Dados e tendências do mercado editorial

Recebi, agora à tarde, o arquivo de uma das apresentações que vimos aqui na Feira do Livro de Londres com alguns dados e tendências do mercado editorial.

Embora seja algo mais focado para empresas, sempre parto do princípio de que autores são a parte mais fundamental de toda a cadeia literária e que, portanto, precisam sempre ter acesso a informações referentes ao mercado que estão construindo.

Essa apresentação, do Conselho Britânico, tem alguns pontos muito relevantes que destaco aqui:

– Na Inglaterra, o Kindle e a Amazon são absolutamente dominantes – mas as vendas de Kindles já começaram a desacelerar e há uma tendência deles serem superados por tablets em um futuro próximo.

– O ritmo de crescimento de ebooks é forte – mas eles ainda são minoria (14% na Inglaterra e 23% nos EUA). Para nós, iso indica que levará ainda mais algum tempo para que ebooks passem a dominar, de verdade, a cadeia.

– Ficção é, de longe, o gênero mais efetivo para vendas em ebooks. Não ficção e livros para crianças ficam muito, muito atrás.

– Os preços de ebooks, que estão na média de 40% do preço de impressos, devem continuar caindo.

Quem quiser baixar a apresentação pode clicar aqui ou na imagem abaixo. Está toda em inglês, mas vale a pena nem que seja para passear pelos gráficos e dados :-)

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Por que o Youtube abriu primeira conferência da Feira do Livro de Londres?

A primeira palestra do dia no Digital Minds Conference – evento que abre a Feira do Livro de Londres – foi do Google. O assunto não foi Android, Google Play ou nenhuma plataforma de leitura: foi o Youtube.

Nesse ponto veio uma pergunta natural: se quem está abrindo uma das maiores feiras de literatura do planeta é uma empresa de vídeo, para onde o mercado está caminhando?

A resposta veio de maneira tão natural quanto a dúvida – provavelmente por, coincidência ou não, já estarmos trabalhando nela há alguns dias.

Discutir livros já não é mais apenas discutir formatos de leitura, mas sim hábitos de leitores e autores. Ou, indo além, na tênue linha que, hoje, divide autores de leitores.

Veja: autores, claro, geram o material primário de discussão – o livro. Mas todos os leitores participam de maneira ativa do próprio conteúdo ao postar recomendações, posts em blogs, tweets, indicações de materiais complementares etc. Ou seja: hoje, leitores complementam de maneira determinante a experiência de leitura.

Hoje, o leitor escolhe uma obra já conhecendo opiniões, visões, resenhas e mesmo o autor responsável por ela. De certa forma, é como se ele abrisse a primeira página já com una opinião pre-formada a partir de zilhões de conteúdos relacionados aos quais ele já teve e continua tendo acesso. Acesso, diga-se de passagem, que inclui a sua própria participação.

O Youtube não é apenas um canal de postagem de vídeo: é um canal de co-curadoria em que autores e usuários participam de maneira absolutamente entrelaçada, colaborativa, conjunta.

Acompanhar o percurso dessa rede é o mesmo que dar uma olhada sutil no que deve ser o futuro do livro como um todo.

A questão não é mais para onde o mercado editorial está caminhando: isso tem ficado cada vez mais claro. A questão é até que ponto os autores de hoje estão preparados para esse novo perfil de leitor.

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