Um novo primeiro capítulo

Nem todos estamos sempre na mesma página, claro. Depois que fiz o post da última sexta, em que arriscava uma tímida comemoração por estarmos virando uma página turbulenta em nossa história, recebi alguns comentários de escritores dizendo que, para eles, tudo ainda permanecia da mesma forma, na inquietude desanimada de quem está preso no meio de uma história cuja trama cresceu para além do controle da caneta.

Em casos assim eu costumo seguir uma regra própria, muito pessoal: recomeçar. Às vezes, ao menos no meu caso, há realmente situações em que as histórias que estamos desenhando – seja para nossos personagens ou para nós mesmos – simplesmente fogem do controle. Recuperá-las é inútil: histórias, quando revoltam-se em vida própria, desenvolvem uma espécie de anarquia impossível de ser domada.

O que fazer, então? Esquecê-las. Ignorá-las. Deixá-las seguir os seus próprios caminhos rumo à auto-aniquilação.

Se as tramas em que estivermos envolvida se pegarem tensas demais, vale mais à pena virar a página e pensar em uma nova história, do zero.

Vale mais à pena abandonar qualquer expectativa quanto a elas.

Vale orfanizar os nossos próprios personagens.

Vale partir para crer que qualquer fio de expectativa ao qual se estiver preso seja apenas uma miragem, uma alucinação fruto do desespero de um escritor que não suporta a perda da história que estava tão zelosamente desenhando para o seu futuro.

Vale jogar tudo no lixo, criar novos cenários, novos enredos e novos personagens.

E começar um novo primeiro capítulo.

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