Maravilhosos microcontos

“Ajuda ele emprestava a juros. Amor só dava a prazo. Rancor era à vista. A gratidão só recebeu fiado.”

“Casa de ferreiro, espeto de pau – desculpava-se o carrasco perante sua mulher ao se recusar a esmagar aquela barata na cozinha.”

“Seu funeral teve tantos discursos que o morto conseguiu ser ainda mais enfadonho do que fora em vida.”

Pois é: essas três historietas acima são o que chamamos de microcontos. Como o próprio nome sugere repleto de obviedade, contos minúsculos, feitos de um punhado de caracteres, mas que compreendem pensamentos que voam da ironia ao amor com uma sutileza surpreendente.

Gênero novo? Talvez. Provavelmente. Em uma arte que se popularizou no passado com textos imensos, por vezes com centenas e mais centenas de páginas, a compressão de raciocínios sem dúvidas traz um ingrediente interessante a esse nosso universo de livros. E há um livro aqui no Clube que indicamos entusiasmadamente sobre o gênero (e de onde tirei esses exemplos que abriram o post): Microcontos cruéis, surreais, eróticos e outros, de Carlos Seabra, considerado por muitos como um dos pais do próprio conceito de microcontos.

Quer si divertir um pouco? Dê uma olhada nesse título clicando aqui ou indo diretamente ao link https://www.clubedeautores.com.br/book/216736–Microcontos_crueis_surreais_eroticos_e_outros.

É sempre uma viagem interessante desvendar novas fronteiras da literatura.

Screen Shot 2016-10-24 at 10.42.30

Leia Mais

Por que um bom livro é uma porta secreta?

A infância é surreal. Já comentei isso no post da quarta passada quando me alonguei, talvez mais do que o necessário, sobre como livros permitem que crianças criem mundos de acordo com as suas próprias e pessoalíssimas visões de mundo.

Nessa linha, vale muito conferir a palestra do autor Mac Barnett sobre a escrita que escapa das páginas abrindo todo um caminho para a imaginação:

 

Leia Mais

Uma aula dos grandes mestres

Chegue, enquanto escrevia aqui no blog na quarta passada, a uma questão que julgo interessante: seriam os grandes romances da humanidade aqueles que conseguem mesclar épicos envolventes, densos, a pensamentos capazes de gerar súbitos e imediatos orgasmos mentais?

Perceba o raciocínio: as grandes obras são necessariamente feitas de tramas engendradas, complexas, densas ao ponto de praticamente catapultar seus leitores a universos impensáveis. No entanto, essa viagens mentais proporcionadas acabam requerendo tanta concentração que pinceladas de genialidades acabam sendo necessárias até para manter o entusiasmo alto.

Exemplos?

Não faltam. Veja esses, com citações por si só mesmerizantes de livros cujos enredos são densos ao ponto de terem mudado os pensamentos das suas épocas:

Anna Karenina, de Tolstoi: “Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” 

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

A Máquina do Tempo, de H. G. Wells: “Soa plausível o suficiente hoje à noite, mas espere até amanhã. Espere pelo bom senso da manhã.”

Jane Eyre, de Charlotte Brontë: “A vida me parece curta demais para ser gasta cuidando de animosidades ou registrando malfeitos.”

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes: “Finalmente, de tão pouco dormir e de tanto ler, seu cérebro secou e ele perdeu a cabeça completamente.”

Kafla à Beira Mar, de Haruki Marukami: “Memórias te aquecem por dentro. Mas elas também te rasgam por inteiro”.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: “Hoje em dia se sabe o preço de tudo e o valor de nada.”

Grandes Esperanças, de Charles Dickens: “Nunca devemos nos envergonhar das nossas lágrimas.”

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: “O amor? Pássaro que põe ovos de ferro.”

E por aí lá vai, beirando o infinito.

Sim: pode até ser que alguma grande obra qualquer tenha sido tecida sem essas pequenas pílulas de embasbacamento… mas acho difícil. A utilidade dessa conclusão? Uma aula para os novos autores dada pelos grandes mestres.

A genialidade de uma história deve vir tanto em suas completude quanto em pílulas transversais.

 

 

Leia Mais

Uma pergunta, uma resposta

Nessa última semana, uma leitora daqui do blog nos enviou uma pergunta sobre direitos e questões envolvendo a forma de publicação tão interessante que decidi publicar aqui, como um novo post. O que é interessante? Ela acaba resumindo em sua questão muito do que muitos autores nos perguntam diariamente, seja por aqui pelo blog ou pelo Facebook.

Nossa resposta foi a mais sincera possível (obviamente). Vamos a ela, então:

Pergunta:

Boa Tarde
Primeiro, parabéns pelo blog me ajudou muito nos últimos dias.
Eu decidi encarar de vez o mundo dos “escritores” e enviei meu “livro” para uma editora publicar. Por diversos motivos, no meu caso, neste momento é melhor que tenha uma editora por trás me apoiando. Enfim, sobre o registo ISBN, a editora vai fazer esta solicitação por mim. Fiquei insegura, pois não sei ainda como funciona. Então minha dúvida é: Qual a melhor opção? Eu mesma fazer ou a Editora? Quais são os prós e contras de ser a Editora? Eu correria algum “risco” se daqui um tempo decidisse publicar com outra Editora?

Resposta:

Oi Débora! Muito obrigado pelas palavras! Vou me permitir ser o mais sincero possível com você. Todos nós, escritores, sempre preferimos ter editoras nos apoiando – esse sempre é e provavelmente sempre será “o” sonho de consumo. O problema é que, na quase totalidade dos casos – e falo não apenas por experiência própria, mas também pelo tanto que já conversamos com outros autores – esse “apoio” é muito mais teórico do que prático. Quando uma editora cobra do autor, ela está fazendo uma venda e sim, promete distribuição e tudo mais. Mas ter distribuição não significa estar presente em todas as livrarias ou mesmo em uma única vitrine, que é o que realmente faz a diferença. A grande maioria das editoras também não faz marketing bem feito, incluindo uma verba definida para campanhas em redes sociais etc. – em grande parte porque, hoje, isso é responsabilidade do autor.

Aliás, o maior erro que um autor pode cometer e acreditar que uma editora, qualquer que seja, fará o trabalho de divulgação do seu livro. Isso quase nunca ocorre exceto por um ou outro raríssimo caso. Você nos pediu dicas e a primeira e mais importante é: seja autopublicando ou publicando por uma editora, tenha a mais absoluta certeza de que a única pessoa que realmente capitaneará o marketing do seu livro será você – mesmo que alguem tenha te prometido o oposto. Aprofunde-se no assunto, estude casos de outros autores da Internet e coordene toda a comunicação do seu livro.

E, se seguir por uma editora, tome muito cuidado com o contrato. Assegure-se de que o tempo mínimo de exclusividade que a editora exige é justo, veja direitinho quais os direitos que estará cedendo a ela e o que, exatamente, ela fará. Normalmente o ISBN fica a cargo da editora – mas nada impede que você mesma o tire. O processo é simples e relativamente rápido – ele só parece burocrático.

Finalmente, sobre riscos, o que eu te diria é que todos corremos a partir do momento em que decidimos publicar (e, portanto, tornar públicas) as nossas histórias. No entanto, eu diria que é um risco pequeno, minimizado mais se você se assegurar dessas questões contratuais.

Espero ter ajudado e, do fundo do coração, desejo toda a sorte do mundo em sua empreitada! Parabéns: escrever um livro decididamente é um marco na vida de qualquer pessoa e uma impressão da nossa vida que deixamos para toda a eternidade!

Leia Mais

Jornalismo literário

Convivendo há tanto tempo com autores, é natural que acabemos nos sentindo pessoalmente próximos de alguns que, de alguma maneira, acabaram entrando em nossas vidas pessoais. Edvaldo Pereira Lima é uma dessas pessoas, tanto por ser um dos primeiros autores do Clube quanto por escrever sobre escrever.

Professor da USP, ele desenvolveu todo um método de escrita que tive o prazer de conhecer em um evento que capitaneou no Museu da Língua Portuguesa, há alguns anos, aqui em São Paulo. Pesquisando sobre jornalismo literário – sua especialidade – acabei me deparando com um canal seu no Youtube repleto de vídeos interessantíssimos para quem quiser se aprofundar no assunto.

Pois bem: o objetivo do post de hoje, acidental no sentido de que acabei “tropeçando” no link, é justamente indicar e recomendar o canal do Edvaldo no Youtube. Há muitos autores aqui no Clube que praticam, por assim dizer, o jornalismo literário – e dificilmente se encontrará uma fonte brasileira melhor do que ele.

Pois bem: para acessar o canal, basta que clique aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link https://www.youtube.com/channel/UCkCVvEb82It-Z08qf6JsZRg

Screen Shot 2016-08-01 at 11.18.30 AM

 

Leia Mais