Como seria se ver no futuro?

Há alguns anos, um vídeo postado pela Field Day trouxe uma proposta diferente: envelhecer um casal de pouco menos de 30 anos usando maquiagem e viabilizando uma espécie de “viagem no tempo” sem a ajuda de nenhuma tecnologia digital.

Descrito assim, esse projeto pode não parecer nada demais. Mas ele impressiona.

Curiosamente, o que começa como uma espécie de brincadeira acaba realmente transportando o casal até o futuro, fazendo ambos imaginarem quais os tipos de experiências e histórias de vida que, àquela altura, terão colecionado. É uma espécie de prova, por assim dizer, de que o próprio conceito de Tempo está muito mais em nossas mentes e corações do que em um relógio.

Vale ver o vídeo, abaixo (infelizmente, apenas em inglês):

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=X9HlHmY-PsA&w=1280&h=720]

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Menos debate, mais livros

Recentemente, a timeline do meu Facebook tem sido tomada por eventos “mercadológico-literários”. Todos tem a mesma pauta: discutir o futuro do mercado, ebooks versus impressos (ainda), o papel de editores, para onde vamos etc. e tal.

Cansei de todos esses tipos de evento.

Para mim, esse negócio de prever o futuro é relativamente simples: basta olhar o presente e tirar dele tudo o que não faz sentido.

E o que não faz sentido?

Esses tipos de debate em si, como se qualquer conclusão que saísse deles fosse efetivamente mudar alguma coisa.

Qual o futuro do livro? O livro.

Simples assim.

As velhas editoras em seus modelos de distribuição arcaicos, cobrando fortunas justamente dos autores para entregar o que já se pode conseguir de graça, fazem sentido? Não, claro que não. Então devem eventualmente desaparecer.

Os profissionais do livro, como capistas, diagramadores, revisores etc., continuam sendo necessários? Óbvio que sim. Então devem não apenas continuar existindo, como também crescer enormemente pelas possibilidades de negócio que a Internet tem aberto a todos. Um parêntese aqui: só o Profissionais do Livro, que lançamos há alguns anos e nunca fizemos nenhuma divulgação extensiva na mídia, já tem quase quatro MIL profissionais vendendo e entregando seus serviços. Quer prova maior de mercado?

O futuro do livro é impresso ou digital? Sinceramente, isso importa? O importante não é apenas que as pessoas leiam (ou escutem, no caso de audiolivros)? E da maneira que melhor convier a cada um?

As livrarias tradicionais tendem a desaparecer? Bom… a partir do momento que você vai a uma livraria física e nunca encontra o livro que você procura – algo cada vez mais comum em um mundo com cada vez mais livros e menos espaços em vitrines – me parecem que, no mínimo, elas precisarão mudar.

Vejam… não estou tecendo nenhuma conclusão complexa, sofisticada, fruto de horas e horas de reflexão no alto de uma montanha no Tibet: estou apenas escrevendo o que parece o mais óbvio e ululante.

O que também é óbvio? Se há como se publicar gratuitamente, se há redes sociais para se construir seus próprios públicos, se há como distribuir os seus livros nas maiores livrarias do país sem pagar nada… então para que perder tempo discutindo o sexo dos anjos? Não é mais proveitoso sentar, escrever, publicar, divulgar e vender?

Não é para isso que todos estamos aqui, afinal? Para contar as nossas histórias para o mundo?

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Passado, presente e futuro da literatura

Muitos dos grandes clássicos que lemos hoje foram escritos em um mundo gigantesco, provinciano, onde tudo era distante e difícil. 

Para Tolstoi, sair de São Petersburgo para Moscou – uma viagem de cerca de 700km – durava dias, muito mais do que as poucas horas de vôo que temos hoje. O mesmo Tolstoi se criou na cidade de Tula que, em princípios do século, era uma das maiores do Império Russo, contando com quase 52 mil habitantes (!). 

Ainda assim, em um mundo isolado de si mesmo por meios de comunicação absolutamente precários, onde o conceito de globalização era existente apenas enquanto sinônimo de dominação imperialista, ele conseguiu captar a mente humana como poucos. Tolstoi não estava só, claro. Muitos, muitos dos grandes intérpretes da alma humana, de Goethe a Guimarães Rosa, nasceram e se criaram em um passado tediosamente provinciano e recheado de barreiras políticas, culturais e tecnológicas erigidas justamente para evitar que novas ideias ganhassem novos públicos. Ainda assim elas ganharam, furando as barreiras com uma facilidade pueril.

De lá para cá, o mundo diminuiu consideravelmente: aviões transformaram dias em horas e a Internet metamorfoseou horas em frações de segundo. Hoje, podemos não saber tudo – mas sabemos o caminho para quase tudo que quisermos saber. Não há mais barreiras exceto, paradoxalmente, o próprio excesso de novas ideias e possibilidades.

Hoje é possível babar sobre obras do impressionismo francês pela manhã, provar comida turca no almoço, devorar literatura brasileira à tarde e se deleitar com uma peça inglesa à noite – tudo na mesma cidade e com um esforço mínimo. 

O efeito chega a ser óbvio: o acesso a tanto conhecimento certamente está levando a nossa sociedade a patamares jamais imaginados. 

Muitos dos (futuros) grandes clássicos que estão nascendo agora tem as grandes metrópoles e a fusão sócio-cultural como pano de fundo. Dá para ir além, até: a profusão de novas obras geniais gerou uma quase inédita e frenética simultaneidade de gêneros. Se, no passado, era possível separar romantismo de realismo em uma linha de tempo quase exata, o mundo de hoje convive com estilos que vão do neo-romantismo ao “new weird” ao realismo fantástico e à ficção científica, tudo sempre com o recheio de fanfics que apimentam suas “sagas-maternas” ao ponto de se tornarem algo totalmente à parte. 
O mundo hoje é mais simultâneo, mais imediato, mais dinâmico – e tudo isso, fruto de uma era de metrópoles tão físicas quanto virtuais, leva a crer que a literatura está apenas começando a dar ao mundo os seus grandes gênios, parindo toda uma multiplicidade de cérebros que rivalizarão com os Tolstois, Goethes e Rosas que tanto aprendemos (justamente, acrescente-se) a venerar.

É emocionante viver em nossos tempos. 

É ainda mais emocionante trabalhar com literatura nessa era de descobertas e redescobertas. 

Futuro bom é aquele que se chama presente.


Ricardo Almeida.

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É sempre bom nos sentirmos heróis

Esse é um daqueles posts que se baseiam na “eustatística”, por assim dizer. Talvez a palavra em si esteja errada: não pretendo cuspir números cruzar conclusões matemáticas, afinal, mas sim sublinhar uma previsão.

Sempre advoguei com a veemência de um fanático religioso que nunca, na história deste país, se leu tanto quanto hoje. Quando falo isso, costumo ouvir de pseudo-críticos literários que de nada adianta ler mais se a qualidade da leitura e questionável. Sempre detestei esse preconceito intelectualóide, essa soberba de tantos em achar que existe uma “boa literatura” – em geral aquela alinhada aos seus próprios gostos – versus uma “má literatura”. Foi esse pensamento, para ficar apenas em um exemplo, que fez com que tantos regimes emburrecedores, da inquisição medieval às ditaduras latinoamericanas, queimassem livros em praça pública.

Existe uma única coisa: literatura. Histórias contatas por uns para o prazer e o engrandecimento intelectual de muitos.

Graças à Era da Informação, esses “uns” contadores de história tem se multiplicado. Vemos isso cotidianamente aqui no Clube, que já soma algo como 25 novos livros publicados todos os dias. Sorte de um povo que consegue viver em um tempo com tantas histórias sendo contadas de maneira livre, aberta e disponível.

Sorte de um povo que tem liberdade para escolher a literatura que deseja consumir, ignorando a opinião impositiva alheia que costumava ditar as regras do mercado editorial.

E sorte de um povo que pode contar também com tantas maneiras diferentes de se consumir livros.

Falo por mim – sou um leitor voraz, absolutamente apaixonado por livros.

Para citar o meu exemplo, consumo livros de todas as formas.

Pela manhã, quando corro no parque ou quando venho ao trabalho, prezo cada segundo ouvindo um audiolivro.

Durante o dia, consigo encaixar algumas escapadas do trabalho para ler um ebook de autor independente, publicado aqui no Clube.

De noite, quando toda a casa já adormeceu, deixo as luzes acesas para ler um impresso.

Três livros simultaneamente, escritos por autores diferentes e consumidos em formatos diferentes. Vou além: é justamente a diversidade de formatos que me permite lê-los ao mesmo tempo uma vez que o audio, o digital e o impresso acabam se alinhando perfeitamente a cada circunstância, preenchendo vácuos que, em outros tempos, permaneceriam vazios.

E esta é, pois, a minha previsão talvez calcado em um egoísmo semi-psicótico: a de que o hábito de leitura do brasileiro crescerá a níveis que ainda desconhecemos justamente pela profusão de novas histórias e de novos meios para consumi-las.

E de que os protagonistas dessa nova era da informação, uma era feita da intelectualização generalizada não apenas do brasileiro, mas de todos os povos do mundo, seremos justamente nós, autores independentes que estamos subvertendo a ordem ditatorial do mercado literário.

É sempre bom nos sentirmos heróis.

Parabéns a nós mesmos.

super-heros

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CBL promove workshop de Modelos de Negócios para Conteúdo Digital no dia 27

Notícia para quem estiver interessado no mercado de livros – e que reproduzo na íntegra:

A Escola do Livro, da CBL, promove no dia 27 de abril o workshop Modelos de Negócios para o Conteúdo Digital: vários olhares, vários caminhos. O encontro levará aos participantes as perspectivas dos diferentes players do segmento do livro digital: editor, distribuidor, gerente de negócios e autor.

A abertura do workshop estará a cargo de André Palme, executivo de desenvolvimento de negócios da Kappamakki Digital, quem exporá sobre edição e gestão do livro digital. “O mundo digital é parte do nosso dia a dia. São milhões de usuários de Internet e smartphones, leitores potenciais que já têm o mais importante na palma da mão: um suporte de leitura, que precisa ser preenchido com conteúdo”, comenta.

Na palestra “Distribuição em lojas virtuais”, Camila Cabete, Senior Publisher Relations Manager da Kobo no Brasil, falará sobre os desafios enfrentados pelas editoras no desenvolvimento do produto digital e os desafios enfrentados pelas distribuidoras na busca pela profissionalização do mercado.

Em seguida, Leonardo Sales, co-fundador da UBook, empresa especializada em áudiolivros, falará sobre distribuição do livro digital via streaming. A apresentação dará uma visão geral de como nos relacionamos com o conteúdo digital, as transformações de indústrias como TV, música e livro, a economia que gira em torno do modelo de streaming e os desafios para o cenário Brasil”, explica Sales.

O workshop segue com a palestra de Ricardo Almeida, diretor presidente do Clube dos Autores, falando sobre autopublicação do ponto de vista do editor. “Autopublicação, hoje, é uma porta aberta tanto para autores quanto para editores, que conseguem conferir o potencial de sucesso de um livro antes mesmo de investir nele – algo impensável até muito pouco tempo atrás”, comenta Almeida.

O autor José Santos comentará sobre o mesmo assunto, explorando a questão do ponto de vista do autor. “Tenho publicações em três editoras diferentes, cada uma com suas peculiaridades. Falarei das possibilidades que se abrem com o ebook, como as de tradução e distribuição em novos mercados. Cabe ao autor, também, pensar possibilidades para o uso da voz, sonoplastia, vídeos e animações, que se tornam tão importantes quanto o próprio texto”, afirma Santos.

“O modelo de negócios do digital no ambiente universitário é o tema de Pedro Puntoni, coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap (Centro Brasileiro Análise Planejamento).

O encerramento se dará com o depoimento de Susanna Florissi, diretora da editora Galpão, que tem livros distribuídos em diversas plataformas. “Alguns modelos de negócios para o conteúdo digital já estão implementados e funcionando a contento, mas há muito a ser aprendido e compartilhado nesta nova Era da Comunicação. O workshop será um bom momento para ampliarmos essa discussão”, conclui Florissi.

Dados práticos: 

  • Data: Quarta, 27 de abril
  • Horário: Das 10 às 15:30
  • Local: Livraria Martins Fontes – Av. Paulista, 509 – São Paulo-SP
  • Preço:
    • Associados CBL: R$ 120
    • Associados de entidades congêneres, professores e estudantes: R$ 190
    • Não associados: R$ 240
  • Inscrições: [email protected] ou (11) 3069 1300

Programação:

  • 10h: Abertura – André Palme, sócio-diretor de desenvolvimento de negócios da Kappamakki Digital
  • 10h15: Distribuição em lojas virtuais – Camila Cabete, Senior Publisher Relations Manager, Brazil
  • 10h45: Distribuição via streaming – Leonardo Sales, co-fundador da UBook
  • 11h15: Self Publishing – Ricardo Almeida, presidente do Clube dos Autores
  • 11h45: Players nos diversos segmentos e setores – André Palme, sócio-diretor de desenvolvimento de negócios da Kappamakki Digital
  • 12h00: Intervalo para almoço
  • 13h00: O ponto de vista do autor sobre os novos modelos – José Santos
  • 13h30: O modelo de negócios do digital no ambiente universitário – Pedro Puntoni, coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap (Centro Brasileiro Análise Planejamento)
  • 14h00: Livros distribuídos nas diversas plataformas – Susanna Florissi, diretora da Editora Galpão
  • 14h30 a 15h30: Discussão geral
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