Por que autores devem ser seus próprios empresários?

Foi-se o tempo em que se poderia contar com uma editora: autores, agora, estão por conta própria. Ainda bem.

Muita coisa mudou nesses 10 anos desde que o Clube foi fundado: o mercado editorial se abriu bastante, as editoras tradicionais entenderam que precisavam se modernizar e até as grandes livrarias abriram suas portas para os autores independentes. Não foi fácil: lembro inclusive de uma palestra que dei na Bienal de SP onde fui apresentado como “uma das pessoas que estavam destruindo o mercado editorial”. E o que estava fazendo? Apenas lançando o Clube de Autores como um espaço mais democrático para se publicar livros sem que nossos conhecimentos e experiências ficassem dependentes do julgamento de editores mal humorados e sempre ocupados demais para ler.

Não vou dizer que sou recebido com muito entusiasmo por todos os editores em eventos ou reuniões – principalmente nos que atuam com autopublicação paga, em que escritores precisam comprar uma tiragem mínima de exemplares para que a “engrenagem” rode. Mas há, hoje, uma noção mais generalizada de que o mercado editorial está passando por uma mudança que vai muito, muito além do (chatérrimo e irrelevante) debate sobre a crise.

Não se trata de crise: trata-se de transformação.

A questão agora é outra.

Se, no passado, o mercado editorial era pautado pela escassez, com poucos títulos criteriosamente selecionados por editores, hoje ele é pautado pela abundância.

Se, no Brasil, há pouco mais de 45 mil títulos publicados anualmente, hoje mais de 10 mil que vem apenas aqui pelo Clube de Autores – 22% do total. E isso sem contar com as tantas outras formas de publicação e autopublicação existentes no mundo.

Em que isso implica? Na mudança dramática de papel de um autor.

Quer ter sucesso no mercado literário? Então entenda que escrever bons livros é apenas uma parte de uma fórmula extremamente complexa. E o motivo é simples: há simplesmente muita gente que escreve livros incríveis competindo por um número de leitores que não é infinito.

Nesses últimos 10 anos convivemos, diariamente, com dois tipos de autores: os que culpam o mundo e os que culpam a si mesmo.

Explico a diferença.

Quando não se tem a noção do tanto que se precisa trabalhar para divulgar um livro – incluindo a organização de lançamentos, de uma estratégia de presença, da construção de um público em redes sociais etc. – é natural que uma frustração pela quebra do romantismo apareça. Não se trata apenas de escrever e esperar o Jabuti ou o Nobel: é preciso trabalhar mais do que jamais se imaginou.

Com essa conclusão em mente, muitos autores começam uma rotina de caça aos culpados: consideram que o preço é o vilão, xingam o pouco hábito de leitura dos brasileiros, reclamam de pouco incentivo do governo, sentem-se incompreendidos. Esses, infelizmente, acabam trilhando um caminho mais difícil (ou mesmo improvável) até o sucesso.

Mas há outros autores que entendem que sucesso em um mercado concorrido como o literário está mesmo longe de ser fácil. Esses culpam a si mesmo, o que acaba sendo uma opção muito mais prática. Por quê? Porque quando se culpa os outros não ha espaço algum para se aprimorar ou se corrigir – afinal, o problema está fora de si.

Quando se culpa a si mesmo, por outro lado, reconhece-se falhas e erros que podem facilmente ser corrigidos com empenho, dedicação e estudo tomando como base teorias e experiências de outros autores encontradas na própria rede.

Ou, colocando em outros termos, culpar a si mesmo é o primeiro passo para que um autor se transforme em empresário de si mesmo, entendendo que cabe apenas a ele pavimentar o caminho para o sucesso que ele merece. Dá mais trabalho? Sem dúvida.

Mas a única maneira de conseguir um futuro dourado na literatura é justamente passando por mais aventuras que o mais aventureiro dos personagens de ficção. Reclamar, afinal, nunca resolveu nada na vida.

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