Tempos incríveis, tempos de transformação

Entre em um ônibus qualquer ou em um metrô e olhe ao redor: você sempre, sempre encontrará alguém lendo algum livro. E isso é fantástico.

Tenho para mim que a minha geração, nascida nos estertores da ditadura militar brasileira, foi praticamente incentivada a não “pensar” sobre as coisas realmente importantes da vida e da sociedade. O raciocínio era simples: pensar leva a questionar, questionar quase sempre leva a “se rebelar” e “se rebelar”, por décadas, levava a tenebrosas celas de tortura. E como culpar pais por não quererem ver seus filhos sofrerem, afinal?

O resultado disso? Povoou-se o Brasil com toda uma geração de odiares de livros, de cidadãos que culpam a falta de tempo, o excesso de trabalho ou o cansaço como responsáveis pelo que, no fundo, é a mais pura (e vergonhosa) falta de interesse pelo próprio crescimento intelectual.

Mas, se não há como se mudar o passado, há pelo menos como se sonhar com um futuro melhor. Porque, de alguma forma, essa mesma geração desinteressada tem buscado ensinar as gerações futuras a não agir como ela, a ler mais, a questionar mais, a formar e defender mais as suas próprias opiniões.

Volto ao parágrafo com o qual abri esse post como prova inconteste disso: hoje, é absolutamente natural encontrar pre-adolescentes lendo, vidrados, livros de centenas e centenas de páginas enquanto mergulham em histórias de magos, dragões e tempos invisíveis. Hoje.

Há trinta, vinte anos atrás, isso seria completamente impensável aqui no Brasil. Pelo menos como norma.

E o que isso significa? Que estamos mudando.

Que, aos poucos, estamos nos transformando em uma sociedade sem medo de pensar, de questionar, de formar opinião e firmar posição.

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Tolerância zero contra plágio

É impressionantemente raro – e digo “impressionante”, aqui, por sermos um site de autopublicação – mas plágios em obras literárias sempre podem acontecer.

Temos, aqui no Clube, todo um sistema preparado para isso: checagem automática de cada publicação contra um banco de dados de mais de 600 mil títulos, listas de alerta com publicações naquela “zona cinza”, que demandam um olhar humano para entender as suas legitimidades, e o sempre fundamental olhar da comunidade que sempre pode denunciar qualquer título.

Até então, nossa postura sempre foi de remover a obra do ar e conversar com os autores, informando-os sobre as infrações que cometeram e alertando-os para que não as repitam. A partir de agora, no entanto, no momento em que todas as obras do Clube ganham visibilidade por conta da distribuição em livrarias como Amazon, Submarino e Estante Virtual, dentre outras que estão por vir, haverá uma rigidez maior.

Agora, todo tipo de infração de direitos será imediatamente endereçado da seguinte forma:

  1. Todo livro denunciado será imediatamente retirado do ar (algo que já funcionava antes)
  2. Autores que publicaram livros plagiados serão imediatamente banidos do Clube, não podendo mais publicar nenhuma obra aqui em nenhum momento
  3. Todos os dados do plagiador e da obra em questão serão submetidos à Justiça caso esta solicite, seja em nome do autor ou da editora que eventualmente fizer a solicitação

O objetivo não poderia ser mais claro: garantir que este espaço, tão fundamental para os novos talentos da nossa literatura, mantenha-se tão limpo quanto sempre foi.

O melhor do Clube é a possibilidade de todos podermos contar as nossas histórias para o mundo. Isso é mais que uma tecnologia – é uma ideologia, algo pelo qual lutamos desde o nosso dia 1, lá em 2009. Plagiadores são, nesse sentido, aquela erva daninha que precisa ser extirpada sempre que aparece. Esse endurecimento de postura tem a ver justamente com isso: um ambiente mais saudável, afinal, só tem a beneficiar as dezenas de milhares de autores que fazem do Clube a casa de seus livros!

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Leia autores como você

Todos nós, autores independentes, penamos com as mesmas dificuldades: detectar bons críticos para trabalhar melhor as nossas obras, contratar ou convencer artistas a montarem capas incríveis, negociar com revisores para que nosso português fique impecável, planejar e executar campanhas de divulgação que façam nossas mentes encontrarem os olhos de leitores que nunca conhecemos na vida.

E isso não chega a ser, exatamente, nenhuma novidade. Em algum momento de suas vidas, todos os grandes autores – de Tolstoi a Machado de Assis, de Mia Couto a Murakami, já se depararam com os mesmos tipos de dificuldades. As duas maiores armas de todos eles – e de toda a horda de magos literatas que dividem espaço nas prateleiras das maiores livrarias do mundo? Suas genialidades, claro, e a perseverança que os fez nunca desistir de seus caminhos.

Genialidade, claro, não existe em todos nós – e, neste ponto, tudo o que podemos fazer é confiar e acreditar em nós mesmos. Mas e a perseverança? Esta depende apenas da nossa própria força de vontade.

Não é uma carreira fácil, esta que estamos buscando para nós mesmos: há uma concorrência monumental, um mercado dificílimo e um espaço extremamente restrito.

Ainda assim, se escrever é o que realmente amamos, então não temos alternativa senão seguir adiante, lançando mão de todas as nossas armas e estratégias e tentando de tudo para conseguirmos os nossos lugares ao sol da mesma forma que os nossos ídolos, em seus tempos, conseguiram.

Assim sendo, me permitirei aqui fazer uma sugestão – algo que já pratico sem arrependimento algum já há muito tempo.

Se você ama escrever, então provavelmente também ama ler.

Se você lê, então já tem os seus temas preferidos, os seus autores ídolos, os seus grandes heróis cruzando campos que podem variar do mundo dos czares às praias de Paquetá.

Que tal, então, experimentar outros nomes e textos tão novos quanto você?

Navegue pelo Clube de Autores.

Há 65 mil livros por aqui.

E sim, há de tudo. Certamernte haverá muitos títulos com os quais você não se identificará e outros tantos que, claro, terão tudo a ver com a sua linha de pensamento.

Que tal, então, escolher um outro autor independente – como você – e ler o que ele escreve?

Afinal, se estamos no ano novo, que comecemos já cultivando justamente o espaço para os novos autores. Quanto mais a nossa comunidade se unir, mais ela se fortalecerá e mais espaço conseguirá galgar nesse mercado!

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Capturando o tempo

No segundo em que um escritor termina uma história, qualquer que seja, ele terá cumprido uma das mais incríveis tarefas da vida: emprisionado o tempo.

Porque veja: séculos podem ter se passado, por exemplo, desde a Revolução Francesa; mas basta começar uma História de Duas Cidades e imediatamente somos guiados pelas mãos imortais de Dickens até as agruras da Paris pré-revolucionária, das guilhotinas, do cheiro de sangue e esgoto que costuma impregnar todos os ideais de liberdade.

E, se quisermos, podemos saltar da Revolução Francesa para a Moçambique pós-guerra civil, guiados pela genialidade de Mia Couto; depois para o Brasil neo-europeu de Machado de Assis; e então até mesmo para tempos que jamais ocorreram, como nas distopias fantásticas de Kazuo Ishiguro ou Haruki Murakami.

Há mais ainda: no instante que quisermos podemos sempre saltar de volta do conforto dos nossos lares para os inseguros séculos passados ou para os impossíveis séculos futuros, seja em nossas próprias cidades ou na Europa, na Antártida, na África, nos áridos sertões de Guimarães Rosa ou Rachel de Queiroz.

Livros nos permitem viver em um estado de liberdade quântica que jamais nenhum outro ser vivo, ao menos em nosso planeta, experimentou.

Arte em geral (e livro em específico) é, no fim, apenas uma belíssima estratégia de emprisionar tempos e espaços. Estratégia viável tanto pelos artistas e escritores, que dedicam-se a congelar momentos em forma de histórias, quanto a espectadores e leitores que, a cada passada de olhar, a cada atenção dedicada, esticam esse tempo até a eternidade.

Só a física quântica pode explicar essa tão fantástica relação entre artista, arte e espectador.

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