Nadando pelos livros do Clube

Recentemente, o autor Rodrigo Rahmati nos mandou um posto que fez em seu blog em que se propôs um desafio: ele selecionará e lerá 7 livros publicados por aqui ao longo de 2017.

Na prática, a mecânica é a seguinte:

Ele já selecionou as obras e as expôs em seu blog, no http://www.rahmati.com.br/2017/03/desafio-clube-de-autores.html . Lá, ele colocou capa e resenhas e, em seguida, suas expectativas. Ele não fará exatamente resenhas dessas obras, mas dirá se elas atingiram ou não as suas expectativas.

O próprio autor-blogueiro deixa claro em seu post o motivo desse desafio: ele entende que, por sermos um ambiente de autopublicação, há de tudo publicado no Clube. A dúvida que quer responder é: selecionando obras cruzando capa, sinopse, primeiras páginas e gosto pessoal funciona?

Eu, que leio rotineiramente livros do Clube, posso ajudar a responder: sim, com certeza. Mas, como eu sei que qualquer resposta minha pode ser interpretada como parcial, aguardemos os retornos do Rodrigo!

Mas já adianto: atitudes assim são ESSENCIAIS para agregar mais visibilidade aos autores independentes do país!

 

 

 

 

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Teremos, um dia, uma obra prima global?

Procuro sempre guiar o meu hábito de leitura pelos extremos: quando leio autores daqui mesmo, do Clube, ou outros brasileiros como Guimarães Rosa ou Graciliano Ramos, equilibro-me com um Murakami, um Pamuk ou um Tosltoy. São espécies absolutamente diferentes de literatura – espécies que beiram a incompatibilidade criativa. 

Aqui, no ocidente, tendemos a ser mais sucintos e mais mergulhados nas histórias do que nas formas. Não que as formas sejam desprezadas – mas elas existem mais para embalar alguma mensagem mais densa e disruptiva. 

Do lado de lá, tudo muda: a forma é protagonista. Para ficar em um exemplo: Vermelho, de Pamuk, é um livro construído nos mais delicados detalhes, chegando ao ponto de ter como narradores um cavalo, a cor preta, uma árvore. Os pontos de vista das coisas se entrelaçando em um enredo é algo brilhante por si só. 

Essa minha viagem constante pelas fronteiras da literatura tem me feito me perguntar algo: será que, um dia, teremos uma espécie de obra prima que una essas duas características como nenhuma outra? Será que, um dia, teremos algum livro composto com o detalhismo do hemisfério de lá somado à brutalidade genial do hemisfério de cá? 

Se isso ocorrer, arrisco-me a palpitar, será por agora: em nenhum outro tempo tantas ondas de imigração se sucederam, resultado de guerras e misérias, enevoando as fronteiras entre ocidente e oriente. Quanto menos fronteira, claro, mais união cultural se pode esperar.

Se isso ocorrer, arrisco-me a palpitar, será também por aqui, no universo da autopublicação – dificilmente um editor tradicional, antiquado, avesso a inovações, conseguirá sequer entender o poder de uma literatura universal.

Dos meus dois lados de cá – o do Clube de Autores e o de um leitor qualquer – fico na torcida para que esse dia em que uma obra prima universal, uma obra que una o melhor dos dois mundos do nosso mundo, seja logo composta. 

 

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A matemática contando histórias

Um país como o Brasil, de dimensões continentais e características tão únicas, tem uma espécie de dever de buscar soluções para seus próprios problemas a partir da sua própria criatividade.

Explico-me melhor: estamos habituados a importar de tudo – de smartphones a métodos de ensino, passando ainda por técnicas médicas, estilos artísticos e toda uma pletora de atividades criativas. Por quê? A resposta é tão fácil quanto constrangedora: a nossa velha conhecida síndrome de vira-lata que nos faz acreditar piamente que o pré-requisito de qualquer genialidade é que ela tenha surgido fora de nossas fronteiras.

Atiramos pela janela, assim, muitos dos frutos que poderíamos ter colhido e muitas oportunidades de melhorarmos aos olhos do mundo e, obviamente, de nós mesmos.

A primeira coisa que fiz hoje, quando cheguei a este delicioso trabalho de lidar com arte, foi passar o olho pelo site do Clube. Encontrei ali, já de imediato, um exemplo perfeito de criatividade nascida bem no centro de nossa terra: o livro A Matemática Contando Histórias, de Marizete Dias Barros.

Tive o prazer de conhecer a autora há alguns anos, na Flip, quando ela lançou O Aniversário do seu Chico. O propósito desta professora pós-graduada em matemática pela UFF segue o mesmo: utilizar histórias cotidianas da infância como base para o ensino da matemática.

Ou, como a própria sinopse coloca, “levantar discussões, criar provocações e possibilitar interações a partir da vinculação dos números, formas, medidas e situações-problemas, com os fatos do cotidiano, promovendo assim boas situações de aprendizagem em que se prioriza a questão do contexto e do significado.”

É um livro que, mais do que ensinar a decorar fórmulas, insere a língua universal da matemática no seio da cultura e da linguagem brasileira, utilizando-a como uma forma óbvia de entender o mundo que nos cerca.

Não dá orgulho de ter algo assim escrito aqui no Brasil e publicado aqui no Clube?

Para conhecer mais, acesse o link https://www.clubedeautores.com.br/book/160021–A_MATEMATICA_CONTANDO_HISTORIAS ou clique na imagem abaixo. A autora também tem diversos outros títulos do gênero que recomendo bastante a leitura, todos no https://www.clubedeautores.com.br/authors/15801

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Cara Liberdade, de Zdenek Korecek, narra o drama da emigração da Europa em guerra até o Brasil

Estamos entrando em uma era com um infeliz crescimento de conceitos como xenofobia, protecionismo e anti-globalização. Neste começo de 2017 tão cheio de rupturas, do Brexit ao Trump com seu muro no México, as mudanças de comportamento das gerações futuras prometem ser intensas.

Mas há um outro lado para isso, como já postei diversas vezes aqui no blog. Momentos de ruptura social, momentos que marcam mudanças grandes nas mentes das pessoas, costumam vir juntas com histórias intensas e extremamente dramáticas. Histórias, acrescento, que tendem a se metamorfosear em obras primas da literatura e, assim, ajudar a própria humanidade a crescer enquanto espécie. Não vou me alongar muito aqui sobre esse assunto – escrevo um outro post na sext sobre ele. Mas um livro recentemente publicado no Clube me chamou a atenção: Cara Liberdade, escrito por Zdenek Korecek.

O motivo: trata-se da história do próprio autor que passou pela guerra e emigrou da antiga Tchecoslováquia para o Brasil. Ou seja: é um testemunho vivo e intenso de uma outra era de mudanças na história da humanidade.

Veja o book trailer abaixo, que conta ainda com algumas preciosas fotos do autor:

Gostou? Deixo então uma dica que estou pessoalmente prestes a fazer: vá neste link (https://www.clubedeautores.com.br/book/201591–Cara_Liberdade), no site do Clube, compre o livro e mergulhe nessa incrível história!

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