Smartphones, smartphones, smartphones

Não vou escrever aqui sobre impresso versus digital de novo. Esse tópico, claro, é e provavelmente continuará sendo recorrente por muito tempo – mas há mais a se falar sobre o assunto. 

Uma pesquisa bem interessante sobre hábitos digitais, da Reuters, foi divulgada há pouco. E há uma série de informações relevantes nela, mesmo considerando que livro não é exatamente o foco. A principal? 

Há uma nítida concentração de hábito de consumo de conteúdo via smartphones. Isso pode até parecer óbvio, mas perceba que não estou falando aqui de uso de smartphones e sim de concentração de hábito. 

Em outras palavras: cada vez mais, mais pessoas tem usado seus celulares (em detrimento de tablets e mesmo de computadores) para consumir conteúdo digital. 

Para quem escreve livros, isso pode ser uma informação importantíssima: afinal, ler em uma tela pequena e portátil é certamente diferente de ler em um computador ou mesmo em um híbrido como um tablet. Talvez se desenvolva uma preferência por livros mais curtos; talvez por conteúdos mais multimídia; talvez integrado a funcionalidades de geolocalização, seja lá como isso possa se dar. 

Enfim… O mar de possibilidades é grande, claro – mas, considerando que livro é conteúdo, possivelmente inclusive em sua forma mais densa, entender os hábitos de consumo de conteúdo mundo afora é certamente importante para autores. 

Além dos dois gráficos abaixo, deixo e recomendo o link para acesso completo à pesquisa aqui: http://www.digitalnewsreport.org/survey/2015/executive-summary-and-key-findings-2015/

   
 

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A queda dos ebooks

Há alguns anos, o futuro do livro era claramente digital. Em pouco tempo, ebooks dominariam os mercados, todos teriam um eReader nas mãos e o impresso passaria a ser artigo de museu. 

Eu mesmo tinha isso como uma certeza, embora sempre achasse que o futuro levaria mais tempo para chegar – quase 20 anos trabalhando com Internet, afinal, me ensinaram que fatalismos raramente viram verdades no curto prazo. Comecei a mudar de opinião há 2 anos quando, de férias em um país coalhado de americanos, passei a observar os hábitos de leitura do povo tido como mais tecnologicamente avançado do planeta.  

O que vi? Jovens de 20 a 40 anos grudados em seus Kindles e tablets lendo de tudo enquanto os mais velhos e crianças – sim, crianças – liam impressos. Antes que me corrijam: sim, é óbvio que crianças mergulhavam nos tablets quando queriam jogar alguma coisa qualquer – mas a leitura delas era praticamente toda feita em impressos. 

E por que isso importa? Porque há algum tipo de espaço entre a adoção ansiosa e empolgada de uma tecnologia e a consolidação dessa adoção nas gerações futuras. Se as previsões mais fatalistas fossem concretas, então se deveria observar uma curva inegavelmente crescente de adoção de ebooks na medida em que as faixas etárias fossem ficando mais novas. Ou seja: se 20% dos jovens liam livros digitais, então 50%, 80% das crianças deveriam fazê-lo. Certo? 

Teorias nem sempre condizem com a prática. 

O que aquela viagem me ensinou foi que há espaço para tudo, diferente do que o sempre ansioso mercado pregava. 

Tive a confirmação desta minha (solitária) tese este ano. 

De acordo com o New York Times, as vendas de ebooks cresceram cerca de mil porcento entre 2008 e 2010, em grande parte impulsionadas pela chuva de leitores digitais no mercado. Não se deve negar os benefícios: carregar ebooks é fácil, os devices comportam milhões de títulos e, desconsiderando o custo dos leitores em si, as histórias são mais baratas. 

Só que o ritmo de crescimento foi diminuindo nos anos seguintes com a mesma intensidade. Sabe o que aconteceu em 2015? As venda de ebooks caíram 10%. E não, isso não se deve a um abandono de hábito de leitura: os impressos cresceram cerca de 8,4% durante o primeiro semestre do ano só na Amazon, a Mecca dos livros digitais.

E por que alguém compraria um impresso se ele é mais caro e tão mais limitado? 

Bom… Primeiro, porque é difícil passar em uma livraria e folhear um livro digital até comprar o que mais apetecer. Há situações em que o mundo físico dificilmente encontra substituto no virtual. 

Mas há outros pontos. Qual a grande vantagem, por exemplo, de carregar um aparelho que armazena milhões de exemplares se só se lê um por vez? E como considerar uma equação que desconsidera o preço de eReaders como Kindles – algo realmente custoso principalmente em um país com tão pouco hábito de leitura como o Brasil? 

Além disso, será que apenas os mais velhos apreciam histórias contadas em páginas ao invés de bits? Aparentemente não. Talvez – apenas talvez – o papel ajude a dar um clima importante para as histórias.

Seja como for, o fato é que os diferentes formatos devem conviver ainda por muito, muito tempo. 

Que bom: quanto mais formas de se ler, afinal, melhor para todos nós que ganhamos opções. 

  

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Impressos, ebooks e a hora de terminar com os fatalismos

Dia desses estava lendo uma história para a minha filha de 3 anos quando me deparei com uma constatação quase disruptiva: apesar da idade, ao menos quando o assunto era livro, a preferência dela era inquestionavelmente para o impresso. 
Sim: é uma criança, daquelas que já nasceu mexendo em IPad e que tem dificuldade em compreender um mundo que não seja touch-screen. Mas, ainda assim, preferia o impresso. 
Por que? 

Arrisco um palpite: pela necessidade de se concentrar em absoluto em uma narrativa. No passado, um artigo da revista Nature que comparou a absorção de conhecimento em interfaces de papel versus digitais já havia deixado isso claro: as possibilidades do mundo virtual são tamanhas que, na mera atividade de decidir se se deve ou não clicar em um link, vídeo, imagem ou verbete durante uma “leitura digital”, parte da capacidade de raciocínio simplesmente se perde. 

Para a leitura, menos é mais. 

E parece que, agora que o hype dos ebooks está passando, isso está ficando claro. Veja a pesquisa abaixo, publicada recentemente no UOL: 

  
Perceba que houve um crescimento substancial na preferência por impressos, chegando a 69% (versus 28% de ebooks). E isso, registre-se, porque estamos falando do público americano, já MUITO mais habituado a ebooks que os brasileiros. 

Seria pela idade avançada das gerações anteriores que ainda compõem a média? O exemplo da minha filha me fez discordar. Outros dados da pesquisa também. 

Entre jovens de 18 a 29 anos, a imensa maioria lê livros impressos e apenas 4% afirmam ler apenas ebooks. 

Temos esse hábito ingênuo de pregar fatalismos a cada nova disrupção: já dissemos que a TV mataria a rádio, que a Web mataria a TV. Exceto em casos onde a informação se faz obsoleta – como com jornais – todas as mídias acabam tendo seu espaço. 

O ebook certamente veio para ficar até porque cumpre uma função incrível de permitir acesso infinito a bases de conhecimento, algo extremamente valioso principalmente para consultas técnicas ou científicas. Mas isso não significa que a tecnologia do livro impresso tenha morrido. 

A julgar pelas pesquisas mais recentes e pelos hábitos de “leitura” da minha pequena filha, pelo menos, isso está longe de acontecer. 

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Levantamento incrível sobre hábitos de leitura

Nessa semana, o UOL lançou um especial sobre hábitos de leitura com algumas informações incríveis – incluindo coisas que todo autor (ou apaixonado pela literatura) deve saber.

Apenas um exemplo: você sabia que, em 2014, a leitura de livros impressos cresceu 69% enquanto o de ebooks subiu (apenas) 28%? Ou que o número de leitores no Brasil caiu entre 2007 e 2011 – apesar do número de analfabetos também ter caído no mesmo período?

Enfim, vale conferir esse levantamento em forma de infográfico! Clique aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link http://tab.uol.com.br/livros/

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