Livros do Clube de Autores passam a ser vendidos fora do Brasil

Há mercado para autores independentes fora das nossas fronteiras

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 3 milhões de brasileiros estavam morando fora do país em 2016 – número que, ao que tudo indica, deve apenas ter aumentado nos últimos anos devido à crise recente pela qual passamos. Além deles, há também cerca de 50 milhões de cidadãos de outros países que falam português – um número extremamente expressivo por si só.

Claro: todas essas pessoas tendem a consumir livros vendidos localmente, seja em seus países de origem (Portugal, Moçambique, Angola etc.) ou nos países para os quais emigraram. Mas o fato é que, por sermos o país mais populoso (80% das pessoas que têm o português como idioma nativo vivem no Brasil), é natural que a maior parte dos livros em nosso idioma sejam brasileiros.

Quem vive fora costuma ter a opção, naturalmente, de comprar ebooks… mas ebooks representam uma parcela ínfima do mercado total (entre 2 e 3%).

Aqui entra a principal pergunta: onde essa massa de pessoas acha livros impressos em português, principalmente se estivermos falando de produções brasileiras?

A resposta: importando em sites nacionais (e pagando uma fortuna de frete) ou em esparsas livrarias espalhadas aqui e ali. Porque as opções realmente são mínimas.

Até agora.

Como as vendas internacionais foram viabilizadas?

O maior desafio é justamente a burocracia entre fronteiras. Para citar um exemplo, o frete para entrega de um livro nos Estados Unidos, por si só, pode custar três vezes mais que o valor do próprio livro – e levar cerca de um mês para chegar ao seu destino.

Já imaginou uma operação rodando assim – só que em escala? A administração seria tão ruim quanto a qualidade do serviço.

A solução para um problema desse tamanho passou por localizar e negociar com gráficas fora do país – e aqui entrou um novo problema.

O tradicional complexo de vira-lata brasileiro nos empurra sempre a acreditar que tudo o que fazemos já é feito – melhor – nos outros países. Nada pode estar mais longe da verdade.

São pouquíssimas as empresas no mundo que conseguem viabilizar a impressão sob demanda. O próprio Clube de Autores, diga-se de passagem, foi considerada a empresa mais inovadora do mundo no segmento de publishing pela Feira do Livro de Londres – e isso em 2014!

E foi um fato: achar gráficas capazes de imprimir sob demanda e entregar em outros países durou muito, muito tempo. Depois que achamos, fazer as integraçoes tecnológicas que viabilizassem o processo levou outro pedaço largo de tempo.

E de testes.

E de acertos.

Até que, no começo de fevereiro, colocamos no ar uma versão beta.

E agora? O Clube de Autores está entregando fora do país?

SIM!!!!

Desde meados de fevereiro já passamos a entregar para quase todos os países do mundo, como noticiado em primeira mão pelo Estado de São Paulo. O “quase” fica por conta de países como a Síria e a Venezuela, pois estruturas logísticas em países economicamente colapsados ou em guerra civil são quase inexistentes.

Estados Unidos? Canadá? Portugal? Reino Unido? França? Austrália? Todos esses – e mais algumas centenas – já estao aptos a receber livros do Clube.

Há limitações?

Em um primeiro momento, sim: apenas livros em tamanho A5 e A4 podem ser entregues – e apenas em capa brochura (ou seja, sem ser espiral ou capa dura). Ainda estamos trabalhando para viabilizar as impressões internacionais de livros em outros formatos (como pocket ou quadrado).

Ainda assim, os A5 serão impressos lá fora sem orelhas, tendo sido essa uma condição imposta a nós pelas gráficas de fora do país.

Mas estamos trabalhando para ampliar as características dos livros.

O que você deve fazer para que seu livro seja vendido fora do país?

Ele está publicado no Clube de Autores? Então você não precisa fazer nada.

Observe essa imagem de tela abaixo, aqui neste post. Ela se refere à página de carrinho de compra de um livro. Perceba que, dentre as opções de envio, adicionamos a “desejo receber fora do Brasil”.

É só isso: basta selecionar essa opção e o sistema fará a conversão para o dólar, moeda padrão para todas as transações, e permitirá que você escreva o endereço.

Simples assim.

O que você ganha com isso?

Essa é a mais simples das respostas: um mercado potencial de quase 55 milhões de leitores. Nada mal, hein?

Há próximos passos a serem dados?

É claro que há – e muito além da inserção de outros formatos e especificações de livros. Mas isso, por enquanto, ainda é um segredinho :)

 

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Livros do Clube ganhando o mundo

Desde que fizemos um post sobre um livro daqui do Clube que conseguiu destaque na Croácia, passamos a receber inúmeros emails com exemplos de como os autores independentes brasileiros estão efetivamente ganhando território. 

Foram matérias sobre livros na Turquia, na França, na Espanha, em Portugal, nos Estados Unidos… 

Este que publico aqui hoje – Porta do Sol, de Sandro Vita -, por exemplo, ganhou espaço na mídia brasileira na Inglaterra. Vejam matéria abaixo: 


O que é mais interessante é a temática, tão importante para os nossos tempos: a experiência do próprio autor como imigrante. Estou deixando, a seguir, um link para a página do livro no site do Clube (clique aqui). A sinopse está abaixo: 

Que mistérios envolvem o processo de decidir? Em algum momento faremos escolhas, certas ou erradas, que mudarão por completo o nosso caminho. Agora, imagine alguém capaz de saber, quando e onde, estas escolhas devem ser feitas.

É assim que a jornada de Alexandre Natan começa no interior do Rio de Janeiro. Quando ao fazer um ato generoso, conhece Ruberte Henriques, um português bonachão, que o identifica como um construtor de Portas do Sol. Alguém capaz de identificar o momento correto em que devemos tomar as rédeas de nossas vidas e lutar pela felicidade.

Para desenvolver suas habilidades, ele é convidado a ingressar no sinistro grupo Supremacy – Uma organização capaz de influenciar o destino de nações inteiras. Antes ele terá que resistir a Maud Z, a líder do movimento de oposição, conhecido pelo nome de Leões Negros. Dona de uma vasta rede de contatos, ela fará a vida de todos, um inferno, para dominar o segredo que permite intervir na vida alheia. Ao confrontar sua própria fé, Natan acaba por emigrar para a Europa, junto com sua esposa Tessa. Lá ele cumprirá as ordens de seu mentor Azhym e de sua orientadora Laurien, durante os primeiros anos do treinamento. Sob a pressão da saudade da família, de ataques preconceituosos, da necessidade de adaptação a uma nova cultura e um intenso processo de aprendizagem, Natan enfrentará seus piores medos. Desafios que o levarão a despertar macabros acontecimentos de seu passado, enquanto cumpre missões secretas em Portugal, mas que também o guiarão por aventuras através da Espanha, Alemanha, República Tcheca, França e Reino Unido.

Baseada em fatos reais, Porta do Sol é uma história sobre a importância da lealdade nos dias de hoje e acima de tudo, sobre acreditar no poder de nossas escolhas.

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O triste silêncio brasileiro em relação ao Charlie Hebdo

O episódio do Charlie Hebdo simbolizou um dos mais severos ataques à liberdade de expressão que todo o mundo – e não apenas a França – testemunhou.

Não estou abordando aqui o editorial da revista francesa: ácido e muitas vezes com alguma dose de exagero, ao menos em minha opinião, não posso dizer que ele cai especificamente no meu gosto pessoal de leitura. Ainda assim, embora não goste dos cartuns da Charlie Hebdo, a sua liberdade de publicá-los é símbolo e resultado de séculos de luta contra qualquer forma de opressão.

Um alerta àqueles que fazem da crítica arbitrária um esporte: não estou dizendo que não exista opressão cultural, de outras formas, no mundo. Mas também não dá para ignorar o fato de que, se voltássemos alguns séculos (ou mesmo algumas décadas) na história, muitos de nós estaríamos ardendo em fogueiras ou esquecidos em presídios políticos pelo simples ato de expormos os nossos pensamentos.

O Clube de Autores existe por conta da liberdade de expressão. Aqui, todos os autores do Brasil podem entrar livremente e publicar as suas visões e experiências de mundo, quaisquer que sejam, sem precisar submetê-las a nenhum tipo de crivo ou censura. Como um mercado livre, alguns desses pensamentos encontrarão leitores; outros, não. Alguns gerarão carreiras inteiras no universo literário; outros contarão com a audiência de pequenos (embora não menos valiosos) nichos.

Mas repito: em todos os casos, a liberdade de expressão é elemento fundamental para a existência do Clube de Autores. Ou, indo além, a liberdade de expressão é fundamental para o desenvolvimento em si de toda a cultura mundial, seja na literatura, nas artes plásticas ou em qualquer outro “formato”.

A Charlie Hebdo representa essa liberdade no sentido de publicar o que desejava, ferisse a quem ferisse, e encontrar um público fiel. Ninguém era obrigado a ler – mas quem quisesse, podia.

O atentado terrorista em Paris quis mudar isso de maneira dramática, calando lápis e canetas que questionassem os dogmas religiosos de alguns. Questionar, no entanto, não é desrespeitar. Pelo menos não tanto quanto assassinar.

A resposta do mundo – ainda bem – foi imediata: representantes dos quatro cantos foram a Paris – incluindo os líderes israelense e palestino – para se juntar a uma passeata de milhões de cidadãos. Fora da França, grupos se formaram por todos os continentes, da Europa à Ásia, da África às Américas, protestando contra o ato de terror.

O mundo todo, assim, deixou claro o quanto a liberdade de expressão é importante para os seus valores. Ou pelo menos quase todo.

No Brasil, o silêncio em relação a todo esse episódio foi absolutamente melancólico. Aqui, nos relegamos a reportar notícias vindas do além-mar, como se não fizéssemos parte da comunidade internacional, sem se envolver em nenhuma esfera: as ruas ficaram vazias de manifestantes, nosso governo não se deu ao trabalho de enviar sequer um representante de peso a Paris e conseguimos nos auto-impor um isolamento ridículo de um mundo cada vez menor e mais globalizado.

Todos nós dependemos de maneira crítica da liberdade de expressão para sobreviver: mas fomos incapazes, enquanto povo, de mostrar ao mundo o quanto também nos importamos com isso.

Que pena.

Ricardo Almeida.

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