Por que o Youtube abriu primeira conferência da Feira do Livro de Londres?

A primeira palestra do dia no Digital Minds Conference – evento que abre a Feira do Livro de Londres – foi do Google. O assunto não foi Android, Google Play ou nenhuma plataforma de leitura: foi o Youtube.

Nesse ponto veio uma pergunta natural: se quem está abrindo uma das maiores feiras de literatura do planeta é uma empresa de vídeo, para onde o mercado está caminhando?

A resposta veio de maneira tão natural quanto a dúvida – provavelmente por, coincidência ou não, já estarmos trabalhando nela há alguns dias.

Discutir livros já não é mais apenas discutir formatos de leitura, mas sim hábitos de leitores e autores. Ou, indo além, na tênue linha que, hoje, divide autores de leitores.

Veja: autores, claro, geram o material primário de discussão – o livro. Mas todos os leitores participam de maneira ativa do próprio conteúdo ao postar recomendações, posts em blogs, tweets, indicações de materiais complementares etc. Ou seja: hoje, leitores complementam de maneira determinante a experiência de leitura.

Hoje, o leitor escolhe uma obra já conhecendo opiniões, visões, resenhas e mesmo o autor responsável por ela. De certa forma, é como se ele abrisse a primeira página já com una opinião pre-formada a partir de zilhões de conteúdos relacionados aos quais ele já teve e continua tendo acesso. Acesso, diga-se de passagem, que inclui a sua própria participação.

O Youtube não é apenas um canal de postagem de vídeo: é um canal de co-curadoria em que autores e usuários participam de maneira absolutamente entrelaçada, colaborativa, conjunta.

Acompanhar o percurso dessa rede é o mesmo que dar uma olhada sutil no que deve ser o futuro do livro como um todo.

A questão não é mais para onde o mercado editorial está caminhando: isso tem ficado cada vez mais claro. A questão é até que ponto os autores de hoje estão preparados para esse novo perfil de leitor.

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Nosso concurso de mini-histórias no Facebook

No dia 20 de agosto, decidimos usar o Facebook para fazer uma “experiência”: brincar com a criatividade dos autores em uma corrida para ver quem conseguia criar uma história inusitada e interessante, em poucas frases, tendo como base apenas uma frase.

A premiação era simples e quase simbólica: um cupom de R$ 50 para usar no próprio Clube, e a decisão da melhor história ficaria por conta dos próprios usuários e na quantidade de “curtir” que cada uma recebia.

Quando publicamos o concurso, não tínhamos absolutamente nenhuma expectativa. Mas ficamos surpresos: em 24 horas, foram cerca de 60 histórias postadas e muita, MUITA gente curtindo.

Uma coisa ficou clara: criatividade realmente sobra entre os autores do Clube! Veja, ahaixo, a imagem que cadastramos e algumas das histórias – e já se prepare para outros concursos semelhantes que CERTAMENTE virão:

Leandro Felix (vencedor): Não satisfeito em torturá-lo, o assassino queria sentir o prazer de vê-lo sofrer e ouvir seus gritos e sua agonia transparecer. Mas com toda coragem do mundo, o pequeno garoto o observava e não deixava que suas lágrimas caíssem, deixando o agressor ainda mais espantado que ele.

Thiago Spindola: Aquela bala entrou direto em seu coração. Mesmo incerta, foi certeira. Não havia mais nada que ninguém pudesse fazer, a morte só era questão de minutos, segundos. Naquele olhar indefinido se via a ausência de sentido e a falta da dor que já atingira e fora. Ela via também os flashes, como em um filme de sua vida numa grande tela. A mistura de tudo a fazia vê-la de forma secundaria como sua vida sempre foi.

Marilda Assis: E agora? Aquilo não era um beijo! Eu tinha sete anos quando a vi pela primeira vez. Seus cabelos eram brilhantes e sua face corada; apertei os seus bracinhos e seus lábios estalaram: Eu me senti beijada e, por muitos anos, fiquei como quem sonha! Anos e anos depois, disse eu numa loja: quero aquela boneca que joga beijos! A vendedora trouxe uma pra mim. Estranhando seu rostinho pálido e seus cabelos esmaecidos, perguntei: É a mesma de antigamente? A mesmíssima! Numa busca desesperada apertei os seus bracinhos e ela assoprou: aquilo não era um beijo! Em choque, com meus olhos estatelados, entendi que as crianças enxergam as coisas com singeleza de alma, mas eu, já havia crescido.

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