes a se tornar realidade.

Às vezes nos habituamos tanto a considerar o Brasil atrasado que nos esquecemos de olhar ao redor para saber se isso é mesmo tão verdadeiro assim.

No caso de autopublicação, decididamente não é.

No caso do mercado editorial, aliás, somos muito mais vanguarda global do que imaginamos ser.

OK… não era a intenção, mas esse post realmente virou um autoelogio.

Peço desculpas :-)

Unknown5

 

 

Leia Mais

A imortalidade fundamental dos livros

Há quem diga que livros são apenas um compilado de páginas encadernadas em papel ou bits. Discordo.

Sim, sei que uma história pode ser contada em um TumblR, em um post no Facebook, em um muro. Ainda assim, é diferente.

Há uma espécie de rito, de cerimônia, inclusa no ato de se publicar um livro. É como se o autor, ao efetivamente publicar uma obra, ecoasse as palavras que Michaelangelo disse para sua escultura de Moisés no instante em que a concluiu: “Levanta-te e anda!”.

Que outras palavras caberiam ali, no êxtase daquele momento, afinal?

Ao ser finalizada, a escultura não mais pertencia ao escultor: já tinha vida própria, já suscitaria olhares e suspiros de quem quer que se deparasse com ela, já assumiria um papel único no imaginário de cada um que a visitasse. O escultor continuaria esculpindo outros trabalhos, claro, até morrer dentro da brevidade que o Tempo garante a todos nós; sua obra, no entanto, seguiria encantando gerações, tão imortal quanto imutável a partir do instante em que foi por ele finalizada, revelada.

É o mesmo que ocorre com livros.

Saramago já se foi; o Ensaio sobre a Cegueira permanecesse como um clássico imperdível da literatura mundial. Chinua Achebe deixou o mundo em 2013; Things Fall Apart, que ainda carece de uma tradução para português, certamente sobreviverá por séculos como a mais hipnótica versão africana das tragédias shakespearianas. Não sei por onde anda Carlos Moreira; mas Tetralogia do Nada, publicada aqui no Clube, já causou e seguirá causando impactos no mínimo tectônicos nas mentes de seus leitores.

Livros são diferentes de outras formas de escrita por serem as lápides das próprias histórias que encerram.

Posts podem ser alterados a qualquer momento; histórias orais podem ser mudadas ao sabor do hálito do narrador; e mesmo o teatro pode ser entendido de acordo com as entonações dadas por cada diretor ou companhia. Toda e qualquer história não publicada em um livro é viva, orgânica, sujeita a ondas infinitas de refações. Não há nada de errado com isso, claro: cada arte tem o seu propósito.

Mas é que é apenas quando uma história encontra seu fim criativo em um livro, quando é efetivamente encapada, diagramada, revisada e distribuída, que seu ciclo pode ser dado como completo. É apenas nesse instante, quando suas palavras passam a ser imutáveis, que ela deixa de pertencer ao autor e passa a pertencer à humanidade.

 

E a humanidade precisa de presentes assim para evoluir um pouco mais.

Contribuamos, nós que somos autores, com os nossos livros.

 

moses-1515

Leia Mais

A liberdade está matando a arte?

Tenho para mim que a arte é filha direta da repressão com a censura.

O Renascimento, por exemplo, só existiu depois que a peste bubônica devastou meia Europa e convenceu o mundo de que viver em uma submissão literal aos mandamentos cristãos não estaria, enfim, agradando tanto a Deus. Ainda assim, mesmo nessa época mais negra da humanidade, Dante cunhava sua Divina Comédia repleta de críticas ricamente entranhadas em metáforas político-religiosas e Giotto revolucionava as artes visuais pintando o que acreditava disfarçado de ingênuos temas religiosos.

A arte pré-renascentista era pura resistência sutil feita por heróis geniais.

Tudo mudou no Renascimento? Mais ou menos. Não dá para dizer, afinal, que não havia censura em tempos que fogueiras queimavam pessoas como se fossem churrasquinhos de final de semana.

Como burlar a censura que punia de morte o livre-pensar?

Metaforizando-o.

Tome como exemplo o teto da Capela Cistina, encomendado a Michelangelo pelo Papa Júlio II. Uma ode ao cristianismo? Certamente, como não poderia deixar de ser em uma obra encomendada pelo Vaticano. Mas, ao mesmo tempo, um conjunto imenso de sutis (porém ferozes) críticas à decadência da igreja e do pontífice, este último detestado pelo artista.

 

Siga com o tempo e atravesse as artes. Vá para a literatura.

 

Há como negar a riqueza de símbolos e metáforas em Dom Quixote, até hoje um dos livros mais vendidos do mundo?

E nas descrições feitas do nosso Brasil pelos primeiros europeus sob o constante olhar vigilante dos seus monarcas?

E no modernismo? Há como negar as tantas incontáveis simbologias em Macunaíma?

Atravessamos colonialismo, impérios e ditaduras aqui pelas nossas bandas. Nossa arma para contestar tanta repressão?

A arte. A mesma arte que, ao disfarçar protestos de beleza, imortalizava suas histórias enquanto criticava o mundo a seu redor.

Se a arte é a maneira mais livre de se expressar, então os simbolismos e as metáforas foram suas maiores aliadas em tempos de censura e perseguição. Mais que isso: sem recorrer aos simbolismos, o teto da Capela Cistina não passaria de um teto qualquer e Dom Quixote seria apenas um relato realista comparável a uma novela das nove.

Avancemos, agora, aos nossos tempos.

Sim, temos (e sempre teremos) muito do que reclamar e exigir dos nossos líderes, sejam eles eleitos ou não – mas não temos como reclamar de falta de liberdade. Hoje, podemos tudo: não somos queimados na fogueira por criticar o Papa, não somos presos e torturados por exigir a prisão de líderes políticos, não “desaparecemos” ao nos tornarmos politicamente inconvenientes.

Isso significa que podemos ser diretos em nossos pleitos, podemos falar o que pensamos sem recorrer a disfarces mais elegantes para esconder nossas reais intenções. A liberdade, a mesma liberdade pela qual tanto lutamos nos últimos milênios, venceu! Uma felicidade indiscutível para a humanidade, claro… mas talvez uma tristeza para a produção artística como um todo.

Para quê, afinal, dedicar anos cuidadosamente maquiando mensagens em livros e afrescos se basta postar um protesto qualquer diretamente no Facebook sem medo de repressão?

Para quê metaforizar, correndo o risco de perder o entendimento de boa parcela do público, se basta apontar e gritar a pulmão aberto?

Para quê fazer arte se o caminho mais curto para a mudança, hoje, é mostrar a própria realidade desnuda?

 

Por outro lado, qual a graça de se retratar a realidade que todos já vemos da forma que todos já enxergamos?

Há valor artístico na obviedade?

Temo que estejamos testemunhando, em nossos ricos tempos, a morte da arte.

Espero estar errado.

siss

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia Mais

Sejamos todos melhores oportunistas

Tolstoi considerava que não existia, na história da humanidade, nenhuma única figura capaz de, isoladamente, mudar os rumos do mundo. Ao contrário: em sua obra prima, Guerra e Paz, ele desenhou Napoleão como um oportunista que conseguiu identificar uma espécie de “corrente de pensamento” entre seus pares, pintar-se como o capitão de uma nau feita para navegar rapidamente por essa corrente e, assim, mudar os destinos da França, da Europa e do mundo.

Poder, segundo Tostoi, não é fruto de um ato de heroísmo isolado – é a capacidade de identificar a vontade popular e de criar argumentos e justificativas para colar a sua imagem a ela.

Tentemos, no entanto, tirar a camada política do pensamento desse que foi, provavelmente, um dos maiores gênios da literatura que o mundo já viu. Observemos o quadro mais de perto.

Cada gesto que tomamos em nosso cotidiano, cada decisão rumo ao nosso futuro, é tanto consequência quanto causa de algo.

É consequência porque, obviamente, qualquer decisão é fruto de uma série de fatores que nos levaram a considerar um caminho em detrimento de outro. Ninguém escolhe escrever um livro, por exemplo, sem antes ter, ainda que flutuando no inconsciente, alguma história fruto de toda uma gama de experiências de vida acumuladas.

Esse mesmo livro, consequência das experiências do autor, é também causa pelo simples fato de que histórias mudam vidas. O simples ato de publicar um livro, aliás, encerra um capítulo emocional em nossas vidas e nos deixa preparados para enfrentar outros tantos. Nos faz crescer, abre algumas portas, fecha outras, aponta caminhos que pareciam inexistentes. E não são causa apenas para nós: um autor muda a vida de cada leitor que devora as páginas que escreveu, forçando sinapses que não existiriam sem os seus parágrafos e encurtando (ou mesmo abrindo) caminhos para decisões.

Ou seja: um livro é consequência das experiências de vida do autor e causa para novas experiências do mesmo autor e de seus leitores.

Um livro coloca, com todas as suas palavras, nomes e enredos a correntes de pensamento. Um livro dá nortes. Um livro dá um tipo de poder inimaginável ao impactar diretamente a vida de pessoas que, a partir daí, tomarão decisões que podem mudar os seus destinos e os de todos em sua volta.

E o que fazemos nesse infinito ciclo de causa e consequência? Vivemos. Ou melhor: nos deixamos levar pela vida.

Voltemos a Tolstoi e ao oportunismo dos heróis.

Quanto mais um livro conseguir captar as correntes de pensamento inconscientes da humanidade, ainda que colecionando sutilezas, maior o seu potencial de público e, consequentemente, de sucesso. Quanto mais ele se transformar em consequência dos tempos em que foi gerado, mais ele tenderá a causar mudanças sociais, das mais óbvias às mais intangíveis.

Mas não é só uma boa história que faz um livro de sucesso. Há a questão do autor conseguir identificar bem as oportunidades, as pessoas, os momentos; há a fundamental questão dele saber lidar com cada situação de maneira a tirar o melhor proveito possível e, com isso, aproveitar oportunidades que não existiam há minutos, há segundos.

Isso é oportunismo – no bom sentido. É deixar-se levar por uma espécie de força de gravidade social ao invés de brigar contra ela; é tentar beber o máximo possível das correntes de pensamento em vigor para devolver ao mundo visões autênticas do que todo mundo já pensa, mas não sabe colocar em palavras.

Napoleão foi o grande oportunista de Guerra e Paz, claro. Mas o próprio Tolstoi foi um oportunista perfeito ao identificar o cenário ideal na Rússia do meio do século XIX para escrever a história ideal. Sagrou-se um autor-herói, por assim dizer.

Assim como outros tantos fizeram mundo afora: Machado de Assis, Saramago, Murakami, Achebe, García Marquez, Hemingway – para ficar apenas em uma meia dúzia.

Genialidade real não está em criar nada de novo: está em perceber as oportunidades perfeitas para colocar o óbvio em palavras, apresentando-se como criador supremo de ideais que, embora inomináveis, já sejam quase universalmente conhecidos e compartilhados.

Que consigamos todos aprender o oportunismo dos heróis.

bonaparte-st-bernard01b

Leia Mais