Uma história contada por todas as vozes; uma aula de literatura para todos os autores

Um dos mais celebrados autores mexicanos se chama Juan Rulfo. Ele não teve uma vida exatamente fácil – escrevia, aliás, como forma de conseguir sobreviver à sua própria solidão.

Escrevia muito? Não.

Rulfo, na verdade, teve três livros publicados: um de contos e dois romances, sendo que o último deles acabou sendo publicado mais por insistência de um amigo do que pela vontade do autor.

Seu romance mais célebre se chamou Pedro Páramo – e é o que recomendamos como uma aula à parte de literatura para todos os autores que estiverem lendo este post.

Primeiro, pela narrativa. As pouco menos de 150 páginas contam a saga de Juan Precioso pela pequena vila de Comala, para onde foi em busca do pai – Pedro Páramo – a pedido da mãe em seu leito de morte. O curioso é que o narrador não é Juan Precioso, mas sim toda uma série de personagens que interagem com ele durante a viagem, tecendo assim uma história feita de fragmentos acronológicos. Aliás, a coisa é mais tensa que isso: parte dos personagens que interagem com Precioso são almas penadas, condenadas a vagar pela vila indefinidamente por terem morrido sem serem absolvidas dos seus pecados pelo corrupto padre local (que também assume o papel de narrador em alguns trechos). O que há de belo nessa narrativa, portanto? Ela é fragmentada e desenhada sob a ótica de pessoas e de almas em diferentes pontos do espaço-tempo, em uma espécie de estilo que, embora único, tenha um pouco de Vermelho, do turco Orhan Pamuk, e do Bras Cubas, de Machado de Assis.

Segundo, pela simbologia dos nomes – algo que o nosso Guimarães Rosa também trabalhava com maestria. Todos os nomes de personagens parecem ter sido esculpidos, e não criados, para contar histórias à parte. Isso inclui Pedro Páramo (que pega o “pedro” da palavra “pedra” e o “páramo” de uma regiao desértica, árida), mas inclui também Juan Precioso, o protagonista, Dolores Precioso, sua mãe, e tantos outros.

Terceiro, pela abundância de significados que emanam do texto. Pode-se lê-lo como uma crítica política à sociedade mexicana da época, tão rígida em valores morais quanto corrupta em atitude éticas; pode-se lê-lo como uma história espiritual, fruto também de uma sociedade em que a a fronteira entre vivos e mortos é absolutamente tênue; pode-se lê-lo como um exemplo tão claro da tradição oral responsável por se passar adiante histórias na América Central; e pode-se lê-lo como uma viagem à própria definição das forças que fazem a nossa existência, como o desejo desmedido de Pedro Páramo, a esperança vã da sua esposa, Dolores, o medo do seu filho, Juan Preciado, o amor louco de Susana San Juan, a moral corruptível do Padre Rentería, a culpa mortal do cavalo El Colorado; etc. O protagonista real, portanto, não é nenhum dos personagens: é o próprio leitor, que encontra no texto uma definição da Vida como um todo.

E, quarto, pelo extremo cuidado que Rulfo teve com o texto. O autor passou, aliás, mais tempo fazendo cortes na narrativa do eque escrevendo-a: para ele, cada palavra precisava ser pesada, medida, entendida. E, se não fosse absolutamente fundamental, cortada.

Porque estou falando de Pedro Páramo aqui, neste post, escrito diretamente da Feira do Livro de Guadalajara? Primeiro, pelo óbvio: Rulfo é provavelmente o maior gênio literário que o México teve até hoje. Falar sobre ele diretamente do México é quase que uma honra.

Mas, segundo, e talvez mais importante, porque essa obra de arte é, de fato, uma aula de literatura para todos nós, autores independentes. Ler Pedro Páramo com atenção é aprender a lidar com a palavra e casar termos com tempos com culturas com visões de mundo ao ponto de contar a história mais perfeita que poderia ser contada.

E não é isso que nós, autores, sempre buscamos?

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Tem dúvidas sobre autopublicação?

Tem dúvidas sobre como publicar seu livro?

Simples: pergunte.

Ou navegue por aqui.

O Clube de Autores tem mais de 9 anos de mercado trabalhando com autopublicação como deve ser: gratuita para o autor e com garantia de presença nas mais diversas livrarias. O que isso nos dá (e, por consequência, garante a você)? Uma base de conhecimento imensa sobre o que funciona e o que não funciona nesse mercado.

Essa base de conhecimento, no entanto, não serve de nada se não a colocarmos ao alcance e à disposição de todos os autores do país – e é esse o esforço que temos feito (e fortalecido) nos últimos tempos.

Gostaria, aqui, de deixar dois convites para todos os escritores que tenham qualquer tipo de dúvida:

Acesse os materiais que preparamos para você.

São muitos e que devem aumentar o tempo todo. Mas, para facilitar, listaremos aqui:

Compilado de conteúdo sobre como publicar um livro

Post sobre como escrever um livro

Checklist com todas as etapas de lançamento de um livro

Passo-a-passo de como registrar o ISBN para seu livro

Post sobre como definir o preço do seu livro

Post sobre como lançar um livro sem burocracia

Manual de divulgação de livros

Guia de Publicação de Livros

Pergunte-nos

Todos esses materiais, como já comentamos, foram feitos com base em dúvidas que recebemos de autores ao longo dos nossos 9 anos de vida.

Isso significa que todas, absolutamente todas as dúvidas já tenham sido respondidas? Claro que não.

Significa apenas que estamos fazendo – como devemos continuar fazendo – um esforço grande para deixar o mínimo possível de dúvidas nesse mundo relativamente novo da autopublicação.

E também significa, claro, que a possibilidade de existirem outras dúvidas quaisquer que sequer tenhamos considerado é bem razoável.

Isto posto, pedimos a todos os autores que nos considerem não como um acervo de material, mas sim como uma fonte de consulta permanente sobre como se autopublicar.

Tem dúvidas e não encontrou respostas? Pergunte-nos.

Do nosso lado, se há uma coisa que podemos garantir é que faremos todo o esforço do mundo para respondê-lo o quanto antes!

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Não ignore o mar de referências à sua volta

Comentei, no post da segunda passada, sobre a viabilidade de se viver como escritor hoje em dia. Reforço isso aqui: embora não seja uma carreira fácil, ela já não é mais tão impossível quanto no passado.

Mas – e reforço isso aqui também – ela demanda um tipo de entrega total à arte que nem todos os escritores costumam estar dispostos.

É impossível escrever bem se você não lê bem. Aliás, isso não deveria sequer ser uma questão: é um privilégio inenarrável termos, hoje, a possibilidade de ler tanto por tão pouco. Temos ao alcance de todos gênios como Guimarães Rosa, Mia Couto, Tolstoi. Mestres que praticamente refundaram idiomas inteiros e criaram modelos de expressão literária absolutamente revolucionários.

Como sequer querer multiplicar leitores sem antes entender como esses grandes mestres dos nossos e de outros tempos o fizeram? Refazendo a pergunta: para quê desperdiçar essa base tão gigantesca de conhecimento que está ali, ao nosso alcance?

E isso porque estamos falando aqui apenas dos mestres já consagrados.

Há outros: há os escritores independentes que apenas agora começam a criar os seus públicos. E por que eles são fundamentais? Porque a literatura do futuro está sendo desenhada justamente por eles.

Há como ser um escritor incrível sem ser um leitor ávido? É possível, claro – mas não provável. E decididamente não é um caminho que me pareça muito inteligente.

Quer um lugar ao sol junto aos mestres da literatura? Comece pelo caminho mais fácil e óbvio: aprenda com eles.

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Uma visão de futuro a partir dos idiomas mais falados do mundo

Recentemente, o jornalista Alberto Lucas Lopez montou um “mapa-mundi” baseado não em fronteiras geográficas, mas sim no alcance das línguas nativas. Não dá para dizer que foi tarefa fácil: há, afinal, 7.102 línguas diferentes faladas por uma população de 7,2 bilhões.

Os dados abaixo referem-se a uma parcela de 6,3 bilhões, sendo que 4,1 bilhões falam um dos 23 idiomas mais comuns (60% deles orientais).

Três dados curiosos saem dessa análise:

1) O mundo é muito mais oriental que ocidental, principalmente se colocarmos na balança os outros idiomas fora da lista dos “top 23”. Em uma estimativa simples, dá para considerar que algo entre 70% e 75% são “do lado de lá do mundo”.

2) Idioma oficial reflete mais o passado que o futuro: afinal, ele é resultado de uma soma de séculos de hábitos, conquistas, imposições e embasamentos culturais. O gráfico traz, em menos destaque, os idiomas mais aprendidos mundo afora. Dos 7 principais, apenas 2 são orientais: o chinês e o japonês, ocupando, respectivamente, terceiro e sétimo lugares. O inglês é indiscutivelmente dominante, com 1,5 bilhão de estudantes. Mas mesmo traçando um outro comparativo, há mais de 2 vezes mais pessoas aprendendo francês (82 milhões) do que a soma dos diferentes dialetos que podemos considerar como chinês (30 milhões).

3) O português tem uma relevância grande no cenário mundial – mas em grande parte por conta do tamanho da nossa população. Do ponto de vista de volume de estrangeiros interessados em aprender nosso idioma (e, por consequência, nossa cultura), estamos quase no ostracismo.

O que isso nos diz?

Que a crença quase cega que temos de que o futuro pertence à China e que o ocidente está em uma espécie de processo de neo-colonização por eles não encontra respaldo cultural prático nas estatísticas. O chinês é um idioma importantíssimo? Óbvio que sim – mas em muito por conta da globalização que, subitamente, colocou um mercado de mais de um bilhão de pessoas no horizonte do Ocidente.

Mas, se um idioma é a principal arma de dominação cultural, então esse infográfico deixa claro que o futuro pertence muito mais a países de língua inglesa – principalmente os Estados Unidos – do que qualquer outro.

E que nós, aos poucos, estamos sendo deixados de lado. Que triste.

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Ganhe uma vaga para o curso de autopublicação

Há pouco mais de 5 anos, a própria palavra “autopublicação” era desconhecida da imensa maioria dos autores brasileiros. De lá para cá, esse mercado vem ganhando força na mesma medida em que vai quebrando paradigmas – só aqui no Clube, por exemplo, somos mais de 35 mil escritores.

Como em qualquer mercado novo, os seus protagonistas – os autores – tiveram que aprender a duras penas. Entre a ideia de escrever e o livro na mãos dos leitores muitos neurônios foram queimados – tanto nas histórias quanto no esforço empreendedor de se “marketear” para o público certo.

só que o tempo passa, as experiências e casos de sucesso vão se avolumando e, assim, o próprio mercado começa a entrar em um momento de maior maturidade. A oferta de cursos, por natureza, são uma expressão dessa maturidade.

E é justamente nessa linha que o Clube conseguiu um acordo com o Guia de Autopublicação, que fará dois cursos (em Sampa e no Rio) ao longo dos próximos dias (mais informações na imagem abaixo).

São duas vantagens:

1) Todos os autores do Clube já tem desconto automático de 20% nas vagas, bastando informar o código clubedeautores20 durante a inscrição (que pode ser feita clicando aqui)

2) O Clube tem direito ainda a 2 vagas que poderão ser utilizadas no Rio ou em Sampa. Como o curso não será a distância, estamos limitando esse concurso apenas a escritores que residirem ou que estiverem dispostos a se locomover para uma dessas cidades nas datas. Para participar, as regras são:

Todos os interessados deverão enviar, até o dia 06/10, um texto com não mais do que 900 caracteres contendo uma história (com começo, meio e fim) sobre o tema “A final da copa de 2014 dos meus sonhos”.

Entre os concorrentes serão escolhidos 2 vencedores que poderão cursar gratuitamente o curto.

Os contos deverão ser enviados em arquivo PDF para atendimento@clubedeautores.com.br com o título Clube de Autores na Academia Brasileira de Letras.

Se interessou? Então já comece a trabalhar no texto!

Para mais informações sobre o curso clique aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link www.guiadaautopublicacao.com.br/cursos

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